quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Megadeth - Super Collider

O álbum Super Collider, lançado em 2013 pelo Megadeth, foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01-Kingmaker; 02-Super Collider; 03-Burn!; 04-Built For War; 05-Off The Edge; 06-Dance In The Rain; 07-Beginning Of Sorrow; 08-The Blackest Crow; 09-Forget to Remember; 10-Don't Turn Your Back; 11-Cold Sweat.

Phantom Lord
  Desde que este blog foi criado entre julho e agosto de 2010, o Megadeth lançou dois álbuns, mas só abordamos os clássicos desta banda. A idéia de trazer um álbum atual da banda é interessante para discutir não apenas as músicas como o trajeto do Megadeth. 

O último trabalho do Megadeth a passar por este blog foi o Cryptic Writings lançado em 1997, que de um modo geral recebeu boas avaliações e uma boa classificação no "ranking de discos" dos Metalcólatras. Porém se formos ler matérias e resenhas sobre aquele álbum em várias outras mídias, podemos detectar muitas críticas e comentários negativos. Como se o Cryptic Writing fosse um disquinho de música pop ou uma afronta aos "verdadeiros clássicos thrash metal" da banda. Interessante que o trabalho seguinte, lançado em 1999 (Risk), foi muito além... Apresentou uma sonoridade mais distante do que o Megadeth vinha fazendo até então (thrash / heavy metal) como se tentasse imitar o Load ou o Reload do Metallica. Daí pergunto aos críticos rabugentos: o Cryptic Writings foi mesmo um álbum comercial? Foi pop? Sem peso? Sem agressividade em momento algum? Então o que foi o Risk?? 
 Após estes trabalhos o Megadeth lançou o The World Needs A Hero ("mediocramente" recebido pela crítica em 2001) e o System has Failed (bem recebido pelos críticos em 2004) que em ambos os casos não me agradaram muito... Os 3 álbuns seguintes até que foram bem recebidos com destaque para o Endgame, o único disco desta "era" em que minha opinião talvez tenha ficado bem próxima a maioria dos críticos de música. 
 Agora em 2013, chega o Super Colider... Consideravelmente apedrejado pelos "sábios" críticos de música, como se fosse o novo Risk do Megadeth... De fato, em várias músicas do álbum é possível perceber um afastamento do estilo "thrash", o que talvez classifique algumas faixas como "comerciais"... Mas comparar com Risk? Dar notas abaixo de 5 na "escala 0 a 10"?? 
É engraçado... As vezes acho que os tais críticos não entendem p%$#@ nenhuma de música! O álbum Super Colider se arrisca de maneira INSIGNIFICANTE no que se diz respeito a se afastar do heavy metal! E não me venha com o papinho que Megadeth é banda thrash! Não é, se foi durante alguma época, já deixou de ser, e deixou de ser naturalmente, pois nenhuma banda com tantos anos de estrada que queira apresentar trabalhos novos (não repetitivos) tem que se prender a um SUB-gênero musical. 
 Afinal gênero musical serve para classificar músicas e não bandas. 
 O ponto mais distante da discografia do Megadeth ainda é o Risk... o Super Colider é apenas um pouco mais "comercial" do que o Cryptic Writing (este, que em minha opinião, ainda é um grande clássico do heavy metal)! 
 A conclusão é que o Super Colider tem seus momentos menos pesados, mais simples ou até mesmo desinteressantes, mas é (ao todo) um bom álbum. 

Kingmaker 7,8 
Super Collider 6,8 
Burn 7,5 
Built for War 7,0 
Off the Edge 7,0 
Dance in the Rain 5,9 
Beginning of Sorrow 6,5 
The Blackest Crow 7,2 
Forget to Remember 7,6 
Don't Turn Your Back 6,5 
Cold Sweat 7,4 

 Nota Final: 7

The Trooper
3Megadeth começa o Super Collider sendo Megadeth ...até demais, pois King Maker é um clone acelerado de Sweating Bullets, mas de qualquer maneira nega inicialmente os comentários de que este seria um álbum pop. Então vem a faixa título, e realmente esta música tem uma pegada mais rockzão básico, eu que me importo mais se a música é boa ou não, até que gostei. Daí vem Burn!, metalzão com a cara do Megadeth, embora eu não gostei tanto do refrão, não tem nada de pop aí. Built For War lembra os trabalhos mais antigos da banda, ou seja, novamente a crítica não se justifica. Off The Edge parece um heavy metal manjado, até comercial, mas eu gostei bastante, uma das melhores faixas do cd. Dance In The Rain também lembra trabalhos antigos do Megadeth no que diz respeito à mudanças de ritmo, é uma faixa que muda bastante no final (totalmente Rust In Peace), e carrega um dos pontos fortes do Megadeth, boa letra. Beginning of Sorrow é uma música que tem um começo meio estranho, e lembra bandas mais modernas, você pode até acusá-la de parecer numetal ou outra vertente mais comercial, mas os solos de guitarra e a letra me fazem discordar, parece Megadeth mesmo. The Blackest Crow é a melhor faixa do álbum, novamente, um show de ambientação do Megadeth, conseguem encaixar a violinha feliz em uma letra extremamente soturna (eu acabei imaginando uma casa semi-abandonada no interior dos E.U.A.).
O álbum ainda tem Forget to Remember (lembra um pouco Alice Cooper), Don't Turn Your Back... e Cold Sweat (música simples, para gente simples ... gostei) que ficam entre o heavy metal e (no máximo) o hard rock.
Enfim, bom trabalho da banda, variou bastante entre as faixas,e talvez por isso, não agrade a todos. Não chega a ser um dos álbuns épicos do Megadeth, mas cumpriu seu papel. Meu destaque vai para Off The Edge, The Blackest Crow e Cold Sweat.

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
O 14º álbum do Megadeth lançado no final do ano passado e postado aqui no blog pelo Metalcólatra Trooper me induz a escrever a resenha ordenada em dois tópicos principais.

1 - A nova fase do grupo:

O Megadeth nasceu, cresceu, fortaleceu, adoeceu, e agora convalesce.

Após a saga que foi da ascensão à queda da banda de Mustaine, essa verdadeira "instituição" do Heavy Metal americano parece ter alçado vôo em uma fase mais sóbria e estável, que se perfaz no lançamento de "Super Collider" e de seus dois álbuns antecessores (TH1RT3EN e End Game).

Desde que iniciou essa nova jornada, Mustaine vem de certa forma encaixando algumas partes mais experimentais, sem dúvidas, mas sem abrir mão dos ingredientes básicos para preparação de suas famosas iguarias metaleiras, e por causa disso os resultados de forma alguma soam como fora de contexto ou como releases forçados. Dentre esses ingredientes clássicos, dois condimentos chamam atenção - a voz mais grave, concentrada e menos "ardida" do vocalista (mas não se engane... muitas vezes ele ainda soa como um arranhar de unhas sobre a superfície de um quadro negro); e o trabalho das guitarras, pois por incrível que pareça entra ano e sai ano, o Megadeth continua sendo representado principalmente pelos seus infinitos riffs/licks/solos de distorções ultra eletrizantes.

O produto musical portanto, não economiza no peso sonoro, e entrega belas doses de virtualismo entrosado das linhas de guitarra (destaque para o guitarrista Chris Broderick ex-Nevermore) que sedimentam o disco no estilo bruto e clássico do Heavy Metal noventista. Em alguns momentos no decorrer do álbum (como nas faixas "Forget to Remember" e "Super Collider") a bateria ensaia passagens swingadas obrigando a mudança das interpretações em 6 cordas, que por osmose deixam o campo do groove de Heavy Metal característico para entrar em uma vibe de hard/rock n roll mais sofisticado e encharcado de distorção saturada.

Muito me agrada a postura e o caminho musical que o Megadeth percorre nos dias de hoje, com o lançamento de "Super Collider" e de suas duas obras que o antecedem. Sr. Mustaine mais do que nunca é um verdadeiro porta-voz do Heavy-Metal e mostra que, a despeito de outras figuras da cena, é o cara que mais parece manter o foco há um bom tempo, firme em suas escolhas sobre suas produções musicais.


2 - O Rock, e a ciência:

Ao visualizar apenas a foto na capa do CD já logo o vinculei ao tão falado Colisor de Partículas (Colisor de Hádrons), uma geringonça faraônica resultante do projeto "tera-mirabolante" do CERN (qualquer semelhança com NERV - do projeto da instrumentabilidade humana - é mera coincidência), localizado na Suiça.

Gostaria apenas de colocar esta questão ainda não explorada pelo nosso time de estudiosos do blog; o fato de o Rock e Heavy Metal flertar também com a tecnologia e com o provocante mundo da ciência aplicada. Como um produto da própria inserção da tecnologia no campo da música (mais especificamente através da guitarra, com a utilização de bobinas elétricas para captação de som sobre um corpo sólido, com a sobrecarga das válvulas amplificadoras e também com a oscilação de frequências nas distorções) o Rock' n Roll sempre foi muito competente em criar essa sintonia com a ciência, e desde seus primórdios desmistifica esses temas de difícil acesso, ou provoca a curiosidade de seus seguidores para a descoberta desses conceitos.

Após ter acesso a uma reportagem da globo.com, descobri que o professor Emerson Ferreira Gomes (USP) esmiúça essa relação curiosa do Rock, ao propor (em consonância com o discurso de outros profissionais da área) sua utilização em sala de aula como uma ferramenta de incentivo aos alunos iniciados nessas disciplinas. Seu trabalho escrito para a Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, tem viés acadêmico e pode ser encontrado na internet.

Em seu conteúdo o professor revela a importância do Pink Floyd como precursor do discurso científico na música, mas arrisco dizer que essa história começou um pouco antes, por volta de 1960 em uma conversa entre Paul McCartney e Bob Dylan, onde o americano perguntou para os ingleses sobre o que cantavam.

"- Sobre sentimentos, amor e coisas boas em geral..."

E retrucou:

"- Então vocês cantam sobre nada."

Fato é que o Rock e o Heavy Metal, a partir de certo momento ganha conteúdo, e dissemina a ciência (aqui uso a palavra em um sentido mais completo, como um "conhecimento genérico" em todos os campos) direta ou indiretamente para seus seguidores e traz dessa forma conhecimento e cultura para as pessoas, principalmente para aquelas com os ouvidos mais ávidos por conhecimento, como os mais jovens...

Ponto para o Metal, ou é isso, ou é música "sobre nada".

Destaques do CD do Guitar Hero Mustaine: "Burn!", "Forget to Remember" e "Cold Sweat".

Nota 7,7 ou \m/\m/\m/\m/.



   

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Motorhead - Inferno

O álbum Inferno lançado em 2004 pelo Motorhead, foi escolhido para análise por Phantom Lord.



Phantom Lord

Anos atrás indiquei o álbum Overkill do Motorhead aqui no blog. A idéia era mostrar e comentar um álbum clássico de uma banda bastante influente no cenário rock/metal. Metal? Não exatamente. 
O Motorhead iniciou sua carreira como uma banda de rock, possivelmente sem se apegar a qualquer subgênero, pois suas músicas eram bem variadas (embora parece que muita gente não acredita neste fato, provavelmente por causa do vocal). A sonoridade da banda passava pelo rock n roll e blues-rock foi se aproximando do punk rock e do heavy metal, até que no álbum Ace of Spades de 1980 eles lançaram seu enorme hit (a faixa título) e a partir desta época eles entram cada vez mais nos estilos próximos do thrash metal e punk rock. 
 De um modo geral, percebi que o álbum Overkill não fui muito bem recebido aqui no blog, talvez isso se deva ao fato de que os membros do blog sejam bem "true metal". Então decidi trazer um álbum cuja sonoridade se afasta do rock n roll... Um álbum mais thrash e/ou heavy metal do Motorhead, mas não para agradar a patota do blog e sim para mostrar a diferença na sonoridade da banda, afinal são 25 anos de diferença!! 
 Obviamente, também posso afirmar que a escolha foi feita baseada em meu gosto musical (bem como todas minhas resenhas nesta pocilga): Inferno é o álbum agressivo-pesado com maior variação melódica / rítmica do Motorhead em minha opinião. O vocal de Lemmy sempre grave e rouco pode se parecer um fator limitante (principalmente para quem não gosta da banda, é claro) porém casa perfeitamente com o trabalho instrumental do Inferno. 
 A porrada Terminal Show abre o álbum, seguida pelas geniais cacetadas Killers, In The Name of Tragedy e Suicide (sendo esta última, a menos acelerada das 3). Life is a Bitch tem uma pitada de blues mas pode ser considerada mais uma porrada do álbum ao lado de várias outras faixas. 
Encerrando o Inferno há uma quebra total com o ritmo veloz e pesado: Whorehouse Blues. 

Terminal Show 7,5 
Killers 8,8 
In The Name of Tragedy 9,0 
Suicide 8,5 
Life is a Bitch 8,5 
Down on Me 8,1 
In The Black 7,6 
Fight 7,2 
In The Year of The Wolf 8,4 
Keys to the Kingdom 7,6 
Smiling Like a Killer 7 
Whorehouse Blues 6,9 

Modificadores:



 Nota Final: 8,0


The Magician
Kilmister e sua trupe são "Ph.D" em Rock/Metal, isso somado ao fato de que as conhecidas características da biometria sonora da banda já tenham sido pra lá de digeridas pelo grande público consumidor do Rock e afins, faz com que a chance de algum lançamento do Motorhead fracassar seja praticamente nula.

Inferno é o décimo e sétimo álbum da banda, e como esperado não apresenta grandes modificações naquela linha ríspida já conhecida de rock/metal dos ingleses. Particularmente acho isso muito bom, pois quando esses dinossauros entregam aquilo que sabem fazer de melhor podemos crer que teremos mas uma linha escrita permanentemente no grande tomo do Metal. 

Nessa obra encontramos um belo trabalho de um rock n roll "classiqueira" acelerado vestido em distorção mega pesada, essa abordagem abraça pelo menos 7 faixas do disco, e qualifica a obra em minha opinião como um conjunto divertido de rock pesado recheado com a inigualável aspereza vocal de Lemmi. Contudo os caras não perderam a oportunidade de registrar mais dois petardos que em minha opinião entram na lista oficial de grandes sons imortalizados do grupo: "Killers" e "In the Name of Tragedy".

Fora isso é curioso analisar os moldes da canção "In the Black", em que, fugindo do pragmatismo Motorhediano na sua introdução e no refrão, a guitarra impõe uma passagem evocada do estilo grunge/hc pós 2000 com o vaivém da mão direita sobre as seis cordas saturando os humildes acordes em quinta. Esse impulso pode ter acabado na parceria com o FooFighters em "White Limo" - http://www.youtube.com/watch?v=ebJ2brErERQ - além de outros projetos posteriores com o polivalente Dave Grohl.

Nota 7,1 ou \m/\m/\m/\m/.

Desabafo: Lemmi pertence à um grupo de caras bipolares que assim como Page, Angus, Ozzy e Iommi  vez ou outra aparece na mídia repudiando a ideia de que é compositor de Heavy Metal .... o principal e o mais óbvio motivo é a idade desses caras.
OK, acho que o artista deve mesmo fugir de rótulos e evitar ao máximo limitações para sua criação, afinal sob uma análise mais fria, o fato de um figura assumir o "estilo de vida" de metaleiro pode não ter nada a ver com a música propriamente dita. 
Só que o Heavy Metal - mesmo que sempre misturando diversos elementos e tendo se baseado no arquétipo do Blues, R&B, country e Rock n roll - tem algumas características próprias adquiridas através dos anos que o diferenciam do básico, e isto É FATO. Quando o baterista decepa o swing da bateria, quando o guitarrista opta por algumas distorções e padrões de grooves agressivos, é óbvio que a sonoridade muda! e os músicos não são tão ingênuos ou desentendidos para dizer que é tudo a mesma coisa! O que estou querendo dizer é que quando Lemmi compõe coisas como "In the Name of Tragedy", o quengo sabe que está gravando HEAVY METAL e que vai vender para este público sim senhor. 
Isso é hipocrisia desses caras, que por possuírem uma espécie de isenção devido ao fato de interferirem diretamente na criação desse estilo, não pensam ou medem suas declarações direcionadas ao mainstream ,visando como sempre a merda do dinheiro.
Por isso acho muito mais louvável a atitude simples de um cara como Zeca Baleiro, que gravou o som "Heavy Metal do Senhor" ou Luis Caldas, que afim de dar uma variada gravou um CD de Heavy Metal (h-e-a-v-y m-e-t-a-l) - Metal Pesado - isso existe, é um estilo de som e em sua forma e estrutura (embora não na essência) se difere do Rock n Roll!

Em uma conceituada série-documentário da BBC sobre o Rock, que procura em alguns momentos denegrir o Metal, houve um pequeno deslize que passou desapercebido pelos produtores; B.B King - um verdadeiro representante do mais arcaico, produtivo e purista núcleo da música popular vindoura, o Blues - quando questionado sobre a aplicação dos novos estilos e abordagens extremas sobre a guitarra elétrica, humildemente agradeceu à este cenário e seus movimentos: " ... é o modo de nossa verdadeira música sobreviver e instigar o interesse dos mais jovens..."     

Tá aí... alguns chamados de "sábios" falam pelos cotovelos pra dar uma dentro, outros como no exemplo acima falam pouco, mas essa economia exprime um conteúdo que esses faladores jamais nos contariam... 

The Trooper
3Ótimo álbum do Motörhead, as 3 primeiras músicas são um atropelamento contínuo. Suicide diminui o ritmo, mas não o peso e Life's a Bitch é um rock clássico muito bom. A sexta faixa, Down On Me é para mim a que mais se diferencia, uma grande mistura de heavy metal e rock clássico. In The Black é uma grande música (dá uma olhada nesta letra), se o Bon Jovi e o Coverdale encaixassem suas letras neste ritmo como o Lemmy, o mundo seria diferente. O álbum então encerra seu fôlego com Fight e In The Year of The Wolf, grandes porradas. Keys to the Kingdom é mediana e Smiling Like a Killer quase atinge o nível das primeiras canções mas ainda está um pouco abaixo. Finalmente, Whorehouse Blues fecha o álbum muito bem, um acústico com a cara do Motörhead.
Lembrando que Steve Vai toca nas faixas Terminal Show e Down On Me, e coincidentemente minhas três faixas de destaque abarcam as duas em que ele participou: Terminal Show, Down On Me e In The Year of The Wolf.
Não tenho um conhecimento profundo da discografia do Motörhead, mas me arriscaria a dizer que este é um dos melhores trabalhos da banda.

Nota: \m/\m/\m/\m/

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Venom - Black Metal

O álbum "Black Metal" lançado em 1982 pela banda inglesa Venom, foi escolhido por The Magician para análise.




Phantom Lord

Após cerca de 10 anos ouço o tão-influente Venom mais uma vez... 
Não me lembro exatamente das músicas desta banda que ouvi no passado mas notei uma diferença nítida: as músicas deste álbum (Black Metal) parecem mais rústicas, menos guturais e (parte delas) menos aceleradas do que as músicas que ouvi por volta de 2003.
 A rusticidade em si não chega a ser um grande problema, mas a sonoridade aparenta ser bem amadora com um trabalho instrumental no máximo de "nível simplório". 

Não conheço muito da discografia da banda, mas se o caminho escolhido após o álbum "Black Metal" foi o do vocal urrado, tenho certeza de que nada melhorou... 

Acredito que o Venom teve sua importância no cenário Heavy Metal (e seus respectivos subgêneros), porém este disco apresenta-se como um embolado de faixas toscas que apesar de ruim não chega a ser completamente insuportável de se ouvir. E falando em embolado de faixas toscas, por dificuldades "técnicas" prefiro não divulgar uma avaliação "destrinchada faixa a faixa"... 

Modificadores:



Nota Final: 4,0

The Trooper
3Pode parecer que não, mas estamos falando de uma banda importante para o cenário do heavy metal. Esses caras foram pioneiros em parte, seu estilo era um proto-thrash, para mim, eles pegaram as músicas mais rápidas do Motorhead, misturaram com Black Sabbath e encheram seus álbuns com elas.
Como o guitarrista, Konrad Lant, o Cronos, afirmou, embora os membros não fossem satanistas, as letras eram uma celebração ao mal devido à necessidade de superar músicos como Ozzy Osbourne, do Black Sabbath, que: "sing about evil things and dark figures, and then spoil it all by going: 'Oh, no, no, please, God, help me!'"*. Pois é, o resultado são letras parecidas com o que foi comentado aqui na resenha de Iron Blessings, do Sacred Steel. Para mim, uma merda, mas o vocalista pelo menos não defeca com sua voz, faz um estilo mauzão meio Lemmy Kilmister, e o instrumental, embora limitado, e com uma produção digna do Burning Witches, do Warlock, manda razoavelmente bem.
Enfim, não é um álbum ruim, se não fosse um álbum do nicho satanista, e a banda em geral procurasse se encaixar em outro setor do mercado, talvez a história do thrash metal tivesse sido diferente.
Meu destaque vai para a segunda faixa, To Hell and Back, que é um pouco mais lenta que as demais, e talvez justamente por isso se destaque, com um clima melancólico e mais uma letra monga.

Nota: \m/\m/\m/

*"cantam sobre coisas más e figuras negras, e então estragam tudo cantando: 'Oh, não, não, por favor, Deus, me ajude!'" - tradução livre da wikipedia

The Magician
A seleção do disco "Black Metal" da banda inglesa Venom como post de nro. 112 do nosso blog resgata a história de toda uma variação do Heavy Metal, homônima, que a maioria dos críticos deste site ignora mas que é razoavelmente importante para a indústria atual do Metal. Trata-se afinal de uma lição de casa ainda não feita pelos Metalcólatras.

Embora com raízes nas pautas setentistas de Geezer e Iommi, essa história na verdade começa em 1981 com "Welcome to Hell" onde o ângulo e a proposta lírica da banda já estavam bem definidos; foi com essa tiragem na verdade que a banda definitivamente semearia um terreno extremamente fértil para o discurso satanista.

Mas o segundo álbum é o que foi adotado por todos seus seguidores como material referencial e arquétipo para uma sequência de gerações contínuas de acordes profanos que orientaram os subgêneros extremos até os dias de hoje. Por isso vale uma rápida análise do conteúdo musical do álbum "Black Metal".

O trio inglês propôs uma sonoridade realmente suja pra concentrar o material, primeiramente ao apresentar fatores de produção precários e em segundo ao equalizar os instrumentos em frequências muito parecidas e não destacadas; esta proposta aliada à abordagem musical incomum para a época de grooves arrastados cheios de distorção com beats corridos, daria uma assinatura inovadora de desordenação às composições , que se tornaria uma pré-característica do metal extremo de nichos como Trash/Death e Black Metal. Além disso o vocalista "Cronos" coloca suas partes em interpretações coléricas que seriam também uma forte influência para estes mesmos sub-gêneros posteriormente.

Ainda assim, com a óbvia falta de aptidão dos músicos da banda, percebe-se que existe uma mínima preocupação com a estruturação e distribuição dos tempos e da leitura melódica da obra como um todo. Mas não dá pra negar que em alguns momentos, utilizando-se da "licença poética" de um trabalho criado no viés de produto extra-popular ou marginalizado, indiscutivelmente a harmonia é prejudicada pela mesma falta de talento.

O Venom, sob esse aspecto - o apenas musical - ainda compete com muitas outras bandas e colaboradores de maior peso, que redefiniram os padrões sonoros refinados ao longo do tempo, dando um corpo ao HM esboçado pelos roqueiros dos anos 70; entre esses responsáveis por essa "arte-final" estão inúmeras bandas que nos induziram à aceitação dos vocais guturais, distorções ultra saturadas, grooves machine-guns, bumbos duplos e solos esmerilhados de guitarra.

O que sobra então como inquestionável "contribuição" dos ingleses para o Metal é a indução do discurso oficial do roqueiro anti-cristo, ou seja, a apresentação formalizada através de uma mídia para as massas (no caso, o rock) da figura injuriosa da personificação do mal como objeto de respeito e adoração - muito embora também este tema já tivesse sido cercado anteriormente por bandas como Misfits, Rolling Stones e obviamente o Sabbath.

Sendo assim, sem qualquer intenção de classificar a temática da "literatura" do Heavy Metal em um plano lógico dividido pelo eixo do "certo x errado", me parece claro que um dos principais aspectos do gênero é que se trata de um nicho de músicas de não-aceitação ou de rebelião à um cenário pré-estabelecido de situação totalitária. 

Portanto, quando o Heavy Metal deixa de orbitar a esfera de reflexão filosófica não crítica, aquela que se nivela apenas como uma expressão artística, interlocução histórica, ou ainda alguma referência metafórica externa; ele acaba adentrando sua outra face complementar, que expõe sua característica desafiadora e questionadora, atingindo uma das três colunas controladoras da sociedade contemporânea: 1-) a política, diversas bandas atacam os governos, as instituições militares e a injustiça social; 2-) a religião e a igreja, acusada de ser o principal meio de controle das massas através de discursos conformistas que sustentam a verdadeira hierarquia de poder oculta; 3-) e os valores de moralidade disseminados, que inibe a experimentação dos indivíduos por meios de auto conhecimento supostamente subvertidos, como as drogas, o álcool, o sexo, etc...

Não à toa, os temas satanistas do Venom, rapidamente colocados em posição de escarnio pela nossa sociedade ocidental secularista, encontraram sua morada em uma cultura aderente ao seu contexto. Os nórdicos (principalmente a Noruega), impelidos pela expansão catolicista da época medieval aderiram à causa do Venom como um bastião pagão traduzido por guitarras elétricas e bumbo duplo, misturado à violência exacerbada e comportamento moralmente inaceitável (como queimar igrejas).

O Venom em 1981 abriu os portões do inferno e liberou os diabinhos, que no decorrer dos anos não se sustentaram na mídia e prestes a ficarem órfãos foram adotados pelos descendentes metaleiros dos Vikings , que mal sabem que o chifrudo não morava em Asgard, nem nunca esteve nos salões de Valhalla...

Nota 5,0 ou \m/\m/\m/.
  


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Avenged Sevenfold - Hail to the King

O álbum Hail to the King lançado em 2013 pelo Avenged Sevenfold foi escolhido por The Trooper para análise.


Faixas: 01-Sheperd of Fire; 02-Hail to the King; 03-Doing Time; 04-This Means War; 05-Requiem; 06-Crimson Day; 07-Heretic; 08-Coming Home; 09-Planets; 10-Acid Rain.  

The Trooper
3Faaaaaala emada do metal! Tamos aí de novo com uma banda pra lá de controversa que fomenta ódio e amor entre velhos e novos metaleiros (não necessariamente nessa ordem, embora muitas das vezes sim). Continuando com sua face mutante, o Avenged lança mais um álbum com uma cara diferente das anteriores, o que deve afastar fãs ao mesmo tempo que atrai novos (tática interessante ... ou não). Para mim, acho que este é o ponto de equilíbrio, do mauzão que gorfa no microfone, pro meloso que tá afim de impressionar as menininhas, esse estilo de cantar do Shadows é o mais balanceado, e o instrumental está oscilando menos, embora o estilo varie do metal para o hard rock. Um exemplo da variação de estilo é que a faixa Doing Time me lembrou um pouco Guns enquanto This Means War me lembrou o Black Album.
No geral, acho que o álbum começa muito bem e perde um pouco da pegada lá pelo final (principalmente por causa das baladas ... quando eu era novo até que eu curtia, hoje em dia eu não tenho muito saco pra ficar ouvindo não). Meu destaque vai para os solos de guitarra, o sumiço dos corinhos melosos de backing vocals e para as faixas Hail to the King, Doing Time e Coming Home.
Como crítica construtiva (ou não), o álbum poderia ter menos faixas que desaceleram (as baladinhas) e mais faixas que aceleram (como Coming Home).

Nota: \m/\m/\m/\m/


  Phantom Lord

Mais um álbum do A7x, desta vez apresentando linhas de vocais mais distantes dos tais metalcore e/ou hardcore presentes nos álbuns City of Evil e Nightmare (vocais que soavam quase emo)... 
De um modo geral o disco traz um bom trabalho instrumental, (a bateria não tem mais recaídas para o estilo "core") porém menos virtuoso do que o City of Evil e consideravelmente "cadenciado", ou seja, praticamente sem faixas de ritmo acelerado. 
Em alguns momentos (como na faixa 2, Hail to the King, por exemplo) a música me lembrou a banda tão taxada de genérica: Saxon e em outros momentos as músicas podem soar vagamente parecidas com Guns N Roses, Dream Evil e até com o Black Album do Metallica (como o Trooper citou, porém o início de Planets também me lembrou esta fase do Metallica)... Ainda assim, não acho que Hail to the King pareça uma coletânea de plágios... Longe disso, talvez as semelhanças só mostrem que grande parte de suas inspirações estivessem no rock/metal do início dos anos 90 para cá. 
O álbum fica entre o bom e razoável, com alguns breves momentos de destaque, porém acho que faltou agressividade e velocidade de um modo geral. 

Shepherd of Fire 7,4 
Hail to the King 7,7 
Doing Time 7,8 
This Means War 6,8 
Requiem 7,0 
Crimsom Day 6,1 
Heretic 7,0 
Coming Home 7,4 
Planets 7,2 
Acid Rain 6,4 

Nota final: 7,0 

P.S.: Mais uma "baladinha" e este disco entraria na lista dos trabalhos soníferos.

The Magician
"One of my favorites bands has played today, called Helloween, did you check it out??"

Essa foi a frase proferida pelo vocalista M.Shadows ao introduzir a nova canção single do recente trabalho "Hail to the King" no Rock in Rio 2013, que me deixou momentaneamente perplexo..., não mais perplexo do que fiquei ao escutar a própria música performada pela banda logo em seguida.

A declaração e a música ficaram martelando em minha cabeça por um tempo, devido principalmente às conclusões prévias tiradas sobre a banda e sua sonoridade na postagem de "City of Evil" em janeiro de 2011. Logo, tive que escutar o CD e comunicar os Metalcólatras Trooper e Phantom sobre a espantosa sonoridade produzida nesse trabalho dos americanos, o quê por conseguinte fez que me deparasse com a postagem oficial no nosso site e com a criação dessa resenha... (Trooper, eu sei que você está rindo por dentro... se deliciando com esta situação e esperando que eu deslize e caia no pântano maldito da contradição, frequentado por Merchant, Pentelho e tantos outros).

Antes, porém, de entrar na questão das motivações reais do A7x e da estratégia implícita da criação de "Hail to the King" sabendo que o trabalho seria promovido com a participação da banda em grandes festivais com alcance nos quatro cantos do planeta, é preciso falar do álbum em si.

Ao escutar apenas a faixa título no Rock in Rio ainda achava que a adesão de uma sonoridade sóbria, firme e contundente pela banda, sem aquelas experimentações de partes "quase-pop" comuns nas músicas anteriores da banda, era meramente acidental; mas fui surpreendido novamente com a faixa de abertura "Shepherd of Fire", que traz a marca d'água do CD: uma atmosfera muito mais pesada que esbarra no épico através de artifícios sonoros periféricos, composições robustas na bateria e riffs de guitarra extremamente expressivos. Percebe-se também na execução bastante técnica das guitarras solo de S.Gates, que a opção pela distorção alcalina e destacada é consoante com as bases densas da música, essa escolha é recorrente no resto do disco e ilustra muito bem as partes protagonizadas pelas guitarras, bela escolha e trabalho de produção. Logo, a primeira faixa de "HttK" usando dessas atribuições e de um vocal muito mais concentrado (menos disperso) executado por Shadows se realiza como uma grande música, bem acima das expectativas desse crítico.

A faixa título "Hail to the King" é o destaque com certeza. Com o fraseado base pulsante da bateria e baixo, a música introduz e é marcada na maior parte do tempo por um ostinato matador e viciante de guitarra, que simplesmente rouba a cena e conduz as demais linhas até um refrão épico (da mesma forma que Hammet conduz "For Whom the Bells Tools" em Ride the Lightining). Em nome da ambientação e em coerência com o contexto o guitarrista Gates ainda entrega um solo ultra melódico recheado de inspirações e temas clássicos que pode ser considerado a cereja do bolo da composição. Como a própria banda afirma este é o carro chefe, inspirou todo o resto do trabalho, que logicamente percorre um nível um pouco mais baixo.

Mas o álbum ainda oferece mais três músicas bastante interessantes, que mostra o amadurecimento geral na sonoridade do Avenged: "Requiem", "Heretic" e "Coming Home", essa ultima pode ser considerada o verdadeiro flerte da banda com o Power/Speed Metal europeu. 

Fora as duas baladas ("Crimson Day" e "Acid Rain"), que pecam por soar datadas, existe um ponto bastante polêmico do disco. As faixas 3 - "Doing Time" e 4 - "This Means War" , que para mim se trata de homenagens respectivamente às bandas GnR e Metallica, podem muito bem ser acusadas de plágio devido às suas características mais sobressalentes. Na terceira faixa, o vocalista descaradamente se utiliza dos trejeitos vocais de Axl Rose para cantar uma espécie de reedição de músicas como "Garden of Eden" (qualquer semelhança visual entre os dois vocalistas é mera coincidência) e "You Could be Mine". A quarta faixa tem a pontuação de vocal e guitarra tão semelhante à sua "composição modelo" a ponto de minha esposa matar de primeira enquanto via a apresentação da banda no show ao vivo pela TV: "Sad but True"?
Não sei se era necessária essas abordagens nessas faixas, embora eu confesse que gostei bastante de "This Means War", principalmente da forma que a composição escapa para o refrão através de um bridge bastante melódico e progressivo..

Após autópsia detalhada acima, podemos tentar concluir sobre este lançamento um tanto surpreendente dos californianos. 

Minha resenha de 2011 é com certeza cheia de preconceitos, mas não muda o fato de trazer a verdade sobre o antigo som da banda: música feita por metaleiros com roupagem pop para vender nos EUA. E para explicar de uma vez por todas o que quero dizer com isso (já me enrosquei com esse tema em VÁRIAS resenhas) meu amigo Jack Black me ajuda nesse game, assistam por favor uma parte específica desse video: http://www.youtube.com/watch?v=_2VdbBrH__M (5:14 aos 7:11).

Escutei alguns analistas do ramo dizendo que o Avenged tenta de uma vez por todas atingir mercado europeu (inclusive a faixa de lançamento fez com que pela primeira vez entrassem nas paradas de Metal da Europa). Esse discurso todo, mais o lançamento em questão embasa a teoria da estratégia sórdida da banda de ir de acordo com a abertura de novos mercados cativos. Ou seja, agora que já que se consolidaram nos States tentam ganhar o publico europeu, obrigatoriamente modificando seu estilo original de música. Uma coisa é dizer que se inspiram em Zeplin e Sabbath, unanimidades do Rock; outra é afirmar que Helloween é uma das bandas favoritas, que incute a aceitação de todo um nicho específico originado dessa escola do Power Metal alemão, e consequentemente do Metal espadinha, nerd e afins...

Resta saber se isso parte de uma evolução natural de meninos que viraram homens e largaram toda aquela merda pra trás criando música de verdade, ou se trata apenas venda de ópio enlatado para um novo mercado. De qualquer modo sua discografia será para sempre marcada por uma ruptura entre essas fases.

Os eufemistas dirão que nada disso existe e que tudo se trata de musica pesada e correlacionada, mas não é verdade, existem diferenças notórias entre esses segmentos. E o Avenged desafia os modelos padronizados por essa antiga dicotomia do Metal ao tentar (?) unificá-los, emergindo como verdadeiros e únicos reis do Metal.

Nota 7,4 ou \m/\m/\m/\m/.

Esse álbum serviu para eu me livrar de um artigo de parede que adquiri em 2011 ao resenhar "City of Evil"...






quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Alice Cooper - Trash

O álbum Trash lançado em 1989 por Alice Cooper foi escolhido para análise.



Phantom Lord
Aqui está um suposto inspirador das vertentes "teatrais" do heavy metal. É claro que este álbum (Trash) lançado em 1989 não foi das maiores fontes de inspiração de tais vertentes, pois as bandas que optaram por seguir o caminho mais poser... ops, eu quis dizer teatral, devem ter se inspirado em álbuns mais velhos do tio Alice... provavelmente se inspiraram nos trabalhos dos anos 70... 
Porém o interessante dos trabalhos do Alice Cooper na virada dos anos 80 para os anos 90 é que estes apresentavam guitarras com mais distorções, produção superior etc... Mas se você for escutar o álbum Trash esperando algum tipo de heavy metal... Tire seu cavalo da chuva... 
Trash apresenta uma gama musical que varia do bom hard rock (às vezes quase pesado) até vertentes mais populares (glam rock, pop rock etc). 
O interessante é que o trajeto dos trabalhos do Alice Cooper variou bastante, fazendo com que muitos supostos fãs entrassem em contradição facilmente, por exemplo: já ouvi pessoas dizendo que odeia glam rock mas adora os trabalhos do Alice Cooper... Bem então esse mesmo indivíduo não deve ter escutado NADA do Alice entre os anos 80 e 90! 
Pois é... Em minha opinião é possível montar uma "baita" coletânea do Alice Cooper, mas ainda não ouvi muitos discos deste artista um tanto peculiar. 
Falando do Trash em si, eu gostei de boa parte do álbum, acho que os destaques são as músicas Poison (escolha óbvia?), Bed of Nails e Why Trust You. 
Já Only my Heart Talking caí na maré do rock farofa juntamente com Hell is Live without You,enquanto This Maniac in Love e Trash viajam por ritmos cafonas daquela época... 

Poison 8,6 
Spark in the Dark 7,6 
House of Fire 7,3 
Why Trust You 7,9 
Only my Heart Talking 6,1
Bed of Nails 8,2
This Maniac in Love with You 5,3
Trash 6,1
Hell is Live Without You 6,0 
I am Your Gun 6,9 

Nota final: 7,0  

The Trooper
3Car*%&$&!, mas que farofada da P*¨&&%! Como você tem coragem de criticar Bon Jovi e postar um álbum desses, Phantom?! Seu farofeiro!
Obviamente, eu só conhecia Poison, daí o resto do cd me surpreendeu bastante, e eu tive que segurar o riso na rua enquanto escutava essa farofada pra não me colocarem em uma camisa de força.
Parece Bon Jovi...mesmo, com a diferença que o Bon Jovi canta mais e é mais bonito (urgh! essa foi foda...), mas mesmo com meu sarcasmo, o pior é que eu to falando a verdade... trata-se de um hard rock popzão, até dá pra ouvir, mas enche os bagos rapidinho.
Enfim, álbum meia-boca, meu destaque vai para Poison, Bed of Nails (a mais Bon Jovi de todas ... o que veio antes? Bed of Nails ou Bed of Roses? ... deixo essa pra quem quiser perder tempo pesquisando, se você tiver coragem, responda nos comentários) e I am Your Gun (pela tentativa de acelerar o álbum apenas, porque é bem mediana).
O destaque negativo vai para This Maniac in Love with You, tem uma corneta digna de Chameleon, e é uma merda de música.

Nota: \m/\m/\m/

The Magician
O Cd em pauta traz com certeza uma das maiores influências do Rock/Metal de todos os tempos, Mr. Vicent Furnier, que além de músico ficou imortalizado pelas suas atuações performáticas nos palcos durante, principalmente, os 70's.
No entanto o álbum selecionado é oriundo da década de 80, longe de suas grandes contribuições para a cena, como "Schools Out", "Billion Dollar Babies" ou "Welcome to my Nightmare" (respectivamente 72,73 e 75). Aqui o artista já tinha mergulhado naquela que foi a mais fútil, promíscua, superficial e comercial onda do rock: o Glam Rock (Hard Rock de batom e maquiagem).

Como o crítico que escolheu o trabalho preferiu um disco recheado de artifícios desse sub-gênero, é lógico que fico inclinado a detalhar mais o estilo sonoro ao qual a obra pertence, do que suas próprias composições, até porquê ao analisar música por música percebemos que Alice Cooper apenas foi na "vibe" do momento e consolidou um material totalmente genérico desse estilo de música (com exceção a faixa 1 - "Poison", e à poucas outras partes realmente originais e bem compostas).

O Hard Rock após várias fases de refino (que incluí o próprio Alice Cooper, e bandas como AC/DC, Peter Framptom, Aerosmith, KISS, Led Zeppelin, Whitesnake, Def Leppard e Van Halen) chegou ao seu estado bruto nos anos 80, onde poucas bandas de fato contribuíram com lançamentos de conteúdo significativo nesse gênero (entre elas Bon Jovi, Skid Row e Guns n Roses). Essa forma definida e já lapidada assumiu algumas características bem claras:

- Guitarras com distorções suntuosas e brilhantes com timbres mais finos que tinham como moradia arranjos simples em suas bases (3 ou 4 acordes, raramente fraseados e normalmente em 5ª abafados) e que na hora do solo explodiam esbanjando velocidade e virtuosismo; 

- a bateria extremamente sintetizada e levemente "swingada" grava marcação viciante de tom - espaço - tom - espaço (o famoso "zil" - "TÁ" - "zil" - TÁ"), que insere uma leve característica "dançante" à música Glam; 

- Os vocais são rasgados e falseados nos versos, e basicamente todo refrão é entoado por coros de múltiplas vozes uníssonas que ocultam as assinaturas vocais, e colocam a maioria dos cantores (obviamente os menos virtuosos) de Hard Rock desta época, em uma vala comum.

Particularmente gosto do estilo, e acho que as grandes criações da guitarra elétrica saíram desse meio, mas acho que esta fórmula acima facilitou o lançamento de muita merda disfarçada nesse padrão comum, e é comum encontrar álbuns (e às vezes até bandas) que arrecadaram fortunas por causa de apenas um ou dois singles que encaixaram. É o caso desse CD do Alice Cooper e de bandas como Motley Crue, Cinderella e Poison; uns bostas que lançaram sim uma ou outra música de qualidade, só que não sabemos se de fato por sua própria inspiração e capacidade, ou originadas de um bom músico de suporte nos estúdios milionários da Califórnia.

Alice Cooper com seus trabalhos de Hard Rock dos anos 70, pode se intitular como uma das bandas que de fato contribuíram para que o rock comercial dos anos 80 se transformasse na infecção pútrida que se tornou, por isso tinha autoridade para se meter nesse meio e até lançar algumas porcarias enlatadas que supria a necessidade desse mercado. Mas o fenômeno Glam trouxe muita gente grande pra dentro, com o propósito único de "make money", como Ozzy Osbourne, Scorpions e o próprio Black Sabbath (?!).

Esse lançamento é típico de uma época em que o rock se perdeu, e quase se autodestruiu. Músicas totalmente previsíveis e sintéticas que se encondem atrás de um único grande single; uma espécie de manequim de vitrine ao qual a banda, os produtores, os músicos de plantão, a gravadora e etc. se debruçavam e gastavam toda energia nele para que estourasse no rádio, e consequentemente gerasse grana para alimentar o ciclo podre da música comercial da época, de sexo, drogas... e um pouquinho de rock n roll.

Nota 5.7 ou \m/\m/\m/. 




segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Luca Turilli - King of the Nordic Twilight

O álbum King of the Nordic Twilight lançado em 1999 por Luca Turilli, foi escolhido para análise por The Magician.


Phantom Lord

O melódico e pomposo metal sinfônico voltou, com a ramificação da epítome sinfônica: Lucca Turilli do Rhapsody of Fire... 
Conheci o King of Nordic Twilight por volta do ano 2000 e o escutei muitas vezes no decorrer dos anos. 
É um trabalho indiscutivelmente bem feito, porém notoriamente voltado ao público nerd-banger e similares... Eu aprecio algumas músicas dos gêneros mais melódicos/sinfônicos do metal, mas já comentei que é necessário muito cuidado ao compor este tipo de trabalho, principalmente se os músicos tiverem a intenção de atingir um público vagamente mais amplo do que os "nerds-like"... (talvez nem seja o caso de King of Nordic Twilight)
Acredito que o resultado do KoNT foi bom e mostrou-se menos sinfônico e menos cansativo do que o Dawn of Victory que passou por este blog há anos... Como há uma espécie de narrativa de histórias de fantasia neste trabalho, obviamente também existem faixas que se distanciam do metal, como a Princess Aurora e as "introduções", interlúdios etc... Mas considero-as plenamente "audíveis". 
As melhores músicas estão no começo do álbum, mas definitivamente não é impossível ouvir KoNT até o final, a menos que o gosto do ouvinte descambe para vertentes (do rock/metal) mais rústicas ou urradas. 

 To Magic Horizons / Black Dragon 7,7
 Legend of Steel 8,8
 Lord of the Winter Snow 7,3
 Princess Aurora 6,9
 The Ancient Forest of Elves 6,9
 Throne of Ice / Where Heroes Lie 7,1
 Warrior's Pride 6,0
 Kings of the Nordic Twilight 7,0
 Rannveig Sif Sigurdardottir -

 Modificadores: 



 Nota final: 7,4

The Trooper
3Atenção fãs do metal-espadinha, aqui está uma das obras-primas do gênero, com vocês o Rei do Crepúsculo Nórdico! Não se trata de uma espadinha qualquer, é uma espada vorpal-vingadora-sagrada-dançarina-flamejante, senhores! Sim, uma das melhores obras do gênero, como afirmei anteriormente na resenha de Dawn of Victory do Raphsody, King of the Nordic Twilight mistura a música clássica com o heavy metal na medida certa, sem pender para um dos lados, e talvez seja a pedra fundamental do metal sinfônico. O equilíbrio é tamanho que até mesmo o maldito tecladinho se encaixa, evocando os sons dos melhores rpgs eletrônicos (vide Lord of The Winter Snow - aliás o baterista manda muito bem nesta faixa, encaixando uma batida no início estranho), Olaf Hayer canta pra cacete, a soprano que eu não sei o nome então, nem se fala, os instrumentistas são todos muito fodas (o manjado Sascha Paeth taí no meio), e as faixas foram todas muitíssimo bem trabalhadas e produzidas. O clima de ópera também está presente neste álbum, e embora eu não conheça nada do assunto, parece que houve uma mescla com música italiana, o que resultou em estranhas e interessantes melodias.
O álbum começa com duas cacetadas que já mostram a cara do trabalho, mas meu destaque vai para The Ancient Forest of Elves, um espetáculo à parte, o violino e a flauta aqui fazem uma diferença do c@#@&$%. Por fim, se você espera algo épico desse cd, todos os ingredientes estão aí: violinos, flautas, sopranos, narradores, guitarras e bateria cacetantes e até um coro em latim!

Nota: \m/\m/\m/\m/\m/

The Magician
Uma obra grandiosa do Heavy Metal do século passado, e esse é o principal motivo da minha postagem.
Em minha opinião extrapola as barreiras do sub gênero Melódico ao apresentar um material de qualidade muito acima da média e apreciável para qualquer tipo de ouvido metaleiro que não tenha preconceitos e preparado apenas para apurar a musica definitivamente boa.
Mas isso não quer dizer que não se trata de um disco de nicho, ou que apresente uma musicalidade isenta de estigmas ou de patronos; apenas quer dizer que o som é muito qualificado mas ainda pode ser plenamente rastreado como uma derivação dos trabalhos primordiais do Raphsody
Contudo, embora o estilo sinfônico não tenha sido abandonado - aliás, continua sendo super valorizado e explorado em "King of the North Twilight" (KotNT), a ponto de muitos críticos entenderem esse disco como uma extensão da discografia da banda italiana - eu vejo que a compilação do conteúdo feita aqui por Turilli/Paeth foi muito mais coesa do que aquelas feitas anteriormente por Staropoli.   
Nesse caso as músicas são muito mais singulares do que aquelas embaladas na discografia epopeica do Raphsody of Fire, ou seja, se classificam melhor como unidades independentes sem aquela maldita confidencialidade entre as faixas, criada pelo conceito de obra contínua nos CDs de Metal Sinfônico do Raphsody (que idealizam um "libreto"). O resultado é que KotNT é muito mais "pé no chão" ainda que se mostre como uma obra lírica de fantasia medieval.
A musicalidade ainda é muito rebuscada obviamente, mas possui ótimos contornos que priorizam a coerência da composição em moldes estruturados de versos, pontes e refrões. As músicas tem construções de bases e colocações dos componentes de suporte tão convincentes que mesmo se tratando de um álbum titular de um guitarrista virtuoso, os solos de guitarra acabam não sendo os protagonistas, tampouco priorizados no conjunto da obra. O provável grande responsável por este feito é novamente o alemão Sascha Paeth produtor e colaborador nas partes instrumentais, que tem na bagagem nada menos que trabalhos como "Ritual" e "The Black Halo", e que pra mim se consagra ao lado de nomes como Rasmussen e Roy Z como um dos grandes produtores do Metal na atualidade. 
O disco é ainda um dos trabalhos que melhor explorou a potencialidade, as variações e a interatividade dos vocais (tanto masculino quanto feminino) dentro do Heavy Metal antes da confecção do definitivo "Avantasia" de Tobias Sammet. Acrescento que tanto Olaf  Hayer quanto a soprano Rannveig (em "Princess Aurora", coloca Tarja Turunem no bolso esquerdo da calça) são magníficos em suas interpretações.
Por fim, acredito que o breve e glorioso momento do Speed Metal europeu nesta época favoreceu essa produção, afinal não se pode achar muitos outros nomes de solistas que se arriscaram com sucesso nesse sub-gênero em outras ocasiões; e por causa desse "golpe de sorte" KotNT acaba filtrando muito bem as impurezas criadas pelo tecladista Staropoli nos álbuns do Raphsody ao entregar um concentrado raro e valoroso de composições de ótimo Metal Sinfônico.
Destaques para as faixas "Black Dragon", "Legend of Steel", "Princess Aurora", "The Acient Forest of Elves" e "Where Heroes Lie".

Nota 8 ou \m/\m/\m/\m/.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Iced Earth - The Dark Saga

O álbum The Dark Saga lançado em 1996 pela banda Iced Earth, foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01-Dark Saga; 02-I Died For You; 03-Violate; 04-The Hunter; 05-The Last Laugh; 06-Depths Of Hell; 07-Vengeance Is Mine; 08-Scarred; 09-Slave To Dark; 10-A Question Of Heaven

  Phantom Lord

Eis que finalmente chega o Iced Earth ao blog. 
 De um modo geral a banda apresenta grande potencial e identidade bem definida, principalmente pelos vocais e guitarras inconfundíveis. Referente a sonoridade dos trabalhos do Iced, acredito que possa ser classificada como heavy metal raramente pendendo a algum sub-gênero. Acredito nisto pois a maioria das músicas apresentam algumas características do thrash e do power que em minha opinião são sub-gêneros bem diferentes um do outro, sendo quase opostos que se "anulam".
 O álbum conceitual The Dark Saga (que aborda a história das HQs do Spawn) é um dos trabalhos do Iced Earth marcado pelas características que citei acima... porém sua sonoridade é bem simples, seja nos momentos acelerados ou nos lentos. Além disto, faltam mais uns momentos de porradas e eu não percebi nenhum riff genial nem solo mirabolante e sim uma certa repetição do ritmo em seu decorrer... Acho que o destaque do álbum é a música The Hunter, de resto soa tudo entre o razoavelmente bom e o "passa batido"...
 Após ouvir mais uma vez o disco Something Wicked, percebi que este já debulha seu antecessor (The Dark Saga) nos quesitos agressividade e criatividade nas 5 primeiras faixas... Talvez o Night of the Stormrider ou o Burnt Offerings também possuam mais músicas agressivas e/ou empolgantes do que o The Dark Saga... mas por enquanto ainda desconfio que o Iced Earth seja só mais uma daquelas "bandas de coletânea" mesmo... A menos que os álbuns antecessores do The Dark Saga me provem o contrário.

 Dark Saga 6,5
 I Died for You 6,5
 Violate 6,7
 The Hunter 8,0
 The Last Laugh 6,2
 Depths of Hell 6,7
 Vengeance is Mine 7,6
 Scarred 7,0 
Slave to the Dark 6,8 
A Question of Heaven 6,5 

 Nota final: 6,8

The Trooper
3Como os metalcólatras fãs de Iced Earth sumiram do blog, restou a este que vos fala indicar algum álbum da banda. Por que o Dark Saga? Sei lá, foi o primeiro que eu vi na pasta de músicas que o Phantom me passou. Devido a todos esses fatores, minha resenha fica limitada, pois não posso comparar o álbum com seus antecessores (e afirmar ou refutar o que está escrito na wikipedia sobre Dark Saga ser menos complexo que os álbuns anteriores), afinal eu só conhecia o Live From Athens (que alguém deixou em casa um tempão - Mercante, talvez?).
Assim sendo, vou me concentrar no Dark Saga. Preste atenção, este trabalho precisa de atenção, talvez por ser temático, existem muitos trechos lentos, que a princípio me irritaram, mas lendo todas as letras você entra no clima, ainda mais com os vocais do Barlow. Aqui tenho que fazer outro adendo, eu não gosto muito do timbre do Barlow, acho bem bundão, mas o cara é um ótimo intérprete, e a voz dele até que encaixa muito bem com o estilo do Iced.
Sobre o instrumental, sou obrigado a elogiar bastante. Gosto muito da distorção que o Schaffer usa, acho que no geral, a banda proporciona um show impressionante nas frequências baixas, a bateria com a guitarra base pesada e o contrabaixo cacetando o tempo todo acaba sendo o ponto mais forte da banda.
Não há realmente uma faixa fraca no álbum, todas tem seu lugar dentro da obra como um todo, mas meu destaque vai para as faixas mais "cacetantes", claro, Violate, Depths of Hell, Vengeance Is Mine (essa música me lembra um cover que o Metallica fez no Garage, The Small Hours, se não me engano), e a fodástica Slave to the Dark (tudo de melhor está aqui, riffs massacrantes, letra foda e os melhores solos de guitarra do álbum).
Finalmente, eu devo me curvar ao Treebeard e concordar com ele, esse álbum é foda.

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: A capa é uma obra de arte à parte, McFarlane estava no auge da sua carreira quando começou a desenhar Spawn, lembro de ler os gibis que meu irmão caçula comprou (e levou embora depois de se casar, enfraquecendo nossa coleção) e até sentir dó do McFarlane que desenhava nos gibis do Homem-Aranha.

The Magician
Iced Earth, a banda de Schaffer, se apresenta para o júri dos Metalcólatras. 

A escolha de nosso colega Trooper foi coerente ao apresentar um dos álbuns que melhor sintetiza as características principais da banda, ao escutá-lo o caro leitor terá uma clara ideia do que se trata o som do Iced Earth. 

Uma das marcas registradas é justamente o vocal de Barlow. Para mim é muito óbvio que Tim Ripper Owens é muito melhor que (capitão) Matt Barlow tecnicamente,  chega a ser uma piada irritante querer compará-los e achar que Barlow canta mais que o ex-Judas Priest; mas o ponto é que Barlow canalizou o estilo do Iced, já que com sua voz as guitarras de Schaffer se comunicam de uma forma muito mais uniforme, dando liga às linhas de composição dos americanos. Em outras palavras a voz chorosa de Barlow fidelizou o público do Iced e "tatuou" a musicalidade do grupo. Curiosamente a voz de Stu Block, o novo vocalista, é uma espécie de ponto médio entre as características de Barlow e Owens (checar "Dystophia" de 2011).

A cozinha (baixo+bateria) é densa e expressiva dentro da massa de som, mas ainda respeita os comandos das linhas de Shaffer, o dono do pedaço. Suas frases são a espinha dorsal de "Dark Saga" (assim como nos seus outros trabalhos) e constroem compasso a compasso uma musicalidade torpe, melancólica e consistente; o cenário ideal para cantar a saga do demônio herói de McFarlane - "Spawn".

Conforme citado nas resenhas acima, (com um porém, descrito mais à frente) não se sobressaem hits marcantes, o álbum se performa de acordo com os contos escritos de forma contínua. A grande proeza do guitarrista líder da banda é justamente criar um estilo de estrutura de som (harmonias, timbres e melodia) que é marcante, único e condizente com as letras e versos. Isso, e o fato de as composições não terem nuanças progressivas, reflete no fato de que o Iced Earth é uma daquelas raras bandas situadas no núcleo não segmentado do Heavy Metal (não é trash, speed, power, black, death, groove, gothic, glam, bullshit,...) , sincronizando diversas influencias, acima de tudo, com muita sobriedade.

O disco em si se apresenta muito bem com a faixa título "Dark Saga" e mantém um nível muito bom até "Violate" quando então revela o grande som da obra: "The Hunter" é a exceção à regra, musica que entra para as grandes criações do Heavy Metal, de guitarras melódicas sobre riffs monstruosos que conduzem a porradaria até um refrão explosivo e épico, que faz dueto com o solo de Schaffer suportado por mais um coro solene. Existe inegavelmente um espectro melancólico devido ao tempero da voz de Barlow, mas isso adiciona um diferencial agradável à música que por si só já seria arrebentante. Daí até seu fechamento o álbum desenrola uma sonoridade boa e contundente conforme os conformes.

Pode ser até que você não se identifique de cara com o disco, ou não morra de amores (aliás é bem provável que isso não aconteça de cara), mas se gosta de Metal de verdade, de qualquer tipo, terá no mínimo que respeitar este trabalho.

Nota 7,3 ou \m/\m/\m/\m/.