domingo, 17 de janeiro de 2016

Motorhead - Bad Magic

O álbum Bad Magic lançado pela banda Motorhead em 2015, foi escolhido para análise.


Phantom Lord
O último lançamento da banda de quase meio século (40 anos?), Motorhead, segue bastante seus "padrões" conhecidos: os onipresentes vocais roucos do frontman, ritmo acelerado num geral e predominantemente "rudimentar". É um estilo simples que flutua entre o rock e o thrash metal que em minha opinião poderia ser um pouco mais explorado ao longo da carreira da banda, apresentando um pouco mais de inovação. 
Mas apesar de possíveis limitações, o Motorhead trabalhou muito bem dentro de seu estilo em Bad Magic. Além das características básicas, pode-se notar em alguns trechos que Lemmy estava bastante baqueado, apesar de sempre apresentar um vocal rouco, desta vez ele pareceu meio esganado e cansado, naturalmente devido a idade e as condições de saúde... Ainda assim as músicas continuam com a marca registrada do Motorhead e o álbum pode ser um prato cheio para os fãs. 

Destaco as músicas Victory or Die, Evil Eye e Tell me Who To Kill com trechos que lembram vagamente No Remorse do Metallica e com um baixo marcante num estilo rock n roll escrachado. 

No fim das contas Bad Magic até me surpreendeu positivamente. Acredito que para os fãs, o Motorhead encerrou a carreira com chave de ouro (ou de prata ao menos) e para aqueles que não são muito chegados no estilo desta banda, ainda pode ser um disco bacana que vale a pena possuir! 

"Victory or Die" 7,7 
"Thunder & Lightning" 7
"Fire Storm Hotel" 6,9
"Shoot Out All of Your Lights" 7 
"The Devil" 6,9 
"Electricity" 6,2 
"Evil Eye" 7,6 
"Teach Them How to Bleed" 7,2 
"Till the End" 7 
"Tell Me Who to Kill" 8 
"Choking on Your Screams" 7,1
"When the Sky Comes Looking for You" 7,6

"Sympathy for the Devil" (The Rolling Stones cover) - 

Nota Final: 7,3

Hellraiser
3 Taí uma banda que apesar de gostar muito, acho bem difícil de comentar sobre. 
O Motorhead segue (seguia) 40 anos fazendo o mesmo tipo de som que os fizeram conhecidos mundialmente, desde seu álbum de estréia até seu último trabalho, o aqui comentado ¨Bad Magic¨. 
Aquela velha mistura de Rock n Roll com Punk Rock, com aquela boa velocidade e agressividade que deu origem ao estilo Thrash Metal. 
A banda foi influência para uma infinidade de outras bandas, e até estilos mais extremos. 
Porém voltando aos dizeres do primeiro parágrafo, os discos do Motorhead ao meu ver, são divididos entre os que tem aquelas músicas que te chamam muito a atenção, ou aqueles que soam apenas (muito mais ) repetitivos e acabam sem dar aquele ¨tcham¨. 
É inegável que Lemmy e o Motorhead escreveram seus nomes no mais alto patamar da história do Rock e do Metal, porém tanto aqui neste último registro do Motorzão, quanto no anterior ¨Aftershock¨, Lemmy e cia. conseguiram encerrar a carreira com chave de ouro. 
Um bom disco do Motorhead para fechar seu ciclo.

R.I.P. Lemmy 

Destaques : Victory or Die 
Shoot Out All of Your Lights 

Nota: 6,5

The Magician
Missão cumprida. 

Não são muitos que podem terminar a viagem por esse globo azul miserável e encher a boca pra dizer "missão cumprida". Foram 22 discos de estúdio lançados no decorrer de 38 anos (primeiro em 1977 - último 2015), o que dá a incrível média de um lançamento a cada 20 meses, ou um disco a cada 1,7 anos, lembrando que estamos falando de um grupo com aproximadamente 40 anos de carreira em estúdios - muitas bandas no auge não possuem fôlego para manter este padrão de obstinação e comprometimento.

Mais de 15 milhões de exemplares vendidos, casas lotadas por onde passaram, reconhecimento quanto à participação na consolidação do gênero de música pesada, citação recorrente como grande influência do Thrash Metal, recordes, e muita, muita história mesmo pra contar. A banda inglesa que encerra sua participação no Rock'n Roll devido o falecimento de seu líder pode ter uma certeza: cumpriu sua missão.

Desses 22 capítulos de sua história musical, foi escolhido o último deles pelo colega "Phantom Lord" para celebrar a despedida da super banda - Bad Magic.

Dentre os "lingotes" que saem dessa fornalha do Motorhead, alguns estão lá para honrar a história da banda e o compromisso de fidelidade com os fãs; riffs fortes conduzindo os versos viciados que são interpretados pela voz oxidada de Kilmister em velocidade quase constante de 120 a 140bpm. Mas o legal é que mesmo sem a necessidade de entregar algo novo e diferente, em alguns momentos de Bad Magic percebe-se que a banda se arrisca em campos menos "ortodoxos" no seu estilo de tocar. Seja nas variações de tons em "Shoot Out All Of Your Lights", na cadência quebrada de "The Devil", na reinvenção dos vocais graves de Lemmy em "Evil Eye" e em "Choking On Your Screams", ou ainda na bela balada melódica "Till The End" (na minha humilde opinião, a melhor balada ja feita pelo Motor), os caras conseguiram ir um pouco além do básico e apresentar agradáveis surpresas.

Não é preciso falar sobre consistência nos discos dos ingleses, mas Campbell e principalmente M.Dee não só mantiveram a transmissão da corrente que sustenta esse motor funcionando, como em alguns momentos forneceram belas "descargas elétricas" que levaram a musicalidade a picos de potência. 

Confesso que quando li 11 títulos de sons no disco em questão, fiquei receoso. Mas o fato de nenhuma dessas músicas ultrapassar 4:05 de duração transformou a audição do trabalho em uma agradável revisita aos grandes momentos dos caras.

Por fim, se pudesse dizer algo ao Sir Ian Kilmister diria que foi uma bela escolha para selar o fim de uma obra. "Bad Magic" entrega exatamente o que foi a música do Motorhead ao longo de sua bela carreira compilando 40 anos em 38 minutos... nada mais Motorhead que isso. 

Vale citar o verso sincero retirado da letra de "Till The end" e da cabeça de Lemmy:

"There ain't no rules to follow
You can't predict tomorrow,
I know just who my friends are
The rest can turn to stone ..."

Pode cravar na lápide do homem.

Uma bela dose de Whiskey sem gelo, uma boa mão no poker, 38 minutos de Motorzão na caixinha..., ou  40 anos de carreira.... 

É um piscar de olhos negada, tudo passa. 

Cheers Mr. Ian (brinde com Jack Daniel's). Nota 7,5 ou \m/\m/\m/\m/.


The Trooper
3
Eu pensei em postar o Bad Magic aqui na data de falecimento do Lemmy, mas acabei desistindo ... eu iria fazer inevitáveis comparações com o álbum Inferno, o que iria diminuir a importância do Bad Magic e minar qualquer tipo de homenagem.

Bem, muito tempo depois, posso escrever mais tranquilo sobre este álbum...

É besteira querer fazer homenagem com um álbum perfeito, aposto que o Lemmy era o cara que mais cagava para essa merda de perfeição ... ele fazia o que gostava e foda-se o resultado.

E o resultado taí, não é o melhor álbum dos caras, mas é bom, pesado, bacana e variado.

Eu não me reconheço como fã do Motorhead, aliás já critiquei com conhecimento raso a discografia dos caras por achar "tudo igual". Uma vez uma banda cover entrou no "palco" pra tocar Motorhead no Manifesto e eu não lembro se consegui reconhecer alguma faixa.

Contudo ... tudo que foi postado dos caras aqui no blog eu curti, e curti bastante. Bad Magic incluído.

Destaque para Shoot Out All of Your Lights ...

E boa jornada pelo cosmos, Lemmy ... ficamos agradecidos pelo legado.

Nota: \m/\m/\m/\m/


3 comentários:

  1. Não coloquei na minha resenha Phantom Lord, até porque você colocou na sua, mas percebe-se que as vezes o fôlego de Lemmy acaba antes de alguns versos, kkk... o melhor que eu acho que ele tava tão véio e zoado que nem quis regravar essas partes!

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    1. Além da voz/fôlego baqueados... Acho que letras como Till the End e When the Skyes Comes Looking for You já mostravam que ele sabia que ia desta para outra em pouco tempo...

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