quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Metallica - Load

 O álbum Load, lançado pelo Metallica em 1996, foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Ain't my Bitch; 02-2x4; 03-The House Jack Built; 04-Until It Sleeps; 05-King Nothing; 06-Hero of the Day; 07-Bleeding Me; 08-Cure; 09-Poor Twisted Me; 10-Wasting My Hate; 11-Mama Said; 12-Thorn Within; 13-Ronnie; 14-The Outlaw Torn


The Trooper
3
Saudações.
 
Eu poderia começar o ano de 2021 declarando que janeiro é o novo mês de férias dos metalcólatras, por isso não há postagens.
 
Mas é uma mentira. 
 
Talvez esse seja o momento mais crítico do blog, pois a tríade que se tornou o pilar dos Metalcólatras, os metallicólatras, fundadores do movimento 'senãoémetallicanãoébom', começa a desmanchar.

Phantom Lord virou um jovem místico que faz o sinal da cruz ao tocar The Number of the Beast (pera, acho que esse é outro cara).

Magician perdeu seu gremóire e suas tentativas de usar prestidigitação no lugar o levam ao auto-exílio.

Com a tríade abalada, Pirika questiona sua participação no blog.

Resta a mim então, tomar medidas drásticas para tentar em vão evitar a desintegração.

Eu me declaro agora como o novo bloglord, e minha primeira medida é a anulação de regras. Posta quem quiser, quando quiser, o que bem entender, e tenho dito.

Como postagem de protesto, insiro Load no blog, para que a profecia dos detratores do blog se confirme, onde o objetivo seria postar a discografia completa do Metallica (sim, meus próximos posts serão os álbuns restantes em ordem cronológica).

Era 1996, eu estava no penúltimo ano do colegial, o Metallica havia lançado seu último álbum 5 anos atrás, havia uma enorme expectativa sobre o que viria após o Black Album. Load foi lançado.

Eu nem mesmo tinha um computador, as informações que chegavam eram de revistas, e elas não eram boas. Restava aguardar as músicas carro-chefe serem lançadas nas rádios e os videoclipes na Mtv para confirmar a catástrofe.

De melhor banda de heavy metal, o Metallica passaria a ser uma chacota? Não sabíamos. Para quem era fã da banda (como eu era - sim Mercante, 'senaoemetallicanaoebom'), a esperança é a última que morre, não aceitaríamos a decepção sem ouvirmos com nossos próprios ouvidos.

Mtv e rádios deram suporte à nossa teimosia ('ei, essa música é estranha mas não é ruim') até que o Magician arrecadou fundos sabe-se-lá-de-onde e adquiriu um Compact Disc.

A capa é isso aí que você vê no início do post, o logo mudou, o 'desenho' era sêmen com sangue, o restante era isso aqui:















Existiam emos na época? A wikipedia diz que sim. Só sei que Lars e Kirk pareciam emos.

Os integrantes do Metallica foram substituídos por alienígenas? Era um boato que corria. Arquivo X estava no auge, e olhando essas fotos eu quase concordava com o boato.
 

 

E o som?

Bem, as músicas que viraram videoclipe já eram bem diferentes, mas só dava pra avaliar direito ouvindo o cd.

E ele começa com 'Ain't My Bitch'. A voz de Hetfield está um pouco diferente (parece que ele havia danificado as cordas vocais em uma turnê). O som lembra um pouco Black Album mas está diferente. A letra é completamente alienígena se comparada com a discografia até o momento. Hetfield apareceu com uma marca que seria constante em seu sotaque: 'Ain't my bitchA!' O solo de guitarra foi bem curto, eu estava ouvindo de novo e da primeira vez nem percebi que teve solo.

Vem '2x4', mais lenta, ainda lembra um pouco o Black Album. Os corinhos com vocais distorcidos não se parecem nada com Metallica. Dois solos, mas nenhum chama muito a atenção. Letra estranha.

'The House Jack Built' é lenta também, embora pesada, é a música do wah-wah, o solo é praticamente um wah-wah gigante, a distorção enfatiza o clima de terror que Hetfield aparenta querer passar, uma versão muito mais simples de 'The Thing That Should Not Be', ainda parece um Metallica bem diferente.

'Until It Sleeps' virou videoclipe, ela é pesada, a ruptura com o Black Album não parece tão grande aqui, é uma música marcante, já o solo passa batido. Dá pra entender porque os caras escolheram essa pra videoclipe.

'King Nothing' é a melhor música do cd, é cadenciada mas pesada, de longe a mais pesada. Outra música escolhida para videoclipe, os motivos são óbvios, não é difícil imaginar ela existindo dentro do Black Album. Notem que estou usando o penúltimo cd dos caras na época como ponte porque a ruptura com o ..And Justice já era enorme. O baixo de Jason finalmente aparece na 'paradinha', o que torna a música mais interessante aqui só por causa disso.

'Hero of The Day' foi outra música escolhida para videoclipe, ela é boa, tem a marca pop do Black Album misturando baladinha com distorção pesada para arrastar os incautos ao heavy metal. O curtíssimo solo de guitarra foi o que mais chamou atenção no cd até o momento.

O Metallica poderia ter terminado o álbum aqui. Seria só uma continuação do Black Album controversa, que eu julgaria até boa, ficaria em sexto na discografia mas tudo bem. Infelizmente eles continuaram gravando.

'Bleeding Me' é a verdadeira cara do novo Metallica, os aliens devem ter copiado as ideias na cabeça do Metallica verdadeiro pra gravar o começo do cd, mas aqui já não tinham mais ideias e gravaram o que estava na moda em Orion (a constelação, não a música do Metallica que chamou a atenção dos ets). É um rock lento que absolutamente não parece Metallica, chega a ficar pesado em alguns momentos mas está totalmente aquém de toda a discografia da banda até o momento. Deixaram o Kirk solar loucamente perto do final só pra tentar acordar os ouvintes e colocá-los em coma novamente.

Em 'The Cure' o baixo de Jason aparece novamente, talvez porque os caras estavam sem muitas ideias sobre o que fazer com as guitarras, mas até que tem uns trechinhos legais, é lenta, com algum peso. Pouco parecida com o Metallica.

'Poor Twisted Me' é outra música onde o baixo de Jason aparece. Novamente, Kirk e Hetfield estão brincando de tocar guitarra. A música é lenta e é a mais alienígena até o momento, se essa música fosse o carro-chefe do cd e saísse nas rádios e Mtv, as pessoas pensariam que o Metallica morreu e foi substituído por robôs.

'Wasting My Hate' é o sopro de esperança (falso) que o cd não irá terminar mais desastroso do que isso. A música é rápida e pesada, deixam até o Jason participar. Eu não percebi solo de guitarra algum, sinais dos novos tempos.

'Mama Said' é a balada declarada do álbum. É uma boa balada, mas completamente alienígena, não parece que foi o Metallica que gravou. Compare com Nothing Else Matters, uma parece uma balada de rock, a outra, de country.

'Thorn Within' é uma música estranha, lenta, que parece desafinada às vezes, tem um riff legal, mas um riff não salvou o resto da música.

'Ronnie' é um rock que veio de algum outro lugar do universo, mas não do Metallica. Com certeza todo fã que ouviu essa faixa pensou 'What the fuck?!?'

'The Outlaw Torn' foi a rasgada final (perdão) na alma do fã. Como sempre, quando não sabem o que fazer com a guitarra deixam o Jason aparecer. A abordagem dos vocais encaixa perfeitamente com a chatice da música. Uma música lenta que fica patinando e não sai do lugar (veríamos isso novamente no futuro em The Unforgiven III), e acaba torturando o ouvinte por uns 10 minutos. Um cuspe na cara.

Enfim, minha análise hoje é muito mais fria do que na época. De minha parte havia uma certa decepção, mas hoje eu entendo o ódio profundo que muitos sentiram, é difícil dizer que este álbum é de heavy metal, quanto mais compará-lo com o que o Metallica havia feito até o momento.

Além da quebra no heavy metal, no visual, nos temas, na minha opinião o mais grave de tudo o que ocorreu no Load foi o Metallica ter lançado faixas pífias. Isso nunca havia acontecido antes. Não é exagero chamar todos os álbuns anteriores de obras-primas. Escape, que para mim era a faixa mais fraca do Metallica, come com farinha quase este álbum inteiro.

Enfim, não é um álbum que chega a ser ruim, algumas faixas são boas, mas em comparação ao que o Metallica havia feito até o momento, Load é uma catástrofe.

Nota: \m/\m/\m/


The Magician

Regresso de uma das inúmeras realidades turvas que frequento para pôr fim nesse maldito monólogo do morto-vivo conhecido nessas bandas apenas como "Trooper".

A postagem de "Load" não é somente uma afronta já esperada por quem teve a oportunidade de acompanhar os anos vicejantes desse blog moribundo; quem viveu aquela época sabe também que esse título em nossa página principal é uma espécie de profecia de morte para o próprio grupo dos Metalcólatras, em um momento em que apenas o sofrimento reprimido e o sentimento de chacota derradeira restassem na psique dos membros da resistência. Mas não será dessa vez Trooper, que você irá desferir o golpe fatal nesse site, até porque, se alguém o fizer.. adivinha quem será.... Mwahahahahah!

Confesso sem nenhum tipo de orgulho que essa tiragem consta na minha coleção particular de compact discs. A história por trás dessa aquisição consegue ser ainda mais constrangedora  do que o simples ato de ter o CD (mas como comentou um desertor metalcólatra certa vez, esse é um fórum que não pode se omitir de disponibilizar seus registros constrangedores..); pois bem, certa vez em 1998 eu e um grupo de amigos que por nenhuma circunstância normal teríamos a oportunidade de comprar ao menos um CD na recém inaugurada loja Fnac de Pinheiros, fomos agraciados com uma visita no local com o direito a um "pick" qualquer nas recheadas e reluzentes prateleiras da loja - cortesia de uma boa alma que também era nossa professora de português e literatura do antigo "colegial". Obviamente os delinquentes com essa oportunidade não se contentaram com um único disco (no meu caso já havia sido o Load), e eis que se materializa a ideia do nefasto Leobardo de "alguém" mais pegar dois CD's ao invés de um, "sem querer", para que a porta da bondade se abrisse aos demais delinquentes. Havia um membro mais cara de pau nesse grupo infeliz, e tenho que dizer que o vândalo era eu...... 

O plano deu certo, e pra desgraçar ainda mais esse conto, tenho que dizer que meu outro pick foi 'Garage Inc.' - que na época custou surreais R$30,00 por se tratar de lançamento + álbum duplo (não tenho coragem de inflacionar esse valor, mas deve extrapolar o preço que o Trooper pagou pela obra 'ma-o-mê' do Impelliteri). Eu tenho certeza que a professora de pt cortou as relações com todo o grupo por causa disso.. e como sou solipsista e centralizo em meu ser todo o multiverso, tenho certeza que Load, que deveria ser um bom álbum, se tornou automaticamente uma merda quando finalizei o meu golpe.

De qualquer modo vamos ao que interessa, caros e caras desocupados e desocupadas: à resenha do álbum.

Se você não é muito próximo, ou muito atento ao que representa e quais são as características principais do Heavy Metal ou Thrash Metal, (e se você for muito jovem também... porque os jovens, musicalmente, eu juro por Deus que não entendo!) você pode considerar que Load é um álbum pesado o bastante para ser considerado Heavy Metal, e também (mais grave) pode achar que Load não é tão diferente assim dos trabalhos precursores...

Então vou iluminar sua mente limitada esclarecendo: Load é muito diferente do que tudo que o Metallica fizera até ali, e COMPLETAMENTE diferente do que tudo que o o Metallica fizera até And Justice For All". Os membros do Metallica gozavam de certa credibilidade entre músicos formados, as revistas especializadas rasgavam elogios ao trabalhos anteriores, e a quantidade de transcrições de suas composições nas publicações dedicadas às guitarras, era simplesmente fora do comum. Se Mercanth ainda frequentasse o blog, diria que esse é um fenômeno comercial, mas obviamente seria mais um comentário idiota saindo de sua boca. 

A adoração da comunidade musical é reflexo da própria dedicação à técnica de seus membros, e é fácil de exemplificar:  o Metallica ficou conhecido pela quantidade de riffs fraseados que inseria em suas canções - aqueles onde interpretam nas guitarras uma frase formada de muitas notas tocadas individualmente dentro de determinada escala, ao invés de golpear incessantemente um acorde rítmico, característica muito mais associada ao Punk ou ao Grunge - ainda que fossem brutais, exemplos memoráveis não faltam: as duas introduções de 'Master of Puppets', os versos principais e o riff melódico conclusivo de 'Sanitarium', os versos de 'Lepper Messiah', os riffs e bridges de One, a introdução trovejante de 'Blackned', e assim vai. Mesmo quando priorizavam o peso extremo com uso mais frequente dos power chords (Creeping Death, Battery, And Justice.., Disposable Heroes...), esses eram intervalados por licks matadores - pequenas frases de três a cinco notas entre os acordes. 

Antes de Load, as músicas do Metallica reservavam espaços generosos para aplicação dos solos, algumas vezes com duas ou até três composições solistas (!), e dentre eles (embora os hipócritas não admitam) duas obras memoráveis obras de Kirk chamam a atenção nas escolas de música: o segundo incendiário solo de Master of Puppets, e o progressivo solo de Creeping Death pautado no modo frígio (ou escala oriental/árabe). 

Nada disso está presente em Load. Os membros trocaram essas características colocando na frente das composições seus sintetizadores e suas inúmeras experimentações como cartão de visitas, que incluem o Cry Baby onipresente de Kirk e os acordes repetitivos e prolongados com abuso de Hall, Flanger e Chorus de James Hetfield. O frontman inclusive encarnou Tobias Sammet ao colocar overdubs com camadas de sua própria voz não tão afinada pra se arriscar nessa abordagem (pode-se perceber em Hero of The Day), mas o limite do desvio de personalidade da banda é representado pelo talkbox utilizado por Hetfield em "The House That Jack Built".

O resultado é que o que o Metallica reformou sua musicalidade, tirando de cena para sempre suas performances baseadas em técnica e brutalidade apoiadas em um material lírico social e crítico, que era totalmente condizente com a 'identidade' da banda forjada ao longo de uma década; para no seu lugar,  fazer o "Upload" (¬¬) de composições monótonas e imersivas, baseadas em viradas atmosféricas com sons translúcidos e psicodélicos.

Eu não vou ficar aqui especulando o porque dessa escolha dos membros da banda naquela altura do campeonato, pois estou velho pra isso, e para mim basta essa descrição resumida que apresentei do que aconteceu com o som da banda na ocasião deste lançamento. O fato de eu estar velho, também faz com que eu dê certo valor ao material concebido (e até aponte alguns destaques, como King Nothing e Until it Sleeps), mas isso não apaga o fato que o Metallica - talvez a banda que melhor traduziu a semântica da música pesada no planeta - nunca mais tenha produzido algo semelhante à sua discografia oitentista após o lançamento de Load, e consequentemente deixou seu posto vago para todo o sempre, com uma espécie de vácuo no coração de cada metaleiro que algum dia de sua vida sem significado se arrepiou com Blackned, Fade To Black, The Call of Cthullu, Orion, Disposable Heroes, Harvester of Sorrows, Frayed Ends of Sanity, Ride the Lightning.....  

E isso ninguém aqui nesse blog pode negar. É algo triste.

Nota 5,5 ou \m/\m/\m/.

Pirika
Load...talvez o pior cd do Metallica, ou seria esse o St. Anger? Não devo ter ouvido o St. Anger mais do que duas vezes (exceto por algumas músicas específicas) porém também não me lembrava mais do Load, imagino que quando o Trooper nos agraciar com o St. Anger tenhamos essa resposta, além de testemunharmos que ele postou as 3 piores coisas que o Metallica fez até hoje.

Eu acho que comecei a ouvir metal em 98 ou 99, não me recordo com exatidão, mas com certeza conhecia as músicas pós And Justice antes de ter comprado o Ride the Lightning e ter dado novos rumos a vários aspectos da minha vida. Pois bem, músicas como King Nothing e Hero of the Day já eram do meu dia a dia e continuam sendo do meu gosto, porém ter ouvido esse cd novamente sei lá quantos anos depois traz aquela indignação de não entender como aquele Metallica virou isso. Os caras fazem o que querem e de fato sempre houve uma evolução/mudança em diversos aspectos entre os cd’s, com certeza um dos vários motivos que fizeram do Metallica o que eles são hoje, mas se pensarmos que 2 álbums antes eles haviam feito algo do nível do And Justice e agora faziam músicas no nível de The House Jack Built é para de fato revoltar qualquer admirador do Metallica.

Se analisarmos de forma única e imparcial esse cd eu diria que teremos um cd de rock ruim para mediano, porém não é isso que faremos aqui. Falemos primeiramente do que esse cd tem de bom. Esse cd tem algo de bom? Sim. Por mais que aquele tal de Lars seja um vendidinho, mascaradinho e perninha, os músicos do Metallica são ótimos músicos, James Hetfield é uma das melhores coisas que esse planeta já teve musicalmente falando, então mesmo que seja um estilo de rock ruim eles conseguem fazer coisas boas quando inspirados. Digo mais, boas não...ótimas.

King Nothing até hoje é uma das minhas músicas favoritas no geral, mesmo se considerarmos os primeiros álbuns e é definitivamente a melhor desse cd. Until it Sleeps, Hero of the Day e Ain’t my Bitch completam o que esse cd tem de melhor. Após esse pelotão temos algumas músicas razoáveis/legais como Bleeding Me, Mama Said e Wasting my Hate...e só. O resto do cd é um lixo e isso que leva a revolta de tantas pessoas. Músicas que pouco tem a ver com o que a banda já fez (de bom e de ruim), sem inspiração e sem qualidade. Acho que a música que melhor simboliza isso é The House Jack Built que é uma coisa medonha do começo ao fim. As outras músicas são igualmente ruins e pífias: 2 x 4, Cure, Poor Twisted Me, Thorn Within, Ronnie, The Outlaw Torn, nenhuma dessas se salvam.

Um cd ruim que teve sua nota elevada por algumas músicas muito boas e que não vale o tempo nem o esforço. Em tempo, Trooper favor postar o St. Anger para termos certeza da sua índole de metaleiro com gosto duvidoso.



Top 3: Until it SleepsKing Nothing e Hero of the Day. Shame Pit: The House Jack Built.

Nota: 4,5

“Careful what you wish, Careful what you say

Careful what you wish you may regret it

Careful what you wish you just might get it”

    



terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Ambush - Infidel

 O álbum Infidel, lançado pela banda Ambush em 2020, foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Infidel; 02-Yperite; 03-Leave Them to Die; 04-Hellbiter; 05-The Summoning; 06-The Demon Within; 07-A Silent Killer; 08-Iron Helm of War; 09-Heart of Stone; 10-Lust for Blood



The Trooper
3
Chegamos ao fim de mais um ano. Magician, esgotado com os rituais de seus círculos de Proteção ao Mal, não conseguiu fazer o post de encerramento e coube ao membro mais resistente do grupo o fazer (mortos-vivos não tem mais o atributo Constituição, a origem da resistência é energia do plano negativo).

Mas afinal, o que é um ano? É uma medida de tempo usada por seres humanos, que bate mais ou menos com a passagem das estações. Como as estações são diferentes para os dois hemisférios, uma parte conta que o ano virou no inverno, outra no verão (creio que quem está exatamente na faixa do equador não sinta muito a diferença, embora a dinâmica atmosférica deva mudar devido à influência das massas de ar modificadas pelo aquecimento/resfriamento nas latitudes acima e abaixo).

Se olhássemos do ponto de vista da translação apenas, seria possível 'marcar' um ano do ponto na órbita elíptica da Terra em que estivéssemos mais próximos (periélio) do Sol ou mais distantes (afélio). A virada do ano então coincide aproximadamente com o periélio (ponto verde no círculo amarelo da figura abaixo).


Quem não conhece a dinâmica das estações poderia pensar 'verdade, se a Terra está mais próxima do Sol, fica mais quente', mas as estações são definidas pelo nível de insolação que o hemisfério recebe conforme o ângulo do eixo de rotação da Terra no momento. Para quem vive no hemisfério sul, o solstício de verão (o dia do ano onde há o maior ângulo de inclinação no eixo) ocorre aproximadamente no dia 21 de dezembro, e o periélio 14 dias depois, aproximadamente no dia 4 de janeiro.

'Mas não era para o dia 21 de dezembro estar no meio do verão ao invés de ser o começo?' A definição das estações é arbitrária, mas há um atraso no aumento da temperatura com a exposição solar, que varia de acordo com a latitude e características climáticas, em alguns lugares esse atraso pode ser de 3 semanas, variando para mais ou para menos. O atraso se dá devido ao tempo necessário para o aquecimento de terra, água e ar. Em uma escala menor, esse fenômeno pode ser observado no decorrer do dia, na latitude de São Paulo, por exemplo, o horário mais quente é por volta das 14 horas, e não ao meio-dia (isso sem levar em conta fenômenos comuns em climas urbanos como as ilhas de calor).

Bem, vamos usar então o periélio como medida para o fim de 2020, falta pouco, 4 de janeiro está logo ali. Nessa volta toda ao redor do sol, tivemos mais um passeio catastrófico. Catastrófico para os seres humanos, claro. Uma espécie que vive próxima à uma estrela. Somente na nossa galáxia, estima-se que existam entre 200 e 400 bilhões delas. Estima-se que existam centenas de bilhões de galáxias no nosso universo. O 'catastrófico' desaparece nessa escala, mas pra gente, que conhece quem tá morrendo, e que vê de perto como estamos lidando com isso, a palavra catastrófica é nossa, e ninguém tira.

Nesse passeio galático virulento, nem tudo de ruim aconteceu, algumas coisas boas surgiram, e dentre elas, o álbum que postei (c#¨&$*! Só agora chegou no álbum!). Mas ele não é fantástico, quando você sai por aí em busca do novo Master of Puppets, está fadado ao fracasso. É o que tem pra hoje. Bate com o que eu espero da nossa sociedade pra nossa próxima volta ao redor do sol, no máximo vai aparecer uma ou outra coisa boa, os problemas fedorentos ao nosso redor, vão continuar adentrando nossas narinas e perturbando nosso cansado cérebro.

O lado A da bolacha chega a ser empolgante. Pesado e com criatividade. Mas o lado B dá uma desacelerada. Ainda sim, é bom deixar um tag nessa banda e acompanhar o andamento.

Uma melhor volta para todos nós, querer isso independente da realidade. \m/

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Se procurar na wikipedia, vai achar uma banda canadense de country. Esses caras são suecos, estão no terceiro álbum, e qualquer googlada vai te dar mais informações.

P.P.S.: a imagem do afélio/periélio foi retirada da wikipedia.





segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Enforcer - From Beyond

 O álbum From Beyond lançado pela banda Enforcer em 2015, foi escolhido por Pirika para análise.


Faixas: 01 - Destroyer; 02 - Undying Evil; 03 - From Beyond; 04 - One with Fire; 05 - Below the Slumber; 06 - Hungry They Will Come; 07 - The Banshee; 08 - Farewell; 09 - Hell Will Follow; 10 - Mask of Red Death.


Pirika

Uns anos atrás ouvi sobre o movimento NWOTHM de bandas recentes que faziam os sons da antiga, som esse que fez todos nós gostarmos do nosso querido metal. Fiquei um tempo relutante até a curiosidade bater mais alto e nessa deu para descobrir várias bandas legais e entre elas estava o Enforcer, a banda que mais me supreendeu até o momento.

O Enforcer faz um speed metal oitentista muito bom, o vocal cai aqui como uma luva para o estilo mas o que mais chama a atenção são a dupla de guitarras que misturam os riffs porradeiros com uma parte mais melódica com uma inspiração foda.

O cd flutua entre faixas mais speed (Destroyer, One With Fire, Hell Will Follow) e faixas mais cadenciadas (From Beyond, Below the Slumber, Mask of Red Death), geralmente cadenciando ambos elementos no cd como um todo.

Se não me falha a memória esse é o primeiro cd de NWOTHM a cair no blog, o que serve apenas para sempre nos reforçar que o bom heavy metal continua firme e forte por aí.


Top 3: Undying Evil, Below the Slumber e Mask of Red Death. Shame Pit: The Banshee.

Nota: 7,7

"A trembling ride down under
On a cloudy lane
I stand below the slumber
For all time to come"


The Trooper
3
Mais uma resenha hiperatrasada, perdão, é difícil juntar energia mental para fazer essas resenhas extremamente complexas e bem-feitas que faço 😅.
 
Pense bem, a fonte da energia para humanos agirem vem de estarem vivos, simplificando Freud toscamente, já que sou quase totalmente leigo (tive a disciplina Psicologia da Educação e li algo aqui e ali, somado a alguns documentários), Eros x Tânatos, eros o impulso de vida, tânatos a pulsão de morte, onde todo o movimento cessa.

As origens de Eros são praticamente os impulsos biológicos, comer e se reproduzir. O que acontece quando um mago toma a poção de lich? Não há mais o impulso e a capacidade para ambos. O que move o lich então? Tânatos? Se fosse apenas isso, o lich seria uma máquina de destruição e nada mais, a complexidade dessa situação exige uma análise mais aprofundada que não podemos levar adiante aqui (talvez até envolvendo Jung ***traição***).

Bem, após essa fantástica aplicação de psicologia em Dungeons & Dragons, sou obrigado a voltar a triste realidade e resenhar o álbum. Não é uma tarefa tão ruim assim, vai? From Beyond é um álbum bem legal de se ouvir.

O principal problema é que eu não tenho o álbum e perdi o primeiro link do Youtube que Pirika passou porque o Whatsapp perdeu meu histórico no fim do ano passado e eu não faço backup. (backup de mensagens de Whatsapp, Mark? Dá um tempo!)

Eu ouvi da primeira vez no já citado link, mas dessa vez estou ouvindo no link que achei e isso quer dizer que estou ouvindo propagandas do Coin Master no intervalo das faixas 😡.
 
Um outro ponto a ser destacado é o histórico do blog Metalcólatras, onde devo discordar de Pirika, pois creio que nosso membro sumido, Hellraiser, postou álbuns dessa nova modinha 'britânica' muito antes do Pirika, vide Iron Spell e talvez até Overlorde.

Com o desbravamento falso do Pirika exposto, tenho que voltar ao álbum dos suecos. Bem, já ficou mais do que provado aqui em diversas postagens que os suecos não brincam em serviço (a não ser quando estão brincando de escravinhos do capitalismo e resolvem tentar imunidade de rebanho contra pandemia), foram vários trabalhos bons e From Beyond está entre eles. Este álbum para mim, ainda fica atrás do Spell Conjuring (da já citada Iron Spell), o que faltou foi uma ou outra faixa que realmente empolgasse.

De resto o trabalho instrumental é realmente bom e criativo. O vocalista até que é bom, mas não sei... Parece que ele está cantando hard rock, dispersou um pouco minha atenção.

Enfim, boa pedida para conhecer e guardar.


Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Fiz essa resenha em fevereiro de 2021 mas não abordei a situação de abandono do blog porque vou postar um disco de protesto na sequência onde o farei. 😁


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Van Halen - 5150

 O álbum 5150 lançado pela Van Halen em 1986, foi escolhido por Phantom Lord para análise.

Faixas: 01-Good Enough; 02-Why Can't This Be Love; 03-Get Up; 04-Dreams; 05-Summer Nights; 06-Best of Both Worlds; 07-Love Walks In; 08-5150; 09-Inside;



Phantom Lord
Hullo, friends! 

Houve uma cobrança no blog para que alguém postasse um álbum. Como eu estava sem criatividade pensei em fazer um post homenagem... Bem clichê e tal... Mas na verdade nem sequer tive a iniciativa, pois nosso amigo Pirika publicou esta postagem do Van Halen. 

Ao ouvir o álbum eu até pensei em fazer como o Magician fez em seu próprio post do Deathroll Crew is bubblesdrubbles, ou seja, fugir, tomar chá de sumiço e tal, mas criei coragem e decidi escrever.

Bom, chega de enrolar. Tentarei resenhar o 5150: 

Esta é minha primeira audição deste possível clássico do Van Ralo... Como vi as faixas “Why Can't This Be love” e “Dreams”, pensei: Deve ser bão o álbum. 

Tsc tsc.. 

O álbum começa com a fanfarrísima (provavelmente machista) Good Enough (To F...). Instrumentalmente a faixa caí naquele buraco que o André Mattos chamaria de “video aula”: O guitarrista é bom, mas se empolga ao tentar mostrar sua habilidade sobrepondo todo resto da banda em solos masturbatórios e a letra eu nem vou comentar (eu espero não ser algo do nível das falas do presidente eleito no Brasil em 2018, mas vide o “to f...” no fim da música) 

É possível notar a clara influência de ZZ Top no instrumental de Best of Two Worlds, mas nada super impressionante... 

Enfim os destaques ficam para 5150 e as faixas “radio friendly” Why Can't This Be love, Dreams e Love Walks In, sendo ao menos duas destas, regidas por teclados oitentistas. O mais impressionante é que Dreams é uma das melhores músicas do Van Halen e o teclado nesta música é de longe o instrumento mais nítido quase sobrepondo os demais instrumentos. Bom... uma prova que não basta ser o super bonzão na guitarra para fazer um bom rock. 

As demais músicas não são ruins, mas não me chamaram atenção. Obviamente os fãs de Van Halen devem gostar de mais faixas ou de todas as faixas... 

Enfim, ao ver resenhas deste e de outros álbuns do Van Halen, notei muita gente afirmando que o Lee Roth era mais dark ou que deixava a banda mais original, mais metal... TUDO ASNEIRA, meras opiniões empurradas como (pseudo) verdades. Pois em 5150 ainda existem as faixas que seguem o estilo fanfarrão virtuoso praticamente idêntico à fase em que Lee Roth estava nos vocais. Melodicamente e tecnicamente as faixas “românticas” não devem em nada para outras faixas, a menos que você esteja completamente apegado ao estilo funkeado (metal, dark? Fala sério!) ou às letras boêmias, machonas etc. 

 

1. "Good Enough" 6,5 

2. "Why Can't This Be love" 8,7 

3. "Get Up" 6,8 

4. "Dreams" 9,5 

5. "Summer Night" 6,7 

6. "Best of Two Worlds" 6,3 

7. "Love Walks In" 7,0 

8. "5150" 7,2 

9. "Inside" 6,1 

Enfim, este post foi praticamente uma escolha aleatória, afinal eu já planejava abandonar o blog. Adios Amigos. Acho que daqui em diante só resenharei se for um álbum muito bom... e olhe lá. 

Nota: 7,1

Pirika 

Cá estamos nós para uma tardia homenagem do Eddie Van Halen, pessoa que fez parte da formação de qualquer roqueiro nesse planeta. Todos nós sabemos do exímio e visionário guitarrista que o Eddie foi então entendo que seria melhor deixar uma análise mais aprofundada sobre esse assunto para nosso querido Magician.

O cd em questão abordado pelo Phantom não poderia ser melhor para espelhar o momento que o Eddie e a banda viviam na metade dos anos 80. Primeiramente com o álbum 1984 que ficou em 2 na Billboard atrás do álbum Thriller do Michael Jackson  no qual Eddie participou da Beat it. 2 anos depois o Van Halen alcança o topo da Billboard com o 5150 então não tem muita discussão quanto ao valor do Van Halen nessa época.

Quanto ao álbum, realmente se faz jus a todo sucesso que fez. O cd possui 3 clássicos que estão espalhados por diversas coletâneas de rock, além da própria 5150 que é a hidden gem do álbum. O resto do álbum segue um bom nível com exceção da música Summer Nights que foi a única que não me agradou.

O Van Halen é o clássico exemplo da banda que transcendeu o rock tendo sua música por pessoas de diversos nichos musicais, a obra de Eddie jamais será esquecida. Rest in Peace.


Top 3: Why Can't This Be Love, Dreams e 5150. Shame Pit: Summer Nights.

Nota:  7,8

"There's still some fight in me
That's how it'll always be
Hold your head up high, look 'em in the eye
Never say die!"


The Trooper
3
Van Halen novamente. Essa é a segunda vez que a banda aparece no blog, a primeira foi há 8 anos, em 2012.
 
Desta vez ela aparece em um contexto especial, como homenagem ao falecido guitarrista. Espero também fazer uma resenha um pouquinho melhor do que a que fiz lá em 2012, mas não garanto nada.
 
Em primeiro lugar, sobre a discussão Lee Roth x Sammy Haggar, pra mim ela é completamente inócua, os dois são quase o mesmo em meus ouvidos, agradam em grande parte do tempo e me irritam na outra parte, iguaizinhos.
 
Acho que a discussão sobre Van Halen sempre vai cair na guitarra, não tem como evitar, a banda tem como alma a genialidade do guitarrista. A discussão rock x metal também é inútil aqui, todo mundo sabe que é rock (embora dê pra encaixar Get Up no heavy metal facilmente).
 
Então vamos lá, guitarra: com exceção das músicas mais transcendentais, que atingiram popularidade estratosférica (todo mundo sabe que estamos falando de Dreams), pra realmente saborear este álbum você precisa botar um fone de ouvido foda (ou o equivalente em caixas acústicas) e prestar atenção no instrumental (com foco na guitarra, claro), deve inclusive, ignorar letras e vocais muitas vezes.

Se você faz isso, vai perceber que a porra da guitarra sempre aparece fazendo alguma firula ou algum trecho devastador que sempre vai fazer valer a pena ouvir a música, mesmo que ela tenha uma letra idiota ou esteja cheia de gritinhos. Em alguns momentos eu até desejei que a música fosse instrumental (e acredite, eu não tenho saco nenhum pra ouvir um álbum instrumental).

Fecho aqui sendo forçado a admitir que Eddie Van Halen realmente vai fazer falta, que a energia criativa captada por sua mente volte ao estado bruto para que um dia, quem sabe, mais alguém venha ao mundo usando a mesma antena.

Destaque para Dreams, claro, o tecladinho só serviu para disfarçar que a guitarra estava por ali, foi um decoy, o tecladinho ficou tankando a música toda e quando a guitarra apareceu no primeiro solo, foi um backstab one hit kill ... que porra de solo é esse, véi? (fora que é uma daquelas poucas que os caras acertam a mão na letra)

Destaque secundário para Get Up, realmente bacana, álbum de rock precisa de pelo menos uma porrada, e para 5150, pelo instrumental (presta atenção, que foda).

Enfim, não é metal mas você precisa ouvir antes de morrer.

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
Como o Trooper lembrou que houve postagem anterior relacionada ao Van Halen aqui no blog em 2012, fui correndo lembrar das besteiras que escrevi na época, para (é lógico) corrigir nessa nova oportunidade, e quando não houver alternativa, insistir no erro para manter a coerência..

Mas me surpreendi, afinal aquele post do Van Halen diz muito sobre o que acho da carreira sintetizada do falecido holandês (link), e mais do que isso, traz muita informação sobre seu estilo e obra também (não estou me gabando, afinal ser um Metalcólatra implica em escrever besteira e se manter firme nessas besteiras..).

Logo, não há muito a acrescentar fora o que escrevi naquela ocasião sobre Van Halen e sua banda. A diferença talvez, é que se analisarmos esta obra de 1986, a formação do grupo era ligeiramente diferente. Sobre isso, estou na mesma página do que o Phantom e o Trooper escreveram acima, a mudança de LeeRoth para S.Hagar não faz nem cócegas na sonoridade do álbum que é conduzido pelo estilo do guitarrista e nada mais. Aliás, é notório que Van Halen escolheu durante sua carreira vocalistas que tinham similaridade nos tons médios e que não interpretassem os versos principais nos limites de suas tessituras, de modo a evidenciar mais ainda seu estilo de tocar bastante distorcido. Embora eu admita que ambos possuem agudos altíssimos e solfejos em seus repertórios; VH utiliza bastante uma técnica blueseira de "duelar" sua guitarra com seus vocalistas em diversas passagens dos seus álbuns (coisa que pegou de B. Gibbons e Angus Y. e passou adiante para pupilos como D.Dimebag).

Sobre a coleção composta para "5150" acredito que é o bastante para sustentar um bom álbum de Rock n Roll/ Hard Rock. Três grandes hits foram escritos para essa obra: "Why Can't This Be Love", "Dreams" e "Love Walks In", e dos demais sons, que não foram selecionados como canções de divulgação, há de se destacar "Get Up" e "Best of Both Worlds".

Desses sons que formam o 'esqueleto' do álbum, pode-se dizer que "Why Cant..." é uma das melhores composições da banda, e embora apresente grandiosas linhas de guitarra, não depende delas para se emancipar como uma ótima música; 

Dreams também demonstra certa maturidade de composição da banda, evolui principalmente sobre os teclados (por opção de Edward, lógico) mas trouxe à luz a maior jóia dos solos de Van Halen em minha opinião - o segundo, não o primeiro solo da música. Essa pequena contribuição de Ed aparece nos últimos versos da música quando a mesma já está em seu auge, e apresenta-se simplesmente com a guitarra cantando a frase principal da música concatenada a um lindo ligado de tappings finalizado com um bend que o músico preferiu não sustentar por muito tempo. É um grade exemplo como Evh já se continha em algumas situações, preferindo dar valor à composição como um todo. 

Por fim "Love Walks In" é uma das músicas mais exaustivamente tocadas nas rádios, da banda (não sei como os demais Metalcólatras nem sequer citaram essa balada). Uma composição bem chiclete mesmo, que servia para a banda se manter nos topos das paradas musicais que davam muito valor às baladas hard farofa ou estilo "pop sessão da tarde" - que muitas vezes nos referimos aqui no Brasil. A banda era muito boa em utilizar a matéria prima "Love", assim como o KISS e o White Snake faziam na época.. 

Em minha opinião esse álbum demonstra muito bem o que o Van Halen mais fez em sua carreira, aproveitar o prestigio que a guitarra tinha no mainstream naquela epoca, para entregar algumas valiosas composições de hard rock entre álbuns recheados de farofa-pop criadas por um dos maiores estudiosos da guitarra de todos os tempos. 

Sabemos da história do Heavy Metal, da guitarra e do Rock, e sabemos que da forma que as coisas se desenrolaram, Van Halen se tornou uma espécie de padrinho do Hard Rock, e principalmente um dos papas da guitarra, ...... mas fico aqui espiando linhas paralelas de realidades, procurando por alguma em que Ed Van Halen escolheu trilhar o caminho das composições de Metal... imagina o estrago que a criança ia fazer... (fica pra vocês, o exercício de imaginar a canção 'Get Up', aonde Alex colocou um belo bumbo duplo para trabalhar, mas infelizmente Eddie limitou sua imaginação colocando alguns insignificantes acordes suingados, ao invés de destruir com um groove britado.. ¬¬') 

Nota 7, ou \m/\m/\m/\m/.   




quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Dark Avenger - Tales of Avalon-The Terror

O álbum Tales of Avalon-The Terror lançado pelo Dark Avenger em 2001, foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-The Terror; 02-Tales of Avalon; 03-Golden Eagles; 04-Heroes of Kells; 05-Crown of Thorns; 06-Wicked Choices-Part I; 07-Clas Myrddin; 08-As The Rain; 09-De Profundis; 10-Caladvwch; 11-The White of Your Skin; 12-Crownless Queen; 13-Morgana


The Trooper
3
Este álbum está aqui por dois motivos:
 
1- Eu esqueci que era minha vez e não tinha o que postar;
 
2- Em uma longa conversa regada a cerveja na casa de Gafgarion, meus amigos Virtuoso e Bearded Friend discutiam sobre bandas de metal melódico ou nacionais (não me lembro bem, como disse, foi regada a muita cerveja), e Bearded Friend sugeriu que eu ouvisse uma banda 'muito foda' (se não em engano até colocou uma faixa para tocar).

Bem, a banda foda era Dark Avenger, e o álbum sugerido foi Tales of Avalon. Eu fiquei bem surpreso com a qualidade do som e tenho que admitir que a banda é foda mesmo.

Mas nem tudo são flores para ouvidos rústicos como os meus, acabei achando Tales of Avalon bem, mas beeeem cansativo. Lembra bastante o Operation Mindcrime, mas diferentemente do trabalho do Queensryche, este aqui não conseguiu me envolver com a temática.

As letras não entraram na minha cabeça e achei que elas são bem difíceis de encaixar com a melodia.

Entretanto não há o que falar do falecido vocalista. Detentor de uma voz que estava em outro patamar, sua qualidade somou muito à dos já talentosos instrumentistas.

Enfim, o trabalho está aqui para o Magician dizer se é melódico, ópera, ou o diabo-que-o-for, para terminar a discussão que ele começou lá no OMC. Está aqui também porque pessoas com ouvidos mais refinados podem simplesmente pirar na batatinha com este trabalho. E está aqui também para mostrar um metal brazuca refinado.

Sem mais, encerro mais uma resenha pífia.
 
Nota: \m/\m/\m/

P.S.: Tava lendo as letras no Vaga-lume, que foto de pagoder é essa véi? -->




P.P.S.: Carai, tava esquecendo ... e o processo? Quem lembrar de qual livro de D&D roubaram esse desenho da capa, conta pra mim.



sábado, 29 de agosto de 2020

The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced

 O álbum Are You Experienced lançado por The Jimi Hendrix Experience em 1967, foi escolhido por Phantom Lord para análise.





Phantom Lord

(Esta resenha é um remake de um arquivo tragicamente perdido.) 

 Neste niver de 10 anos dos Metalcólatras, pensei em trazer álbuns manjados de metal como Rebirth (Angra), Somewhere in Time (Iron Maiden) e The Last in Line (Dio), mas decidi trazer o que considero mais significante. 

Há anos atrás eu (e talvez outros metalcólatras) garimpamos em busca do primeiro álbum de heavy metal. Uma busca infrutífera considerando que o surgimento de novos gêneros ou espécies de músicas acontece gradualmente. Agora está na hora de falar um pouco das origens do pai do metal, ou seja, um pouco da história do rock. 

O 1º álbum do The Jimi Hendrix Experience foi lançado em 1967, primeiramente na Inglaterra e poucos meses depois nos EUA. Há quem diga que o rock britânico estava em ascendência após uma certa decadência do rock estadunidense. 
A verdade é que este trabalho de Jimi Hendrix não só mostra toda sua habilidade espetacular com a guitarra, como também mostra uma mistura de ritmos. Mas uma mistura muito competente que a maioria das bandas parece não se aproximar. 
Da versão americana do álbum (resenhada aqui), ao menos 3 músicas, tornaram-se hinos do rock n roll: Purple Haze, Foxy Lady e Fire. Fora o famoso cover da música Hey Joe. 
Eu não tenho mais o que falar das músicas: Apenas ouça essa joça que, se influenciou 20% das bandas posteriores, já influenciou trocentos artistas... 

 "Purple Haze"                        9,0
 "Manic Depression"              7,0  
 "Hey Joe" (Billy Roberts)     7,2
 "Love or Confusion"             7,2
 "May This Be Love"             7,0
 "I Don't Live Today"             7,0
 "The Wind Cries Mary"         6,8
 "Fire"                                     8,3
 "Third Stone from the Sun"   7,2
 "Foxy Lady"                         8,0
 "Are You Experienced?"    6,6
 Nota: 7,3 

 Agora sobre o contexto e o cenário em que Are You Experienced foi lançado: Talvez pareça desnecessário dizer que Jimi Hendrix foi um dos guitarristas mais influentes da Terra. Mas nunca é demais lembrar que este guitarrista que emplacou tantos hits nas rádios e nas casas de shows, foi um negro (ou preto, pra quem prefere assim), com descendência indígena norte americana, e que começou sua carreira ao lado de artistas do blues. Tudo preto, e, no mínimo boa parte deles, pobre. Não falo aqui de um conto inspirador para meritocracia: Longe disto. O álbum foi lançado em um cenário de crescentes protestos populares não só nos EUA, como em alguns países europeus também. É o período em que alguns sociólogos determinam o início da era pós moderna, cuja uma das principais características é maior liberdade em troca de mais insegurança, desigualdade e valorização das narrativas ante os fatos (sim, a pós verdade é mais velha que as redes sociais). Parece muita coisa ruim para pouca coisa boa e o resultado de alguns movimentos foi esse mesmo, mas a questão principal não é essa. A questão principal é lembrar que o rock e seus subgêneros (heavy metal etc) não são conservadores e devem sua existência aos negros

 Portanto você moderador branquinho e conservador de página de metal, que idolatra a antipolítica e a meritocracia pela internet, deve muito às pessoas progressistas e às etnias não européias. 
Você que ganha cargo no governo para inventar que rock é “coisa de satanás/ abortista”, mas gosta de Angra e Metallica, deve muito a quem você odeia. 
Essa turma de conservadores (que só conservam ignorância), não estuda nem a ciência, nem a religião e querem vincular suas bandas favoritas de rock ao cristianismo renegando tantas outras. O rock pode ser vinculado ao cristianismo sim, mas não ao cristianismo de vocês conservadores de ignorância e de negacionismo. O rock tem mais a ver com o profeta progressista que criticava a ganância, pregava o amor ao próximo e a partilha do alimento. Inclusive devo lembrar que Jesus disse isso aqui, sobre o tradicionalismo, o clubismo e o conservadorismo: 
 "Não penseis que eu tenha vindo trazer paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada; — porquanto vim separar de seu pai o filho, de sua mãe a filha, de sua sogra a nora; — e o homem terá por inimigos os de sua própria casa."


The Trooper
3
10 anos de blog! Quem imaginaria que chegaríamos até aqui? Quer dizer ... chegamos capengas, com os membros que fizeram a proposta de criar o blog (Mercante, Pentelho, etc.) totalmente desaparecidos (não entram nem para ver o que está rolando).

Mas chegamos, e é isso que importa! Um comprovante de perseverança, particularmente deste morto-vivo que vos fala, que insistiu em dar poção de lich na boquinha dos membros restantes, que também foram perseverantes ao tapar o nariz e tomá-la.

É aniversário também do nosso membro passeriforme, que como fênix, seu antepassado distante, ressurgiu das cinzas para nos infernizar novamente. Parabéns, Pirika!

Por fim, Jimi Hendrix. Não tenho muito o que falar. Acho algumas músicas realmente fantásticas, como All Along the Watchtower, que não é deste cd, e serviu de trilha sonora para Battlestar Galactica.

Neste trabalho, em específico, três músicas são muito boas: Purple Haze, Fire e Foxy Lady (estou proibido de comentar e dar nota para covers pelo burocrata lawful, Magician, então nada de Hey Joe).

De resto, é claro que eu reconheço o talento do cara, e principalmente, a influência/contribuição dele para o rock e seu descendente, o heavy metal. Mas paro por aqui, meu gosto é apático com blues e ignora músicas viajantes.

Como velho que sou, claro que irei reclamar dos metalcólatras, esse palhaço do Phantom tinha que comprar o cd e emprestar para o restante dos membros. O Pirika tentou remediar mandando um zip safado baixado de algum lugar virtual imundo que estava todo zoado. Fui ouvir no Youtube e alguém teve a pachorra de adicionar à lista uma das músicas tiradas de sua jogatina num Guitar Hero da vida!

Enfim, fuck off.

Parabéns a todos.

Nota: \m/\m/\m/


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Iced Earth - Something Wicked This Way Comes

O álbum Something Wicked This Way Comes, lançado em 1998 pelo Iced Earth, foi escolhido por Pirika para análise.


Faixas: 01-Burning Times; 02-Melancholy (Holy Martyr); 03-Disciples of the Lie; 04-Watching over Me; 05-Stand Alone; 06-Consequences; 07-My Own Savior; 08-Reaping Stone 09-1776 (Instrumental); 10-Blessed Are You; 11-Prophecy; 12-Birth of the Wicked; 13-The Coming Curse




Phantom Lord

Excluindo as fases ignoráveis do blog como as épocas das postagens dos álbuns do Slash e do Lulu, este é o meu maior atraso neste blog. “Pulei” a postagem anterior para resenhar este disco do Iced Earth... Vocês fãs e demais metalcólatras devem estar se perguntando: Porquê?? Por onde andou o sábio Phantom Lord?? (Brincadeira, eu sei que vocês não estão)
A verdade é que estou gradualmente cada vez mais desinteressado no Révi Metau. Para mim está ótimo ter uns 200 álbuns no pc e um total de quase 4000 músicas para se ouvir ás vezes. Bem às vezes. Além de meu gosto estar mudando (ou só saturando), estou às portas da tiozisse oficial: Em alguns meses entro para turma dos entas. Mas juro que não vou gostar de MPB por causa disso.

Agora sobre o álbum do Terra Congelada, eu já ouvira (que jeito chique de falar “tinha ouvido”, né?) várias vezes. Achei ele melhor que o Dark Saga que só tem a capa de bacana. Este álbum que leva o nome duma obra literária (a tradução seria Alguma Coisa Pervertida Está à Caminho?) contém ao menos 4 faixas que me chamaram bastante atenção por anos: Burning Times, melancholy, Disciples of Lie e Watching Over Me.

Sempre vi um potencial no vocalista por causa de seu timbre diferenciado, mas em diversas músicas ele escolhe uns tons meio bundões por muito tempo (como em Blessed are You, por exemplo), daí acaba me torrando a paciência. A parte instrumental tem seu diferencial ou sua marca em relação às outras bandas, mas ao todo, o Iced nunca conseguiu fazer um álbum fodão.

Observações feitas, a minha opinião é que o SWTWC é bacana. Passei a gostar mais de Consequences após a última audição... Sendo assim sugiro aos fãs de heavy metal, que ao menos ouçam uma vez este álbum do Iced Earth.

Enfim opinião é isso aí. Não é bem como a bunda como dizem por aí, pois Platão descreveu melhor o que é opinião: É o que fica entre a ignorância e a ciência/ o conhecimento. Se a opinião não é uma busca pela(s) verdade(s) como o conhecimento/ a ciência, a opinião não deve ser imposta guela abaixo dos outros. É assim que mamadeiras de piroca, ditadura gayzista e terraplanismo viram “verdades” hoje em dia.

1. "Burning Times" 8,0
2. "Melancholy (Holy Martyr)" 7,3
3. "Disciples of the Lie" 7,5
4. "Watching Over Me" 8,8
5. "Stand Alone" 7,0
6. "Consequences" 8,2
7. "My Own Savior" 6,0
8. "Reaping Stone" 6,7
9. "1776" 7,0
10. "Blessed Are You" 6,1
11. "Prophecy" 6,3
12. "Birth of the Wicked" 6,5
13. "The Coming Curse" 5,8

Nota: 7,0

Curiosidade: Muitas bandas criticam um determinado tema ou alvo, imitando este alvo. Como exemplo de imediato lembro-me de Disposable Heroes do Metallica (onde o vocalista grita palavras de ordem de um comandante para o soldado) e esta Burning Times parece seguir a mesma linha. Eu achava válido (ainda acho que são boas músicas em variados aspectos), mas muita gente, mas muita mesmo, não entende as mensagens destas músicas. Quando digo muito, nem preciso de um vasto estudo, é só constar os fatos que citei acima. Num mundo onde acredita-se que o planeta é um disco ou uma chapa, quantos vão entender a mensagem destas músicas? Isto deve agradar muito caras como o Metal Mercante que pregava que o metal não precisava se popularizar e que era melhor que se mantivesse “para poucos com bom gosto”...


Pirika
Nota do editor - Esta resenha contém clubismo.

10 anos depois do começo do blog temos o prazer de resenhar Something Wicked This Way Comes, essa obra maravilhosa que fez parte da minha história como Metalcólatra. Meu carinho por esse cd se deve ao fato de que ele foi comprado na minha segunda ida a Galeria do Rock lá em meados de 2000 junto com o Alive 3 do Kiss, ambos por indicação do Julião que já conhecia a banda bem melhor com o Alive in Athens e não posso deixar de dizer que ele acertou em cheio em ambos.

Eu ouvia tanto esse cd que minha mãe quis me fazer uma surpresa e me presenteou com outro cd da banda tão escutada, o primeiro cd intitulado Iced Earth cujo o vocalista não era o divino Matt Barlow e sim Gene Adam. Posso garantir até hoje que depois de ouvir When the Night Falls do Alive in Athens na voz do Barlow trocentas vezes com aquela baixa qualidade de produção ao vivo, descobrir no momento que eu botei o Iced Earth pra tocar que o vocal era outro, e bem pior, foi uma das minhas maiores decepções metaleiras da adolescência.

Agora que já contei a maravilhosa experiência negativa com o primeiro cd do Iced Earth, precisamos falar sobre a experiência com Something Wicked This Way Comes que foi o completo oposto. Pra começar que esse cd por si só é de uma qualidade ímpar, a capas do Iced Earth sempre foram de longe uma das minhas preferidas (essa em especial feita por Greg Capullo) e o som feito pelo Iced Earth que na época não era nem um pouco batido, um power/speed de respeito com Jon Schaffer sendo um monstro da guitarra e Matt Barlow sendo um monstro nos vocais. Era simples assim.

O cd praticamente inteiro é de total solidez, a única música um pouco mais fraca é Consequences porém até ela possui uma letra muito legal. Burning Times merece destaque como a melhor música desse cd, uma porrada de boas vindas. O cd também possui outros diversos destaques como as outras porradas (My Own SaviorDisciples of the LieStand Alone), as músicas mais lentas (MelancholyWatching Over Me (letra maravilhosa feita para o falecido amigo de Jon), Blessed Are You) até a música instrumental 1776. O meu último destaque fica por conta da Trilogy of the Wicked, as 3 últimas músicas do álbum que dão início ao conto da saga de Set Abominae e os Setians.

Para finalizar eu queria lembrar tive o privilégio de ir no show em 2010 quando o Barlow voltou a banda. Eu fui algumas vezes agraciado com com o melhor set list possível para o meu gosto pessoal (Impossível não mencionar aqui o Megadeth com a Blackmail the Universe tour em 2005 e aquele setlist pra lá de absurdo.), uma delas definitivamente foi o inesquecível show do Iced no Via Funchal com a galera pirando no Burning Times, se emocionando na dobradinha Dark Saga + A Question for Heaven (nessa última com a galera substituindo o maravilhoso back vocal feito originalmente pela irmã do Matt Brown) e até mesmo se surpreendendo com a capacidade do Matt Brown de cantar Ten Thousand Strong gravada por Tim "Ripper" Owens. Adicionei todos esses vídeos abaixo, menos Ten Thousand Strong pois não achei registro com qualidade suficiente, e adicionei também o AMV de My Own Savior do anime Berserk pois assistir vídeo musical de anime era uma das formas mais legais de conhecer músicas novas de metal (depois só passaram a usar nu metal aí ficou uma bosta).

Não sei se deu para perceber mas a minha casa ama e protege o Iced Earth com Jon Schaffer e Matt Barlow. Obrigado. De nada.


Top 3: Burning TimesMelancholy (Holy Martyr) e Watching Over Me. Shame Pit: Consequences.

Nota: 8

"Wrote about in history as if it’s all O.K.
A race of people murdered, another one enslaved
Now our world crumbles, it’s happening within
Open your eyes and realize the world we’re living in."

AMV - My Own Savior


Iced Earth - Burning Times

Iced Earth - A Question For Heaven 


Iced Earth - Ten Thousand Strong (Metal Camp Open Air - 2008)


The Magician

Dos recônditos mais profundos da memória desse metaleiro, nosso amigo pássaro arrancou e trouxe à tona Something Wicked This Way Comes (SWTWC), um trabalho magistral da banda americana Iced Earth.

 Aliás antes de escrever qualquer coisa, é preciso dizer que o Iced é o maior acerto americano no sub gênero Power Metal desde DIO (que basicamente ratificou o gênero). Digo isso porque em inúmeras passagens aqui do blog critiquei o fraco movimento do Power Metal americano, sempre sob as sombras do movimento europeu.

 Tudo bem que no caso da banda de Schaffer, as referências ao Heavy Metal Britânico Old School (especificamente Iron Maiden) e ao Thrash Metal americano (especificamente Metallica), nesse álbum por exemplo, ficam realmente muito claras. Isso facilita muito para a banda promover seu estilo nos critérios de eliminação do mercado do Heavy Metal. Mas cuidado, não confunda; beber dessa fonte de referências clássicas não desqualifica e não reduz o próprio estilo super peculiar do Iced Earth, que mesmo com a alternância de vocalistas se manteve fiel a criação de uma identidade forjada ao longo de mais de três décadas. Outro ponto importante é que o Iced é uma das bandas que solidificaram sua carreira justamente com os trabalhos produzidos próximo à virada do novo (hoje já não tão novo assim) milênio; época extremamente producente para o gênero Heavy como um todo (o cenário B do Metal tinha muita demanda para shows, o movimento do compact disc no auge.... dinheiro entrando e fomentando essa criatividade, já falamos disso por aqui).

Mas a despeito do cenário geral e do mercado da música pesada, a banda de John Schaffer deixou alguns legados para as gerações futuras, e arrisco dizer que o melhor de sua obra como banda está exatamente aqui. SWTWC é um álbum direto com grande profundidade ao imprimir as linhas de percussão, guitarras base e melodia dos vocais (ainda acho que é também a melhor apresentação das guitarras solo da banda até 2000). A contundência entregue nos sons mais pesados é contra balanceada pelas 'heavy ballads', intercalando assim as faixas entre peso e melodia, em boa parte do trabalho. Mesmo acatando que o Iced tem limites bem estabelecidos em sua sonoridade que podem ser entendidos como vícios que 'prendem' a banda em uma determinada zona de ação, não tem como não reconhecer o poderio das composições dos americanos em "Something Wicked...".

A consistência em alto nível do disco é assustadora, quando você pensa: "OK, agora vem uma música para eu poder ir tirar água do joelho.." nada disso meu amigo, só tem paulada ou sons épicos, sem tempo para digerir a massaroca que vem goela abaixo.

John Schaffer que já era reconhecido como um dos mestres do groove metaleiro, aqui vai além, e da espaço para melodias pontuais da guitarra solo, e também com sincronização mais coesa com as linhas de bateria (o bumbo duplo em consonância com os riffs do refrão em "Stand Alone" simplesmente irão tirar o seu fôlego). E sobre MB, como o próprio Shaffer disse, foi o trabalho que mais se envolveu e dedicou seu talento para o Iced. Simples assim, e o resultado não poderia ser outro: interpretações eloquentes que elevam as composições a um patamar de imersão que dificilmente podemos encontrar nas demais publicações da banda (ouvir o Robb Flymm "chupando" o microfone nas suas inspirações que procuram demonstrar raiva nas interpretações me fizeram desistir do Machine Head, e aqui Barlow simplesmente dá uma aula de como usar essa técnica em "Disciples of The Lie" sem cagar na música).

Difícil destacar faixas que sobressaem, todas sem exceção são destaques, mas vou citar a faixa "1776" que mesmo sem a presença de Barlow exprime toda a essência do momento inspirado do Iced Earth em SWTWC, e é claro "Watching Over Me" que é um expoente na discografia dos americanos. Mas fique esperto, e se quiser conhecer "Something..." escute este trabalho com atenção que ele merece, pois cada som é uma jóia rara e é por isso que o triplo 'Live in Athens' sempre foi entendido como o essencial sobre o grupo de John S., porque SWTWC é tocado na íntegra nesse ao vivo na Grécia.

Nota 9, ou \m/\m/\m/\m/\m/.

Quantas milhares de vezes eu escutei o triple digipack live do Iced (literalmente esse mesmo que o Pirika comentou na resenha dele)??? lembrar de Something Wicked foi como acessar memórias por meio de hipnose, estava tudo lá o tempo todo, cada faixa, cada riff, grooves, melodia... e tudo continua tão brilhante e maravilhosos como naquela época, em que o Heavy Metal para mim ainda era um vasto campo a ser desbravado!

Nostálgico, valeu Pirikotes.     






The Trooper
3
Confesso que este álbum me surpreendeu um pouco, ao contrário dos baba-ovos acima, eu nunca fui fã de carteirinha do Iced, tanto que tive que me retratar na resenha do Dark Saga.
 
Embora já tivesse ouvido o Live In Athens, não sabia muito o que esperar do SWTWC, não sabia nem mesmo que este foi o trabalho subsequente ao Dark Saga, ao contrário, pela sonoridade achei que era um trabalho anterior.
 
O que mais me surpreendeu foram as letras, há uma grande diversidade, indo da fantasia à crítica social. Depois li que o dono da banda pensou em fazer um novo álbum temático mas tinha composições prontas, então apenas as três últimas faixas estão nesse contexto (a última, embora não tenha o nome do álbum, parece ser a verdadeira Something Wicked This Way Comes).
 
As críticas atiram para todo lado (talvez incluindo obras de ficção como meio), desde padres pedófilos à religião, colonização e escravidão. Não era algo que eu esperava do Iced Earth (embora se eu fosse chutar alguma posição política, chutaria um anarquismo).

Por fim, o som me surpreendeu também, pois Dark Saga eu só consegui apreciar devido à imersão no tema, que canalizou a lentidão do Iced para algo bom. Aqui não há tema único (exceto o combo final), mas houve muitas vezes a imersão em músicas separadas, algo difícil para mim, que achava as músicas do IW todas iguais. Talvez a velhice amoleceu meus ouvidos.

Ainda há alguns sons estranhos por aqui, Disciples of Lies é a faixa que mais destoa do restante, parece que saiu de um debut semi-punk. O Iced se aventura em algumas quebras de ritmo que nem sempre passam pela minha garganta, como em Reaping Stone. Mas no geral é um álbum muito bom. Meu destaque vai para a manjadíssima Watching Over Me, Melancholy (Holy Martyr) e o trio temático (com o ápice do álbum, The Coming Curse, fechando com chave de ouro).

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Dark Saga ainda é melhor como um todo.
P.P.S.: Aviso - como eu disse, é possível que a velhice amoleceu meus ouvidos, portanto, você, jovem hard ear, pode ter o saco explodido pelos diversos trechos lentos.