sábado, 5 de maio de 2012

Aclla - Landscape Revolution

O álbum "Landscape Revolution" lançado em 2010 pela banda Aclla foi escolhido por The Magician para análise.






The Trooper
3
Trabalho sólido. O AcllA começa o álbum mostrando sua cara com uma foto 3x4, a faixa The Totem deixa bem clara a proposta da banda. Os caras fazem um bom heavy metal flertando com o rock moderno, embora a primeira faixa me lembrou um pouco Saxon (o que também demonstra a versalidade do vocalista), mais pra frente me lembrei de Avenged Sevenfold (principalmente em Living for a Dream) e Alter Bridge e pra fechar comparações o álbum termina com a balada Sun n’ Moon que se não te lembrar Led Zepellin é porque nossas mentes funcionam de maneira muito diferente.
Todos os músicos são competentes, e a produção é o ponto forte do trabalho. Vários trechos de solo de guitarra e riffs-base merecem destaque. Obviamente, seguindo meu gosto, o destaque vai para as faixas Ride, Flight of The 7th Moon e Trace (a melhor do álbum).
Dependendo da sua tendência dentro do heavy metal, há uma chance de você dar nota 10 para o trabalho dos caras.
Resumindo: aprovado.
Nota: \m/\m/\m/\m/

Phantom Lord
 
Revolution Landscape ressuscita a velha fórmula do heavy metal com qualidade, sem parecer cópia de trabalhos de outras bandas e sem soar repetitivo. A produção (para um primeiro álbum) está boa e parte instrumental me pareceu interessante, sem exageros e sem mudanças bruscas no ritmo das músicas durante maior parte do álbum. O vocalista manda bem, sem puxar muito para o grave ou para agudo e sem desafinar. Depois de muitas resenhas sempre citando um ou mais defeitos dos álbuns, finalmente escrevo uma sem achar nada pra “descer a lenha”...
Acho que Revolution Landscape quase não apresentou pontos fracos: Em pouquíssimos momentos, alguns trechos das músicas podem parecer meio enrolados, ou que estão ali “só para preencher espaço”. O vocal só fica mais entediante na faixa 9, onde tanto o refrão como as vozes mais gritadas não empolgam...
The Totem 8
The Hidden Dawn 7,8
 Under Twilight Skies 8
 Ride 8,2
 Living For A Dream 7,2
Jaguar 6,5
 Aclla 7
Overcoming 7,5
 Landscape Revolution/Flight Of The 7th Moon 6,8
Trace 8
Beyond The Infinite Ocean 8
Sun n´ Moon 7

Modificadores: 


Nota: 7,9

The Magician
Tomei conhecimento da existência da banda há aproximadamente hum ano via publicidade da revista Guitar Player, própria para bitolados ou chegados ao universo das 6 cordas elétricas. A principio esbocei uma imagem para a banda atrelada ao espaço em que foi divulgada, ou seja, banda para músicos - que significa em outras palavras: chata pra cacete.
Mas esta informação ficou guardada em minha mente: "quando tiver oportunidade vou atrás desses caras", e continuei minhas explorações nos vastos campos do metal, seja por meio de revistas especializadas, papos de boteco/churrasco ou internet. 
Enquanto isso os membros do blog continuaram postando suas sugestões por aqui no Metalcolatras, e me surpreendi com duas postagens específicas: "The Black Halo" do Kamelot e "Days of Defiance" dos gregos do Firewind, bandas de uma geração com a responsabilidade de resgatar o velho e bom metal que hoje em dia anda perdido na multi-fragmentação do gênero, quando não enlatado e vendido como "Heavy Metal de prateleira" pela indústria terminal do Rock. Além disso a postagem de "Crack the Skyie" do Mastodon dentro de suas limitações impostas pelo berço NWOAHM, acabou me despertando para um ponto interessante do mercado recente do Heavy Metal, o fato de algumas bandas se afastarem de uma rotulação específica utilizando múltiplas abordagens do consolidado metal tradicional.
OK, foi então que ressurgiu em minha mente o Aclla mais uma banda desse proclamado "Metal emergente", sem antecedentes ou patronos, preocupados em fazer o que queremos ouvir: um som de qualidade; e as expectativas, por incrível que pareça, foram superadas!
O fato de ser uma banda repleta de músicos de currículo tarimbado me deixou com um pé atrás mesmo durante a primeira exposição do material, na cacetada intitulada "The Totem", primeira faixa do álbum Landscape Revolution; a sensação provavelmente foi causada pela péssima experiência com o álbum "The Skull Collectors" (Hibria) que começa muito bem com "Tiger Punch", para em seguida se perder em uma infindável monotonia super-produzida.
Ao invés disso o Aclla ordena com sabedoria as músicas, alternando as canções de modo que não direcione o disco para uma ameaçadora linha maçante de pancadaria contínua. Mas não se confunda, pois até a faixa 11 do CD você não escutará nenhum timbre suave oriundo das guitarras, e com certeza não terá sossego com a bateria invocadíssima de Eloy Casagrande. 
Em meio dessa barulhenta e intensa viagem de Landscape Revolution, cada passagem se mostra no mínimo interessante e digna de atenção do ouvinte, mas vou antecipar um resumo.
Os pontos mais extremos do álbum estão por conta da faixa de abertura "The Totem", a quarta faixa "Ride" e a nona faixa "Flight of the 7th Moon", o trabalho das guitarras e baixo são exímios, mas são quase que naturalmente ofuscados pela maestria das baquetas e principalmente dos pedais comandados em sincronia alienígena criada pelo baterista do grupo (19 anos?!! wtf??); 
Os contra-pontos desses "pináculos" se apresentam de diversas formas, sendo que "The Hidden Dawn" e "Under Twilight Skies", respectivamente a segunda e terceira faixas, podem ser entendidas como leituras virtuosas sobre o metal moderno, com intenso uso das guitarras de timbres sintetizados, e grooves/swings rachados e assimétricos. Os "beats" também são trabalhados para atuar na direção de uma roupagem atual, e para isso utilizam distorções de mesas e artifícios de produção (alguém mais aí se lembrou de DK Country 2 - SNES, no início da faixa 3??).
O quinto som da lista: "Living for a Dream" herda parte desta modernidade para apresentar sua parte introdutória, delegada ao lead de baixo acompanhado pelos guitarristas chutando harmônicos artificiais nos riffs de verso, e então de forma progressiva mergulha em um refrão de metal melódico que imediatamente relembra os grandes hits do Angra; neste mesmo modelo atua a faixa "Overcoming", um artigo de auto-ajuda transformado em power - melódico.
As partes mais enraizadas na infalível fórmula do consagrado Power/Speed Metal são as coesas "Trace" e "Beyond the Infinite Ocean", ótimos refrãos, linhas instrumentais, conduções/inversões, solos, melodia, enfim... tudo se encaixa perfeitamente na medida, sem exageros ou ausências.   
As duas músicas ainda não mencionadas são as que mais destoam do conjunto- "Jaguar" e "Sun n' Moon" - a primeira se inicia com uma sonoridade ritualística, evolui para um estilo agressivo de Metal e abraça o mais melódico de todos os refrãos do disco, portanto mostra certa oscilação na composição e se torna menos "digerível". A inusitada composição de fechamento do álbum, um conto mítico/romântico sobre a Lua e o Sol apresenta características líricas e sonoras de cunho folclórico, e se apóia sobre uma embutida e mesclada levada brasileira em seus arranjos principais. Nenhum dos dois sons desagradam, mas se mostram um tanto peculiar se comparados ao todo.
Por todo o álbum as partes registradas são excelentes, amparadas por um impecável trabalho de produção (ainda mais se tratando de um debut!). O baixo foi bem encaixado e não fica escondido atrás das guitarras, trabalha muito bem nos preenchimentos dos espaços; as guitarras obviamente estão por todas as partes, mas prezam pelas interpretações sobre a melodia, e poupam bastante nos riffs fraseados, optando assim pelas combinações de acordes para formação das "paredes". É muito clara a veia virtuosa de Denison, já que seus solos são assinados por interpretações de improviso sobre as bases, mas essa vertente de guitarristas que passeiam sobre os campos harmônicos, embora apresente uma amplitude de nuanças e alguns belos licks, tiram a força dos solos, e dificilmente produzem linhas marcantes ou inesquecíveis ( exceção ao bridge de guitarra após o primeiro refrão de "Flight of the 7th Moon", simplesmente impagável, é o ápice do CD).
Sobre a bateria nada a declarar além de: fo#%da! Teria que ser um especialista para emitir uma crítica, e mesmo assim teria que ser um cara-de-pau.
Minha ressalva é sobre Tato, que em meu ponto de vista pode melhorar sua constituição da voz e desenvoltura; algumas pronúncias também soam extremamente acentuadas e mastigadas, revelando em alguns momentos o famoso inglês-macarronada (eu sei, meu inglês é péssimo, mas não sou vocalista de nenhuma banda...). De qualquer modo o cara está muito longe de ser ruim, e seus pontos fracos são estancados pelos seus tons nas músicas mais lentas ou límpidas, onde chama bastante atenção. Além disso, só por ser o idealizador da banda e de todo conteúdo já merece o respeito de qualquer um.
Por fim destaco a temática do trabalho, que na verdade é o tema deste século: a sustentabilidade. Muito bem encaixado nas músicas, na arte (por Gustavo Sazes, responsável também pelas capas de Dream Evil - In the Night e Firewind - Days of Defiance) e na produção do inovador ECOPACK a embalagem biodegradável do CD. 
Mas particularmente sou cético quanto ao fim do mundo ecológico anunciado pela insistente bandeira ambientalista (afinal, os humanos, da mesma forma que um vírus mutante, se adapta), e cético principalmente quanto a real conscientização das pessoas; e sobre a citação do tema ambiental no Heavy Metal ainda acho a mais expressiva de todas "Blackned" - Metallica... muito mais direta e definitiva.

Nota: 8 ou \m/\m/\m/\m/.

4 comentários:

  1. Vocalista parecido com o Edu Falaschi...Talvez um pouco menos firulento...

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  2. Não achei não...aliás a banda lembra bem mais Alter Bridge do que Angra...

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  3. Angra? Alter Bridge? O vocalista me lembrou Peter "Biff" Byford (Saxon) em alguns momentos das músicas.

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  4. Sun´s Moon, Led Zepellin, Trooper?

    Nossas mentes funcionam um pouco diferente mesmo... o começo do som realmente pode invocar algumas características dos ingleses, mas depois a canção flerta com os nossos típicos ritmos afro-tropicais,

    Até acho que se o Led mantivesse a carreira pós anos 80, do jeito que Plant/Page gostavam de viajar, eles tentariam algo do tipo... mas não deu tempo.

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