quarta-feira, 30 de novembro de 2022

 Pink Floyd - The Dark Side of the Moon

O álbum The Dark Side of the Moon, lançado pelo Pink Floyd em 1973, foi escolhido por The Trooper para análise

Faixas: 01-Speak To Me; 02-On the Run; 03-Time; 04-The Great Gig in the Sky; 05-Money; 06-Us and Them; 07-Any Colour You Like; 08-Brain Damage; 09-Eclipse





The Trooper
3
Saudações. Aqui estamos novamente. Pensei em fazer este post no dia 1° de dezembro, amanhã, para fechar o ano, mas a verdade é que a ideia de incompletude vem a calhar.
 
E para isso este álbum vem MUITO a calhar. Na terceira faixa, Time (uma obra-prima, por sinal), um trecho da letra resume o momento do blog, e por que não, das nossas vidas? ->
 
"And you run and you run to catch up with the sun
But it's sinking
And racing around to come up behind you again.
The sun is the same in a relative way
But you're older,
Shorter of breath and one day closer to death.

Every year is getting shorter
Never seem to find the time.
Plans that either come to naught
Or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desparation is the English way
The time has gone, the song is over,
Thought I'd something more to say"
 
Era chegada a hora, Pink Floyd ainda não tinha aparecido, e embora com certeza não possa ser chamada de metal, o tijolo primordial de rock que representa não poderia ser deixado de lado. The Dark Side of the Moon traz um fim melancólico e perfeito.

Eu chamaria de música apenas Time, Money, Us and Them e Brain Damage (na prática, a faixa-título). Speak to Me é uma intro que te conta que vai existir uma música de verdade parecida com ela no futuro e Eclipse é uma outro que termina o álbum servindo de extensão melancólica para Brain Damage.

Este álbum também valeria para a discussão que o Magician gera sobre EPs e a possibilidade de postar uma música só, porque é caos. Eu resumiria tudo isso como caos e melancolia. Mas ainda assim, dotado de certa beleza, como a vida. Uma sensação que a história foi contada, se tem um propósito ou não, tanto faz.

Eu nem preciso fazer destaques, pois Time e Money são duas das melhores canções de rock já lançadas.

A nota não importa, mas para manter a coerência em uma realidade incoerente: \m/\m/\m/\m/

Encerro com outro trecho de música, desta vez da própria 'outro', Eclipse (na verdade, a letra toda):

"All that you touch
All that you see
All that you taste
All you feel.

All that you love
All that you hate
All you distrust
All you save.

All that you give
All that you deal
All that you buy,
beg, borrow or steal.

All you create
All you destroy
All that you do
All that you say.

All that you eat
everyone you meet
All that you slight
everyone you fight.

All that is now
All that is gone
All that's to come
and everything under the sun is in tune
but the sun is eclipsed by the moon."


The Magician

Esse aqui, tal como alguns outros álbuns do Pink Floyd, pode ser considerado um milestone da história do Rock, e, portanto, super influente para os subgêneros roqueiros.

A banda “Rosa-Cinza”, aliás, pode sim figurar no núcleo ferroso do Heavy Metal, juntamente com os outros colaboradores originais do meio, como o Sabbath, Purple e Zepplin, ou até mesmo, ao lado do Cream já que seu primeiro álbum foi publicado em 1967. Se por um lado o Pink Floyd pode não ter de fato conseguido prosperar sua estrutura rítmica para os gêneros mais pesados do Rock, eles com certeza conseguiram incutir nas gerações posteriores de músicos suas ideias sobre padrões progressivos e letras conceituais, e principalmente, influenciá-los com os sintetizadores e efeitos sonoros complementares que contribuem para a imersão na experiência sonora, e no efeito de storytelling. 

Sobre esse último aspecto o Pink Floyd praticamente foi a banda pioneira, e o presente álbum “The Dark Side of the Moon” foi o primeiro grande marco na questão de engenharia sonora; um dos primeiros trabalhos a explorar com profundidade a tecnologia “STEREO” de canais separados que interagem e se complementam. Esses atributos tecnológicos não se limitavam somente aos pitacos dos produtores e nas dicas dos engenheiros de som, os próprios caras da banda eram verdadeiros nerds das combinações sonoras.

Eu abordei brevemente no post do Super Collider sobre a influência dos britânicos do Pink Floyd sobre o discurso científico na pauta rock’n roll, mas ao se aproximar das composições líricas de ‘The Dark Side’ percebemos que é muito mais que isso. Os caras flertavam com movimentos poéticos como o próprio Roger Waters já trouxe à tona em entrevistas; para a banda o sentido completo de música era muito mais que melodia e harmonia em uma canção singular, o álbum todo tinha que trazer elementos de imersão e continuidade, com letras e versos que induzem reflexão ao ouvinte, como uma completa hipnótica experiência sonora. Existia um “quê” de intelectualismo declarado no Pink Floyd que inclusive fez uma audiência com a imprensa e com a crítica da época para apresentar na integra o trabalho em questão, antes de seu lançamento oficial. Não é nem preciso dizer que muita gente no heavy metal importou esses elementos para seu próprio estilo.

Mas independente do Pink Floyd ter ou não suscitado inspiração nos gêneros da música pesada, a qualidade da obra em questão se isenta das possíveis expectativas de um headbanger. Escute esse trabalho pelo que ele é em sua essência: um ticket para ingressar em uma estranha viagem psicodélica de suspense com contornos transcendentais. A viagem é ininterrupta e te convida a imergir degrau por degrau nas profundas dimensões ocultas do lado escuro da lua. Embora a banda tenha (declaradamente) colocado algumas letras bem específicas sobre temas mundanos, dentro do mosaico que é esse presente trabalho, isso não fica tão nítido, parecendo mais que cada composição é na verdade apenas um ato separado de um contínuo grande épico teatral.

Por causa dessa proposta da obra, não acho que vale a pena desmembrar as partes do álbum para analisar separadamente cada composição, mas vale citar que “Money” e “Time” se tornaram clássicos "de rádio" da banda. Também não acho que alguma parte instrumental se destaque muito das demais, como acontece nos álbuns posteriores ‘Wish You Were Here’ e ‘The Wall’, mas talvez seja necessário uma menção especial às linhas de Richard Wright que muitas vezes protagonizam as músicas e às aproximam de algum tipo de piano-jazz-clássico elitizado (música de almofadinha, mas de muita qualidade).

Como proposta de viagem que é o álbum “The Dark Side of The Moon”, esse Metalcólatra recomenda que você ligue um potente Home Theater e apague todas as luzes do ambiente para apreciar a verdadeira experiência oferecida pela banda; ou como eu, que compre um smart sleep para se isolar do mundo, e poder absorver integralmente 100%, e em 360º, as composições em camadas mirabolantes de The Dark Side of The Moon.

Nota 7,9 ou \m/\m/\m/\m/.

p.s: o fato de eu estar velho pode ter contribuído bastante para a apreciação desse álbum, mas essa pode não ser a recomendação ideal para todas as pessoas...: “fique velho e escute Pink Floyd”.


segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Blind Guardian - The Godmachine

 O álbum The Godmachine, lançado pelo Blind Guardian em 2022, foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Deliver Us From Evil; 02-Damnation; 03-Secrets Of The American Gods; 04-Violent Shadows; 05-Life Beyond The Spheres; 06-Architets of Doom; 07-Let It Be No More; 08-Blood Of The Elves; 09-Destiny




The Trooper
3
"HEAR YE! HEAR YE ALL! THE METAL BARDS ARE BACK!" É isso mesmo, meus amigos, vocês não ouviram errado o chamado do town cryer, Hansi e sua trupe estão de volta. Estão dizendo por aí que os bardos voltaram menos firulentos, então viemos conferir.
 
Vocês também devem ter notado nossa ausência. Resolvi abandonar as terras amaldiçoadas de São Paulo e cheguei após uma longa jornada às terras brasileiras na latitude zero, para iniciar um ritual em uma tentativa vã de reverter meu estado de morto-vivo, algo que nenhum lich, vampiro ou ghoul conseguiu até hoje (e nem vão conseguir). Com isso o mês de julho foi perdido, e como supostamente era minha vez de postar, meus colegas montaram em tal desculpa para deixar o blog ao Odin dará.
 
Eu ia postar no fim de agosto mas eis que eu vejo que o novo álbum do guardião cego está para sair. A data é 2 de setembro. Um mês a mais ou um a menos perdido, quem se importa? No dia 2 então comecei minha busca pela compra do álbum em mp3. Outra jornada atribulada, a maioria dos streamers, desejando aprisionar os incautos em um feitiço de assinatura, não disponibilizam a compra apenas para download. A Amazon parecia permitir, mas como sempre os estadunidenses arranjam um meio de causar dor de cabeça para os povos periféricos e não disponibilizaram uma opção de cartão para mim, assim, a opção era pagar uns 40 dólares com o frete em um cd ao invés de pagar 8 no mp3. Seres malditos.
 
O site da Nuclear Blast só tinha as diversas opções de cds. Finalmente, neste dia 5 encontrei uma opção no site da Band Camp. Simples e rápido, em sumários cliques eu já tinha as músicas no meu e-mail. Obrigado, caras. Feliz com mais 99,3 MB de dados em meu computador, transferi imediatamente o álbum para meu celular para poder ouvir o trabalho com o melhor fone disponível. Vou deixar nos comentários o link do site para que você, que como eu, deseja mandar dinheiro para o Hansi para gastar com cortesãs, uísque de 50 anos, ou com o que diabos ele gosta de gastar, consiga enviar suas peças de prata suadas. Os arquivos em mp3 são acompanhados pela arte da capa em um jpg com resolução de 1500x1500 e 516 KB de tamanho (faltou um arquivinho com as letras hein, pessoal? Não custa nada botar o estagiário pra digitar).
 
Bem, já perceberam que a resenha vai ser rasa, não? Não ouvi mais do que duas vezes e ainda sem as letras para acompanhar, mas o importante é anunciar aos quatro ventos, deixemos o Magician escarafunchar o álbum com 'tecnalidades'.
 
A primeira faixa, Deliver Us From Evil realmente passa a impressão de um álbum mais direto e é bacana. Na segunda, Damnation, eu pensei que o Magician havia sido contratado pelos bardos. Quem aqui ouviu o álbum solo de nosso odiado mago resenheiro? Certeza que ele estava em sintonia astral com os bardos quando compôs uma das faixas que não me lembro agora, cujo começo era bem semelhante a esta. Secrets Of The American Gods é um pouco parada demais para mim, mas em seguida atingimos o ápice com Violent Shadows, com certeza a melhor do álbum. Infelizmente só vamos chegar perto desse nível novamente em Blood Of The Elves.

Enfim, é verdade o que estão dizendo por aí? Talvez, mas o álbum como um todo não trouxe o mesmo impacto que um Imaginations From The Other Side, por exemplo. Pode ser que minha opinião mude com mais algumas audições. Por enquanto fico com o destaque de Violent Shadows, seguida de Blood Of The Elves.

Ah, para aqueles esperando uma faixa sobre Evangelion (o elfo gigante da capa tem até um motor S2, além de portar a lança de Longuinus), fomos decepcionados, pelo o que eu vi na Wiki, tal faixa não consta, vai lá conferir.

Nota: vou de \m/\m/\m/\m/, mesmo com futuras audições a nota não deve flutuar pra baixo de 7 ou acima de 8,9.

The Magician

Um grande álbum de retorno para o guardião cegueta, incontestavelmente com a assinatura genuína da banda que conquistou ao longo de sua longa carreira um posto muito específico e único no power metal progressivo.

A trupe germânica nos apresenta novamente as velhas qualidades sonoras de consistência e intensidade da já longínqua época de “Somewhere far Beyond”, com foco grande parte do tempo nos grooves britados das guitarras e nos pedais duplos incessantes da bateria. Esse é o tipo de “reboco” que as pautas precisam para sustentar um álbum, que mesmo sendo bastante (bastante mesmo!) criativo nas viradas de verso-bridge-refrão, de forma positiva não são exageradamente mirabolantes como em contribuições super criativas da banda nos álbuns anteriores mais recentes. Em outras palavras, é um trabalho que entrega as progressões e imersões já esperadas pelos fãs, mas não abusa desses métodos, e deixa as viagens para os solos de guitarras quando esses são mais longos; opção bastante justa para a coerência geral e para manter o interesse do ouvinte.

Existe bastante uso de camadas atmosféricas de teclado, mas esse é um fator que definitivamente não impede que o resultado final ainda seja uma tremenda paulada nos ouvidos, e, portanto, o bom senso foi usado aqui na dosagem de elementos eletrônicos (o teclado, caso você não tenha associado...), usando as linhas orquestrais como importantes componentes acessórios, mas raramente como protagonista. O protagonismo está com certeza nas guitarras, que além das sequências de grooves já citadas, interagem o tempo todo com diferentes riffs brutos que dão vida às composições, e às vezes de forma surpreendente ainda encontram meios de performar licks melódicos solfejados (essa abordagem dinâmica e polivalente pode ser bastante percebida em “Violent Shadows”). Reparem que às vezes, tamanho foi o espaço dado aos guitarristas nesse trabalho, podemos confundir os sets de guitarra com timbres emulados por teclados, como é o caso de grande parte de “Life Beyond the Spheres”, que progride integralmente sobre os fraseados melódicos e super distorcidos das guitarras.

Muito consistente no composto geral, “The God Machine” nas primeiras cinco audições se negou a me revelar destaques isolados, mas acurando as audições pude por fim garimpar as jóias ocultas, que estou beirando chamar de verdadeiras obras primas da banda. Aliás a banda foi muito generosa com seus fãs mais ‘raiz’, ao retornar para as fórmulas mais clássicas de músicas agressivas, que estão com certeza nas pautas de “Damnation”, Blood of Elves”, “Violent Shadows” e “Architets of Doom”, mas sinceramente o que mais agradou foram os momentos “mais diferentes” (mas ainda muito Blind Guardian way of life) de desaceleração das cadências com muita qualidade nas já memoráveis e icônicas (pra não ter que usar ‘épicas’) “The Secret of American Gods” e principalmente em “Life Beyond the Spheres”.

Menção honrosa também para a meio-balada “Let it Be No More”, e para partes de pura excitação descabelante como os ritmos contagiantes das pautas 2/4 bate-estacas de “Destiny”, no solo exuberante de guitarra em “Architets of Doom”, e principalmente no fraseado insano do solo de guitarra de “The Secret of American Gods” que começa aos 4:00 minutos da música mas que explodiu meu cérebro aos exatos 4:28 da faixa.

Mesmo sem expectativas reais de novidades nesse mundo aos meus 400 anos de idade o Heavy Metal ainda continua me aprontando dessas.... obrigado de coração ao Blind Guardian, e um obrigadinho fajuto ao Trooper que postou o álbum aqui.

Nota 8,8 ou \m/\m/\m/\m/.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Wolf - Edge of the World

O álbum Edge of the World, lançado pela banda Wolf em 1984, foi escolhido por Pirika para análise dos Metalcólatras.




 Faixas: 1 - Edge of the World; 2 - Highway Rider; 3 - Heaven Will Rock'n'Roll; 4 - Shock Treatment; 5 - A Soul for the Devil; 6 - Head Contact (Rock'n'Roll); 7 - Rest in Peace; 8 - Too Close for Comfort; 9 - Red Lights; 10 - Medicine Man


Pirika


É comum em revoluções musicais como no caso da NWOBHM onde tivemos tantos ótimos lançamentos que cultuamos até hoje que coisas boas fiquem pelo caminho e se percam do conhecimento popular, Edge of The World é um desses exemplos.

É claro que aqui não estou fazendo nenhuma comparação com os melhores álbuns que justamente ocupam seus lugares no topo da história do metal mas o pessoal do Wolf conseguiu fazer um bom trabalho neste álbum, tendo destaque para as boas melodias, as guitarras e principalmente o vocal de Chris English que cai como uma luva nesse som que puxa para uma mistura de metal e hard rock, lembrando um pouco o que o Def Leppard também fazia.

O CD como um todo acaba alternando pouco em qualidade, mantendo o bom nível do início ao fim, a única música que eu não gostei de fato foi a Rest in Piece. De resto temos uma boa variação músicas de riffs rápidos (Shock Treatment, Red Lights), cadenciados (Edge of The World, Head Contact Rock 'n Roll) e a ótima balada A Soul for the Devil.

Infelizmente o Wolf só lançou esse cd e se desfez, o que é uma pena, mas fica mais um bom álbum pro conhecimento.


Top 3: A Soul for the Devil, Edge of The World, Red Lights. Shame Pit: Rest in Piece.

Nota - 7,4

"Heaven will Rock 'n' Roll,
Everyone dance and sing,
When will the devil know,
Heaven will Rock 'n' Roll."

The Magician

Disse um sábio certa vez: "Se não tem nada de bom para falar sobre algo, não se pronuncie...", no entanto, como sabedoria passa muito longe desse blog, aqui vou eu.

Eu compreendo que este é um álbum de meados dos anos 80, que nem a produção sonora e nem todos os padrões de qualidade de referência da música pesada haviam ainda sido definidos, mas são fatores que não isentam esse trabalho de se enquadrar em um patamar de heavy metal extremamente fajuto. 

A banda Wolf lançou esse trabalho em 1984, e basta dizer que já haviam sido lançadas obras magníficas como Power Slave, Van Halen, Heaven or Hell, Diary of Madman entre outras obras primas, portanto, me parece que ou a banda foi vítima de produtores extremamente amadores, ou quiseram de fato, dar uma sonoridade muito mais próxima a um hard rock pré (nwo)BHM, que se assemelha muito aos primeiros álbuns do Judas Priest e do Diamond Head, lançados de 10 a 5 anos antes desse debut aqui...

Logo, meu faro de detetive do Metal resgata críticas em resenhas que fiz anteriores, onde constato a "fresta" da porta que ficou aberta do mercado da música pesada, e que acabou passando algumas baratas e ratos para que espertalhões dos estúdios abocanhassem a demanda criada pelo movimento das bandas "de primeira linha" (acho que abordei isso em minha resenha do Testament, mas juro que não vou procurar, e no final das contas tanto faz).

Hoje em dia esse mesmo pensamento mesquinho e exploratório voltou a imperar, mas pior do que antes, pois dessa vez não se trata de ingleses sujos e desdentados que exploravam artistas para garantir sua aposentadoria, já que não possuíam efetivamente base de conhecimento para manter suas carreiras de "produtores" ao longo do tempo; dessa vez são os carniceiros de arte e de artistas do Spotify, o pior tipo de manifestação do mercado da música, mas o único capaz de se manter em um sistema capitalista predatório já estabelecido de fluxos concentradores de renda e de distribuição marginal mínima. Essa resenha é produto dessa armadilha em que o nosso querido passarilo metalcólatra caiu, sendo ele um cara de nicho que se alimenta desse alpiste de bandas raras e de época, teve o espanto de não conhecer esse trabalho (e aqui tenho que prestar meu respeito ao Pirikitus, ele é um profundo conhecedor de nosso querido gênero e de muitos outros), e acabou cometendo um erro duplo: compartilhou conosco aqui no blog, e deu mais prestígio à bosta do Spotify. 

Sobre o álbum, segue um resumo aos interessados: um trabalho de NWOBHM extremamente cru, que flerta com o Hard Rock mas que não ousa nem nas linhas de guitarra, nem na abordagem dos vocais e nem em nenhuma composição melódica, com os únicos ímpetos mais dignos vinculados totalmente à composições bem específicas de outros artistas famosos do gênero ( Heaven Will Rock n Roll é uma versão mais pobre de Long Live.. do Rainbow, enquanto "Red Lights" toma emprestada a linha vocal de Highway Star, e é claro, de uma forma bem mais vergonhosa).

Nota 5,5 ou \m/\m/\m/ e olhe lá.











quarta-feira, 25 de maio de 2022

Shaman - Rescue

 O álbum Rescue, lançado pela banda Shaman em 2022, foi escolhido por Magician para análise dos Metalcólatras.


 Faixas: 1 - Tribute (Intro); 2 - Time Is Running Out; 3 – The “I” Inside; 4 – Don’t Let It Rain; 5 – Where Are You Now?; 6 – The Spirit; 7 – Gone Too Soon; 8 – The Boundaries Of Heaven; 9 – Brand New Me; 10 – What If?; 11 – The Final Rescue; 12 – Resilience 

The Magician

“Auspicioso”, a palavra com certa conotação mística (ou por que não, xamânica), que evoca o sentimento de boa sorte ou bom momento, é exatamente o que define esse lançamento da nossa querida banda brazuca. 

No ano de seu vigésimo aniversário, o Shaman traz à Luz o trabalho “Rescue” (resgate), praticamente 2 anos após a morte do maestro vocalista repatriado André Matos, para literalmente resgatar seus projetos com um trabalho extremamente sólido, a ponto de permitir grandes planos para a banda no futuro. As datas e a banda falam com minha história como “metaleiro” de um modo muito particular (como já mencionei várias vezes aqui no blog em resenhas relacionadas ao André (R.I.P), Angra, Viper e Shaman), mas nesse caso não somente por causa do André Matos; Esse ano completei 40 anos, entrando oficialmente no time das pessoas velhas desse mundo, e fazem 20 anos – em 2002 – que fui com 20 anos de idade (tardiamente) no meu primeiro show de Heavy Metal no Via Funchal em SP, justamente no primeiríssimo show oficial da banda Shaman no lançamento do seu debut. Ou seja, eu comemoro junto com a banda de 20 anos de existência (não contínua, fato), meus 40 anos e meus 20 anos de presença em shows de heavy metal, por isso, já providenciei a compra dos ingressos para a apresentação da banda na Audio aqui em SP, em julho..... auspicioso!

De qualquer modo esse trabalho é emancipado da sua dependência pela nostalgia dos fãs, ele “fala” por si mesmo, e que pusta trabalho grandioso do cacete! Estou realmente feliz pelo que a cena nacional produziu recentemente com o Angra (Omni), com o Edu (Veracruz), e agora com o Shaman, o que automaticamente nos sugere um promissor futuro de bons trabalhos pela primeira vez em muitos anos no power metal nacional. Auspicioso! E vale a pena citar que desses – ótimos - três trabalhos nacionais recentes, o que mais gostei, sem dúvidas foi o ‘Rescue’.

Nesse trabalho do Shaman (também como notei no Omni do Angra), a sonoridade geral tira um pé daquele estilo mais enraizado do power metal europeu (p.e. “Pride” do primeiro álbum) para entrar cada vez mais no estilo power-progressive metal americano (Dream Theater, Savatage e Queensryche), mas preservando muito, muito mesmo, de sua assinatura original de “Ritual”, ou seja, com inúmeras referências à sonoridade da cultura pré-colombiana. Independente dessa classificação de subgênero (que, na verdade, tem muito mais a ver com os cuidados da produção com as suntuosas camadas encorpadas de teclados, com as distorções mais parrudas do que o habitual nos sets de guitarras, e principalmente com a cadência contida e bem alternada da bateria) sugiro esse trabalho para qualquer um que aprecie o verdadeiro e genuíno heavy metal com aquelas melodias memoráveis, que é o que mais se encontra nesse trabalho.

A incrível (mas já costumeira) produção do alemão Sascha Paeth, reboca todas as linhas para uma única e grandiosa parede sonora, sem grandes sobressaltos, a ênfase é muito mais nas partes das composições do que em algum dos instrumentos, em outras palavras, o produtor é um verdadeiro “equilibrista”, e inibe as individualidades desses músicos monstruosos, em prol de dar vida à personalidade da banda. Isso não quer dizer que não se possa escutar o talento bruto dos autores de cada linha instrumental (e vocal); Luís e Ricardo já deviam ter uma estátua (nem que fosse na galeria do Rock) pelo que construíram, e pelo visto continuam construindo aqui em ‘Rescue’, com uma cozinha que é “só” responsável por mais uma obra prima do metal nacional; Hugo tem um protagonismo crucial na obra ao acrescentar suas estilosas criações solistas bastante condizentes com o ‘core’ das composições, enriquecendo-as com linhas super expressivas de timbres venenosos que por onde passam emocionam (aliás, sem querer comparar o seu estilo com os compatriotas-super-saiyajins das guitarras, mas já comparando, como é bom escutar uma banda e um guitarrista que se importa sim com os solos de guitarra, mas que não precisa comprimir 25 notas por segundo pra mostrar isso... dá gosto de escutar a economia na produção de uma nota sustentada na escala no fraseado, ao invés de um trinado ou um sweep de 5 notas. O som do Hugo me lembra muito os estilos de grandes lead-guitars que dão preferência aos solos mais curtos e muito mais expressivos, como Roland Grapow e Adriam Smith*); Fabio Ribeiro faz um trabalho providencial na contribuição geral da atmosfera e do conceito do álbum; e Alírio, bom, basta agradecermos a presença do cara na banda, que simplesmente fez ser possível a existência dessa joia rara que é o álbum “Rescue”.

Importante não comparar o atual vocalista com André ou com outros da cena de power metal, pois Alírio tem sim grande extensão e potência vocal, mas o que se sobressai é seu estilo próprio e único que traz mais uma generosa contribuição ao Heavy Metal como um todo (já pensou a gente perder um talento desses para o sertanejo???? Calem suas cornetações!!).

Sobre as letras, são bastante simples e abstratas normalmente fazendo reflexões ao sentimento de perda, luto e dor (como descrito no próprio site oficial da banda); de fato, tem muita relação com a despedida ao maestro – fica muito claro na faixa que o homenageia, em “Gone too Soon” - , mas existem passagens e versos com conteúdo mais “específico” como a faixa de abertura “Time is Running Out” (que ainda assim é um pouco abstrata). 

Muitos destaques dignos de nota: “Time is Running Out”, “The “I” Inside” (se atentem à regressão caída da música e aos dois solos de guitarra de Hugo), “Where Are You Now”, o refrão grudento de “The Spirit”, “The Boudaries Of Heaven”, “What If?”, e “Resilience” (rapaz... me borrei todo escutando essa música... que coisa linda!).

Nota 8,8 ou \m/\m/\m/\m/.


Pirika


17 anos depois do Reason, não irei considerar neste momento sentimental o Immortal e o Origins (Bianchi, Quesada e cia que perdoem), é lançado Rescue, praticamente uma flecha em cheio no coração saudosista de quem viveu o Power Metal nacional em meados dos anos 2000.

Impossível aqui não citar os destaques Alírio e Hugo, o primeiro por ter sido tão fundamental nas suas composições e interpretações e o segundo por novamente ser o monstro que o Hugo foi nesse cd, além riffs e solos maravilhosos (O que é aquele solo de The "I" Inside???), assumindo a orquestração que antes ficava com André, orquestração essa que pode ser sentida nas belas Tribute, Brand New Me e The Final Rescue, entre outras.

Uma coisa que me chama atenção nesse cd é que mesmo o Shaman sendo uma banda de Power Metal, o famoso metal espadinha, ela difere demais de muitas bandas no estilo, inclusive o Angra (Talvez exceto pelo Ritual). Desde o Reason, o som e identidade da banda foi colocado em evidência e isso também acontece no Rescue, um Power Metal onde a virtuose dá lugar a composições mais maduras, com mais feeling, as vezes acaba nem parecendo metal mas a qualidade desse som é inegável.

Desde o momento do single de Brand New Me já estava evidente que a banda tava totalmente adaptada ao Alírio e vice versa, o cd veio para reforçar isso com uma estabilidade impressionante com praticamente todas as músicas no mesmo nível, tirando Gone Too Soon e The Boundaries of Heavens o resto do cd é excepcional, mal posso esperar pelo show de julho! (19 anos depois do Ritualive no qual eu também estava :))



Top 3: The "I" Inside, Where Are You Now? e Brand New Me. Shame Pit: The Boundaries of Heaven.

Nota - 8,1
"Don't hide your scars
They're just a mark you'll live another day
Time heals the heart
It takes of the pain and you will rise again"


sábado, 30 de abril de 2022

Sonata Arctica - Silence

 O álbum Silence, lançado pelo Sonata Arctica em 2001, foi escolhido para análise por The Trooper.

01-...Of Silence; 02-Weballergy; 03-False News Travel Fast; 04-The End of This Chapter; 05-Black Sheep; 06-Land of the Free; 07-Last Drop Falls; 08-San Sebastian; 09-Sing in Silence; 10-Revontulet; 11-Tallulah; 12-Wolf & Raven; 13-Respect the Wilderness (bônus); 14-The Power of One; 15-Peacemaker (bônus)



The Trooper
3
Confesso que vim para esta resenha com um alto grau de preconceito, pois achava que tinha ouvido este álbum, mas na verdade era o Ecliptica, que o Magician votou. Eu me lembro de me irritar com a voz de 'caganeira' do vocalista, mas não sei se é a idade, se minha alma ficou mais piedosa, ou se ele canta de maneira diferente neste álbum, mas o fato é que ele conseguiu passar batido sem me irritar. Mas ainda sim, entendo melhor a velha citação do Merchant: 'cabeludos chorões', pois choradeira é uma constante neste trabalho, nas letras e tons (talvez o ápice esteja em 'Last drop Falls').

De qualquer maneira fiquei razoavelmente surpreso com o conteúdo em geral. A letra de Land of Free, por exemplo, parece se referir a eleição de Bush (viagem minha?). O álbum foi lançado em junho de 2001, no ano em que ele tomou posse, mas antes do 11 de setembro.

Eu disse que o vocalista conseguiu passar batido, mas o tecladista não. Eu acabei de fazer uma resenha onde ele era tecladista (Symfonia), e lá ele mandou muito bem. Por que fez cocô aqui, então? Ordens do boss (o antigo vocalista/tecladista)? Ele até faz algo que presta no trabalho, mas os trechinhos bregas e felizes (principalmente nas intros) estragam as partes boas.

As guitarras mandam bem. Algumas quebras de ritmo malucas, excesso de alegria ou melancolia, mas sempre aparecendo um trecho interessante aqui e ali.

Resumo: O excesso de letras de corno e os tecladinhos mocorongos não chegam a estragar o trabalho, é legalzinho.

Meu destaque vai para 'Revontulet'.
 
Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician

Confesso que estou feliz e surpreso de ver o Sonata aqui no blog, mesmo depois de tantos anos, sempre é oportuno escutar novamente um trabalho dos caras.

É uma banda que teve relativa importância naquela efêmera “re-ascensão” que o Heavy Metal teve na virada do século, puxada principalmente pelo movimento do power metal europeu (Edguy, Avantasia, Hammerfall, Primal Fear, Sonata Arctica, Nightwish,etc..).

Antes de qualquer coisa, a pessoa que se aventurar nessa sonoridade deve estar ciente do fato que o Sonata está mergulhado até o pescoço no estilo power-melodic-speed-symphonic-metal-espadinha-farofa-Metal sem nenhum tipo de remorso, lembrando que na ocasião o gênero ainda era uma promessa.

Dito isso, o que se sobressai é a veia técnica impecável da banda, e aqui não estou ressaltando somente a técnica dentro das pautas (sobre a execução das diferentes escalas, acordes, arpejos bem trabalhados, e o desenvolvimento sobre as tessituras, em si...), mas sim e principalmente, a produção geral sobre as melodias usando os multi canais de gravação, como as vozes dobradas, o piano, e todas as texturas pomposas com abuso das camadas abertas dos teclados e dos sets de distorções translúcidos das guitarras. O Sonata era de forma geral, bastante eloquente em estabelecer um composto sonoro, sem se preocupar com o risco real de sobrecarregar sua música... Mas vejo isso como uma característica geral das bandas de metal da Finlândia.

Quando ouvi pela primeira vez esse trabalho na ocasião em que foi lançado, de maneira equivocada eu o coloquei na prateleira “CD na bota do anterior”, tipo “reciclado”, como se fosse uma reedição rebuscada do Ecliptica; isso acontecia porque muitas vezes absorvia o conteúdo juntamente com muitos outros CDs de outras bandas, e uma vez que eu escolhia um favorito desses trabalhos, acabava subestimando todos os outros. Mas o fato é que “Silence” é acima da média, e eu arriscaria dizer, que talvez, até melhor que o primeiro trabalho do Sonata (preciso revisitar o debut para confirmar essa constatação).

Embora escutar esse tipo de som faça com que eu me sinta na zona de conforto, tem muita coisa boa mesmo aqui nessa obra, sendo que sinceramente não encontrei nenhuma música fraca na coleção e ainda por cima algumas coisas, como por exemplo a frenética faixa “Wolf & Raven” que me surpreenderam bastante (quando atua de forma rápida e “nervosa” o Sonata lembra o Dream Evil). Mas o espetáculo inegavelmente está naquilo que o Sonata é em sua essência: uma banda de balada; As composições mais atmosféricas e lentas se sobressaem de tal maneira que é impossível não fazer um repeat no mplayer após escutar ‘Silence’ na íntegra, como se fosse um “resumo” desse álbum, com somente as ótimas: “The End of This Chapter”, “Last Drop Falls” (cornozisse master mesmo), “Sing In Silence” e “Tallulah”.

 Sobre o conteúdo escrito, escutar esse tipo de trabalho que flerta com o conceitual me faz não procurar por significados nas letras, que ficam afinal muito presas às criações próprias dos autores, e qualquer interpretação fora da história é puramente viajar na maionese... mas cabe dizer que pela primeira vez eu li algo como “andar no frio da noite sem cueca” em uma letra de metal melódico...

Aliás, falando em cuecas, embora seja um verdadeiro “mela-cuecas”, esse é realmente um pusta álbum do gênero, e indico sem pestanejar como referência verdadeira de toda uma época quando esse estilo de heavy metal parecia ser o carro chefe da “música pesada” ao redor do globo.

Curta você também a nostalgia gostosa dessa geração nos lindos embalos de “Tallulah”!

Nota 8, ou \m/\m/\m/\m/.

quinta-feira, 31 de março de 2022

Ramones - Mondo Bizarro

 O álbum Mondo Bizarro, lançado pelos Ramones em 1992, foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01-Censorship; 02-The Job That Ate My Brain; 03-Poison Heart; 04-Anxiety; 05-Strength to Endure; 06-It's Gonna Be Alright. 07-Take It as It Comes (cover); 08-Main Man; 09-Tomorrow She Goes Away; 10-I Won't Let It Happen; 11-Cabbies on Crack; 12-Heidi Is a Headcase; 13-Touring.




Phantom Lord
Mondo Bizarro é algo que acho válido resenhar... 

Há décadas atrás eu ouvi dizer que este era um álbum "muito pop" do Ramones, que já não tinha a essência da banda e blá blá blá. Melhor assim então, porque o que certos fãs chamam de estilo original ou essência da banda (ou outros nomes) não passa de mera opinião. Ou talvez seja tentativa de impor opinião como verdade... Então deixemos tal questão de lado. 

Não escutei muito punk rock ao longo de minha vida, mas este álbum é sonoramente agradável aos meus ouvidos. Ficou melhor ainda ao ver algumas letras criticando as convenções e regras do sistema que dita as regras na maioria dos países do ocidente. Mas alguém poderia me questionar: "Bibibi, bobobó criticar o que do sistema?" Eu mostro na lista de faixas juntamente com as notas e os demais temas que não são críticas, a seguir: 

"Censorshit" 7,8 Critica obscurantismo e opressão da censura 

"The Job That Ate My Brain" 7,6 Critica opressão e utilitarismo do trabalho/ nas empresas 

"Poison Heart" 9,0 Critica insensibilidade, indiferença diante os vulneráveis 

"Anxiety" 7 Sobre adoecimento mental - ansiedade 

"Strength to Endure" 9,4 Sobre adquirir forças em um relacionamento? 

"It's Gonna Be Alright" 8,8 Agradecimento aos fãs da banda 

 

"Take It as It Comes" (The Doors) - Algum tipo de "vá com calma e curta a vida". 

Interessante, como este cover divide os temas das músicas/ faixas em duas partes distintas:

 

"Main Man" 6,8 "eu me viro"... ou "não quero saber dos outros" 

"Tomorrow She Goes Away" 6,5 Sobre uma namorada ou "peguete" 

"I Won't Let It Happen" 7 Sobre dificuldade em relacionamento? 

"Cabbies on Crack" 6,8 Uma viagem com taxista(s) sob efeito de crack 

"Heidi Is a Headcase" 6,2 "Heidi é um caso sério..." 

"Touring" 5,5 Sobre as turnês da banda 

 

Enfim, é um bom álbum... Principalmente para quem não exige técnicas mirabolantes de outros estilos de rock destoantes do punk e para quem não exige fidelidade aos álbuns anteriores da banda (mesmice). 

Nota: 7,3

The Magician

Não tem como gastar muito tempo com uma resenha do Ramones, afinal é Ramones pô! Logo, assim como a banda – debochada, largada, zoada, nem aí pra nada, enfim... punk! – eu posso vir aqui e escrever o que der na telha sem muita profundidade sobre o tema ou cuidado com a coerência.

Acredito que o Trooper postou este álbum devido ao fato que ele constava na lista inicial do blog dos lançamentos de Rock/Metal favoritos dos Metalcólatras, e como não consegui localizar essa lista, acho que ele estava de fato na minha seleta lista particular dos “melhores discos ever”... pois é.

Tenho que confessar que já escutei muito mais Ramones em outras fases da minha vida, mas hoje em dia eu basicamente excluí o som dos caras das minhas listas de músicas, e pra falar a verdade mal me lembrava desse álbum. Porém, levando em consideração que algumas de minhas músicas favoritas do Ramones se encontram em Mondo Bizarro, e ainda, que na versão que eu costumava escutar (não lembro de quem era o CD que tomei emprestado quando era moleque...) tinha a famosa faixa “Spider-man” - inclusa como bônus track em um relançamento posterior desse disco -, fica bem fácil afirmar ainda nos dias de hoje que esse realmente é o trabalho que mais aprecio da banda americana.

Em minha opinião, as três canções que elevam o patamar desse trabalho e estão na minha lista top 10 dos Ramones, são: “Poison Heart”, “Strenght to Endure” (tocava na guitarra junto com o Metal Kilo e com o Merchant, kkk) e “It’s Gonna Be Alright”; Take It as It Comes entraria na lista, se não fosse um cover do Doors, e “Cersorshit”, “Tomorrow She Goes Away”, e Touring (uma espécie de reedição mascarada de ‘Sheena Is a Punk...’ com ‘Rockway Beach’, coisa que os Ramones fizeram a dar com o pau em suas carreiras) são um bom recheio de álbum. Já o restante das músicas são praticamente uma bosta.

Escutar novamente Mondo Bizarro depois de tantos anos, no entanto, me trouxe algumas curiosidades que não sabia: esses meus 3 sons favoritos foram compostos por Dee Dee Ramone (!), o baixista, que não participou efetivamente da gravação de Mondo Bizarro por ter sido demitido após a turnê do álbum anterior, mas que vendeu (O_O) esses 3 sons para os Ramones por estar preso e precisar do dinheiro para pagar a fiança! Nada mais Ramones do que isso...

Li que Jhonny Ramone comentou que eles precisavam de Dee Dee nesse álbum, e que C.J. que o substituiu era um péssimo compositor em sua opinião. Para mim até hoje, o principal compositor da banda era o vocalista Joe, mas como provado aqui, ledo engano meu. O surpreendente é que Dee Dee (que foi o responsável pelo sucesso das 3 faixas de divulgação de Mondo Bizarro), que morreu de overdose, era provavelmente o mais aloprado dos caras, que chegou por várias vezes se meter em brigas com facas, e uma vez inclusive foi esfaqueado em uma dessas tretas, atrapalhando as apresentações da banda. Dee Dee, que tinha marra e não falava por semanas com outros membros da banda, e que nos cinco anos do câncer de Jhonny Ramone nunca foi visita-lo no hospital, para tristeza de seu colega de banda, e que sobre isso relatou (“.. as pessoas me dizem que não liguei para ele nenhuma vez, isso não faz sentido porque ele não é meu amigo e não tenho relação próxima com ele”).

Por causa dessas histórias loucas e de muitas outras, e por provavelmente eu ter mudado algumas palavras dele nessa citação acima do Dee Dee (mas não o contexto), ao invés de escutar um simples álbum do Ramones eu recomendo você a procurar por um documentário sobre os caras;

E pelo fato de, como muitos produtores dos Ramones e membros das gravadoras afirmam, todos os discos da banda serem um fracasso total de crítica e de venda (embora fossem assediados por esses mesmos caras, por causa do sucesso de suas apresentações), eu recomendo qualquer um a procurar pelas coletâneas e álbuns live que tem realmente muita coisa boa, ao invés de apenas escutar Mondo Bizarro.

A conclusão é que este disco é simplesmente “OK”, e que a minha escolha como uma das obras “best ever” do Rock/Metal é, assim como os Ramones eram, simplesmente bizarra. 

Nota 7 ou \m/\m/\m/\m/.

P.S: Dava para escrever realmente muita coisa sobre a musicalidade verdadeiramente revolucionária dos Ramones, que sem nenhuma teoria musical aprofundada, com somente cinco ou seis acordes praticamente “sempre em 5ª tonal”, entregaram uma miríade de canções diferentes (não muito diferentes, é verdade), e como de certa forma, emoldaram o formato de um gênero de representatividade gigantesca como o punk, praticamente sozinhos. Dá pra ter noção como os caras eram bons (não tecnicamente, claro) pra fazer isso! Mas como comentei no começo do post.. dane-se, isso é punk, não vale o esforço. 




The Trooper
3
Fala, cambada. Tenho que concordar com o que foi dito acima por ambos os metalcólatras, exceto a opinião do Phantom sobre a letra do cover de Doors, que pra mim é só mais uma pornográfica do Morrison, e sobre o resto das faixas que o Magician não gosta serem uma bosta, pois eu gosto de todas as faixas deste álbum, e este é um dos motivos de Mondo Bizarro estar aqui. O outro é o que o Magician citou mesmo, Mondo Bizarro estava entre os mais votados, e se você também está com dificuldade para achar essa lista, como nosso mago de araque, é só ir lá em 'Arquivo do Blog' e procurar em 2010, agosto. E sim, o Magician também acertou que o álbum está na lista dele.

O primeiro álbum que ouvi dos caras foi o Locomotion, uma coletânea ao vivo, se não me engano, comprada na época por um amigo de infância (Petrometal, cadê você, cara? Sumiu). E pra ser sincero eu não vi a menor graça. Parecia um álbum de uma faixa só, e enfadonha. Por esse motivo eu nunca fui atrás de nada dos caras e só ouvi o que saiu no rádio.

Pois bem, acabei ouvindo o Mondo Bizarro (sei lá por que raios) e gostei do bichim. Ouvi, ouvi e ouvi. E continuei ouvindo até hoje (Whitesnake caiu fora das minhas audições, outras bandas entraram em longas hibernações, mas Mondo Bizarro sempre esteve na parada). Por quê? Eu não sei. É muito bom. Tipo arroz e feijão feito na hora, dá pra ignorar mistura se você quiser.

Como afirmei anteriormente, eu gosto de todas as faixas. Quando a letra não é bacaninha, ela é no mínimo engraçada (tirando a putalia do Doors). A guitarra sempre manda bem, firula zero, mas riffs sempre fazendo a cabeça banguear, ou mesmo te incentivando a fazer aquela dancinha punk de ficar chutando o ar (na oitava série eu deveria ter cabulado aula e ido dançar com as 'ai meu dedo' na quadra enquanto a banda que o Mi convenceu a ir lá na escola tocava 'Poison Heart' para quase ninguém).

Sobre as tretas da banda, eram inevitáveis. John estudou em escola militar e lambia as bolas do Bush, Joey tava mais na linha anarquista, Dee Dee era hostilizado por um e ignorado por outro. Os caras tocavam tretados. É impressionante saber como isso durou. Talvez tenham saído sons bons justamente porque os caras falhavam em se comunicar e se expressavam pelas músicas.
 
Resumo: Não pode faltar na coleção. Todas as faixas são muito boas, mas obviamente, 'Poison Heart' e 'Strength to Endure' estão muito acima.

Nota: \m/\m/\m/\m/


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Symfonia - In Paradisum

 O álbum In Paradisum, lançado pelo Symfonia em 2011, foi escolhido por The Magician para análise dos Metalcólatras.


1 - Fields of Avalon; 2 - Come By The Hills; 3 - Santiago; 4 - Alayna; 5 - Forevermore; 6 - Pilgrim Road; 7 - In Paradisum; 8 - Raphsody in Black; 10 - Don't Let Me Go; 11 - I'll Find My Way Home".

The Magician

A escolha de ‘In Paradisum’ da banda Symfonia já foi criticada por alguns membros do blog mesmo antes de haver qualquer palavra resenhada dentro do site (os famosos grupos de zap e tals), adicionalmente uma Rock Brigade que tenho aqui em casa de 2011 também torce o nariz para esse trabalho. O motivo das críticas em ambas situações relembra a velha queixa sobre o Power/Speed Metal que vem definhando nesses últimos 20 anos: tedioso, sempre a mesma coisa, cópia de tal coisa… e assim por diante.

Andre Matos na ocasião bolou uma resposta (abaixo) pra esses críticos, por isso não vou perder meu tempo (mesmo não sendo tão precioso assim), com isso – vou apenas fazer um CTrl+V aqui:

[...] uma coisa que eu sempre dizia nas entrevistas [...], era o seguinte: 'Symfonia não é para ser uma banda ou um projeto que foi feito para reinventar o estilo [...]. O que queríamos era juntar todos aqueles músicos famosos que de alguma forma tiveram seus destaques neste campo musical específico e ver o que sai disso. Veja quando essas pessoas estão juntas, e se elas dão o seu melhor, que tipo de power metal sai disso.' Então essa era a proposta do álbum, e nunca negamos. Então, se alguém chegasse com alguma crítica do tipo: 'Mas é mais do mesmo, e não traz nada de novo. Parece Stratovarius e Angra.' Bem, isso é exatamente o que queríamos.  

Dito isso, não há dúvidas que toda a estrutura e o conceito desse trabalho parte das experiências anteriores dos dois principais compositores da obra, e não há nenhuma vergonha nisso, na minha opinião, muito pelo contrário; uma vez que os caras já estão estabelecidos em um gênero, resta os mesmos incrementarem suas ideias, sem necessariamente mudar a direção das músicas.

Obviamente existe um risco de fadiga para aqueles que vão escutar o trabalho, mas isso dependerá de quanto você é ou não fã do gênero, e se está ainda disposto a escutar novas composições que respeitam totalmente a história e o estilo característico do Power sem novas aventuras, aquele já consolidado pelas bandas melódicas e sinfônicas pós Helloween, e este é o meu caso. Embora eu confesse que no começo achei “isso aqui um chororô chatoso”, depois da terceira audição o negócio começou a ficar bom, e passou a ser um “chororô gostoso” daqueles que o verdadeiro fã de power metal adora. Aliás uma das características conhecidas desse gênero é que ele ganha força na medida em que com as repetições, você cada vez mais se acostuma às composições, e da forma com que as letras interagem com as pautas sonoras.

Sim, é o de sempre com batatas, Andre cantando em tons extremamente altos na maior parte do tempo (vale ressaltar que com a voz já desgastada e mais madura, que acontece nos trabalhos depois do Fireworks, esse foi o melhor registro de Matos na minha opinião), enquanto Timo frita nervosamente a guitarra com sua inconfundível digitação límpida e alcalina em seus solos mega-pirulitantes (prestem atenção no que quero dizer aos 4m:52s da faixa In Paradisum).

Fora isso a sonoridade geral também resgata toda a discografia já consagrada dos dois compositores em suas bandas anteriores, com músicas rápidas, cadenciadas, épicas, utilização de coros em refrãos, muitas camadas de teclado de suporte, riffs e solos velozes, etc.

O que acredito que talvez tenha levado a sonoridade geral mais para 'o lado' do Stratovarius do que para do Angra é o fato do tecladista não ser o Andre, mas sim Miko Harkin do Sonata, e há de se lembrar que o DNA da veia compositora de Matos está muito mais vinculado às suas musicas compostas no piano. Ou seja, se você quiser reduzir a análise a uma linha simples de conclusão, este é um trabalho que lembra muito mais um Stratovarius com Andre Matos, do que um Angra com o Timo Tolkki.

Mas a conclusão é que a sonoridade está bem encaixada, tudo certinho, tecnicamente e melodicamente no seu lugar, com apenas os exageros contumazes que o próprio gênero se reserva, mas nada além disso. Um bom trabalho de Power/Speed Metal para aqueles mais conservadores desse nicho.

Ah, sobre as letras, são bem simples e diretas, mas no geral passam reflexões de indulgência, superação, amadurecimento e redenção (se é que dá pra trazer tudo escrito no álbum em termos simples), possivelmente pesa a opção de caras mais velhos que preferiram não rebuscar tanto assim a obra ao colocar um estilo ópera, o que seria bem aceito aqui. Por fim, o conteúdo lírico passa um ‘good vibes’, que o Phantom pode apreciar sem medo de ser feliz!

Não achei nenhuma música fraca e nem espetacular, mas existem os destaques: “Come by the Hills”, “Santiago”, “In Paradisum”, “I Walk in Neon” e a balada (para mim, a melhor!) “Don’t Let me Go”.

Nota 7 ou \m/\m/\m/\m/.

Apesar de neste caso aqui eu achar esse papo “de mais do mesmo” uma verdadeira papagaida, provavelmente não é o que o Timo acha, já que em um ‘pitty’ por e-mail ele acabou com a banda e mandou todo mundo embora, inclusive ele mesmo (lembra alguém, certo Trooper?). Andre Matos disse sobre isso, que “haviam lhe avisado” sobre Timo, mas o fato é que o cara parece meio complicado da cabeça mesmo, ou ele encontrou um maldito elfo lá na Finlândia que ele adotou e abrigou no seu porão, e que fica dizendo no ouvido dele que as músicas que ele faz são uma porcaria e mais do mesmo… vai saber.        



The Trooper
3
Sinceramente não sei por quê ouvi falar tão mal deste trabalho. São os velhos resmungões do metal. O Mercante deveria ter inventado um selo 'Recusado pelos resmungões do metal', eu ia colar aqui. 
 
A impressão inicial que eu tive foi o que o Magician falou, 'Stratovarius com André'. Isso seria bom, já. Stratovarius é bom, André é bom ... Cabô. Mas não é só isso, não. Eu ainda fui surpreendido no álbum. Na primeira audição, escravizado pelo trabalho, só deu pra notar 'Ei! Isso não é ruim!' Na segunda audição, com o fone de ouvido boqueta, sonzinho de 70 kbps do YouTube, e ainda assim, 'C#$%#$! Que música f$%#!'

O primeiro solo de 'Alayna' começou e eu pensei 'Eita p$#%! É o Slash?' Em 'Pilgrim Road', veio uma pegada 'Folk Metal' inesperada e quando entra no solo o Timmo manda o folk pro c@#$%$# e enfia uma guitarra nada a ver que ainda ficou muito louca.

Em 'I Walk in Neon', além dos teclados 'a la Stratovarius', tem uns tecos que parecem anos 80 e você fica esperando o Morrissei entrar cantando.

E 'In Paradisum', p#$% que pariu! É uma obra-prima! Pode parecer uma música estranha e nada a ver, mas preste atenção nos altos e baixos acompanhando a letra, fantástico!

Pra terminar, 'Don't Let me Go', 'Hotel California', mas muito mais triste, meio 'Chrono Cross', fechou muito bem o álbum, e eu nem posso xingar porque eles não quebraram minha regra de duas baladas por álbum.

Não posso falar mal de ninguém. O tecladista seguiu a linha Stratovarius, e aí não tem erro. Só tenho elogios pro cara. André, é André... Só senti um pouco a falta de uma gritaria raivosa que ele aplicou no primeiro álbum do Shaman e aqui não rolou, mas dá pra entender, não é a pegada deste álbum. Batera e baixo na manha, sem deixar a peteca cair, aparecendo aqui e ali. E por fim, o dono da bola, Timmo 'Chorão' Tolkki, o mestre, o gênio. Ele enfiou uns riffs pesadíssimos no álbum que deixam a gente esperando uma faixa inteira de porrada, mas aí ele vai lá e muda tudo no meio. Mas é a mesma parada que citei sobre o André, não é a pegada do álbum. Quem curte power metal, metal melódico, essas paradas aí, já podia esperar, então nem xinga.

Agora ... O Timminho criar um monte de letra bacana, dramática, mas passando uma mensagem 'carry on' e depois se trancar no quarto chorando, e como disse o Magician, 'mandar todo mundo embora por e-mail', não dá, né? Coerência, por favor, Timminho.

Resumo: P#$% álbum! Mas tem que prestar atenção pra ouvir e não esperar porrada.

Nota: \m/\m/\m/\m/


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Roberto Carlos - Em Ritmo de Aventura

 O álbum Em Ritmo de Aventura, lançado por Roberto Carlos em 1967, foi escolhido por Trooper para análise.

01-Eu Sou Terrível; 02-Como É Grande Meu Amor Por Você; 03-Por Isso Corro Demais; 04-Você Deixou Alguém A Esperar; 05-De Que Vale Tudo Isso; 06-Folhas De Outono; 07-Quando; 08-É Tempo De Amar; 09-Você Não Serve Pra Mim; 10-E Por Isso Estou Aqui; 11-O Sósia; 12-Só Vou Gostar De Quem Gosta De Mim




The Trooper
3
Olá. Vou começar fazendo uma confissão: às vezes eu espero algum metalcólatra postar até o último dia do mês, daí venho aqui quando não postam, posto no primeiro dia do outro mês e mudo a data para o último dia do mês passado. Meu irmão disse que sou corruptível, taí a prova.
 
Daí vem a pergunta mais importante: 'cara, que diabos você postou desta vez?!'
 
Tenho outra confissão a fazer como resposta: é uma homenagem a senhora minha mãe, que partiu para outros planos de existência. Saudades, uma incrível jornada para a senhora.
 
'Tá, pelo menos é rock?' Pergunta controversa, é indiscutível que Roberto Carlos está envolvido nos primórdios do rock no Brasil, sugiro que faça uma pesquisa na wikipedia pelo menos, existem outros precursores, e eu não vou julgar o mérito ou a importância do velho Robertão.
 
Como opinião pessoal, nunca fui fã do cara, mas ele reflete bem o povo brasileiro em sua maioria, que vive fora da discussão profunda política do país. A ideologia política dominante não seria dominante se grande parte do povo não fosse influenciada por ela, como disse o carinha do PCO, ou seja, a situação e educação do povo está diretamente ligada ao poder das elites. (Claro que todo este parágrafo foi dedicado ao tal do episódio de elogios à Pinochet).

Por quê 'Em Ritmo de Aventura'? Olha, creio que 'Roberto Carlos Canta Para a Juventude', de 1965, e até mesmo 'Eu Te Darei O Céu', de 1966, são mais rock & roll do que este álbum, mas ambos já possuíam faixas intragáveis (para mim, claro) como 'Não Quero Ver Você Triste' e um excesso de baladas românticas. Acho que só ouvi esses 3 de cabo a rabo (minha vontade não é de ferro). O motivo é que este discão morou em casa por anos e anos. Seu dono, tio Hélio (que está bem mal no hospital, good vibes pra você, tio!), tocava a bolacha com frequência em seu AIKO, que também morou anos e anos em casa. Eu ouvia, e nem sabia que estava ouvindo rock (em algum nível).

A própria escolha de Roberto Carlos como homenagem também foi questionável, porque dentro do rock minha mãe gostava de Beatles, mas vou fazer a terceira e última confissão do post: dei uma olhada no nome das faixas da discografia dos Beatles e bateu um desânimo. A verdade é que esses artistas pra mim lançam 1d4 faixas boas por álbum, ou seja, eu só vou curtir coletâneas.

Mas eu recomendo que vocês ouçam esses 3 álbuns do Robertão. Caras, é um mergulho fantástico no passado ... As gírias, as letras zoeira ... É impagável.

A primeira faixa, 'Eu sou Terrível' vai até fazer você pensar que você vai ouvir um álbum inteiro de rock 'Eita! E esse solo de gaita? Deixa The Wizard no chinelo!' (Zoeira, mas é legalzinho). Mas a segunda faixa puxa você pra realidade, o álbum deve ser mais de 50% meloso (a coisa fica realmente impossível quando a década de 70 começa e o Robertão vira cantor romântico).

Se você, como eu, tem horror a baladas românticas, ouça só meus destaques.

Destaque para as faixas que parecem rock: 'Eu Sou Terrível', 'Você Não Serve Pra Mim' e 'O Sósia'.

Talvez devido à lavagem cerebral na infância eu consigo ouvir essas faixas melosas de boa: 'Como É Grande O Meu Amor Por Você', 'Por Isso Corro Demais', 'De Que Vale Tudo Isso' (essa lembra Doors ... kkk) e 'Quando' (tá, essa tem um ritmo mais rápido). O resto dá muito sono.

Nota: \m/\m/\m/ (a nota não faz parte da homenagem)




Phantom Lord

Bom... Ouvi tal álbum algumas vezes porque havia parentes em casa que curtiam tais músicas. Pode soar nostálgico, e portanto com algum apelo sentimental, mas como o som do véio Beto Carlos alterna entra um rock'n roll clássico ou rockabilly brazuca com "pop", nunca se tratou do tipo de música que mais me chamou atenção. Alguns sons cafonas, além de nostálgicos, são engraçados... Só mesmo escutando esse símbolo da década de 60 do século 20. 
As letras variam entre românticas e umas poucas superficialidades de jovens daquela época distante, então não há muito o que discorrer sobre. Na verdade, das não (tão) românticas, parece que só a música Você não serve mais para mim tem alguma profundidade (eu nem discutiria se as "mais" românticas têm ou não).

Os destaques são previsíveis: Eu sou terrível, De que vale tudo isso, Quando, Você não serve pra mim e O sósia. Eu poderia incluir nos destaques também a faixa Como é grande meu Amor por Você e Por isso corro demais, mas aí teria que ser alguma versão regravada ou tocada mais recentemente com mais recursos sonoros. 

 1. "Eu sou terrível" 6,8 
2. "Como é grande meu Amor por Você" 5,5 
3. "Por isso corro demais" 6,4 
4. "Você deixou alguém a esperar" 6 
5. "De que vale tudo isso" 7 
6. "Folhas de outono" 5,7 
7. "Quando" 6,6 
8. "É tempo de Amar" 5 
9. "Você não serve pra mim" 7,4 
10. "E por isso estou aqui" 5,2 
11. "O sósia" 7 
12. "Só vou gostar de quem gostar de mim" 4,8 

 Dúvida: O que é o ritmo/ estilo musical de "E por isso estou aqui"? Quiqui é issu? 

 Nota Final: 6,1