segunda-feira, 11 de abril de 2016

Guadaña - El Grito del Silêncio

O álbum El Grito del Silêncio lançado pela banda Guadaña em 2012 foi escolhido para análise por Phantom Lord.


Phantom Lord
Há uns anos atrás ouvi este disco de heavy metal cantado em castelhano e achei interessante, mas praticamente o deixei "no congelador". Agora, quase cansado de heavy metal, mas sem interesse em qualquer novidade de qualquer estilo musical, trago esta joça a este blog. Uma joça bem trabalhada, com uma dose perceptível de criatividade espalhada pelas músicas que apresentam um heavy metal tradicional de qualidade, com suaves aproximações de outros subgêneros deste "ramo" musical (thrash, prog, death etc). 
Como o gênero predominante em El Grito del Silêncio é o heavy metal, nota-se que o objetivo da banda não é fazer o ouvinte viajar apesar de existirem algumas quebras de ritmo e solos "esmerilhantes"... Inclusive creio que o ideal seja ouvir este álbum em um volume alto, como tantos outros trabalhos de heavy e/ou thrash que passaram pelos metalcólatras, não por ser bom ou ruim, mais pela (suposta?) proposta do disco de fazer o ouvinte "banguear". 
A vocalista alterna entre vocais médios, semi-grunhidos e mais rasgados/gritados aparentemente sem mergulhar em estilos extremos. Num primeiro momento pensei que o vocal em castelhano soaria mais bizarro, mas para quem já ouviu criaturas cantando em japônes, chinês e russo, o idioma ibérico já não incomoda tanto. 
O interessante é que depois de uns 2 anos, eu passei a gostar mais deste álbum só em minha quinta audição (a "audição" para postar a resenha aqui neste dia 11/04/2016), pois apesar de alguns momentos de sonoridade bate-estacas, percebi melhor as "nuances" das faixas 4, 6, 7/8 e 11. Nuances que vão desde as suaves aproximações de subgêneros que eu citei no começo desta resenha até as aparentes influências da banda (Judas, Metallica, Blind, Purple e outras?) Ah sim, também passei a dar um pouquinho mais de crédito à produção do disco, mas só um POUQUINHO. 
Conclusão: É um bom álbum de "heavy metal pedrada da zoreba com qualidade técnica". 

Sin rostro 7 
Secreto confesional 6,9 
Tras el cristal 6,8 
Innombrable 7,5 
Heavy Metal 7,6 
El grito del silencio 7,5 
Éxodo (intro) - En la brecha 7,7 
Impulsos 6,9 
Tu propio final 7,2 
Ya no son los mismos 7,8 
Reencarnación 7,6 

Nota Final: \m/ \m/ \m/ (7,3)


The Magician
Tá aí... banda espanhola no blog é nova...

Bom, se eu deixar de lado meu preconceito com o idioma derivado do latino no Heavy Metal (e no caso do espanhol, fora do Metal também..) o som no geral, até que agrada bastante.

O que mais chamou a atenção é a consistência das composições mesmo atuando em abordagens bem diferentes nas diversas faixas. Ou seja, a banda experimenta bastante durante o decorrer do disco, mas quando muda o estilo não faz feio em nenhum deles, e posso exemplificar: "Tras el Cristal" utiliza as profundas imersões do bumbo duplo para explorar uma composição que em alguns momentos lembra até Death Metal, já em "Innonbrable" o grupo desvia o percurso para um estilo quase Power Metal que se perde nos desafiadores solos de guitarras de Jacob García, para na sequência pegarem pesado no estilo pragmático do Heavy Metal clássico (na faixa homônima do gênero), e enfim, surpreenderem no estilo Nu Metal em "Impulsos".

Essa variação toda de estilos dentro de um mesmo álbum se tornou ainda mais interessante pelo motivo de a banda possuir dois vocalistas atuando - um homem e uma mulher - que se revezam nas diversas passagens em momentos bastante oportunos das canções. A voz de Salvador Sanchéz cansa um pouco mais, pois insiste no estilo rasgado e agressivo mesmo quando tem que preencher riffs mais melódicos. 

Sobre os instrumentistas não há o que reclamar. Passam o tempo todo sendo simplesmente competentes, e quando são um pouco mais exigidos com certeza dão conta do recado. O guitarra manda bem nas bases e confesso que me surpreendeu em alguns solos; o baterista é um pusta de um pedrerão ignorante (no bom sentido, está no estilo certo), e o baixista dá o ar da graça em algumas músicas. Logo há qualidade de fácil reconhecimento nas músicas.

O que prejudicou um pouco foi a longevidade do CD (com menção especial a exageradíssima faixa "Ya No Son Los Mismos" com seus 14:39 minutos de duração, pra que isso véio????) que desgasta um pouco o material, e o já citado idioma dos gatidanos. No resto, bom trabalho.

Nota 6,9, ou \m/\m/\m/.


The Trooper
3
Demorei bastante para conseguir resenhar este álbum, talvez porque a primeira impressão foi péssima. Não, o trabalho não é ruim, a impressão nem foi em relação à primeira audição, mas à primeira faixa. Lá pelos 3 minutos, a banda usa um estilo cadenciado, lento, que faz minha mente se lembrar de algumas bandas underground modernas que fazem um som muito bom, mas estragam a música com essas paradas lentonas que eu não sei se vieram do new metal ou do death.

É gosto pessoal mesmo, não consigo ouvir isso sem ficar desmotivado ou com raiva, estraga tudo quanto é riff bom que possa existir na música. Enfim, isso não é a característica dominante no álbum, mas ela se repete, lá pelos 5 min. de 'En La Brecha', lá pelos 3 min. de 'Impulsos' e logo de cara em 'Tu Propio Final'.

Relevando essas características de som pesado, lento e cadenciado, dá pra constatar que os caras são competentes e criativos (que é a parte mais difícil), principalmente os instrumentistas. Os vocalistas seguem um estilo que não me agrada muito. Eu confesso que não sei diferenciar quando é o rapaz ou quando é a moça cantando, exceto quando o vocal limpo é utilizado em momentos mais lentos, aí eu posso afirmar que eu prefiro a moça (Gloria Romero). Se a moça canta apenas esses trechos lentos, ela canta muito pouco, deveria predominar. Se ela canta junto com o rapaz (Salva Sánchez), então ela tem a proeza de desaparecer, mas creio que minha primeira hipótese é a verdadeira.

O estilo, como Magician afirmou, varia bastante, 'En La Brecha', por exemplo, lembra Metallica nos trechos distorcidos, e Iron Maiden nos trechos lentos, 'Impulsos' consegue lembrar Sepultura e Dream Theater na mesma música ... O.o ... 'Ya No Son Los Mismos', Sabbath e Purple. Mas tudo isso sem parecer cópia.

A temática parece interessante, mas como meus conhecimentos do idioma são parcos, não posso afirmar com certeza. Além disso, o preconceito com a língua, como diz o Magician, também me afeta, certos sotaques e linguagens soam engraçadas ou estranhas aos meus ouvidos.

Enfim, é um trabalho interessante, no mínimo para se conhecer. E o talento dos caras (e mina) também deve ser reconhecido, mas se vai continuar na minha coleção eu já não sei.

Destaque para a faixa-título.

Nota: \m/\m/\m/


quinta-feira, 24 de março de 2016

Hellhound - Metal Fire from Hell

O álbum Metal Fire from Hell, lançado em 2008 pela banda japonesa Hellhound, foi escolhido por Hellraiser para análise dos Metalcólatras.



1. Metal Fire from Hell 03:46
2. Headcrusher 03:42
3. Heavy Metal Highway 03:57
4. Heavy Metal Education 03:28
5. Metal Psycho 04:36
6. Change the World 04:57
7. Too Wild to Tame 04:43
8. Warriors of Rising Sun 05:42

Phantom Lord
Com uma ideia similar a da banda Dream Evil, o Hellhound juntou vários ingredientes do heavy metal e misturou em um caldeirão. Com conhecimento e/ou técnica o resultado ficou sólido (em minha opinião, o único ponto fraco é a faixa título) e apresentou um nível até que razoável de criatividade. 
Pode-se notar inspiração em diversas bandas: Judas, Manowar, Iron até um pouco de Motorhead. 
Porém o vocal mostrou-se limitado e bastante escrachado... Notoriamente similar ao Detonator do Massacration. 
Não sei se os caras do Hellhound levam a sério um estilo de vida "metal" como figurões do Manowar ou se estão apenas fazendo piada como os caras do Massacration, mas de qualquer maneira, propositalmente ou acidentalmente, eles encontraram um meio para o rústico e caricato vocal não se tornar muito irritante: Gravar um disco breve (bem curto, pouco mais de meia hora). 
Enfim, como a parte instrumental é boa "tecnicamente e criativamente" posso afirmar que é um bom álbum e obviamente poderia ser melhor se o vocal fosse menos limitado e avacalhado. 

Metal Fire from Hell 5,9 
Headcrusher 7,4
Heavy Metal Highway 6,9 
Heavy Metal Education 7,2 
Metal Psycho 6,8 
Change the World 6,7 
Too Wild to Tame 6,7 
Warriors of Rising Sun 7,3 

Nota Final: \m/ \m/ \m/

Hellraiser
3Olá pessoal. 
Trazendo aqui aos Metalcólatras a banda nipônica Hellhound que executa um excelente Heavy Metal flertando muito com o Thrash. 

Não tem como dizer que a galera oriental aqui não tem talento. 

Os riffs, os solos e as próprias musicas em si são muito bem feitas, e entram fácil fácil na cabeça de qualquer banger. 

Mas não se engane ! 

Pelo teor das letras o ouvinte já nota que tem pegadinha do Malandro ai !! 

É que na verdade, a galera do Hellhound manda um Thrash/Heavy muito competente, porém totalmente calcado na gozação e bom humor, apenas flertando com o estilo True Metal de ser. 

Aqui temos uma banda que faz na ´´gozação´´ Heavy Metal melhor que muita banda séria das antigas em atividade até hoje. 

Claro, os caras carregam aquela temática do ´´TRUE HEAVY METAL´´, mas sinceramente, todo esse ambiente criado está mais pra uma ´´zueira´´ do que um estilo de vida. 

 O ponto onde mais se nota tal ´´desleixo´´ é justamente nas linhas vocais do guitarrista/vocalista, que se auto intitula ´´Crossfire``. (sic.)

Mas apesar de todo esse desleixo e bom humor que acerca o disco todo, não da pra negar a qualidade  sonora deste trabalho e não curtir as musicas. 

Vale ainda ressaltar os trabalhos das capas de seus discos, sempre fazendo menção bem humorada a alguma banda que os influenciou, neste caso aqui, o Breaker do Accept. 

Nota 7,00 (por ser muito melhor que muita banda séria)

 
The Trooper
3
Minha primeira impressão sobre Hellhound foi a de uma cópia japonesa de Massacration que ao invés de copiar mais Helloween e Judas, copiava Metallica e Iron Maiden.

Essa primeira impressão foi reforçada pela resenha do Hellraiser, o que me trouxe um grande estranhamento, afinal a afirmação dele ao lado da nota ("7 - por ser melhor que muita banda séria"), é exatamente o veredito que a maioria dos metalcólatras deu na resenha do álbum do Massacration aqui no blog, sendo que Hellraiser parece sentir grande repulsa aos comediantes brazucas (para corroborar com essa hipótese há um fato: ele não resenhou Gates of Metal Fries Chicken of Death), enfim, isso é bom, a gente precisava de alguém contraditório para substituir o mestre da contradição: Metal Mercante.

Entretanto, a primeira impressão não foi a que ficou, Hellhound não é uma banda formada por comediantes (logo, um híbrido músico/comediante, como a gente discutiu lá na resenha do Massacration), é formada por músicos (pelo menos é o que parece, se alguém mora no Japão, conta aí pra gente qual é a dos caras), os caras sabem o que estão fazendo.

A veia comediante da banda puxa muito mais para a postura do Dream Evil em In the Night, ou Helloween, Ed Guy e Manowar (esses são uma comédia sem querer), e não é um senso de humor escrachado, está mais para uma paródia light.

Como fazer música boa não é mais do que a obrigação para músicos profissionais, o impacto da qualidade das músicas é menor do que Massacration. Mas como a gente sabe que muito músico não cumpre com sua obrigação, é de se louvar o trabalho dos japas. Os caras tem potencial para serem muito mais do que são se saírem dessa pegada paródia e focarem na criatividade.

O destaque aqui vai para as guitarras, aliás, o Crossfire também parece cantar bem, o cara podia arriscar um projeto paralelo com a banda, como eu afirmei, há potencial. Como música, o destaque vai para Change the World, onde a banda parece ter um estilo próprio, com aquelas guitarras japonesas características (que podem lembrar a trilha sonora de Megaman X), e uma letra menos palhacitos.

Enfim, bacana. Decepciona um pouco porque deixa a impressão de que poderia ser muito melhor se não quisessem encaixar o trabalho no nicho paródia-metal.

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S. Não confundam a banda japonesa com a americana (links para quem tem facebook).


domingo, 13 de março de 2016

Megadeth - Dystopia

O álbum Dystopia de 2016, lançado pela banda americana Megadeth, foi escolhido por The Magician para análise dos Metalcólatras.


1."The Threat Is Real",2."Dystopia",3."Fatal Illusion",4."Death from Within",5."Bullet to the Brain",6."Post-American World",7."Poisonous Shadows",8."Conquer... or Die!",9."Lying in State"10."The Emperor",11."Foreign Policy,"12."Melt The Ice Away".

The Magician
Megadeth de volta ao blog.

Dizer que o Megadeth é a banda consagrada que mais se entregou ao trabalho sério sobre o Heavy Metal com foco apenas na música nesses últimos 10 anos, é apenas constatação dos fatos. Ainda que Mustaine mais uma vez não tenha conseguido segurar um line-up fixo por mais de 3 álbuns, é indiscutível sua disposição para manter a sonoridade da banda em alto nível e ao mesmo tempo em linha ao que produziram durante os anos áureos de estrada do Megadeth.

Para mim, “Dystopia” é o quarto trabalho consecutivo em que, se não se entrega “exatamente” o que o fã espera, pelo menos se apresenta um material plausível no sentido de consistência e fidelidade ao gênero Heavy Metal. E para essa estratégia de continuidade na pancadaria sonora o Coach Dave M. não apostou no velho jargão “em time que está ganhando não se mexe”: saem Broderick e Drover, entram Loureiro e Adler.

Definitivamente não achei que estas modificações “fraturaram” a sonoridade do Megadeth em uma nova e impactante etapa, embora algumas das novas abordagens musicais possam ser percebidas. Se de fato algo mudou desse disco para o anterior foi simplesmente porque o próprio Mustaine conduziu as estruturas dos sons para outro caminho, e não por causa da influência de um dos novos membros do grupo.

Ao escutar o release pela primeira vez já pude perceber que a agressividade é muito mais presente do que, por exemplo, em “Super Colider”, sendo que nas audições que se sucederam ficou claro pra mim que as guitarras passam mais tempo fritando ou repetindo os bordões do que criando riffs melódicos; Essa característica somada às interpretações monotônicas e mais graves do que o de costume dos vocais, fizeram boa parte da mídia especializada vincular Dystopia às joias thrash do MD nos anos 80’s e 90’s. Mas em minha opinião esse álbum tem uma relação mais próxima ao “Endgame” de 2009, só que com menos progressões.

Essa agressividade toda tinha mesmo de ser evidente, já que é consoante à temática do disco que volta a ser usada como uma metralhadora de Mustaine contra a política internacional e militar estadunidense, em um momento em que os líderes da nação parecem bastante interessados em uma Guerra Fria 2.0.

No fim, o disco agrega partes musicais pesadas e super diretas definitivamente convincentes a um material lírico de alta qualidade, o que é na verdade o resumo da banda de 33 anos; que assim como seu líder, ano após ano parece se revigorar. Como destaque um pouco acima das demais eu escolho “The Threat Is Real”, “Bullet to the Brain” e a faixa título “Dystopia”, que mais se distancia do estilo agressivo do restante do álbum.

Quem diria que o impulsivo cachorro-louco dos anos 80 - D.Mustaine - seria o mais consistente e paciente musico de Thrash Metal?? Levando a sua banda e sua carreira ao auge dos 33 anos tocando o fino do Heavy Metal e atingindo enfim o maldito reconhecimento da crítica especializada...

Mustaine hoje é “o cara” do momento no Heavy Metal, o único, o melhor, o maior!

Vai que é sua Mustaine!!!!!!

Nota7,7 ou \m/\m/\m/\m/.
  
p.s: Apenas para não deixar passar a oportunidade, já que sou um grande fã do cara desde suas primeiras gravações no Angra; Kiko Loureiro fez a lição de casa no presente trabalho, sem exageros adequou o seu estilo à uma banda de bases rasgadas de tons quebrados, bem diferentes àquelas usadas pelo Angra. Encurtou as tessituras e economizou nos arpejos e também no estilo “Two-Handed” sobre quase toda escala (à la S. Jordan, que vinha sendo cada vez mais recorrentes em seus trabalhos); mas teve mais tempo de solo do que Broderick em Super Collider, o que mostra a confiança do chefe em seu trabalho. Loureiro é o cara no lugar certo e na hora certa, guiado sem dúvidas pelo seu trabalho duro, vejo um futuro longo do brasileiro junto ao Megadeth caso esteja disposto a “conter” sua técnica para um estilo que necessita muito mais de energia e de criatividade, coisa que para ele, não falta.



Phantom Lord
Megadeth de novo... 
Bom, supondo que o Megadeth pertença ao mainstream, tenho certeza de que, dentro deste "recorte", é a banda mais fiel a musicalidade do "metal". O melhor de tudo é que nem sempre o Megadeth está preso a um subgênero em específico. Aqui em Dystopia, o Megadeth foca mais no heavy / thrash metal, retornando ao tipo de som mais utilizado pela banda em sua carreira (mas não o único tipo de som, claro). 
Particularmente não vejo grande problema nisto, porém acho que é um pouco mais difícil mostrar criatividade e inovação quando o artista foca em um tipo (subgênero) de música. 

O álbum tem alguns pontos interessantes, como a diferenciada faixa-título (Dystopia) e a interpretação em Fatal Illusion, mas de resto, em sua maior parte, é um trabalho que fica entre o bom e o razoável. 

 Em relação ao conteúdo, como Magician citou, Mustaine mostra uma preocupação com a política / economia intervencionista dos EUA. Vinculei economia a política por conta própria mesmo, pois estes temas dificilmente podem ser separados a menos que você seja alienado e não saiba nada (ou só finge saber) sobre tais assuntos. 
De um modo geral as letras não são profundas, nem claras, muito menos diretas, vai ver isto é um "protocolo" do "cenário musical". Acho que se as críticas de Mustaine fossem diretas ele teria de citar nomes de pessoas e instituições envolvidas nas crises sócio econômicas, em atos de violência etc. Supondo que ele não queira se meter em encrenca, sr. Mustaine jamais faria algo assim, afinal poucos músicos/vocalistas fazem. Talvez por isso, a crítica mais nítida seja feita na faixa Foreign Policy mesmo, onde Mustaine bate forte no racismo, na insensibilidade, na paranoia e no ódio de certos "estados-unidenses". 

Concluindo sobre o álbum Dystopia... Em minha opinião algumas das quebras de ritmo e alguns do espaços para solos de guitarra poderiam ser trabalhados de maneira mais interessante... É um álbum bom, mas eu esperava um pouco mais. 

The Threat is Real 7,4 
Dystopia 7,7 
Fatal Illusion 7,6 
Death from Whithin 7,3 
Bullet to the Brain 7,0 
Post American World 7,2
Poisonous Shadow 7,0 
Conquer or Die! / Lying in the State 7,3 
The Emperor 7,5 
Last Dying Wish 7,4
Foreign Police 7,2 

Modificadores: 


Nota Final: \m/ \m/ \m/ (7,4)

Hellraiser
3Eis aqui uma prova que Mr. Mustaine está mais vivo do que nunca. 

Conseguiu montar mais uma formação para sua banda que, até pouco tempo, estava sendo bem questionada. ( Inclusive por este que vos escreve ) 

Confesso que nunca morri de amores pelo Kiko Loureiro, e até estranhei quando imaginei um guitarrista firulento e mega metido, vindo do Power Metal melódico junto de um baterista de Death Metal para se unirem ao bipolar, porém talentoso e um dos criadores do Thrash Metal, Mr. David Mustaine. 

Mas assim que ouvi o álbum pela primeira vez, constatei o seguinte : O melhor disco do Megadeth desde Youthanasia. 

Nunca até hoje, tal reunião de músicos criados em outros estilos, caiu tão bem numa mega banda. 

O disco só tem momentos altos. 

Sinto o Megadeth como a muito tempo não sentia, pois, apesar de sempre virem lançando álbuns bons, esse aqui resgatou completamente a sonoridade que os fizeram tão amados na época do Countdown to Extinction, mesmo soando um pouco mais moderno. ( não daria pra fugir dessa modernidade depois de tantos anos ) 

A nova dupla de pupilos do Mustaine esbanja talento e criatividade, e prova que já em pouco tempo, está afinadíssima. 

Kiko despeja excelentes solos nas canções, que (pasmem) me deixaram de boca aberta !! 
A instrumental ´´Conquer or Die`` é prova disso !

E Chris, esse também mostra que não está para brincadeiras, vide o excelente e incrível bumbo duplo em ``Poisonous Shadows``. 

Junto com o mais novo trabalho do Anthrax, esses dois discos, são até o momento, os dois melhores trabalhos de 2016 na minha opinião. 

Parabéns Mustaine, e parabéns aos recém contratados que fizeram por merecer. 

Nota 8,5 

 

The Trooper
3
A primeira coisa a se dizer sobre esse trabalho é: isso é pesado.

Dystopia despeja um som muito mais pesado e mais pendendo para o thrash metal do que seu antecessor, Super Collider.

Eu cheguei a comentar na resenha que fiz para Super Collider que algumas faixas lembravam trabalhos antigos da banda, aqui a exceção virou a regra, para mim quase todo o álbum lembra a fase anterior ao Rust In Peace (quase, uns 75%?), principalmente por causa das mudanças bruscas de ritmo (e só pra relembrar, eu raramente gosto dessas mudanças, o Rust é uma dessas raras exceções).

Para quem é fã daquele thrashzão agressivo e maluco, esse álbum pode te fornecer o que você quer.

No geral, linhas de baixo muito loucas, distorção pesada na orelha o tempo, bateria cacetando e uns solos de guitarra realmente fudidos.

O que faltou para mim, no entanto, foram algumas faixas que fecham em si como músicas realmente impactantes. Achei que Super Collider entregou mais densidade em alguns picos do que este trabalho que manteve uma qualidade boa mas sem picos.

Destaque para Dystopia, The Emperor e Foreign Policy (quase um punk metal).

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.:  A intrumental, Conquer or Die, assim como aquela música do Bruce, me lembrou Diablo.

P.P.S.: Pode parecer paranoia minha mas eu senti brevíssimos momentos 'Angra' nesse álbum.


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Panndora - The Heretic's Box

O álbum The Heretic's Box lançado pela banda Panndora em 2011 foi escolhido por The Trooper para análise.


Faixas (Extended): 01-Intro; 02-Killing Yourself; 03-Nightmare of My Essence; 04-Prisoner; 05-Black Sky; 06-My Heretic Lips; 07-Choose Your Side; 08-Wild Battle; 09-Other Life; 10-Devil's Man; 11-Control My Mind; 12-Prisoner of Our Time (cover); 13-Cold Eyes; 14-Partners in Crime; 15-Uranie.



The Trooper
3
Estou aqui para tentar ajudar os pobres metalcólatras a baterem a meta de 2 álbuns resenhados por mês, visto que, como diria o Mercante, "eles falharam miseravelmente" em janeiro. 

Para essa missão eu tive que apelar para um álbum que ouvi há algum tempo e deixei "na manga", é um álbum um pouco controverso, no limiar do profissionalismo (na minha opinião de crítico não-profissional, claro). 

The Heretic's Box é cru, penso até que visceral, e talvez porque reúna uma essência de heavy metal puro ao seu redor, puro porque não é aquele heavy metal que quer se encaixar num subgênero e assim acaba comprometendo a qualidade das músicas no geral. Não, parece que as meninas se preocuparam principalmente na qualidade das músicas. 

Tudo bem, há alguns cuidados a se tomar futuramente, algumas mudanças de ritmo não são fluídas, às vezes algo parece não se encaixar, mas eu consegui achar riffs e solos de guitarra interessantes por todo o álbum, enfim, para um debut, Heretic's Box consegue agradar e criar a esperança de um próximo trabalho em um nível muito alto. 

Sem entrar em um subgênero, Panndora vaga em um estilo entre Sabbath, Judas e Iron, e apresenta um heavy metal que prioriza a criatividade das integrantes da banda. Esse é o caminho meninas! \m/ 

Destaque para Prisoner.
Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Esse trabalho me lembra um outro que postei aqui.


Phantom Lord
Bom... Aquele ditado que diz algo como "não devemos julgar um livro pela sua capa", parece se aplicar aqui. Ao menos, pela arte da capa, eu não teria interesse algum neste trabalho, mas as duas primeiras músicas mostraram que a banda tem cartas na manga. 
Apesar da rusticidade, não faltou criatividade nem técnica nas faixas Killing Yourself e Nightmare of my Essence. Na verdade a produção simples combinou muito bem com estas duas faixas que parecem mesclar um heavy metal bem executado com os estilos do rock e metal dos anos 70 e 80. 
A sonoridade de Prisioner definitivamente não me atraiu, mas a faixa seguinte Black Sky, já tem trechos mais "grudentos" que mostram mais criatividade, mesmo sem alcançar o nível das duas primeiras músicas. 
Após manter um nível médio mas inferior às primeiras faixas, o disco voltou a me chamar atenção em Devil`s Man e Control my Mind. (Esta última me lembrou algumas músicas do Running Wild apesar de não ser o cover do álbum). 

As 3 últimas faixas, após o cover de Running Wild (Prisioners of our Time), apresentam uma produção mais sofisticada se comparadas com o restante do álbum. Imagino que estas sejam as músicas da versão "estendida" do disco. Nesta última parte do disco, destaco as faixas Cold Eyes e Partners in Crime que possuem um alto nível de qualidade/criatividade, similar às faixas Killing Yorself e Nightmare of my Essence. 

Ainda que existam poucas mudanças bruscas de ritmos nas músicas, estas características poderiam ser mais elaboradas, pois tais variações em conjunto com a produção rústica não são interessantes (ao menos em minha opinião, é claro...)

Intro / Killing Yourself 7,8 
Nightmare of my Essence 7,0 
Prisioner 5,9
Black Sky 6,8 
My Heretic Lips 6,0 
Choose Your Side 6,6 
Wild Battle 6,2 
Other Life 6,1 
Devil`s Man 7,1 
Control my Mind 7,7 
 -- -- 

Se eu considerar as músicas Cold Eyes, Partners in Crime e Uraine a nota sobe facilmente...

Nota Final: \m/ \m/ \m/ (?)

The Magician

De todas as impressões que tive desse singular trabalho sugerido pelo Trooper, só um ponto fica muito evidente sobre todos os outros: a produção ruim; não à toa citada nas resenhas acima. Deve-se admitir, no entanto, que a produção "ruim" tem relação direta com as modulagens, passagens de canais e equalização, ou seja, os componentes que oferecem a qualidade de timbre e das frequências, mas de forma alguma as estruturas e a composição devem ser inseridas nessa afirmação.

Aliás, algumas ideias colocadas na prensagem do material são bem legais e bastante criativas, dignas de elogios com certeza. Porém pecam sim em manter uma consistência durante tempo integral e também em fixar uma proposta clara, mas notoriamente não faltou empenho na composição das músicas. Por sobre o empenho também existe técnica e qualidade, principalmente na cozinha (baixo+batera), que tiram onda em várias faixas, encostando a guitarra em um cantinho do estúdio enquanto protagonizam algumas partes. 

Os vocais deixam sua marca e até tira alguns coelhos da cartola, mas confesso que pode cansar ao longo do tempo; enquanto a guitarra se preocupa em não passar vergonha, e pra essa tarefa consegue ter sucesso.

Mas já que comecei falando da produção, acho que não tem como fugir disso...

Falar de produção revela um lado pragmático meu, que admito poder ser uma falha como crítico (já apontada pelo desaforado do Phantom Lord). Ao escutar uma sonoridade tosca e abafada como essa, logo torço o nariz; acredito que o Heavy Metal já passou por isso para chegar onde chegou - através de sangue e suor das bandas imortais como Zeppelin, Purple e Sabbath - e qualquer tentativa deliberada de reproduzir a sonoridade de uma determinada época (não que seja o caso aqui) soa falso como nota de $3, além de ser uma regressão em termos de musicalidade. Vêm sendo bastante utilizada a técnica de resgatar sons vintages em gravações recentes, que são exatamente dedicadas em obter ruídos e rusticidade de componentes obsoletos da música, e nestes casos tenham certeza que irei preferir escutar o bom, velho e ruidoso Sabbath... . Importante também ressaltar que não estou falando aqui de produção orgânica, mas sim de produção simulada; pois entendo e admiro artistas que preferem não utilizar distorção, trocando essa pelo timbre claro das guitarras limpas, porém isso é bem diferente de um figura tentando criar um som como se estivesse tocando dentro de uma porra de um balde.

Dito isso, acho que não sobra muito para esta simples resenha, além de citar o óbvio exagero do número de faixas, que desgasta um pouco mais o material gravado.

Como conclusão: Disco divertido com certa criatividade e bastante empenho, limitado por diversos fatores e também pela produção porca (intencional ou não), mas que não nega fogo no quesito de entregar Heavy Metal. 

Nota 6,2 ou \m/\m/\m/.


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Star One - Space Metal

O álbum Space Metal lançado pelo projeto Star One em 2002 foi escolhido por Venâncio para analise.


Faixas: 01. Lift Off  // 02. Set Your Controls // 03. High Moon // 04. Songs of the Ocean // 05. Master of Darkness // 06. The Eye of Ra // 07. Sandrider // 08. Perfect Survivor // 09. Intergalactic Space Crusaders // 10. Starchild



Venâncio
Como é de conhecimento geral, o país só volta ao ritmo normal depois da passagem de ano após o carnaval... o que não seria diferente com os Metalcolatras.

Findo o período de festividades tentaremos voltar ao nosso padrão de postagens dadas as particularidades de cada um dos colaboradores...

Hoje trago a vocês um trabalho que junta duas de minhas várias paixões, metal e ficção cientifica...

Aqui o idealizador do projeto Arjen Anthony Lucassen, um camarada que acumula muitas funções no meio musical, nos presenteia com seu talento nessa obra muito bem produzida e que conta com a participação de Sir Russell Allen, Damian Wilson, Dan Swanö, Floor Jansen, Peter Vink, Ed Warby, Gary Wehrkamp e Joost van den Broek dentre outros...

Confesso não ser muito fã do metal progressivo, dado o excesso de viagens (que sem aditivos químicos, podem ficar cansativas), todavia o contexto futurístico, científico e ficcional em minha opinião acabam por formar uma base muito mais sólida para este tipo de trabalho que o medieval e fantasioso tão comum no metal em geral.

Destaques: Set Your Controls, Sandrider e Intergalatic Space Crusaders.

7 Bloodwines e uma cerveja romulana.

Recomendo escutar Ayreon também.



Phantom Lord
Olá esparsos e incógnitos leitores! Acho que os metalcólatras devem uma explicação (ou não) à todos que acompanham ou Lêem o blog ocasionalmente: Os metalcólatras estão resolvendo uma série de assuntos particulares. Após supostas "lideranças" do blog serem dissolvidas, as promessas de maior participação dos membros ficou apenas no campo das promessas mesmo! Isso é natural, uma vez que ninguém assumiu um compromisso sério aqui. Indicar álbuns e resenhar é apenas um "hobby" para os metalcólatras em geral. 
 É isso. 
Vamos a resenha do Space Metal: Um disco composto por músicos competentes. Particularmente achei o vocal o maior exemplo de competência neste trabalho. Apesar de ser entitulado como trabalho de "metal", ao meu ver, este álbum traz diversas músicas com prováveis inspirações na sonoridade de bandas de rock dos anos 70 e 80, como Deep Purple e Black Sabbath com Ian Gillan nos vocais... 
Creio que Venâncio acertou em indicar este álbum ao blog: As músicas contém algumas características incomuns: forte presença de back vocals femininos, teclados nos estilos "setentistas", vocais que alternam do grave quase gótico ao melódico mais agudo (e bem afinado, prestem atenção em Sandrider), mistura de ritmo cadenciado com trechos mais acelerados cheios de técnica e apresenta um tema de ficção (espacial) que só o Iron Saivor QUASE mostrou aqui no blog há anos atrás. Enfim, um disco diferenciado, com grande potencial e criatividade, porém não é exatamente o meu estilo favorito e os back vocals em coros delicados acabam torrando minha paciência... 
No fim das contas me pareceu um disco mediano, quase bom... Não sei dizer se este álbum tem algo de progressivo, mas sei que é melhor do que muitos discos de metal progressivo que passaram por aqui. 
O ponto fraco do cd fica por conta da última faixa Starchild. 

Nota Final: \m/ \m/ \m/


The Trooper
3
Eis um trabalho dificílimo de ser avaliado.

Em primeiro lugar irei colocar um rótulo logo de cara, para se ter uma ideia vaga do que se trata: prog metal.

A estrutura progressiva contém a presença de distorção de guitarras, solos e riffs característicos de heavy metal, mas a coisa toda puxa muito mais pro prog do que pro metal, e acho que isso se deve principalmente por causa da temática.

Space Metal, foca, como o nome deixa claro, em ficção científica, particularmente, viagem espacial. Essa temática é introduzida de maneira impecável (embora usar um tecladinho para fazer 'sons do espaço' seja meio batido), tão impecável que compromete o trabalho no quesito heavy metal (pra deixar bem claro: ninguém disse que você deveria esperar heavy metal nesse álbum).

Entretanto os caras (e minas) do Star One cumprem seu papel com maestria e entregam o que prometeram com muita qualidade: música ambientada de acordo com o tema.

O maestro da parada (Arjen Lucassen) escolheu 4 vocalistas monstrinhos que tornam o álbum muito difícil de ser criticado:

Dan Swanö (Whiterscape)



Damian Wilson

 

Russel Allen (Symphony X)



Floor Jansen (Nightwish)



Tenho a impressão que Russel Allen puxa o carro, e o cara é muito bom, com a adição fabulosa de Jansen, temos um efeito parecido com o que ocorre com Whitin Temptation: o trabalho fica muito "bonito". 

Os instrumentistas também são bons, os solos de Gary Wehrkamp são bem legais, e o próprio Lucassen faz riffs bacanas e se vira bem no teclado ('óia, falando bem do teclado' ... tá, mas sem se empolgar).

A musicalidade lembra levemente Deep Purple e Pink Floyd (a última faixa lembra muito o último) com alguma banda melódica genérica (Masterplan?). Não há como eu avaliar o trabalho sem compará-lo com seus semelhantes: Operation Mindcrime (por ser temático) e Avantasia (por ser um 'dream team').

O trabalho é temático mas não se trata de apenas uma história, eu notei isso ao ouvir Master of Darkness e me ligar que se tratava de Darth Vader e Luke Skywalker, aí tive que procurar, e achar, isso:

Album Themes

The themes of the album's songs are based on the following works of fiction:

On CD 1


O projeto é ambicioso e abraça várias histórias, é bacana, mas traz suas limitações: é bem difícil abordar tantos temas assim sem ser absolutamente suscinto, o que danifica as histórias e força a interpretação dos cantores.

O nível de emoção que os intérpretes colocam nas canções não chega nem perto do nível alcançado nos trabalhos supracitados que uso para comparação.

Um outro problema, gerado pelo foco nos vocalistas fodões e nas histórias, é a cadência exagerada do trabalho, com trechos lentos e com pouca distorção nos instrumentos para passar a bola pros vocalistas. Isso acontece em parte em OMC, mas muito pouco em Avantasia (talvez isso explique porquê Avantasia é uma obra-prima). Ou seja, a ambientação leva a vantagem sobre a música (particularmente o heavy metal) no equilíbrio entre os dois.

Bem, para resumir: é um bom trabalho, mas é bem específico, difícil querer ouvir com frequência, e se afasta perigosamente do heavy metal quanto mais tempo passa de sua execução. Mas a ambientação é perfeita, terminando magistralmente no ápice: Starchild (tão viajante quanto a obra que a inspira - 2001: Uma Odisséia no Espaço, e a pegada Pink Floyd)

Destaque para Set Your Controls, High Moon e Sandrider (onde o álbum pesou mais para o metal)

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Eu não consigo dar uma nota muito alta porque se afasta bastante de heavy metal (ou mesmo rock'n'roll acelerado), e não consigo dar uma nota baixa porque é competente e bom dentro da sua proposta.



domingo, 17 de janeiro de 2016

Motorhead - Bad Magic

O álbum Bad Magic lançado pela banda Motorhead em 2015, foi escolhido para análise.


Phantom Lord
O último lançamento da banda de quase meio século (40 anos?), Motorhead, segue bastante seus "padrões" conhecidos: os onipresentes vocais roucos do frontman, ritmo acelerado num geral e predominantemente "rudimentar". É um estilo simples que flutua entre o rock e o thrash metal que em minha opinião poderia ser um pouco mais explorado ao longo da carreira da banda, apresentando um pouco mais de inovação. 
Mas apesar de possíveis limitações, o Motorhead trabalhou muito bem dentro de seu estilo em Bad Magic. Além das características básicas, pode-se notar em alguns trechos que Lemmy estava bastante baqueado, apesar de sempre apresentar um vocal rouco, desta vez ele pareceu meio esganado e cansado, naturalmente devido a idade e as condições de saúde... Ainda assim as músicas continuam com a marca registrada do Motorhead e o álbum pode ser um prato cheio para os fãs. 

Destaco as músicas Victory or Die, Evil Eye e Tell me Who To Kill com trechos que lembram vagamente No Remorse do Metallica e com um baixo marcante num estilo rock n roll escrachado. 

No fim das contas Bad Magic até me surpreendeu positivamente. Acredito que para os fãs, o Motorhead encerrou a carreira com chave de ouro (ou de prata ao menos) e para aqueles que não são muito chegados no estilo desta banda, ainda pode ser um disco bacana que vale a pena possuir! 

"Victory or Die" 7,7 
"Thunder & Lightning" 7
"Fire Storm Hotel" 6,9
"Shoot Out All of Your Lights" 7 
"The Devil" 6,9 
"Electricity" 6,2 
"Evil Eye" 7,6 
"Teach Them How to Bleed" 7,2 
"Till the End" 7 
"Tell Me Who to Kill" 8 
"Choking on Your Screams" 7,1
"When the Sky Comes Looking for You" 7,6

"Sympathy for the Devil" (The Rolling Stones cover) - 

Nota Final: 7,3

Hellraiser
3 Taí uma banda que apesar de gostar muito, acho bem difícil de comentar sobre. 
O Motorhead segue (seguia) 40 anos fazendo o mesmo tipo de som que os fizeram conhecidos mundialmente, desde seu álbum de estréia até seu último trabalho, o aqui comentado ¨Bad Magic¨. 
Aquela velha mistura de Rock n Roll com Punk Rock, com aquela boa velocidade e agressividade que deu origem ao estilo Thrash Metal. 
A banda foi influência para uma infinidade de outras bandas, e até estilos mais extremos. 
Porém voltando aos dizeres do primeiro parágrafo, os discos do Motorhead ao meu ver, são divididos entre os que tem aquelas músicas que te chamam muito a atenção, ou aqueles que soam apenas (muito mais ) repetitivos e acabam sem dar aquele ¨tcham¨. 
É inegável que Lemmy e o Motorhead escreveram seus nomes no mais alto patamar da história do Rock e do Metal, porém tanto aqui neste último registro do Motorzão, quanto no anterior ¨Aftershock¨, Lemmy e cia. conseguiram encerrar a carreira com chave de ouro. 
Um bom disco do Motorhead para fechar seu ciclo.

R.I.P. Lemmy 

Destaques : Victory or Die 
Shoot Out All of Your Lights 

Nota: 6,5

The Magician
Missão cumprida. 

Não são muitos que podem terminar a viagem por esse globo azul miserável e encher a boca pra dizer "missão cumprida". Foram 22 discos de estúdio lançados no decorrer de 38 anos (primeiro em 1977 - último 2015), o que dá a incrível média de um lançamento a cada 20 meses, ou um disco a cada 1,7 anos, lembrando que estamos falando de um grupo com aproximadamente 40 anos de carreira em estúdios - muitas bandas no auge não possuem fôlego para manter este padrão de obstinação e comprometimento.

Mais de 15 milhões de exemplares vendidos, casas lotadas por onde passaram, reconhecimento quanto à participação na consolidação do gênero de música pesada, citação recorrente como grande influência do Thrash Metal, recordes, e muita, muita história mesmo pra contar. A banda inglesa que encerra sua participação no Rock'n Roll devido o falecimento de seu líder pode ter uma certeza: cumpriu sua missão.

Desses 22 capítulos de sua história musical, foi escolhido o último deles pelo colega "Phantom Lord" para celebrar a despedida da super banda - Bad Magic.

Dentre os "lingotes" que saem dessa fornalha do Motorhead, alguns estão lá para honrar a história da banda e o compromisso de fidelidade com os fãs; riffs fortes conduzindo os versos viciados que são interpretados pela voz oxidada de Kilmister em velocidade quase constante de 120 a 140bpm. Mas o legal é que mesmo sem a necessidade de entregar algo novo e diferente, em alguns momentos de Bad Magic percebe-se que a banda se arrisca em campos menos "ortodoxos" no seu estilo de tocar. Seja nas variações de tons em "Shoot Out All Of Your Lights", na cadência quebrada de "The Devil", na reinvenção dos vocais graves de Lemmy em "Evil Eye" e em "Choking On Your Screams", ou ainda na bela balada melódica "Till The End" (na minha humilde opinião, a melhor balada ja feita pelo Motor), os caras conseguiram ir um pouco além do básico e apresentar agradáveis surpresas.

Não é preciso falar sobre consistência nos discos dos ingleses, mas Campbell e principalmente M.Dee não só mantiveram a transmissão da corrente que sustenta esse motor funcionando, como em alguns momentos forneceram belas "descargas elétricas" que levaram a musicalidade a picos de potência. 

Confesso que quando li 11 títulos de sons no disco em questão, fiquei receoso. Mas o fato de nenhuma dessas músicas ultrapassar 4:05 de duração transformou a audição do trabalho em uma agradável revisita aos grandes momentos dos caras.

Por fim, se pudesse dizer algo ao Sir Ian Kilmister diria que foi uma bela escolha para selar o fim de uma obra. "Bad Magic" entrega exatamente o que foi a música do Motorhead ao longo de sua bela carreira compilando 40 anos em 38 minutos... nada mais Motorhead que isso. 

Vale citar o verso sincero retirado da letra de "Till The end" e da cabeça de Lemmy:

"There ain't no rules to follow
You can't predict tomorrow,
I know just who my friends are
The rest can turn to stone ..."

Pode cravar na lápide do homem.

Uma bela dose de Whiskey sem gelo, uma boa mão no poker, 38 minutos de Motorzão na caixinha..., ou  40 anos de carreira.... 

É um piscar de olhos negada, tudo passa. 

Cheers Mr. Ian (brinde com Jack Daniel's). Nota 7,5 ou \m/\m/\m/\m/.


The Trooper
3
Eu pensei em postar o Bad Magic aqui na data de falecimento do Lemmy, mas acabei desistindo ... eu iria fazer inevitáveis comparações com o álbum Inferno, o que iria diminuir a importância do Bad Magic e minar qualquer tipo de homenagem.

Bem, muito tempo depois, posso escrever mais tranquilo sobre este álbum...

É besteira querer fazer homenagem com um álbum perfeito, aposto que o Lemmy era o cara que mais cagava para essa merda de perfeição ... ele fazia o que gostava e foda-se o resultado.

E o resultado taí, não é o melhor álbum dos caras, mas é bom, pesado, bacana e variado.

Eu não me reconheço como fã do Motorhead, aliás já critiquei com conhecimento raso a discografia dos caras por achar "tudo igual". Uma vez uma banda cover entrou no "palco" pra tocar Motorhead no Manifesto e eu não lembro se consegui reconhecer alguma faixa.

Contudo ... tudo que foi postado dos caras aqui no blog eu curti, e curti bastante. Bad Magic incluído.

Destaque para Shoot Out All of Your Lights ...

E boa jornada pelo cosmos, Lemmy ... ficamos agradecidos pelo legado.

Nota: \m/\m/\m/\m/


sábado, 26 de dezembro de 2015

Savatage - Sirens

O álbum Sirens lançado em 1983 pela banda Savatage foi escolhido para análise por Phantom Lord.


Phantom Lord
Após ouvir algumas músicas boas e escutar comentários elogiosos sobre o Savatage ao longo de anos, decidi buscar uns trabalhos desta banda... Então neste ano de 2015 voltei a "investigar" um pouco da discografia do Savatage. Acabei encontrando e ouvindo o debut dos caras: Sirens. 
Algumas músicas me impressionaram logo de primeira. Dentro de um estilo "tradicional" de heavy metal, quase sem mudanças de ritmos repentinas (utilizadas em discos posteriores como Edge of Thorns e Wake of Magelan), a banda mostrou muita criatividade e técnica com um pouco de virtuosidade também. 
Ao meu ver, embora não seja um amontoado de obras primas, o disco tem muitos pontos altos sem nenhuma música ruim. 
A produção ainda é meio rústica mas é compensada pela combinação peso + criatividade, enfim um álbum essencial em listas e sites/blogs de heavy metal e digno de admiração!

Sirens 7,3 
Holocaust 7,8 
I Believe 7,1 
Rage 7,0 
On the Run 7,3 
Twisted Little Sister 6,7 
Living for the Night 7,8 
Scream Murder 7,7 
Out on the Streets 6,9 

Obs.: Não considerei as faixas-bônus Lady in Disguise e The Message nesta "avaliação".

Modificadores:





Nota Final: \m/ \m/ \m/ 

The Magician

Como qualquer outro debut, com algumas raras exceções, há de se ter cuidado com a análise, pois nessa fase da banda já é esperado certa inibição e insegurança por parte dos membros, que às vezes acaba modificando o caminho que as composições assumem quando gravadas em suas versões definitivas.

No caso do álbum de estreia do Savatage - "Sirens" - pode-se notar as abordagens pragmáticas sobre os versos, pontes e refrãos na maioria das músicas, sem muitos interlúdios diferenciados, sem progressões ou experimentações em excesso, coisa que se tornaria bastante comum posteriormente na carreira dos americanos mas que obviamente ainda morava no subconsciente dos jovens músicos nessa época. As estruturas são aliás, em alguns casos, surpreendentemente simples, se olharmos o grupo como uma super banda progressiva-melódica; é bem mais aceitável que aqui em Sirens a vibe dos caras estava mais para um Heavy Metal básico com pitadas de HardRock virtuoso.

A primeira parte do álbum traz um Metal seco e direto, que inclusive limita as aventuras do vocalista sobre muitas passagens diferentes, o contendo em uma região curta de tons, quando na maioria das vezes percebe-se que Jon poderia oferecer muito mais. Nas 3 primeiras faixas ("Sirens", "Holocaust" e "I Believe") os refrãos são claramente delimitados pelo groove quebrado das guitarras que se comportam como cabrestos para os vocais. O punch de Metalzão básico é evidenciado principalmente nas faixas "Rage" (uma paulada daquelas que corre na maioria do tempo em 150bpm) e "Twisted Little Sister", que podem lembrar até por alguns momentos sequências de thrash clássicas se você ignorar os vocais oscilantes do Savatage. Nenhuma dessas estruturas mais simples, no entanto, impedem os acessos super-técnicos dos irmão Oliva (já naquela fase tão tenra); seja com as guitarras malucas, talentosas e mirabolantes de Criss ou com as imersões à lá Dio e Halford de Jon Oliva.
A parte mais interessante do disco fica porém guardada na segunda metade, quando a partir de "Living for the Night" faixas parecem começar a se soltar das amarras que deixavam o disco caminhar previamente para uma possível mesmisse. É possível também que nessa segunda metade alguns entendam certas faixas como hard-rock bombadinho, mas acho que aqui a banda começava a esboçar aquelas que seriam suas principais características por mais de 3 décadas, com especial menção a "Scream Murder", a melhor criação do disco, e aqui sim: Savatage direto na nata!

Um bom debut afinal, com temperos que atiçam o ouvinte a escutar trabalhos mais maduros e completos da banda, que nos anos seguintes seria responsável por imprimir alguns dos mais belos clássicos do Metal Melódico. 
   
Nota 6,9 ou \m/\m/\m/.

Ah sim! Já ficava claro a afinidade da banda com baladas marcantes, com esse belo projeto de quase-balada que é "Out on the Streets", belo som. 


Hellraiser
3 Olá Metalcolatras ! 
Depois de um breve hiato, eis que me encontro de volta ao blog para pôr ordem nesses novos álbuns postados quase esquecidos, rsrs 
E então, nada melhor que ao menos, recomeçar com um belo clássico do Heavy Metal. 
E a bola da vez, é o debut do Savatage intitulado, Sirens 
A banda que é conhecida mundialmente pelo seu Prog Metal, aqui em seu álbum de estréia, executa apenas o bom, velho e simples Heavy Metal. 
Nota-se fácil a qualidade dos membros da banda, e em especial da dupla Criss e Jon Oliva. 
Mesmo com a produção tosca da época, o álbum empolga, e se ouve bem a maioria dos detalhes da gravação, e em especial, todas as linhas de baixo. 
Temos aqui um álbum simples, sem as viagens que tanto fizeram a banda ser conhecida, mas ao mesmo tempo, um álbum que agrada aos ouvintes do Metal tradicional. 
Ao contrário do Magician, minha preferência se prende a primeira parte do trabalho, onde os riffs parecem ser mais potentes e pesados como nas músicas ¨Holocaust¨, ¨I Believe¨, ¨Rage¨e a própria faixa título de abertura do álbum, porém mesmo na segunda parte do disco, ao meu ver, não existe uma mudança mais brusca na sonoridade, continuando a empolgar também. 
Dois pontos que considero positivos neste trabalho: 
1 – A ainda ausência dos teclados de Jon 
2 – A pouca freqüência dos gritinhos chatos de Jon. ( Ahhh, .....Ahhh, ....Ahhh ) 
Nota: 6,5 

 
The Trooper
3
Foi preciso paciência e insistência para poder prestar atenção em Sirens, atribuo isso à uma dependência desenvolvida por mim em relação à uma boa produção.

O disco possui uma produção tosca, que eu, que nada entendo do assunto, achei que alguns trechos foram gravados todos em um mesmo canal (volto afirmar: nada entendo do assunto).

Na wikipedia consta que Jon Oliva afirmou que Sirens e o ep Dungeons are Calling foram gravados e mixados em apenas um dia, que era o que a banda podia pagar. Bem, apenas isso já coloca esses caras como deuses do metal, já que os supostos deuses do metal que usam tangas e passam óleo no corpo demoraram uma semana para fazer Hail to England e ficou uma bosta.

É uma pena que esses deuses do metal tenham optado por assumir como área de influência o prog metal, porque o trabalho deles com o heavy metal basicão é muito bom. Imaginar esse som naquela época é muito interessante, embora os caras possam lembrar ligeiramente uma mistura de Judas e Maiden, o som deles tem uma pegada bastante única.

É bom lembrar que o primeiro álbum dos caras tinha apenas um guitarrista (e com esse apelão retardado do Criss Oliva precisa de mais um?), e o baixista assume a bronca de maneira magnânima. Enfim, o trabalho instrumental é muito acima da média, e o vocal (o outro irmão Oliva) também manda muito bem.

Para encerrar, recomendo mexer na equalização e aumentar bastante o volume para poder lapidar essa joia bruta que é Sirens.

Destaque para Holocaust e Scream Murder (músicas realmente acima da média alta do álbum)

Nota: \m/\m/\m/\m/