terça-feira, 6 de agosto de 2013

Cavalera Conspiracy - Blunt Force Trauma

O álbum "Blunt Force Trauma", lançado em 2011 pelo Cavalera Conspiracy, foi escolhido por The Magician para análise dos Metalcolatras.


1-Warlord 3:05; 2-Torture 1:51; 3-Lynch Mob 2:31; 4-Killing Inside 3:28; 5-Trasher 2:49; 6-I Speak Hate 3:10; 7-Target 2:36; 8-Genghis Khan 4:23; 9-Burn Waco 2:52; 10-Rasputin 3:22; 11-Blunt Force Trauma 3:58.

The Magician
Ao digitar "Blunt Force Trauma" no Google Translate terão a melhor resenha possível do álbum: "Porretada", ... é o que responde o tradutor.
O Cavalera Conspiracy em seu segundo álbum realmente apresenta uma tremenda cacetada, 300kg de Metal Bruto na orelha com certeza, mas em um composto de músicas que foi muito bem lustrado no final das contas.
Desde que fui apresentado à este trabalho, em meados do ano passado, fiquei impressionado com vários aspectos trazidos na sonoridade de "BFT", e admito que a cada vez que escuto novamente o álbum, ele ganha pontos comigo.
Acho sobretudo que o mais impressionante, já que se ainda se trata de um disco de Trash Metal com roupagem de Death moderno, foi com certeza a compilação do material sonoro, que filtrou muito bem as impurezas dos instrumentos de cordas sem amenizar a contundência das distorções pesadas, mesmo que para isso tenha assassinado o baixo e o transformado em uma verdadeira guitarra dos infernos. 
O segundo ponto é o tino metaleiro dos irmãos Cavalera, com especial menção ao Max: obviamente não é e nunca foi um virtuose nas guitarras, mas além de levar consigo na bagagem a alma criativa do Sepultura, prova neste álbum que ao lado de um bom guitarrista coloca a casa abaixo com suas bases monstruosas. Com ele, embora menos brilhante e espalhafatoso do que o de costume, o dono das baquetas - você sabe quem - continua mandando pedrada e não dá nenhum motivo para reclamação, colocando a porradaria em linha com sincronismo matemático.
Com isso quem deita e rola nessa "cama de aço" é o lead guitar Marc Rizzo, com seus solos exibicionistas e muitas vezes embolantes. Mas o cara tem talento e se dá muito bem com as bases densas do gênero, não se limita aos teeths dissonantes e aos caprichos repetitivos dos guitarristas comuns de Death Metal, encaixa  em todas as faixas linhas e frases super peculiares que eu chamaria de "vitais", pois se decapitarmos suas interpretações solistas percebe-se com clareza que os caminhos das músicas tomariam outras direções. Por fim, Marc quando tem oportunidade com bases mais cadenciadas, se arrisca em interpretações mais melódicas, que acabaram por ser os pontos mais criativos e inusitados da obra.
Confesso sim, que nem todos os momentos me agradam, já que Max faz questão de inserir suas experiências que esbarram nas dimensões do Nu Metal e do NWOAHM (principalmente na faixa "Lynch Mob" e "Trasher"), bastante experimentadas em sua fase com o Soulfly. Além disso arrisca também nos vocais Death Metal com seus guturais agudos e médios (principalmente na faixa "Burn Waco"). Mas a banda tira de letra e encaixa com desenvoltura essas passagens, em meio de riffs e sequencias demolidoras de Trash/Death Metal.
Na resenha do CD Iron Blessings, em dezembro de 2010, comentei da necessidade nos sons mais pesados das pausas e quebra rítmicas, que geram inversões nas guitarras e nas músicas propriamente ditas. Pois bem, Max e sua trupe aplica a teoria a dar com pau em BFT, oferecendo inúmeros momentos de agradáveis surpresas e inversões que além de puxar o ouvinte de volta sustentam a evolução do álbum como um todo; percebe-se essas interferências nas faixas "Burn Waco" (1:07 e 2:05), "Rasputin" (00:50), "Killing Inside" (1:43) e na faixa título (1:08 a música da uma guinada inusitada com direito a um show a parte com protagonização das guitarras).
Destaque para a regularidade do álbum e para as ótimas músicas "Killing Inside", "Blunt Force Trauma" (fodastiquíssima à partir dos 1:08, fazer aquele verso de tappings/trinados suportando os vocais e depois os solos foi fora do comum...putaquipariu de foda essa merda!!) e a melhor de todas sem resquício de dúvidas, "I Speak Hate" (favor, prestar atenção). Essas partes destacadas + os fatores de produção colocam esse álbum como o melhor disco de música realmente (realmente mesmo) pesada dos últimos 10 anos.

Nota 7,9 ou \m/\m/\m/\m/.

Já que não consegui me conter no quinto parágrafo, vou concluir o pensamento esboçado... 
Após a saída do Max do Sepultura a banda lançou álbuns atrás de álbuns que, independente da qualidade e capacidade de Derrik Green, não vingaram como os clássicos imortalizados do grupo criados na década de 80/90. 
O Andreas (a quem eu particularmente admiro muito, como guitarrista e músico) diz pra todo mundo em alto e bom som que a banda preferiu modificar seu estilo e progredir sua sonoridade....só que não sei não.... 
Li em uma entrevista recente na qual ele foi questionado sobre o trabalho dos irmãos no Blunt Force Trauma e o cara-de-pau não perdeu tempo ao lembrar (com um tom muito sóbrio, inclusive) do trabalho paralelo de música eletrônica "Mixhell" do Igor: "os olhos deles brilham quando ele faz isso, ele está em outra agora ...". Pra mim se tratou de uma alfinetada inteligente do sr. Kisser. 
Fato é que escutar o Blunt Force Trauma me trouxe muito mais satisfação e sentimento nostálgico do auge do Metal pesado nacional, do que por exemplo, escutar Kairos (que é longe de ser ruim); ou seja, fica muito claro pra mim que as raízes da criatividade do Sepultura foram arrancadas pelo Max, que traduz muito bem as antigas características do Sepultura nos seus vocais guturais em consonância com suas base de guitarra.
Se os olhos de Igor "brilham" enquanto faz música eletrônica, o verdadeiro Metal vive em Max Cavalera.


Phantom Lord
  Talvez eu já tenha citado tais assuntos mas lá vamos nós de novo... 
Não sou estudioso de música alguma, mas imagino que todo tipo de música é constituído de elementos e/ou características como melodia, rítmo, timbre etc... Existe um gama, ou possibilidade de variação gigantesca destes elementos e cada um é livre para escolher o que usar e como usar. 

 Um estilo ou gênero musical é um determinado grupo de músicas, limitado pelos tais " elementos" e por instrumentos musicais específicos. Desta maneira podemos concluir que dentro do Rock temos algumas limitações e dentro de suas ramificações ou gêneros temos mais limitações que definem o tipo de música. 

 Quando uma banda de um gênero já limitado por suas escolhas de instrumentos e "elementos" musicais (vulgarmente conhecido como Heavy Metal) escolhe limitar uma das linhas sonoras que mais se destacam para a maioria dos ouvintes (o VOCAL), ela está limitando uma das principais "linhas" que permitiria uma boa variação melódica e/ou rítmica. O vocal urrado é ideal para passar sensações/sentimentos do tipo ira, fúria e talvez se for utilizado num tom mais sombrio ou ritmo mais lento, pode passar a "idéia" de temas de terror e afins... e só. 

A idéia em Blunt Force Trauma me parece clara: Fúria. E o vocal NÃO está em segundo plano, mesmo porque o aparente líder do grupo deve ser o próprio vocalista. Daí temos uma limitação imposta sobre todas as demais linhas sonoras e suas respectivas gamas de variações rítmicas e melódicas. Quase tudo gira em torno da "fúria vocal", forçando milagres acontecerem para que exista uma boa variedade de músicas dentro deste gênero (Thrash/Death Metal) onde o Cavalera Conspiracy se encontra. O problema de linhas instrumentais girar em torno de vocais limitados existe em diversos outros álbuns de outras bandas de rock/metal e Blunt Force Trauma é só mais um trabalho com esta característica negativa. 
Enfim, não importa o quão limitado é o tipo de música de uma banda, sempre podem existir admiradores e fãs, porém existem pouquíssimos trabalhos das categorias Groove / Death Metal que eu consigo "gostar"...

 Warlord 6,0 
Torture 5,2 
Lynch Mob 5,0 
Killing Inside 7,0 
Thrasher 5,7 
I Speak Hate 6,2 
Target 6,6 
Genghis Khan 5,8 
Burn Waco 5,4 
Rasputin 5,6 
Blunt Force Trauma 6,0 

 Nota final: 5,8

The Trooper
3Muito diferente de Sepultura e ao mesmo tempo muito parecido. Os trechos que lembram Sepultura lembram o Arise, dos trechos diferentes, alguns lembram nu metal ou mesmo death metal, e alguns trechos não lembram absolutamente nada mas são muito bons. Os destaques são alguns riffs de guitarra muito bons e os vocais destruidores de Max Cavalera, mesmo quando ele sai do estilo que usava no Sepultura, o resultado é no mínimo aceitável. É um trabalho estranho, da primeira vez que você ouve ele não é totalmente digerido, aqui é melhor usar a técnica dos ruminantes, como uma verdadeira vaca, fui degustando as músicas várias vezes regurgitadas até me acostumar com o gosto e por que não, apreciar. Algumas quebras de ritmo e paradas enfraquecem algumas faixas boas (como I Speak Hate), ao mesmo tempo que fortalecem outras (Burn Waco).
Outro efeito estranho é que eu aproveitei mais o álbum como um todo do que por faixas separadas, a somatória de todas as faixas dá um sentido de conclusão que talvez não seja preenchido se apenas uma faixa for escutada. Enfim, é bom ter este álbum na coleção, é certeza de sair da mesmice e com boa qualidade.
Por fim, méritos para a faixa Killing Inside, a mais diferente e a mais legal do álbum.

Nota: \m/\m/\m/\m/

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Metallica - Kill' em All

O álbum Kill' em All, lançado em 1983 pela banda Metallica, foi escolhido por the Trooper para análise.


Phantom Lord

Metallica mais uma vez... Depois de 3 anos de Metalcolatras, a banda favorita do Mercante voltou. 
Bom, o primeiro álbum do Metallica foi "sobre-escutado" como vários outros desta banda, não só por mim, mas provavelmente pelos demais metalcólatras também. 
Eu ouvi o Kill em All pela primeira vez há 15 ou 16 anos atrás, mas obviamente não foi o primeiro disco do Metallica que eu ouvi, pois eu acredito que comecei a conhecer esta banda pelo Black Album, como muitas outras pessoas naquela época (por falta de opção). 
E por causa disto, minha primeira impressão foi de que o Kill em All era um trabalho muito tosco... Até é tosco, principalmente se prestarmos atenção nas letras um tanto fúteis de várias faixas... Porém depois de ouvir algumas vezes, qualquer bom "rockeiro" ou "metaleiro", consegue perceber uma certa complexidade nas músicas, pois Kill'em All não é um thrash lado b sem técnica e apenas rápido e sujo. 
Os integrantes da banda (ao menos a maioria deles) são bons músicos e bem inspirados, o que faz com que as pauladas deste álbum transmitam o tal do "feeling". Apesar do vocal de James na época ser semelhante ao de um pequeno cãozinho nervoso, praticamente todas músicas do Kill em All são de "banguear". Pode não agradar "pop-rockers" e "não-rockers", de resto se o indivíduo realmente gosta de heavy metal, deve gostar de alguma música do Kill em All. 
 Enfim, os caras do Metallica acertaram no Kill em All, depois foi só ir aprimorando alguns detalhes até a banda atingir seu auge no Master of Puppets. 
Uma pena que o Lars está mais para um empresário-explorador do que para um músico de Heavy Metal, daí todos sabem o que aconteceu com o Metallica dos meados dos anos 90 para cá... 

Hit the Lights 9,0 
The Four Horseman 8,9 
Motorbreath 7,8 
Jump in the Fire 8,0
Pulling Teeth You 7,7 
Whiplash 9,5 
Phantom Lord 8,6 
No Remorse 8,6
Seek & Destroy 9,6 
Metal Millitia 8,6 

 Modificadores: 




 PS.: Mechanix não é melhor do que Four Horseman. 

 Nota final: 8,9


The Magician
Se, como alguns acreditam, o blog tem uma proposta implícita de apenas homenagear a banda Metallica, esta será a postagem de encerramento do site, já que com post do Killem All completa-se aqui a resenha de toda discografia clássica da banda (entende-se a discografia que realmente vale a pena da banda - os cinco primeiros álbuns).
Mas na verdade não acabará aqui, apenas acho, que se os críticos tiverem bom senso não veremos Metallica tão cedo no Metalcolatras...
Sobre o primeiro álbum da banda, há um consenso entre a maioria dos metaleiros sobre sua importância e influencia nos trabalhos do gênero trash metal lançados posteriormente.
Minha opinião particular não contraria essa maioria, mas acho que o Metallica embora fundamental, foi apenas mais uma banda que fortaleceu o estilo na época, e obviamente existiria um cenário Trash Metal sólido da mesma forma caso não houvesse a existência do inoxidável "Killem All". Ou seja, o Metallica evoluiu sua capacidade e qualidade de composição a ponto de atingir um nível realmente acima da média apenas a partir de seu CD posterior, "Ride the Lightning"; sendo assim é natural entender que o fã que escutou esta obra (debut) após ser apresentado aos discos posteriores do Metallica, se torne gradualmente mais adaptado ao disco até que acolha completamente sua sonoridade rústica e áspera. Da mesma forma que é compreensível a não aceitação dos trabalhos após Killem All por parte dos fãs que nasceram com o Metallica nesta época. 
Fato é que o primeiro CD do Metallica é um excelente disco de Trash raiz com pancada absurda atrás de pancada absurda e com algumas músicas com razoável aplicação de técnica instrumental (cortesia principalmente de Mustaine) que são as principais responsáveis por fazer dele um trabalho surpreendente, principalmente se levarmos em consideração a produção quase precária da época. Nesse composto de pancadarias históricas, acredito que os grandes destaques são "The Four Horseman", "Seek and Destroy" (a primeira música que tirei na guitarra), "Jump in the Fire" e "No Remorse".
Mas todas as demais são de respeito e não descartaria nenhuma outra faixa, nem mesmo a super-ultra-mega-britadeira-atômica "Metal Militia" que passa a impressão de que foi colocada no final de modo a exagerar na exposição do modo extremo de tocar da banda naquela época. Diga-se de passagem, todas composições de Killem All que foram interpretadas ao vivo posteriormente em fases mais maduras dos norte americanos, em minha opinião, ficaram melhores no que diz respeito aos timbres das guitarras e dos vocais.
Kill'em All é cru, bruto, visceral mas acima de tudo essencial, tanto para os trashers da época quanto para ser o primeiro tijolo da construção sólida que seria a carreira da banda nos dez anos subsequentes.

Aproveitando o ensejo, Seek and Destroy é até hoje, depois de 15 anos tocando guitarra, a música que mais dá tesão de tocar.

Nota 8,9 ou \m/\m/\m/\m/.


The Trooper
3Por que Kill' em All? Bem, estava sem ideias, e como comentei em um post recente, era estranho o 1° álbum do Metallica não ter sido resenhado ainda, e eu o considero pai do thrash metal. É bom ter o marco inicial aqui para comparação com outros trabalhos.
Muito já foi dito pelos dois seres que resenharam antes de mim, então resta apenas citar alguns pontos que considero importantes. Note o solo de Cliff Burton em Pulling Teeth, ele foi contratado justamente porque Hetfield e Lars ouviram isso enquanto o baixista tocava com sua banda na época (Trauma). Duas das três músicas que considero as melhores do álbum (Four Horsemen e Jump In the Fire) possuem o nome de Mustaine nos créditos. E sim, ao contrário de FFF, Mechanix NÃO é melhor do que The Four Horsemen.
Um clássico do heavy metal, todas as faixas são muito boas, com destaque para The Four Horsemen, Jump In the Fire, e claro, a viciante Seek & Destroy (uma das poucas músicas no universo que eu decorei pelo menos metade da letra).

Nota: \m/\m/\m/\m/


 Hellraiser
3Nem deveria comentar sobre este álbum, …já visto a enorme gama de elogios dos Metalcolatras, porém já que é um dos álbuns que mais escutei na vida, me dou o direito de escrever também. 
O álbum em si já recebe vários créditos pelo fato de ser o primeiro álbum de Thrash Metal a ser lançado, termo este, que na época de seu lançamento, nem existia ainda. 
Conheci a banda pelo mega clássico ``Master of Puppets`` e logo corri atrás dos seus lançamentos anteriores, e ambos me satisfizeram muito também. 
Lembro quando escutei o ´´Kill`Em`All`` pela primeira vez, ....mais tosco e com a produção bem inferior aos outros dois álbuns da banda, ...porém achei sensacional aquela sonoridade mais cru, mas muito bem feita. O álbum não tem momento ruim, destacaria talvez, duas faixas que seriam MUITO acima da media do disco, como a ``The Four Horsemen`` ( sim, muito melhor que a The Mechanix ) e a ``Seek and Destroy``, porem TODAS as faixas são excelentes. 
Um mega clássico do estilo, com uma banda esbanjando adrenalina em suas composições, rápidas, pesadas e magníficas para a época. 
Nota 8,9

sábado, 6 de julho de 2013

Sinergy - Suicide by my Side

O álbum Suicide By My Side lançado em 2002 pela banda Sinergy, foi escolhido por Phanttom Lord para análise.


Phantom Lord

Apresentado por Mercante há uns 10 anos, o álbum Suicide by my Side do Sinergy, foi uma surpresa reveladora. Até então eu tinha escutado poucas bandas do gênero com vocais femininos, para ser mais preciso só uma, aparentemente um tanto super-estimada: Nightwish. 
Em algum site da internet vi que o álbum Suicide by my Side se enquadra no gênero “Power Metal”, e tenho que discordar. Talvez se aproxime um pouco, mas está mais para heavy metal puro... e que heavy metal! 
A vocalista Kimberly Goss faz um excelente trabalho, e o melhor de tudo: longe do estilo “Nightwish-to-be” que estava se tornando a mais nova moda na época em que este cd foi lançado. Uma moda cuja a banda Nightwish criou a ignição mas foi liderada pela bandinha-pop de rádio Evanescence. 
Ainda que já tenha passado bandas com vocais femininos aqui pelo blog, acho que vale a pena apresentar o velho Sinergy, pois esta banda apresenta uma sonoridade significantemente diferente do Warlock, do Show-Ya, do Whintin Temptation e do Nightwish. 
O trabalho instrumental da banda também é ótimo, e como um todo, este disco apresenta uma farta e estonteante sequência de porradas! Em minha opinião as 4 primeiras faixas são pulverizadoras e o ponto mais alto é The Sin Trade. 

I Spit on Your Grave 9,0 
The Sin Trade 9,2 
Violated 8,8 
Me, Myself, My Enemy 8,4 
Written in Stone 7,9 
Nowhere for No One 7,9 
Passage to the Fourth World 7,5 
Shadow Island 6,8 
Suicide by My Side / Remembrance 7,6 

 Em praticamente nenhum momento o álbum caí na mesmice e a única faixa mais “fraca” é a Shadow Island em minha opinião. 
 Altamente recomendável pra quem curte heavy metal de verdade. 

 Modificadores: 

 Nota: 8,3

The Trooper
3É uma pena, uma pena que este projeto tenha sido encerrado. Essa moça que já tocou teclado com o Dimmu Borgir, deixou esse instrumento perigoso de lado e usou um talento muito mais raro de ser encontrado, a voz. Kimberly Goss usa um estilo agressivo neste trabalho, que encaixa bem com as músicas, e quando usa um estilo mais suave em Written in Stone, não deixa nada a desejar se comparado ao Within Temptation.
Os finlandeses foram muito criativos neste trabalho, este é o principal ponto a se destacar. Enquanto uma faixa lembra Within Temptation, outra lembra até Guns' n Roses (Nowhere for No One), e uma outra, por que não? Avantasia (Shadow Island). O baixista manda muito bem, e os guitarristas também, cada faixa tem sua identidade sem perder a pegada da banda, e embora não tenham alcançado um álbum perfeito, chegaram perto.
Meu destaque vai para as duas primeiras faixas, I Spit on Your Grave e The Sin Trade, porradas absurdas, dignas das bandas mais tops, e também para a faixa Written in Stone e para a bem bolada Shadow Island.
Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
Demorei um pouco para entrar na onda dos entusiastas Trooper e Phantom, já que inicialmente tive dificuldades de entender a proposta da banda. No entanto, depois de deixar por um bom tempo o repeat do Mídia Player trabalhando acabei absorvendo bem a intenção do grupo. Basta entender que se trata de um som localizado dentro daquela rara área em que o Metal ainda não se projetou para nenhuma subvertente específica, mas ainda se mantém bastante marcante, conforme comentado na resenha do Phantom.
Nos primeiros arranjos já se percebe que o carro chefe do trabalho é com certeza as sequencias dos guitarristas, trazendo e levando fortíssimos riffs recheados com licks super melódicos e cativantes. Os solos são bem definidos e competentes mas ainda não competem com as bases criativas e aceleradas que praticamente traduzem o composto de 10 músicas.
Inclusive, a velocidade acelerada é um óbvio componente do estilo do Sinergy, que por incrível que pareça consegue administrar essa "arritmia" com muita competência sem oferecer nenhum prejuízo às melodias das composições, alias muito pelo contrário. A banda atua super bem nas variações dos tons, com músicas que se definem principalmente por este quesito.
A cozinha (bateria + baixo) faz muito bem sua lição de casa, oferecendo o contorno ideal que cada composição pede.
A vocalista tem um timbre peculiar, mas me lembra muito a diva Doro (Warlock), cantando na maioria do tempo com um timbre mais grave e masculino. Acredito que ela adota esta opção principalmente para performar em uma zona segura de sua voz, em outras palavras não é intenção da moça se arriscar. Mas deixa um rastro interessante de um tipo de vocal que não costuma se escutar por aí no Heavy Metal. 
Enfim, o disco é muito consistente e bom, como critica colocaria apenas o fato que algumas musicas mais cadenciadas poderiam se intercalar entre a pancadaria do "Suicide by my Side". Por causa disso a estrelinha de melhor música do CD vai para "Written in Stone", justamente a mais cadenciada.

Nota 7,1 ou \m/\m/\m/\m/.

P.S: tomei conhecimento da existência do Sinergy há anos atrás quando o extinto programa de Vitão Bonesso da Brasil 2000, o Backstage, utilizava um som da banda finlandesa como sua vinheta de abertura.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Black Sabbath - 13

O álbum "13" lançado pela banda Black Sabbath em 2013 foi escolhido por The Magician para análise.


Faixas: 1-"End of the Beginning", 2- "God is Dead?", 3-"Loner", 4-"Zeitgeist", 5-"Age of Reason", 6-"Live Forever", 7-"Damaged Soul", 8-"Dear Father"
Versão Deluxe - Faixas: 9-"Methademic", 10-"Peace of Mind", 11-"Pariah"

  Phantom Lord

Mais um retorno do Black Sabbath... 
 Um álbum que traz quase toda formação clássica e um número considerável de músicas longas... Em alguns momentos é possível perceber uma aproximação da velha sonoridade "Black Sabbáthica", porém inevitavelmente temos diversas mudanças, afinal os integrantes da banda já estão pra lá de tiozões e a produção dos álbuns atuais é obviamente bem diferente dos álbuns da década de 70. 

End of the Beginning 7,5 
God Is Dead? 7,3 
Loner 7,2 
Zeitgeist 7,0 
Age of Reason 7,0 
Live Forever 7,2 
Damaged Soul 6,9 
Dear Father 7,2 

 Concluindo... Não há muito o que enrolar, 13 traz o que pode-se esperar da banda: é um bom álbum com nada de surpreendente. Zeitgeist é o ponto mais diferenciado, praticamente uma homenagem a viagem Planet Caravan de 1970. 

 Nota: 7,2

The Magician
Os anciões do Metal enfim ressurgiram das trevas trazendo à luz seu mais novo trabalho: 13, celebrando o auspicioso décimo terceiro ano do novo milênio.
Ao acompanhar tamanha expectativa e assédio da mídia comum em torno desse lançamento,  percebemos a importância que a banda dos sexagenários tem para o cenário da música contemporânea. A divulgação do trabalho repercutiu tanto que o Black Sabbath voltou ao topo das principais paradas americanas e europeias, coisa que não acontecia desde seus anos dourados.
E esse reconhecimento talvez tardio (mas justo, e baseado principalmente no fato de que a banda inglesa  foi a maior contribuidora para a criação do gênero de música pesada no decorrer da história) com a valorização "a posteriori" dos artistas, lembra muito o que acontece comumente com os grandes nomes da arte estética
Mas isso também mostra por um outro lado, como foram reduzidas as possibilidades do panorama atual do rock'n roll, com seus "recursos" esgotáveis e sem peças de reposição suficientes e de qualidade..
Esse prospecto do mercado e da mídia da música sobre "13", poderia ter de uma forma ou de outra maculado o projeto sabbathiano, e no entanto os dinossauros (incluindo o diretor Rick Rubin) tiraram isso de letra quando sentaram em uma mesa para enfim começar a definir as primeiras linhas do álbum,  priorizando apenas uma coisa: os fãs.
Digo isso porque ao meu ver existe um vínculo realmente muito forte desse disco com os escritos e criados durante os anos 70 por esse mesmo line up (com exceção de Bill Ward). Para isso com certeza muita coisa foi trabalhada no âmbito de produção, pois não é tão fácil quanto se parece moldar harmonias semelhantes àquelas nos equipamentos e tecnologias atuais, digo, de forma com que de fato soem da mesma maneira e com as mesmas características de crueza daqueles trabalhos clássicos de outrora, sem que se entregue um resultado boçal.
Por causa disso percebe-se claramente que a intenção principal da banda era de ser fiel e resgatar a musicalidade e o modo de composição em sua fase áurea dos 70's, mantendo seus principais atributos em evidencia, e ignorando a alcunha de "criação datada" que essa escolha pudesse invocar. 
Fizeram isso com muita competência, afinal.
Ainda sobre as decisões e fatores de produção, houve muita coerência e maturidade no planejamento de cada canal dos instrumentos. A prioridade na mesa de equalização não poderia ser outra: a guitarra de Iommi. Suas bases determinam os caminhos a serem percorridos pelos vocais e até qual será a interpretação das linhas de baixo, e sempre, sempre mesmo, distribuindo frases notáveis que só poderiam ser originadas pelo tino do "riff master" do Metal. 
Mr. Butler mesmo seguindo os passos seguros da guitarra, experimenta em algumas passagens e chama atenção sempre na hora certa com suas variações e seus ligados individuais. 
Sobre Ozzy senti sinceridade no seu vocal super gasto, acho que foi até uma imposição dos demais membros e do produtor para que não houvesse muita interferência dos aparatos tecnológicos, visando a consonância na performance da turnê já anunciada. 
Por fim sobra a atuação de Brad Wilk (ex-Rage Against the Machine e Audioslave), que executou a lição de casa de forma exímia, não apareceu mais do que devia e deu à cada música apenas o que era estritamente necessário.
Sobretudo, acho que o grande destaque de "13" tem a ver com a surpreendente solidez do álbum, que é muito sóbrio nos registros instrumentais dando clareza e objetividade ao conteúdo. E mesmo com essa capacidade de sintetização e consolidação, todas músicas - com separações claras de começo, meio e fim - conseguem curiosamente se definir como criações muito bem delineadas e singulares, individualizando assim cada uma das canções. O resultado na pratica é que talvez o conjunto da obra não apresente alguma faixa super sobressalente, mas em contrapartida nenhuma abaixo da média (média-alta, diga-se de passagem).
Já que a missão do Sabbath era de sair de um "Wormhole" e apenas continuar de onde pararam, sem necessariamente exclamar o retorno do hiato ou um prelúdio do fim, seria óbvio que o ponto focal da banda continuasse sendo suas letras de conteúdo de terror, oras bolas. 
Li em alguns artigos da imprensa sobre este álbum, que o discurso de cunho "assombroso" disposto nele, vindo das mentes dos vovôs metaleiros, não era tão convincente para essa nossa época regida pela secularização. Quem interpreta o contexto do disco dessa forma descarta completamente o porquê da existência do Black Sabbath, de toda sua obra e do gênero do Heavy Metal; além de ser trivial na análise, pois é notório que entre algumas letras de terror indiscutivelmente surradas existem textos que provocam os prosaísmos da pós-modernidade ("End of Beginning" e "Age of Reason") e algumas reflexões atemporais que vão além, confrontando a minúscula natureza da realidade humana ao frio do imenso e morto deserto cósmico ("Zeitgeist"), ainda que todas as abordagens se apresentem sob uma visão perturbadora e questionadora.
Após anos em reduto o Black Sabbath volta para os holofotes com um trabalho isento dos anseios externos que não fossem de seu público principal, que esperam acima de tudo fidelidade à sonoridade da banda e sua história, sem descaracterização do modelo sombrio único e genuíno criado pelos doutores em Metal Butler/Osbourne/Iommi.

Nota 7 ou \m/\m/\m/\m/.


The Trooper
3Ninguém pode afirmar que o Sabbath esqueceu as origens, isso é verdade. Mas faltou um pouco de vida nas faixas. A distorção está ok, os riffs também, mas as faixas estão muito parecidas umas com as outras, mal consegui diferenciar a primeira da segunda. No disco 1 a faixa que mais se diferencia é a quarta, Zeitgeist, que lembra Planet Caravan do álbum Paranoid, ou seja, uma viagem. O disco 2 coloca um pouco mais de energia neste trabalho, e por isso, acabo destacando Methademic como a melhor música do álbum.
Enfim, não é um álbum ruim, mas deixa a desejar na quantidade de músicas que se destacam.
Nota: \m/\m/\m/

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Havok - Time Is Up

O álbum Time Is Up lançado pelo Havok em 2011 foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01 - Prepare For Attack; 02 - Fatal Intervention; 03 - No Amnesty; 04 - D.O.A.; 05 - Covering Fire; 06 - Killing Tendencies; 07 - Scumbag In Disguise; 08 - The Cleric; 09 - Out Of My Way; 10 - Time Is Up.

  Phantom Lord
 


Aqui estou eu, quase tão atrasado quanto os demais metalcólatras...

Esta é outra banda que eu provavelmente ainda não tinha escutado: Havok. 
O álbum Time is Up chega com Prepare for Attack, uma música altamente "Kill`em Alled", porém pendendo um pouco para aquele lado Testament, das sombras do thrash metal... 
A segunda faixa segue uma linha bem parecida mas parece melhor trabalhada. 
A terceira faixa segue metralhando quase que aleatoriamente. 
A quarta tem uma intro legal, mas os caras precisam acelerar e gritar mais. Falando em gritos, estes do Havoc ocasionalmente podem se aproximar dos vocais do Mustaine ou do Hetfield do início dos anos 80, mas na verdade, durante grande parte do tempo se aproxima de algo mais forçado e escrachado como Children of Bodom (que passou aqui no blog, meses atrás). 
Depois de uma repetição sonora na quinta faixa, temos Killing Tendencies que dá uma boa alternada no ritmo do álbum! 

Prepare For Attack 6,2 
Fatal Intervention 6,7 
No Amnesty 5,2 
D.O.A. 6,0 
Covering Fire 6,0 
Killing Tendencies 7,0 
Scumbag In Disguise 6,9 
The Cleric 6,8 
Out Of My Way 6,0 
Time Is Up 6,0 

 Resumidamente, acredito que se o estilo do vocal fosse menos gritado, praticamente todas músicas receberiam notas mais altas. No fim das contas acho que serviu para conhecer a banda... Que tem seus bons momentos. 
 Nota: 6,2  

The Trooper
3Não há como ouvir Time is Up sem se lembrar de Kill'em All, álbum que, miraculosamente, ainda não foi resenhado em nosso blog. Logicamente, Kill'em All é O marco do thrash metal, o ponto de referência para qualquer um que tente se embrenhar nesse meio, portanto não vou crucificar a banda por isso, muito pelo contrário, eles se viraram bem em um meio em que você tem grande chance de cair em uma mesmice barulhenta (ninguém aqui está dizendo que mesmice barulhenta não pode ser legal, mas barulheira sempre igual enche o saco).
O segundo álbum do Havok foi bem aceito pela crítica, de acordo com a wikipedia, com alguma razão ao meu ver. Embora o vocalista apenas se sustente como o básico do thrash, o bumbo duplo da bateria sempre causa algum efeito positivo, riffs de guitarra base e solos de guitarra muito bons se espalham por todo o trabalho. Talvez tenha faltado apenas, juntar esses riffs e solos legais em uma faixa coesa.
De qualquer maneira, energia não faltou, e esse é o ponto mais positivo, pancada pra tudo quanto é lado, com criatividade e foco.
Destaque para D.O.A. (a primeira música que eu ouvi da banda, apresentada por um amigo da faculdade), Killing Tendencies (conseguiu ser chiclete de uma maneira positiva), e The Cleric (a melhor do álbum).
Ainda espero coisas boas dessa banda.
Nota: \m/\m/\m/\m/

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Kiss - Creatures of the Night

O álbum Creatures Of The Night lançado pelo Kiss em 1982 foi escolhido para análise por Phantom Lord.


Phantom Lord


Ok, não se trata de uma banda de “heavy metal”, mesmo porque, o Kiss surgiu antes desse termo virar “moda” (ou antes de ser considerado um gênero musical). 
Estou postando o Creatures of the Night porque creio que seja o disco mais “pesado” e possivelmente o menos entediante do Kiss, não que eu conheça muito da discografia desta banda: Além de músicas que tocaram no rádio, ouvi apenas este disco, o Destroyer e uma coletânea.
 O álbum abre com a faixa título, que em termos de Kiss, até é um “rock pauleira”, com uma dose moderada de agressividade em seu ritmo. 
Saint and Sinner é mais parada e ocasionalmente apresenta breves gritos bregas em seu decorrer. 
Keeping Coming traz mais um pouco do ritmo e vocais cafonas, típico da época. O refrão até que chega a ser grudento, mas esta música não deve agradar quem está esperando por um rock pesado ou veloz... 
Rock and Roll Hell tem uma boa introdução... mas poderia se desenvolver de uma maneira mais interessante. Na verdade uma das partes mais paradas onde pode-se ouvir o som do baixo, acabou me lembrando Manowar... 
E falando em Manowar, para mim o Kiss é seu equivalente no mundo do Rock and Roll / Hard Rock. Pois as duas bandas parecem ter grande preocupação com suas imagens, em outras palavras, ambas são bandas cheio de pose. E para mim, bandas cheio de pose são... Posers. 
A diferença (além do estilo musical) é que os integrantes do Manowar acreditam que o heavy metal não é música e sim o tal estilo de vida. Já o Kiss é formado por negociantes natos e negociantes se interessam por dinheiro / grana / bofunfa! Apesar dos pesares, esses fatores não impedem que uma banda consiga criar músicas boas... Podem até atrapalhar com certa frequência, mas não podem impedir. 
Ah... eu estava falando das músicas desta grande “business band”... Danger... legal, mas talvez por causa de seu nome, esta música deveria ser mais pesada ou veloz. 
Love It Loud: Esta música sozinha carrega o álbum nas costas! Talvez até carregue toda a discografia do Kiss. Sem dúvida a melhor do álbum e talvez a melhor entre todas músicas feitas por esta banda. Genial! 
I Still Love You é a romântica do álbum. Pelo menos o som a lá tecladinho da parte “morta” da música me pareceu trilha sonora de um dos jogos da série Ninja Gaiden. Enfim, não sou fã deste tipo de música depressiva. 
Killer é uma boa música e War Machine encerra o álbum “segurando a bronca”. 

Creatures of the Night 8,0 
Saint and Sinner 6,0 
Keep Me Comin' 6,8 
Rock and Roll Hell 6,3 
Danger 6,5 
I Love It Loud 9,8 
I Still Love You 5,8
Killer 7,8 
War Machine 7,4 

 Modificadores: 





 Nota final: 7,3


The Magician
K.I.S.S - "Knights in Satan's Service" no blog Metalcólatra!
Depois de uma verdadeira "era" de existência do blog, os americanos emplacaram uma resenha em nosso fórum. Essa demora se deve principalmente à ideia que o KISS é uma grande influencia do Metal, mas não seria integrante desse gênero propriamente dito, flutuando naquela antiga zona de intersecção entre o HM, Hard Rock e Rock Clássico (acho que o Scorpions sofre de um problema parecido).
A banda tem muita história, talvez seja a banda com mais história em toda a cena e por isso se torna muito mais interessante escrever sobre o grupo, ao invés do álbum exposto, obviamente. 
Mas focando apenas o "Creatures of the Knight" percebemos que se trata daqueles lançamentos com apenas um superhit + 2 ou 3 bons sons e com miolo de pão preenchendo o resto. Não é nem preciso dizer que o grande  hit é "I Love it Loud", realmente um ponto fora da curva se destacando não apenas como um sucesso da banda, mas como um grande som dessa época (louros ao Gene Simmons). Como boas músicas do CD seguem a faixa título e a música "Keep me Coming'" as outras não fedem nem cheiram, talvez possa ser detectada alguma criatividade em "War Machine", sendo que "I Still Love You" é uma bosta completa.
Percebe-se  também no seu decorrer que "Creatures of Night" possui uma variação razoável nos estilos das canções, com certeza essa característica da produção reflete o simples fato da interferência de vários músicos/produtores envolvidos, são nada menos do que oito assinaturas de compositores nos créditos da obra.
No fim o resultado sai com os temperos básicos da banda, ou seja, como descrito acima: um mix do HM+Hard Rock+Rock Clássico.
Como performance o disco é bem equilibrado, sem nenhum desfile virtuoso ou (fora I Love it Loud) momento brilhante, na verdade se trata do esperado e recorrente nos trabalhos do KISS já que se trata de músicos polivalentes, mas sem nenhum especialista presente.
Fato é, que fora aqueles sucessos acima do bem e do mau que a banda criou, tenho uma impressão bastante reticente quanto à qualidade das músicas do KISS, que foi por muitos e muitos anos a menina dos olhos da indústria fonográfica norte americana. A imagem da banda com seus figurinos caricatos e mascarados (roubados sim senhor, do grupo brasileiro "Secos e Molhados") é a personificação do Show Business, uma imagem vitrificada do Rock Star egocêntrico e espalhafatoso, herói, anti-herói ou vilão; produzida em série, enlatada, colocada em prateleiras e vendida para as massas. 
Um produto estritamente comercial como esse dificilmente vai carregar conteúdo realmente significativo, seja qual for o nicho em questão.
Mas admito que é ponto para o KISS quando o assunto é (ou foi)  atrair o público mais jovem e adolescentes para o Rock n Roll... nisso o grupo realmente compete.
Fora isso é isso mesmo.
Nota 6.7 ou \m/\m/\m/  

The Trooper
3Kiss parece ser uma daquelas bandas de coletânea, mas não tenho propriedade para afirmar pois só conhecia uma coletânea e o álbum em questão. Uma coisa eu posso afirmar: os caras podem não acertar o tempo todo, mas quando acertam, se segura que vem bomba na orelha. 

Neste trabalho eu acho que acertaram em pelo menos quatro faixas: Creatures of the Night, I Love it Loud, Killer e War Machine. Os créditos vão para as pancadas que Eric Carr distribui pelo álbum, algumas linhas de baixo e distorções de guitarra somadas a vocais manjados que se encaixam bem na maioria das músicas.

As letras como de se esperar, não possuem muita representatividade, dividem-se nas manjadas "endemonhadas", putanheiras ou melosas.

Outra característica da banda (que pode ser considerada qualidade por alguns), é sua capacidade de misturar o pop com o pesado e conseguir chegar até os ouvidos de pessoas sem afinidade com heavy metal ou mesmo rock.

Por fim, recomendo que você procure todas as músicas legais dos caras em sua discografia e monte uma mega coletânea, espero conseguir fazer isso eu mesmo, um dia desses.

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Já que o Magician citou os créditos, segue trecho da wikipedia abaixo:

Track listing

No. Title Writer(s) Lead vocals Length
1. "Creatures of the Night"   Paul Stanley, Adam Mitchell Stanley 4:02
2. "Saint and Sinner"   Gene Simmons, Mikel Japp Simmons 4:50
3. "Keep Me Comin'"   Stanley, Mitchell Stanley 3:55
4. "Rock and Roll Hell"   Simmons, Bryan Adams, Jim Vallance Simmons 4:11
5. "Danger"   Stanley, Mitchell Stanley 3:54
6. "I Love It Loud"   Simmons, Vinnie Vincent Simmons 4:15
7. "I Still Love You"   Stanley, Vincent Stanley 6:06
8. "Killer"   Simmons, Vincent Simmons 3:19
9. "War Machine"   Simmons, Adams, Vallance Simmons 4:14
Uncredited musicians Vinnie Vincent – lead guitar, backing vocals on "Saint and Sinner", "Keep Me Comin'", "I Love It Loud", "Killer", and "War Machine" Bob Kulick – lead guitar on "Danger" Robben Ford – lead guitar on "Rock and Roll Hell" and "I Still Love You" Steve Farris – lead guitar on "Creatures of the Night" Mike Porcaro – bass guitar on "Creatures of the Night" Jimmy Haslip – bass guitar on "Danger"

 Hellraiser
3Minha banda do coração ! Pelo menos nos anos 80 ! 
Essa é a banda que me introduziu no mundo do Rock e Metal, assim que vieram ao Brasil, em 1983. 
Esse foi o primeiro LP que tive em minha vida. 
Isso é totalmente nostálgico para mim, e confesso que sendo assim, eu AMO de paixão isso. 
É farofa, sim, é !!! 
Mas aqui a banda passeia FACILMENTE pelo Heavy Metal, talvez um dos discos mais pesados do Kiss, juntamente com seu secessor, o ``Lick it Up``. 
Porem foi o álbum que jogou o Kiss em definitivo na mídia, sendo que a banda estava em baixa, por causa de alguns lançamentos bem inferiores, vinham caindo muito nas vendas, no publico, então resolveram lançar um disco com volta as raízes, sem experimentalismos, puro Rock`n`Roll pesado e fazer uma longa turnê de divulgação do disco. 
Tiro e queda !!! 
O show aqui do Brasil reuniu o maior publico do Kiss até aquela data. Recorde absoluto ! 
E os caras não fizeram por menos, sendo que seus shows são verdadeiros espetáculos pirotécnicos. 
Quanto ao disco em questão, .....a faixa titulo, ``Rock´n´Roll Hell``, a excelente e mega conhecida ``I Love it Loud``, a rápida ``Killer`` e a excelente e pesada ``War Machine`` fazem desse trabalho, um digno álbum de Hard/Heavy do mais alto gabarito das bandas dos anos 80. 
A banda na sua MELHOR fase !!! 
PS: Ace Frehley aparece creditado na capa, porem já perdido em drogas e descontente com seus companheiros de banda, não gravou nenhuma musica, sobrando para o guitarrista Vinnie Vicent, o qual veio junto com a banda ao Brasil, e também gravou o álbum seguinte ``Lick it Up´´. 
Nota 8,5

terça-feira, 7 de maio de 2013

Crimson Glory - Transcendence

O álbum Transcendence lançado pela banda Crimson Glory em 1988, foi escolhido para análise pelo MetalMercante




Phantom Lord

Mais um álbum de uma banda classificada como "progressive metal" dos anos 80... 
 O álbum inicia-se com a música Lady of Winter, um bom heavy metal com "pitadas melódicas"... e segue com músicas diversificadas mas nenhuma longa viagem... Em outras palavras, nada muito progressivo, o que para mim está bom... 
 Acredito que os destaques sejam as faixas Burning Bridges (talvez a faixa mais "prog" deste disco) e Eternal World, que além de interessantes, mostram que a banda não se perde enchendo suas músicas com quebras de ritmos desconexas (gracias!). 
A sonoridade deste disco do Crimsom Glory, parece variar de Led Zeppelin ao Queensryche contendo pitadas de heavy metal a lá Judas Priest com uma inclinação melódica... Ou seja, pode-se notar a influência de várias bandas nas músicas do Transcendence, mas como eu já devo ter afirmado em outra resenha, não há problemas quando os músicos conseguem criar algo inovador a partir de sonoridades ou canções já existentes. 
 Afinal o importante é que não fique parecendo cópias descaradas... Neste caso, os caras do Crimsom Glory, acertam bastante, exceto pelas faixas In Dark Places (parece Perfect Strangers em vários momentos) e Masque of Red Death (esta última é nitidamente "Powerslaved"!!). 

Lady of Winter 7,7 
Red Sharks 7,5 
Painted Skies 7,5 
Masque of Red Death 7 
In Dark Places 6,2 
Where Dragons Rule 7 
Lonely 6,9 
Burning Bridges 7,8 
Eternal World 8 
Transcendence 7,2 

 Concluindo: Este não é um álbum do tipo porrada nem muito pesado, mas para quem curte "progressivo acessível" ou "rock/metal dos anos 80", vale a pena conferir! 

 P.S.: Acho que um segredo para achar músicas boas no fim do disco é ouvir ele em ordem aleatória uma das vezes ao menos, como eu fiz um vez com o Trascendence. 

 Nota: 7,4  

The Trooper
3Mais um álbum de progmetal no blog, o que acontece com o Mercante ultimamente? Wake of Magellan, Awaken the Guardian, Chameleon (!!?!?!?) e agora Transcendence, será que é isso, ele transcendeu sua existência como "true" metaleiro epopéico? Ou será que depois de seu casamento, seu coração de pedra amoleceu? Que meigo!
Patifarias à parte, ao contrário de Awaken the Guardian, do Fates Warning, Transcendence é bom, pelo menos no começo do álbum, a banda faz um progmetal dinâmico, com certa velocidade, talvez até flertando com power metal. O vocalista é muito bom, me lembra Savatage ou Queensryche, e a banda no geral também. Não sei por que, mas gostei mais do álbum quando ouvi com meu fone de ouvido que intensifica os graves, a linha de baixo fixou bem legal, em Masque of The Red Death, alguns trechos me lembram até Iron Maiden. Os solos de guitarra também são um destaque, o começo de Where Dragons Rule me trouxe boas lembranças de Blind Guardian.
O álbum dá uma desacelerada da quinta faixa (In Dark Places) em diante, e quando volta a acelerar em Eternal World, a penúltima, o faz de maneira caótica, com várias quebras de ritmo (comuns no progmetal e metal melódico), mas com exceção de alguns refrãos que parecem que a agulha do toca-discos pulou, essa é a única quebra de ritmo que aparece. Portanto as melhores faixas do álbum são as quatro primeiras, que seguraram a nota do álbum, com um destaque especial para Red Sharks, a melhor do álbum (aliás, acho que o Mercante escolheu este álbum só por causa da letra dessa faixa, para me cornetar). E por falar em letras, a maioria é bem viajante, e os temas variam bastante, mas no fim se trata de uma obra lírica razoavelmente melancólica.
Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
A Wikipédia coloca a banda americana "Crimson Glory" ao lado do Queensrÿshe e do Fates Warning como uma das progenitoras do gênero de Metal Progressivo norte-americano, eu incluiria nesse ilustre grupo de bandas o Savatage, que inclusive, teve membros que tocaram projetos ao lado de músicos do Crimson Glory. 
Logo percebemos que Merchant (nosso querido critico super-criterioso) tem particular afinidade com as bandas desse micro-núcleo do Heavy Metal, e que com sua generosidade e sabedoria, procura sempre que pode compartilhar deste conhecimento conosco.  
Obrigado professor Merchant... eu não conhecia o trabalho da banda, e confesso que embora o estilo de música não traia este movimento de metal prog no qual não sou exatamente fã, o resultado final do trabalho me surpreendeu.
O vocalista "Midnight" (falecido em 2009, era chegado numa cana...) era um ponto fora da curva, com uma capacidade de alternância na voz que era simplesmente fora de série, com certeza registrou as linhas de maior destaque no CD em questão. 
O trabalho instrumental é muito bom, desde o baixo e bateria até as linhas de guitarras, que em seus momentos de maior criatividade criaram uma trinca de alta qualidade: "Lady of Winter", "Lonely" e "Masque of Red Dead". O disco com certeza não se resume a isto, mas com certeza esta é a crista do álbum, que está exatamente no meio do trabalho e serve afinal para "trazer o ouvinte" para dentro do CD e criar o interesse para que continue escutando até o final. 
O que infelizmente me incomodou bastante e acho que foi determinante para colocá-lo na "vala comum", foram os fatores da produção; desde a equalização muito linear, com todos canais competindo nas mesmas frequências e alturas, quanto a pasteurização das passagens em geral que deixou a sonoridade meio chocha e sem personalidade. Acabou inibindo o potencial da obra, ou por falta de um produtor bom, ou por que algum bacana achou que esse tipo de mixagem ia melhorar a impressão sobre a sonoridade (meu palpite é que faltou um cara bom mesmo).
Com o fechamento desta disciplina "Metal-Prog-Americano" lecionada pelo Prof. Mercante, minha conclusão é que o Metal norte americano dos anos 80 chegou a sinalizar uma vertente promissora de heavy metal que fizesse frente ao estilo Speed/Power europeu, mas tropeçou nas próprias pernas devido o virtuosismo almejado e desmedido, e esbarrou também na concorrência interna do seu mercado de música pesada.
Pena..., pois se essas bandas de fato tivessem virado nessa época nos EUA, hoje com certeza teríamos uma cena muito mais forte e duradoura no Metal Melódico mundial.

Nota \m/\m/\m/ ou 6,9.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Shaman - Ritual

O álbum Ritual lançado pela banda Shaman em 2002, foi escolhido para análise por Magician.



Phantom Lord

Há aproximadamente 10 anos atrás ouvi este cd pela primeira vez. Naquela época eu estava expandindo meu conhecimento sobre o heavy metal e suas raízes... Mais precisamente estava descobrindo as"raízes": muitas bandas de rock e suas músicas dos ano 70-80 através de programações de estações de rádio. Ainda estava difícil explorar ou adquirir o heavy metal pós anos 90... Este gênero musical só chegava aos meus ouvidos via empréstimos de discos de colegas ou de raríssimos programas de rádio (como o Backstage por exemplo). Foi aí que o cd Ritual do Shaman ganhou alguns pontos comigo. Escutei este trabalho um porrilhão de vezes, pois fora o stéreo do covil, eu ainda dependia da conexão de internet discada para buscar músicas, ou seja, eu não procurava / buscava merda alguma na internet... 

Em uma análise breve e mais superficial do álbum Ritual, eu poderia afirmar que é um trabalho com "cara de conceitual" e que não me impressionou tanto como alguns outros cds de heavy metal que descobri na mesma época. O vocalista André Matos já não esbanja seus agudos (que algumas vezes soavam bem forçados e demasiadamente estridentes), os instrumentistas fazem um bom trabalho, a duração das músicas e do disco como um todo não é longa, enfim, Ritual quase não possuí defeitos, logo é um bom álbum. 

É claro que existem N razões para pessoas não gostarem do álbum, mas a maioria das opiniões negativas de supostos headbangers que ouvi sobre este álbum foram infundadas ou meramente birrentas. 

 Ancient Winds / Here I Am 8 
Distant Thunder 8,2 
For Tomorrow 8 
Time Will Come 7,5 
Over Your Head 6,5 
Fairy Tale 6 
Blind Spell 7,5 
Ritual 7,9 
Pride 8,2 

 P.S.: A intro de Over Your Head é na melhor das hipóteses estranha (...para não dizer ruim!), mas ainda bem que esta música se desenvolve muito bem. As vozes nesta introdução parecem falar de patinhos indo além das montanhas...

Nota: 7,6

The Magician

Caros seguidores e seguidoras do blog, esta postagem celebra o ultimo verdadeiro suspiro da cena do Heavy Metal nacional. Em 2002 o gênero em âmbito internacional estava infectado pelo boom das bandas "Nu" e não havia nada acontecendo no sentido de lançamentos de qualidade na cena mais ortodoxa, e para piorar as bandas que até então pareciam percorrer uma curva ascendente de suas carreiras apresentaram nesta época trabalhos bem aquém das expectativas (como o Blind Guardian - "A Night at Opera", Hammerfall "Crinsom Thunder", Raphsody - "Power of the Dragonflame", Sonata "Songs of Silence", etc...).


O agourento ano de 2002 ainda acabaria com mais um piti de Mustaine, sinalizando o desmanche do Megadeth.Mas para aliviar a barra do ano negro, aqui no Brasil um fato pontual mudou essa história, e graças a explosão de egos dos membros do dream-team paulista Angra que acabou causando a separação do grupo. 

Entre 2001 e 2002 essa rescisão de contrato gerou para o público 3 ótimos trabalhos: "Rebirth", "Hunter and Pray" e o disco em questão - "Ritual", justificando aqui a minha tese (exposta no post do Megadeth e reforçada pelo Merchant no post do Bruce Dickinson) de que as fissuras ou reformulações de grandes bandas é o mais produtivo dos métodos de fortalecimento do gênero, permitindo alem da gemulação do grupo, uma especie de motivação criativa baseada no confronto de ideologia musical da parte da "resistência" e da parte dos "amotinados".


Ritual é o exemplo clássico desse tipo de cenário, que inclusive causou reação não proporcional da mídia na época. Me lembro que a expectativa sobre este trabalho era imensa por todas as partes, com algumas provocações mútuas entre os divorciados e entre seus fãs tieteiros, como se podia perceber em workshops e grandes eventos do estilo, como os EXPO Music's da época. O ótimo Rebirth lançado em 2001 serviu como mais lenha na fogueira; afinal, a responsabilidade de um trabalho de repercussão se tornara obrigação na medida que a antiga banda - com apenas dois membros remanescentes, os guitarristas - apresentara um material exímio nos quesitos instrumentais em que foram desfalcados..


Somado a este panorama, estava o fato do Shaman já sair com um grande contrato de gravadora, pois a banda conseguiu suporte de nada menos do que a Universal para gravar seu debut. E há de se admitir que os "cabeças" do selo musical trabalharam muitíssimo bem nos bastidores, já que além das aparições menores como na rede de TV Cultura (sendo esta a primeira aparição, no programa do Gastão Moreira apresentando já em 2011 o single "For Tomorrow"), a banda se apresentou no programa global Altas Horas do Serginho Groisman e ainda por cima promoveu seu trabalho cedendo a faixa "Fairy Tale" como trilha sonora oficial da novela "O beijo do Vampiro", fato obviamente inédito para uma banda de metal nacional.


Pois bem, o disco foi lançado, e atendeu às expectativas criadas. O respaldo do público e crítica foi imediato, confirmado pelas vendas dos ingressos da turnê Ritual live.


Quanto às minhas impressões, foram as melhores possíveis, começando pelo conteúdo gráfico e a contextualização do trabalho. O encarte se vincula obviamente à temática principal do CD que é evocada na maior parte das composições. Os contos e lendas dos povos pré-colombianos foi a escolha da banda, e fornece o conteúdo musical e visual com acabamento impressionante e realizador àqueles que não apenas se atém ao produto sonoro, mas sim às suas coleções materiais.


O ponto mais evidente no entanto é a veia compositora na obra em questão, os músicos estavam tinindo neste quesito. Com preenchimentos mega diversificados nos canais (guitarra e teclados) eles criaram estruturas impecáveis distribuindo muito bem as modalidades de faixas, e conquista o ouvinte música a música, com um repertório riquíssimo para todos os gostos metaleiros: os mais agressivos ("Here I am" e "Pride"), arraigados ("Distant Thunder" e "Over Your Head"), melódicos ("Time Will Come" e "Blind Spell"), atmosféricos ("Ritual" e "For Tomorrow") e por fim os mais melosos ("Fairy Tale").


Não existe nenhum ponto fraco, e os altos na minha opinião estão em "Here i am", "Distant Thunder" e "Ritual", mas sem desprezar simplesmente nenhuma passagem do álbum, forjado meticulosamente nos detalhes pelo guitarrista e ótimo produtor alemão Sascha Paeth (Rhapsody, Kamelot, After Forever).


Individualmente é desnecessário comentar as performances técnicas de Luís Mariutti e Ricardo Confessori, mestres em suas atribuições. O ACHADO aqui é o guitarrista Hugo Mariutti, que se não pode ser admirado pelas suas habilidades de The Flash, deve ser respeitado pela criatividade, entrosamento e dinamismo espantoso para um primeiro trabalho com o resto da equipe. Isso que teve de dar a cara a tapa nos shows interpretando as antigas musicas do Angra, e com todo o respeito ao senhor Kiko Loureiro e ao Rafael Bittencourt, mas mandou super bem!!


A única decepção nas partes técnicas ficou para o maestro Andre Matos, pois justamente no momento após danificar de forma irreversível suas cordas vocais teve que registrar o disco debut do Shaman (provável macumba dos caras do Angra), o que prejudica um pouco o release. Mas mesmo cantando com voz nasal e fanhosa fez o que fez em "Over your Head" e além disso assina por todas as letras do álbum e cria ótimas sequencias no teclado.


O Disco "Ritual" da banda Shaman lançado em 2002 é particularmente nostálgico pra mim, sintetiza toda uma época e me remete aos tempos em que bem ou mal, o cenário metaleiro nos apresentava certo movimento, shows inesquecíveis e lançamentos promissores de grandes bandas. Bom enquanto durou.


Nota 9 ou \m/\m/\m/\m/\m/.

The Trooper
3Mais um trabalho próximo da perfeição. Ritual lembra Fireworks por causa de seu equilíbrio, principalmente na oscilação entre trechos lentos e rápidos, suaves e pesados, embora quando a distorção das guitarras aparece por aqui, é até mais pesada do que o álbum referido do Angra.
O nome da banda, inspirado na música do álbum Holy Land, influi em boa parte das composições do álbum, a faixa título aliás, lembra a faixa original do Angra, mas é dona de um timing e ambientação perfeito, que a torna única.
Ambientação, aliás, é o forte deste trabalho. Todos os instrumentos utilizados e introduções, foram colocados de maneira perfeita (até os patinhos, Phantom resmungão, a importância era colocar crianças, você não queria que elas entoassem algum hino satânico, queria?). Em For Tomorrow as flautas entram até mesmo no meio da música, quase tão bom quanto as gaitas de fole do Grave Digger.
Sobre os integrantes da banda, não tenho muito a dizer, o Magician cobriu boa parte do que eu ia escrever, só mais algumas colocações: essa banda tem apenas um guitarrista, mesmo assim vocês notaram a monstruosidade da base, mesmo quando o guitarrista está solando? (não consigo reconhecer se houve algum trecho em que o guitarrista gravou a base e depois o solo, parece mais é que o Luis é que toca rápido e com alguma distorção). E sobre André Matos, bem, pouco importa se ele estava com caganeira, traqueostomia, se ele é gay, chorão ou o raio-que-o-parta, o cara é um monstro! Ele destruiu nesse cd inteiro, o estilo me lembrou um pouco o Dark Ride do Helloween, pra mim, é indiscutível que esse cara é um dos melhores vocalistas do planeta, e não acho nenhum absurdo discutir quem é melhor: Bruce, Halford ou André Matos. E eu ainda tenho que ouvir do Venâncio que ele não coloca emoção nas músicas...ah, vá tomar no freulis!

Nota: \m/\m/\m/\m/\m/