quinta-feira, 30 de junho de 2022

Wolf - Edge of the World

O álbum Edge of the World, lançado pela banda Wolf em 1984, foi escolhido por Pirika para análise dos Metalcólatras.




 Faixas: 1 - Edge of the World; 2 - Highway Rider; 3 - Heaven Will Rock'n'Roll; 4 - Shock Treatment; 5 - A Soul for the Devil; 6 - Head Contact (Rock'n'Roll); 7 - Rest in Peace; 8 - Too Close for Comfort; 9 - Red Lights; 10 - Medicine Man


Pirika


É comum em revoluções musicais como no caso da NWOBHM onde tivemos tantos ótimos lançamentos que cultuamos até hoje que coisas boas fiquem pelo caminho e se percam do conhecimento popular, Edge of The World é um desses exemplos.

É claro que aqui não estou fazendo nenhuma comparação com os melhores álbuns que justamente ocupam seus lugares no topo da história do metal mas o pessoal do Wolf conseguiu fazer um bom trabalho neste álbum, tendo destaque para as boas melodias, as guitarras e principalmente o vocal de Chris English que cai como uma luva nesse som que puxa para uma mistura de metal e hard rock, lembrando um pouco o que o Def Leppard também fazia.

O CD como um todo acaba alternando pouco em qualidade, mantendo o bom nível do início ao fim, a única música que eu não gostei de fato foi a Rest in Piece. De resto temos uma boa variação músicas de riffs rápidos (Shock Treatment, Red Lights), cadenciados (Edge of The World, Head Contact Rock 'n Roll) e a ótima balada A Soul for the Devil.

Infelizmente o Wolf só lançou esse cd e se desfez, o que é uma pena, mas fica mais um bom álbum pro conhecimento.


Top 3: A Soul for the Devil, Edge of The World, Red Lights. Shame Pit: Rest in Piece.

Nota - 7,4

"Heaven will Rock 'n' Roll,
Everyone dance and sing,
When will the devil know,
Heaven will Rock 'n' Roll."

The Magician

Disse um sábio certa vez: "Se não tem nada de bom para falar sobre algo, não se pronuncie...", no entanto, como sabedoria passa muito longe desse blog, aqui vou eu.

Eu compreendo que este é um álbum de meados dos anos 80, que nem a produção sonora e nem todos os padrões de qualidade de referência da música pesada haviam ainda sido definidos, mas são fatores que não isentam esse trabalho de se enquadrar em um patamar de heavy metal extremamente fajuto. 

A banda Wolf lançou esse trabalho em 1984, e basta dizer que já haviam sido lançadas obras magníficas como Power Slave, Van Halen, Heaven or Hell, Diary of Madman entre outras obras primas, portanto, me parece que ou a banda foi vítima de produtores extremamente amadores, ou quiseram de fato, dar uma sonoridade muito mais próxima a um hard rock pré (nwo)BHM, que se assemelha muito aos primeiros álbuns do Judas Priest e do Diamond Head, lançados de 10 a 5 anos antes desse debut aqui...

Logo, meu faro de detetive do Metal resgata críticas em resenhas que fiz anteriores, onde constato a "fresta" da porta que ficou aberta do mercado da música pesada, e que acabou passando algumas baratas e ratos para que espertalhões dos estúdios abocanhassem a demanda criada pelo movimento das bandas "de primeira linha" (acho que abordei isso em minha resenha do Testament, mas juro que não vou procurar, e no final das contas tanto faz).

Hoje em dia esse mesmo pensamento mesquinho e exploratório voltou a imperar, mas pior do que antes, pois dessa vez não se trata de ingleses sujos e desdentados que exploravam artistas para garantir sua aposentadoria, já que não possuíam efetivamente base de conhecimento para manter suas carreiras de "produtores" ao longo do tempo; dessa vez são os carniceiros de arte e de artistas do Spotify, o pior tipo de manifestação do mercado da música, mas o único capaz de se manter em um sistema capitalista predatório já estabelecido de fluxos concentradores de renda e de distribuição marginal mínima. Essa resenha é produto dessa armadilha em que o nosso querido passarilo metalcólatra caiu, sendo ele um cara de nicho que se alimenta desse alpiste de bandas raras e de época, teve o espanto de não conhecer esse trabalho (e aqui tenho que prestar meu respeito ao Pirikitus, ele é um profundo conhecedor de nosso querido gênero e de muitos outros), e acabou cometendo um erro duplo: compartilhou conosco aqui no blog, e deu mais prestígio à bosta do Spotify. 

Sobre o álbum, segue um resumo aos interessados: um trabalho de NWOBHM extremamente cru, que flerta com o Hard Rock mas que não ousa nem nas linhas de guitarra, nem na abordagem dos vocais e nem em nenhuma composição melódica, com os únicos ímpetos mais dignos vinculados totalmente à composições bem específicas de outros artistas famosos do gênero ( Heaven Will Rock n Roll é uma versão mais pobre de Long Live.. do Rainbow, enquanto "Red Lights" toma emprestada a linha vocal de Highway Star, e é claro, de uma forma bem mais vergonhosa).

Nota 5,5 ou \m/\m/\m/ e olhe lá.











quarta-feira, 25 de maio de 2022

Shaman - Rescue

 O álbum Rescue, lançado pela banda Shaman em 2022, foi escolhido por Magician para análise dos Metalcólatras.


 Faixas: 1 - Tribute (Intro); 2 - Time Is Running Out; 3 – The “I” Inside; 4 – Don’t Let It Rain; 5 – Where Are You Now?; 6 – The Spirit; 7 – Gone Too Soon; 8 – The Boundaries Of Heaven; 9 – Brand New Me; 10 – What If?; 11 – The Final Rescue; 12 – Resilience 

The Magician

“Auspicioso”, a palavra com certa conotação mística (ou por que não, xamânica), que evoca o sentimento de boa sorte ou bom momento, é exatamente o que define esse lançamento da nossa querida banda brazuca. 

No ano de seu vigésimo aniversário, o Shaman traz à Luz o trabalho “Rescue” (resgate), praticamente 2 anos após a morte do maestro vocalista repatriado André Matos, para literalmente resgatar seus projetos com um trabalho extremamente sólido, a ponto de permitir grandes planos para a banda no futuro. As datas e a banda falam com minha história como “metaleiro” de um modo muito particular (como já mencionei várias vezes aqui no blog em resenhas relacionadas ao André (R.I.P), Angra, Viper e Shaman), mas nesse caso não somente por causa do André Matos; Esse ano completei 40 anos, entrando oficialmente no time das pessoas velhas desse mundo, e fazem 20 anos – em 2002 – que fui com 20 anos de idade (tardiamente) no meu primeiro show de Heavy Metal no Via Funchal em SP, justamente no primeiríssimo show oficial da banda Shaman no lançamento do seu debut. Ou seja, eu comemoro junto com a banda de 20 anos de existência (não contínua, fato), meus 40 anos e meus 20 anos de presença em shows de heavy metal, por isso, já providenciei a compra dos ingressos para a apresentação da banda na Audio aqui em SP, em julho..... auspicioso!

De qualquer modo esse trabalho é emancipado da sua dependência pela nostalgia dos fãs, ele “fala” por si mesmo, e que pusta trabalho grandioso do cacete! Estou realmente feliz pelo que a cena nacional produziu recentemente com o Angra (Omni), com o Edu (Veracruz), e agora com o Shaman, o que automaticamente nos sugere um promissor futuro de bons trabalhos pela primeira vez em muitos anos no power metal nacional. Auspicioso! E vale a pena citar que desses – ótimos - três trabalhos nacionais recentes, o que mais gostei, sem dúvidas foi o ‘Rescue’.

Nesse trabalho do Shaman (também como notei no Omni do Angra), a sonoridade geral tira um pé daquele estilo mais enraizado do power metal europeu (p.e. “Pride” do primeiro álbum) para entrar cada vez mais no estilo power-progressive metal americano (Dream Theater, Savatage e Queensryche), mas preservando muito, muito mesmo, de sua assinatura original de “Ritual”, ou seja, com inúmeras referências à sonoridade da cultura pré-colombiana. Independente dessa classificação de subgênero (que, na verdade, tem muito mais a ver com os cuidados da produção com as suntuosas camadas encorpadas de teclados, com as distorções mais parrudas do que o habitual nos sets de guitarras, e principalmente com a cadência contida e bem alternada da bateria) sugiro esse trabalho para qualquer um que aprecie o verdadeiro e genuíno heavy metal com aquelas melodias memoráveis, que é o que mais se encontra nesse trabalho.

A incrível (mas já costumeira) produção do alemão Sascha Paeth, reboca todas as linhas para uma única e grandiosa parede sonora, sem grandes sobressaltos, a ênfase é muito mais nas partes das composições do que em algum dos instrumentos, em outras palavras, o produtor é um verdadeiro “equilibrista”, e inibe as individualidades desses músicos monstruosos, em prol de dar vida à personalidade da banda. Isso não quer dizer que não se possa escutar o talento bruto dos autores de cada linha instrumental (e vocal); Luís e Ricardo já deviam ter uma estátua (nem que fosse na galeria do Rock) pelo que construíram, e pelo visto continuam construindo aqui em ‘Rescue’, com uma cozinha que é “só” responsável por mais uma obra prima do metal nacional; Hugo tem um protagonismo crucial na obra ao acrescentar suas estilosas criações solistas bastante condizentes com o ‘core’ das composições, enriquecendo-as com linhas super expressivas de timbres venenosos que por onde passam emocionam (aliás, sem querer comparar o seu estilo com os compatriotas-super-saiyajins das guitarras, mas já comparando, como é bom escutar uma banda e um guitarrista que se importa sim com os solos de guitarra, mas que não precisa comprimir 25 notas por segundo pra mostrar isso... dá gosto de escutar a economia na produção de uma nota sustentada na escala no fraseado, ao invés de um trinado ou um sweep de 5 notas. O som do Hugo me lembra muito os estilos de grandes lead-guitars que dão preferência aos solos mais curtos e muito mais expressivos, como Roland Grapow e Adriam Smith*); Fabio Ribeiro faz um trabalho providencial na contribuição geral da atmosfera e do conceito do álbum; e Alírio, bom, basta agradecermos a presença do cara na banda, que simplesmente fez ser possível a existência dessa joia rara que é o álbum “Rescue”.

Importante não comparar o atual vocalista com André ou com outros da cena de power metal, pois Alírio tem sim grande extensão e potência vocal, mas o que se sobressai é seu estilo próprio e único que traz mais uma generosa contribuição ao Heavy Metal como um todo (já pensou a gente perder um talento desses para o sertanejo???? Calem suas cornetações!!).

Sobre as letras, são bastante simples e abstratas normalmente fazendo reflexões ao sentimento de perda, luto e dor (como descrito no próprio site oficial da banda); de fato, tem muita relação com a despedida ao maestro – fica muito claro na faixa que o homenageia, em “Gone too Soon” - , mas existem passagens e versos com conteúdo mais “específico” como a faixa de abertura “Time is Running Out” (que ainda assim é um pouco abstrata). 

Muitos destaques dignos de nota: “Time is Running Out”, “The “I” Inside” (se atentem à regressão caída da música e aos dois solos de guitarra de Hugo), “Where Are You Now”, o refrão grudento de “The Spirit”, “The Boudaries Of Heaven”, “What If?”, e “Resilience” (rapaz... me borrei todo escutando essa música... que coisa linda!).

Nota 8,8 ou \m/\m/\m/\m/.


Pirika


17 anos depois do Reason, não irei considerar neste momento sentimental o Immortal e o Origins (Bianchi, Quesada e cia que perdoem), é lançado Rescue, praticamente uma flecha em cheio no coração saudosista de quem viveu o Power Metal nacional em meados dos anos 2000.

Impossível aqui não citar os destaques Alírio e Hugo, o primeiro por ter sido tão fundamental nas suas composições e interpretações e o segundo por novamente ser o monstro que o Hugo foi nesse cd, além riffs e solos maravilhosos (O que é aquele solo de The "I" Inside???), assumindo a orquestração que antes ficava com André, orquestração essa que pode ser sentida nas belas Tribute, Brand New Me e The Final Rescue, entre outras.

Uma coisa que me chama atenção nesse cd é que mesmo o Shaman sendo uma banda de Power Metal, o famoso metal espadinha, ela difere demais de muitas bandas no estilo, inclusive o Angra (Talvez exceto pelo Ritual). Desde o Reason, o som e identidade da banda foi colocado em evidência e isso também acontece no Rescue, um Power Metal onde a virtuose dá lugar a composições mais maduras, com mais feeling, as vezes acaba nem parecendo metal mas a qualidade desse som é inegável.

Desde o momento do single de Brand New Me já estava evidente que a banda tava totalmente adaptada ao Alírio e vice versa, o cd veio para reforçar isso com uma estabilidade impressionante com praticamente todas as músicas no mesmo nível, tirando Gone Too Soon e The Boundaries of Heavens o resto do cd é excepcional, mal posso esperar pelo show de julho! (19 anos depois do Ritualive no qual eu também estava :))



Top 3: The "I" Inside, Where Are You Now? e Brand New Me. Shame Pit: The Boundaries of Heaven.

Nota - 8,1
"Don't hide your scars
They're just a mark you'll live another day
Time heals the heart
It takes of the pain and you will rise again"


sábado, 30 de abril de 2022

Sonata Arctica - Silence

 O álbum Silence, lançado pelo Sonata Arctica em 2001, foi escolhido para análise por The Trooper.

01-...Of Silence; 02-Weballergy; 03-False News Travel Fast; 04-The End of This Chapter; 05-Black Sheep; 06-Land of the Free; 07-Last Drop Falls; 08-San Sebastian; 09-Sing in Silence; 10-Revontulet; 11-Tallulah; 12-Wolf & Raven; 13-Respect the Wilderness (bônus); 14-The Power of One; 15-Peacemaker (bônus)



The Trooper
3
Confesso que vim para esta resenha com um alto grau de preconceito, pois achava que tinha ouvido este álbum, mas na verdade era o Ecliptica, que o Magician votou. Eu me lembro de me irritar com a voz de 'caganeira' do vocalista, mas não sei se é a idade, se minha alma ficou mais piedosa, ou se ele canta de maneira diferente neste álbum, mas o fato é que ele conseguiu passar batido sem me irritar. Mas ainda sim, entendo melhor a velha citação do Merchant: 'cabeludos chorões', pois choradeira é uma constante neste trabalho, nas letras e tons (talvez o ápice esteja em 'Last drop Falls').

De qualquer maneira fiquei razoavelmente surpreso com o conteúdo em geral. A letra de Land of Free, por exemplo, parece se referir a eleição de Bush (viagem minha?). O álbum foi lançado em junho de 2001, no ano em que ele tomou posse, mas antes do 11 de setembro.

Eu disse que o vocalista conseguiu passar batido, mas o tecladista não. Eu acabei de fazer uma resenha onde ele era tecladista (Symfonia), e lá ele mandou muito bem. Por que fez cocô aqui, então? Ordens do boss (o antigo vocalista/tecladista)? Ele até faz algo que presta no trabalho, mas os trechinhos bregas e felizes (principalmente nas intros) estragam as partes boas.

As guitarras mandam bem. Algumas quebras de ritmo malucas, excesso de alegria ou melancolia, mas sempre aparecendo um trecho interessante aqui e ali.

Resumo: O excesso de letras de corno e os tecladinhos mocorongos não chegam a estragar o trabalho, é legalzinho.

Meu destaque vai para 'Revontulet'.
 
Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician

Confesso que estou feliz e surpreso de ver o Sonata aqui no blog, mesmo depois de tantos anos, sempre é oportuno escutar novamente um trabalho dos caras.

É uma banda que teve relativa importância naquela efêmera “re-ascensão” que o Heavy Metal teve na virada do século, puxada principalmente pelo movimento do power metal europeu (Edguy, Avantasia, Hammerfall, Primal Fear, Sonata Arctica, Nightwish,etc..).

Antes de qualquer coisa, a pessoa que se aventurar nessa sonoridade deve estar ciente do fato que o Sonata está mergulhado até o pescoço no estilo power-melodic-speed-symphonic-metal-espadinha-farofa-Metal sem nenhum tipo de remorso, lembrando que na ocasião o gênero ainda era uma promessa.

Dito isso, o que se sobressai é a veia técnica impecável da banda, e aqui não estou ressaltando somente a técnica dentro das pautas (sobre a execução das diferentes escalas, acordes, arpejos bem trabalhados, e o desenvolvimento sobre as tessituras, em si...), mas sim e principalmente, a produção geral sobre as melodias usando os multi canais de gravação, como as vozes dobradas, o piano, e todas as texturas pomposas com abuso das camadas abertas dos teclados e dos sets de distorções translúcidos das guitarras. O Sonata era de forma geral, bastante eloquente em estabelecer um composto sonoro, sem se preocupar com o risco real de sobrecarregar sua música... Mas vejo isso como uma característica geral das bandas de metal da Finlândia.

Quando ouvi pela primeira vez esse trabalho na ocasião em que foi lançado, de maneira equivocada eu o coloquei na prateleira “CD na bota do anterior”, tipo “reciclado”, como se fosse uma reedição rebuscada do Ecliptica; isso acontecia porque muitas vezes absorvia o conteúdo juntamente com muitos outros CDs de outras bandas, e uma vez que eu escolhia um favorito desses trabalhos, acabava subestimando todos os outros. Mas o fato é que “Silence” é acima da média, e eu arriscaria dizer, que talvez, até melhor que o primeiro trabalho do Sonata (preciso revisitar o debut para confirmar essa constatação).

Embora escutar esse tipo de som faça com que eu me sinta na zona de conforto, tem muita coisa boa mesmo aqui nessa obra, sendo que sinceramente não encontrei nenhuma música fraca na coleção e ainda por cima algumas coisas, como por exemplo a frenética faixa “Wolf & Raven” que me surpreenderam bastante (quando atua de forma rápida e “nervosa” o Sonata lembra o Dream Evil). Mas o espetáculo inegavelmente está naquilo que o Sonata é em sua essência: uma banda de balada; As composições mais atmosféricas e lentas se sobressaem de tal maneira que é impossível não fazer um repeat no mplayer após escutar ‘Silence’ na íntegra, como se fosse um “resumo” desse álbum, com somente as ótimas: “The End of This Chapter”, “Last Drop Falls” (cornozisse master mesmo), “Sing In Silence” e “Tallulah”.

 Sobre o conteúdo escrito, escutar esse tipo de trabalho que flerta com o conceitual me faz não procurar por significados nas letras, que ficam afinal muito presas às criações próprias dos autores, e qualquer interpretação fora da história é puramente viajar na maionese... mas cabe dizer que pela primeira vez eu li algo como “andar no frio da noite sem cueca” em uma letra de metal melódico...

Aliás, falando em cuecas, embora seja um verdadeiro “mela-cuecas”, esse é realmente um pusta álbum do gênero, e indico sem pestanejar como referência verdadeira de toda uma época quando esse estilo de heavy metal parecia ser o carro chefe da “música pesada” ao redor do globo.

Curta você também a nostalgia gostosa dessa geração nos lindos embalos de “Tallulah”!

Nota 8, ou \m/\m/\m/\m/.

quinta-feira, 31 de março de 2022

Ramones - Mondo Bizarro

 O álbum Mondo Bizarro, lançado pelos Ramones em 1992, foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01-Censorship; 02-The Job That Ate My Brain; 03-Poison Heart; 04-Anxiety; 05-Strength to Endure; 06-It's Gonna Be Alright. 07-Take It as It Comes (cover); 08-Main Man; 09-Tomorrow She Goes Away; 10-I Won't Let It Happen; 11-Cabbies on Crack; 12-Heidi Is a Headcase; 13-Touring.




Phantom Lord
Mondo Bizarro é algo que acho válido resenhar... 

Há décadas atrás eu ouvi dizer que este era um álbum "muito pop" do Ramones, que já não tinha a essência da banda e blá blá blá. Melhor assim então, porque o que certos fãs chamam de estilo original ou essência da banda (ou outros nomes) não passa de mera opinião. Ou talvez seja tentativa de impor opinião como verdade... Então deixemos tal questão de lado. 

Não escutei muito punk rock ao longo de minha vida, mas este álbum é sonoramente agradável aos meus ouvidos. Ficou melhor ainda ao ver algumas letras criticando as convenções e regras do sistema que dita as regras na maioria dos países do ocidente. Mas alguém poderia me questionar: "Bibibi, bobobó criticar o que do sistema?" Eu mostro na lista de faixas juntamente com as notas e os demais temas que não são críticas, a seguir: 

"Censorshit" 7,8 Critica obscurantismo e opressão da censura 

"The Job That Ate My Brain" 7,6 Critica opressão e utilitarismo do trabalho/ nas empresas 

"Poison Heart" 9,0 Critica insensibilidade, indiferença diante os vulneráveis 

"Anxiety" 7 Sobre adoecimento mental - ansiedade 

"Strength to Endure" 9,4 Sobre adquirir forças em um relacionamento? 

"It's Gonna Be Alright" 8,8 Agradecimento aos fãs da banda 

 

"Take It as It Comes" (The Doors) - Algum tipo de "vá com calma e curta a vida". 

Interessante, como este cover divide os temas das músicas/ faixas em duas partes distintas:

 

"Main Man" 6,8 "eu me viro"... ou "não quero saber dos outros" 

"Tomorrow She Goes Away" 6,5 Sobre uma namorada ou "peguete" 

"I Won't Let It Happen" 7 Sobre dificuldade em relacionamento? 

"Cabbies on Crack" 6,8 Uma viagem com taxista(s) sob efeito de crack 

"Heidi Is a Headcase" 6,2 "Heidi é um caso sério..." 

"Touring" 5,5 Sobre as turnês da banda 

 

Enfim, é um bom álbum... Principalmente para quem não exige técnicas mirabolantes de outros estilos de rock destoantes do punk e para quem não exige fidelidade aos álbuns anteriores da banda (mesmice). 

Nota: 7,3

The Magician

Não tem como gastar muito tempo com uma resenha do Ramones, afinal é Ramones pô! Logo, assim como a banda – debochada, largada, zoada, nem aí pra nada, enfim... punk! – eu posso vir aqui e escrever o que der na telha sem muita profundidade sobre o tema ou cuidado com a coerência.

Acredito que o Trooper postou este álbum devido ao fato que ele constava na lista inicial do blog dos lançamentos de Rock/Metal favoritos dos Metalcólatras, e como não consegui localizar essa lista, acho que ele estava de fato na minha seleta lista particular dos “melhores discos ever”... pois é.

Tenho que confessar que já escutei muito mais Ramones em outras fases da minha vida, mas hoje em dia eu basicamente excluí o som dos caras das minhas listas de músicas, e pra falar a verdade mal me lembrava desse álbum. Porém, levando em consideração que algumas de minhas músicas favoritas do Ramones se encontram em Mondo Bizarro, e ainda, que na versão que eu costumava escutar (não lembro de quem era o CD que tomei emprestado quando era moleque...) tinha a famosa faixa “Spider-man” - inclusa como bônus track em um relançamento posterior desse disco -, fica bem fácil afirmar ainda nos dias de hoje que esse realmente é o trabalho que mais aprecio da banda americana.

Em minha opinião, as três canções que elevam o patamar desse trabalho e estão na minha lista top 10 dos Ramones, são: “Poison Heart”, “Strenght to Endure” (tocava na guitarra junto com o Metal Kilo e com o Merchant, kkk) e “It’s Gonna Be Alright”; Take It as It Comes entraria na lista, se não fosse um cover do Doors, e “Cersorshit”, “Tomorrow She Goes Away”, e Touring (uma espécie de reedição mascarada de ‘Sheena Is a Punk...’ com ‘Rockway Beach’, coisa que os Ramones fizeram a dar com o pau em suas carreiras) são um bom recheio de álbum. Já o restante das músicas são praticamente uma bosta.

Escutar novamente Mondo Bizarro depois de tantos anos, no entanto, me trouxe algumas curiosidades que não sabia: esses meus 3 sons favoritos foram compostos por Dee Dee Ramone (!), o baixista, que não participou efetivamente da gravação de Mondo Bizarro por ter sido demitido após a turnê do álbum anterior, mas que vendeu (O_O) esses 3 sons para os Ramones por estar preso e precisar do dinheiro para pagar a fiança! Nada mais Ramones do que isso...

Li que Jhonny Ramone comentou que eles precisavam de Dee Dee nesse álbum, e que C.J. que o substituiu era um péssimo compositor em sua opinião. Para mim até hoje, o principal compositor da banda era o vocalista Joe, mas como provado aqui, ledo engano meu. O surpreendente é que Dee Dee (que foi o responsável pelo sucesso das 3 faixas de divulgação de Mondo Bizarro), que morreu de overdose, era provavelmente o mais aloprado dos caras, que chegou por várias vezes se meter em brigas com facas, e uma vez inclusive foi esfaqueado em uma dessas tretas, atrapalhando as apresentações da banda. Dee Dee, que tinha marra e não falava por semanas com outros membros da banda, e que nos cinco anos do câncer de Jhonny Ramone nunca foi visita-lo no hospital, para tristeza de seu colega de banda, e que sobre isso relatou (“.. as pessoas me dizem que não liguei para ele nenhuma vez, isso não faz sentido porque ele não é meu amigo e não tenho relação próxima com ele”).

Por causa dessas histórias loucas e de muitas outras, e por provavelmente eu ter mudado algumas palavras dele nessa citação acima do Dee Dee (mas não o contexto), ao invés de escutar um simples álbum do Ramones eu recomendo você a procurar por um documentário sobre os caras;

E pelo fato de, como muitos produtores dos Ramones e membros das gravadoras afirmam, todos os discos da banda serem um fracasso total de crítica e de venda (embora fossem assediados por esses mesmos caras, por causa do sucesso de suas apresentações), eu recomendo qualquer um a procurar pelas coletâneas e álbuns live que tem realmente muita coisa boa, ao invés de apenas escutar Mondo Bizarro.

A conclusão é que este disco é simplesmente “OK”, e que a minha escolha como uma das obras “best ever” do Rock/Metal é, assim como os Ramones eram, simplesmente bizarra. 

Nota 7 ou \m/\m/\m/\m/.

P.S: Dava para escrever realmente muita coisa sobre a musicalidade verdadeiramente revolucionária dos Ramones, que sem nenhuma teoria musical aprofundada, com somente cinco ou seis acordes praticamente “sempre em 5ª tonal”, entregaram uma miríade de canções diferentes (não muito diferentes, é verdade), e como de certa forma, emoldaram o formato de um gênero de representatividade gigantesca como o punk, praticamente sozinhos. Dá pra ter noção como os caras eram bons (não tecnicamente, claro) pra fazer isso! Mas como comentei no começo do post.. dane-se, isso é punk, não vale o esforço. 




The Trooper
3
Fala, cambada. Tenho que concordar com o que foi dito acima por ambos os metalcólatras, exceto a opinião do Phantom sobre a letra do cover de Doors, que pra mim é só mais uma pornográfica do Morrison, e sobre o resto das faixas que o Magician não gosta serem uma bosta, pois eu gosto de todas as faixas deste álbum, e este é um dos motivos de Mondo Bizarro estar aqui. O outro é o que o Magician citou mesmo, Mondo Bizarro estava entre os mais votados, e se você também está com dificuldade para achar essa lista, como nosso mago de araque, é só ir lá em 'Arquivo do Blog' e procurar em 2010, agosto. E sim, o Magician também acertou que o álbum está na lista dele.

O primeiro álbum que ouvi dos caras foi o Locomotion, uma coletânea ao vivo, se não me engano, comprada na época por um amigo de infância (Petrometal, cadê você, cara? Sumiu). E pra ser sincero eu não vi a menor graça. Parecia um álbum de uma faixa só, e enfadonha. Por esse motivo eu nunca fui atrás de nada dos caras e só ouvi o que saiu no rádio.

Pois bem, acabei ouvindo o Mondo Bizarro (sei lá por que raios) e gostei do bichim. Ouvi, ouvi e ouvi. E continuei ouvindo até hoje (Whitesnake caiu fora das minhas audições, outras bandas entraram em longas hibernações, mas Mondo Bizarro sempre esteve na parada). Por quê? Eu não sei. É muito bom. Tipo arroz e feijão feito na hora, dá pra ignorar mistura se você quiser.

Como afirmei anteriormente, eu gosto de todas as faixas. Quando a letra não é bacaninha, ela é no mínimo engraçada (tirando a putalia do Doors). A guitarra sempre manda bem, firula zero, mas riffs sempre fazendo a cabeça banguear, ou mesmo te incentivando a fazer aquela dancinha punk de ficar chutando o ar (na oitava série eu deveria ter cabulado aula e ido dançar com as 'ai meu dedo' na quadra enquanto a banda que o Mi convenceu a ir lá na escola tocava 'Poison Heart' para quase ninguém).

Sobre as tretas da banda, eram inevitáveis. John estudou em escola militar e lambia as bolas do Bush, Joey tava mais na linha anarquista, Dee Dee era hostilizado por um e ignorado por outro. Os caras tocavam tretados. É impressionante saber como isso durou. Talvez tenham saído sons bons justamente porque os caras falhavam em se comunicar e se expressavam pelas músicas.
 
Resumo: Não pode faltar na coleção. Todas as faixas são muito boas, mas obviamente, 'Poison Heart' e 'Strength to Endure' estão muito acima.

Nota: \m/\m/\m/\m/


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Symfonia - In Paradisum

 O álbum In Paradisum, lançado pelo Symfonia em 2011, foi escolhido por The Magician para análise dos Metalcólatras.


1 - Fields of Avalon; 2 - Come By The Hills; 3 - Santiago; 4 - Alayna; 5 - Forevermore; 6 - Pilgrim Road; 7 - In Paradisum; 8 - Raphsody in Black; 10 - Don't Let Me Go; 11 - I'll Find My Way Home".

The Magician

A escolha de ‘In Paradisum’ da banda Symfonia já foi criticada por alguns membros do blog mesmo antes de haver qualquer palavra resenhada dentro do site (os famosos grupos de zap e tals), adicionalmente uma Rock Brigade que tenho aqui em casa de 2011 também torce o nariz para esse trabalho. O motivo das críticas em ambas situações relembra a velha queixa sobre o Power/Speed Metal que vem definhando nesses últimos 20 anos: tedioso, sempre a mesma coisa, cópia de tal coisa… e assim por diante.

Andre Matos na ocasião bolou uma resposta (abaixo) pra esses críticos, por isso não vou perder meu tempo (mesmo não sendo tão precioso assim), com isso – vou apenas fazer um CTrl+V aqui:

[...] uma coisa que eu sempre dizia nas entrevistas [...], era o seguinte: 'Symfonia não é para ser uma banda ou um projeto que foi feito para reinventar o estilo [...]. O que queríamos era juntar todos aqueles músicos famosos que de alguma forma tiveram seus destaques neste campo musical específico e ver o que sai disso. Veja quando essas pessoas estão juntas, e se elas dão o seu melhor, que tipo de power metal sai disso.' Então essa era a proposta do álbum, e nunca negamos. Então, se alguém chegasse com alguma crítica do tipo: 'Mas é mais do mesmo, e não traz nada de novo. Parece Stratovarius e Angra.' Bem, isso é exatamente o que queríamos.  

Dito isso, não há dúvidas que toda a estrutura e o conceito desse trabalho parte das experiências anteriores dos dois principais compositores da obra, e não há nenhuma vergonha nisso, na minha opinião, muito pelo contrário; uma vez que os caras já estão estabelecidos em um gênero, resta os mesmos incrementarem suas ideias, sem necessariamente mudar a direção das músicas.

Obviamente existe um risco de fadiga para aqueles que vão escutar o trabalho, mas isso dependerá de quanto você é ou não fã do gênero, e se está ainda disposto a escutar novas composições que respeitam totalmente a história e o estilo característico do Power sem novas aventuras, aquele já consolidado pelas bandas melódicas e sinfônicas pós Helloween, e este é o meu caso. Embora eu confesse que no começo achei “isso aqui um chororô chatoso”, depois da terceira audição o negócio começou a ficar bom, e passou a ser um “chororô gostoso” daqueles que o verdadeiro fã de power metal adora. Aliás uma das características conhecidas desse gênero é que ele ganha força na medida em que com as repetições, você cada vez mais se acostuma às composições, e da forma com que as letras interagem com as pautas sonoras.

Sim, é o de sempre com batatas, Andre cantando em tons extremamente altos na maior parte do tempo (vale ressaltar que com a voz já desgastada e mais madura, que acontece nos trabalhos depois do Fireworks, esse foi o melhor registro de Matos na minha opinião), enquanto Timo frita nervosamente a guitarra com sua inconfundível digitação límpida e alcalina em seus solos mega-pirulitantes (prestem atenção no que quero dizer aos 4m:52s da faixa In Paradisum).

Fora isso a sonoridade geral também resgata toda a discografia já consagrada dos dois compositores em suas bandas anteriores, com músicas rápidas, cadenciadas, épicas, utilização de coros em refrãos, muitas camadas de teclado de suporte, riffs e solos velozes, etc.

O que acredito que talvez tenha levado a sonoridade geral mais para 'o lado' do Stratovarius do que para do Angra é o fato do tecladista não ser o Andre, mas sim Miko Harkin do Sonata, e há de se lembrar que o DNA da veia compositora de Matos está muito mais vinculado às suas musicas compostas no piano. Ou seja, se você quiser reduzir a análise a uma linha simples de conclusão, este é um trabalho que lembra muito mais um Stratovarius com Andre Matos, do que um Angra com o Timo Tolkki.

Mas a conclusão é que a sonoridade está bem encaixada, tudo certinho, tecnicamente e melodicamente no seu lugar, com apenas os exageros contumazes que o próprio gênero se reserva, mas nada além disso. Um bom trabalho de Power/Speed Metal para aqueles mais conservadores desse nicho.

Ah, sobre as letras, são bem simples e diretas, mas no geral passam reflexões de indulgência, superação, amadurecimento e redenção (se é que dá pra trazer tudo escrito no álbum em termos simples), possivelmente pesa a opção de caras mais velhos que preferiram não rebuscar tanto assim a obra ao colocar um estilo ópera, o que seria bem aceito aqui. Por fim, o conteúdo lírico passa um ‘good vibes’, que o Phantom pode apreciar sem medo de ser feliz!

Não achei nenhuma música fraca e nem espetacular, mas existem os destaques: “Come by the Hills”, “Santiago”, “In Paradisum”, “I Walk in Neon” e a balada (para mim, a melhor!) “Don’t Let me Go”.

Nota 7 ou \m/\m/\m/\m/.

Apesar de neste caso aqui eu achar esse papo “de mais do mesmo” uma verdadeira papagaida, provavelmente não é o que o Timo acha, já que em um ‘pitty’ por e-mail ele acabou com a banda e mandou todo mundo embora, inclusive ele mesmo (lembra alguém, certo Trooper?). Andre Matos disse sobre isso, que “haviam lhe avisado” sobre Timo, mas o fato é que o cara parece meio complicado da cabeça mesmo, ou ele encontrou um maldito elfo lá na Finlândia que ele adotou e abrigou no seu porão, e que fica dizendo no ouvido dele que as músicas que ele faz são uma porcaria e mais do mesmo… vai saber.        



The Trooper
3
Sinceramente não sei por quê ouvi falar tão mal deste trabalho. São os velhos resmungões do metal. O Mercante deveria ter inventado um selo 'Recusado pelos resmungões do metal', eu ia colar aqui. 
 
A impressão inicial que eu tive foi o que o Magician falou, 'Stratovarius com André'. Isso seria bom, já. Stratovarius é bom, André é bom ... Cabô. Mas não é só isso, não. Eu ainda fui surpreendido no álbum. Na primeira audição, escravizado pelo trabalho, só deu pra notar 'Ei! Isso não é ruim!' Na segunda audição, com o fone de ouvido boqueta, sonzinho de 70 kbps do YouTube, e ainda assim, 'C#$%#$! Que música f$%#!'

O primeiro solo de 'Alayna' começou e eu pensei 'Eita p$#%! É o Slash?' Em 'Pilgrim Road', veio uma pegada 'Folk Metal' inesperada e quando entra no solo o Timmo manda o folk pro c@#$%$# e enfia uma guitarra nada a ver que ainda ficou muito louca.

Em 'I Walk in Neon', além dos teclados 'a la Stratovarius', tem uns tecos que parecem anos 80 e você fica esperando o Morrissei entrar cantando.

E 'In Paradisum', p#$% que pariu! É uma obra-prima! Pode parecer uma música estranha e nada a ver, mas preste atenção nos altos e baixos acompanhando a letra, fantástico!

Pra terminar, 'Don't Let me Go', 'Hotel California', mas muito mais triste, meio 'Chrono Cross', fechou muito bem o álbum, e eu nem posso xingar porque eles não quebraram minha regra de duas baladas por álbum.

Não posso falar mal de ninguém. O tecladista seguiu a linha Stratovarius, e aí não tem erro. Só tenho elogios pro cara. André, é André... Só senti um pouco a falta de uma gritaria raivosa que ele aplicou no primeiro álbum do Shaman e aqui não rolou, mas dá pra entender, não é a pegada deste álbum. Batera e baixo na manha, sem deixar a peteca cair, aparecendo aqui e ali. E por fim, o dono da bola, Timmo 'Chorão' Tolkki, o mestre, o gênio. Ele enfiou uns riffs pesadíssimos no álbum que deixam a gente esperando uma faixa inteira de porrada, mas aí ele vai lá e muda tudo no meio. Mas é a mesma parada que citei sobre o André, não é a pegada do álbum. Quem curte power metal, metal melódico, essas paradas aí, já podia esperar, então nem xinga.

Agora ... O Timminho criar um monte de letra bacana, dramática, mas passando uma mensagem 'carry on' e depois se trancar no quarto chorando, e como disse o Magician, 'mandar todo mundo embora por e-mail', não dá, né? Coerência, por favor, Timminho.

Resumo: P#$% álbum! Mas tem que prestar atenção pra ouvir e não esperar porrada.

Nota: \m/\m/\m/\m/


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Roberto Carlos - Em Ritmo de Aventura

 O álbum Em Ritmo de Aventura, lançado por Roberto Carlos em 1967, foi escolhido por Trooper para análise.

01-Eu Sou Terrível; 02-Como É Grande Meu Amor Por Você; 03-Por Isso Corro Demais; 04-Você Deixou Alguém A Esperar; 05-De Que Vale Tudo Isso; 06-Folhas De Outono; 07-Quando; 08-É Tempo De Amar; 09-Você Não Serve Pra Mim; 10-E Por Isso Estou Aqui; 11-O Sósia; 12-Só Vou Gostar De Quem Gosta De Mim




The Trooper
3
Olá. Vou começar fazendo uma confissão: às vezes eu espero algum metalcólatra postar até o último dia do mês, daí venho aqui quando não postam, posto no primeiro dia do outro mês e mudo a data para o último dia do mês passado. Meu irmão disse que sou corruptível, taí a prova.
 
Daí vem a pergunta mais importante: 'cara, que diabos você postou desta vez?!'
 
Tenho outra confissão a fazer como resposta: é uma homenagem a senhora minha mãe, que partiu para outros planos de existência. Saudades, uma incrível jornada para a senhora.
 
'Tá, pelo menos é rock?' Pergunta controversa, é indiscutível que Roberto Carlos está envolvido nos primórdios do rock no Brasil, sugiro que faça uma pesquisa na wikipedia pelo menos, existem outros precursores, e eu não vou julgar o mérito ou a importância do velho Robertão.
 
Como opinião pessoal, nunca fui fã do cara, mas ele reflete bem o povo brasileiro em sua maioria, que vive fora da discussão profunda política do país. A ideologia política dominante não seria dominante se grande parte do povo não fosse influenciada por ela, como disse o carinha do PCO, ou seja, a situação e educação do povo está diretamente ligada ao poder das elites. (Claro que todo este parágrafo foi dedicado ao tal do episódio de elogios à Pinochet).

Por quê 'Em Ritmo de Aventura'? Olha, creio que 'Roberto Carlos Canta Para a Juventude', de 1965, e até mesmo 'Eu Te Darei O Céu', de 1966, são mais rock & roll do que este álbum, mas ambos já possuíam faixas intragáveis (para mim, claro) como 'Não Quero Ver Você Triste' e um excesso de baladas românticas. Acho que só ouvi esses 3 de cabo a rabo (minha vontade não é de ferro). O motivo é que este discão morou em casa por anos e anos. Seu dono, tio Hélio (que está bem mal no hospital, good vibes pra você, tio!), tocava a bolacha com frequência em seu AIKO, que também morou anos e anos em casa. Eu ouvia, e nem sabia que estava ouvindo rock (em algum nível).

A própria escolha de Roberto Carlos como homenagem também foi questionável, porque dentro do rock minha mãe gostava de Beatles, mas vou fazer a terceira e última confissão do post: dei uma olhada no nome das faixas da discografia dos Beatles e bateu um desânimo. A verdade é que esses artistas pra mim lançam 1d4 faixas boas por álbum, ou seja, eu só vou curtir coletâneas.

Mas eu recomendo que vocês ouçam esses 3 álbuns do Robertão. Caras, é um mergulho fantástico no passado ... As gírias, as letras zoeira ... É impagável.

A primeira faixa, 'Eu sou Terrível' vai até fazer você pensar que você vai ouvir um álbum inteiro de rock 'Eita! E esse solo de gaita? Deixa The Wizard no chinelo!' (Zoeira, mas é legalzinho). Mas a segunda faixa puxa você pra realidade, o álbum deve ser mais de 50% meloso (a coisa fica realmente impossível quando a década de 70 começa e o Robertão vira cantor romântico).

Se você, como eu, tem horror a baladas românticas, ouça só meus destaques.

Destaque para as faixas que parecem rock: 'Eu Sou Terrível', 'Você Não Serve Pra Mim' e 'O Sósia'.

Talvez devido à lavagem cerebral na infância eu consigo ouvir essas faixas melosas de boa: 'Como É Grande O Meu Amor Por Você', 'Por Isso Corro Demais', 'De Que Vale Tudo Isso' (essa lembra Doors ... kkk) e 'Quando' (tá, essa tem um ritmo mais rápido). O resto dá muito sono.

Nota: \m/\m/\m/ (a nota não faz parte da homenagem)




Phantom Lord

Bom... Ouvi tal álbum algumas vezes porque havia parentes em casa que curtiam tais músicas. Pode soar nostálgico, e portanto com algum apelo sentimental, mas como o som do véio Beto Carlos alterna entra um rock'n roll clássico ou rockabilly brazuca com "pop", nunca se tratou do tipo de música que mais me chamou atenção. Alguns sons cafonas, além de nostálgicos, são engraçados... Só mesmo escutando esse símbolo da década de 60 do século 20. 
As letras variam entre românticas e umas poucas superficialidades de jovens daquela época distante, então não há muito o que discorrer sobre. Na verdade, das não (tão) românticas, parece que só a música Você não serve mais para mim tem alguma profundidade (eu nem discutiria se as "mais" românticas têm ou não).

Os destaques são previsíveis: Eu sou terrível, De que vale tudo isso, Quando, Você não serve pra mim e O sósia. Eu poderia incluir nos destaques também a faixa Como é grande meu Amor por Você e Por isso corro demais, mas aí teria que ser alguma versão regravada ou tocada mais recentemente com mais recursos sonoros. 

 1. "Eu sou terrível" 6,8 
2. "Como é grande meu Amor por Você" 5,5 
3. "Por isso corro demais" 6,4 
4. "Você deixou alguém a esperar" 6 
5. "De que vale tudo isso" 7 
6. "Folhas de outono" 5,7 
7. "Quando" 6,6 
8. "É tempo de Amar" 5 
9. "Você não serve pra mim" 7,4 
10. "E por isso estou aqui" 5,2 
11. "O sósia" 7 
12. "Só vou gostar de quem gostar de mim" 4,8 

 Dúvida: O que é o ritmo/ estilo musical de "E por isso estou aqui"? Quiqui é issu? 

 Nota Final: 6,1

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Nirvana - Nevermind

 O álbum Nevermind, lançado pelo Nirvana em 1991, foi escolhido por Trooper para análise.

01-Smells Like Teen Spirit; 02-In Bloom; 03-Come As you Are; 04-Breed; 05-Lithium; 06-Polly; 07-Territorial Pissings; 08-Drain You; 09-Lounge Act; 10-Stay Away; 11-On A Plain; 12-Something In The Way; 13-Endless, Nameless.




The Trooper
3
Adivinha quem está de volta tentando salvar o blog da morte? Sim, ele, o imortal, aquele que se sua forma física for destruída, continuará por aqui vigiando os atos de todos que entraram ao menos uma vez no blog. Sabendo dessa maldição (ou benção), resta a você se conformar e continuar lendo minhas besteiras (ou ir embora, mas minhas palavras não sairão mais de sua mente ... muahahahaha... ahem... parei).
 
Alguns diriam na verdade que esta é a pá de cal sobre a cova de um já combalido blog, mas eu não me importo. Outros diriam também que agora eu rompi a última barreira do bom senso. Será? Chameleon, Queen, Titãs e até Guns? Deixo tudo isso em aberto.
 
Para falar a verdade, pensei em postar Reload, para continuar minha vingança e o cumprimento da profecia sobre os Metallicólatras. Mas comecei a ouvir e finalmente percebi que ele consegue ser pior do que o Load. Deixei a minha vingança para mais tarde (ou não, pois acredito que muito acham Nirvana pior do que Load. Claramente não é o meu caso).
 
Nirvana foi o meu primeiro contato com música 'pesada'. Nunca tinha ouvido algo tão distorcido ou um cara berrar tanto enquanto a bateria socava meus ouvidos, o impacto foi grande. Na época eu ouvia "Era um Garoto Como Eu" e talvez ainda tinha uma música do Jimmy Cliff e "Nuvem de Lágrimas" na minha única fita cassete. Deu uma virada na minha mente, a próxima virada viria com o Black Album, e talvez a última virada com o Imaginations From The Other Side.
 
Bem, é por isso que Nevermind está no blog? Porque afinal, é um blog de rock ou de heavy metal? Se for de heavy metal, uma grande parte dos metaleiros abomina Nirvana. Por qual motivo? Dizem que o grunge matou o metal. Seria rancor? Alguns criticam as letras. Outros, o vocalista. E ainda outros, a estrutura simples das músicas (isso eu sei que se o Magician se dignar a ouvir, vai reclamar). Ou talvez, tudo isso junto.
 
A verdade é que Nevermind está aqui por eu gostar (e olha, demorou muito tempo para eu conseguir ouvir o álbum inteiro, por um bom tempo eu só conhecia as músicas que foram para a rádio), mas não só isso. Quer você ame, odeie ou cague para o Nirvana, o impacto de Nevermind no mundo musical foi enorme. Impacto positivo ou negativo? Deixo isso para quem se importa, eu só curto o som mesmo.
 
Sobre instrumentos, letras, etc... O que posso dizer é que o álbum começa em um nível muito alto (no limite indefinido de pop, grunge, alternativo e por que não? Punk) e vai perdendo o impacto conforme se aproxima do final, até o momento da queda brusca na 'faixa secreta', "Endless Nameless", que é bem caquinha. Mas no geral é um álbum bem sólido, que se mantém bom por quase todo o percurso, raro de se encontrar fora do metal.
 
Não tenho muito o que acrescentar, então paro por aqui. Um 2022 menos cocozento para todos nós. Até ... ou não.
 
Nota: \m/\m/\m/\m/
 
"He's the one who likes
All our pretty songs and he
Likes to sing along and he
Likes to shoot his gun but he
Don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
And I say aahh".

The Magician

O indivíduo que recorre a um blog chamado ‘Metalcólatras’ atrás de uma dica de álbum da cena pode se arrepender amargamente, pois aqui estamos novamente abordando trabalhos que segundo seus próprios compositores, não são de maneira alguma pertencentes a esse universo.

Contudo há um porquê. Há um porque de se abordar Nirvana, GnR, Queen, Faith No More, Titãs, ou outras bandas que não necessariamente fazem parte de forma declarada da cena do Heavy Metal, uma vez que esse gênero se molda não somente por referências oriundas de artistas do próprio meio em si, mas também de ideias plantadas em segmentos distintos. Portanto, nós, os membros do blog, volta e meia voltamos a visitar os trabalhos que entendemos que de um modo ou de outro, influenciou ou foi influenciado – e se tornaram expressivos - direta ou indiretamente pela música classificada como “pesada” (ou Heavy).

Eu particularmente acredito que o Nirvana esbarra na história do Heavy Metal e da música pesada como um todo, pegando carona nos estudos de Sam Dunn (produtor de ‘Global Metal’ e ‘Metal Evolution’) que dedica um espaço para o Grunge na grande genealogia do Heavy Metal, e no próprio comentário de Kurt Cobain que Nevermind deveria soar como um trabalho punk-pop miscigenado com Black Sabbath. O produtor Andy Wallace de Seasons In The Abyss contribuiu também para que Nevermind absorvesse um estilo de peso mais sintetizado, afastando (um pouco) o trabalho do punk almejado pela banda, e o levando para algo mais perto de “Motley Crue” (conforme as palavras ditas, também, pelo próprio Kurt).

Um outro ponto importante é que tudo que importa ou que deve ser abordado sobre o Nirvana em um panorama de impacto sobre a música pesada, está em Nevermind. Foi aqui no segundo trabalho que houve o terremoto definitivo na indústria do rock.

Antes do tsunami de destruição que o segundo álbum do Nirvana causou, o Heavy Metal monopolizava o estereotipo do Rockstar: havia os ‘machões’ come-come, os drogadassos que cheiravam formiga, e também os satanistas ritualísticos, os destruidores-de-hotéis e quebradores de pernas em botecos... estavam todos lá, em torno do ídolo de ouro, sem perceber o que estava por chegar. Se esses caras eram ou não ‘Metal’, não importava, a atitude geral desse tipo de rockstar era muito semelhante, a testosterona podia descambar para o sexo ou para violência, e o resultado era o mesmo; muito dinheiro e rotulação onipresente da mídia como “Heavy Metal”.

Eis que Nevermind foi lançado pelos 3 fitas de Seatle. O Grunge já existia, mas era devidamente ignorado.

A história de como essa ‘bolha’ do Nirvana cresceu você pode procurar em qualquer um dos inúmeros documentários e textos disponíveis na internet. Em suma, o estilo suicida, auto destrutivo sem nenhuma auto estima, que expirava insanidade nas letras e na incongruência sonora, transformou o renegado musical que residia no Metal, em um neo-punk-hippie que agora morava no Grunge. E por mais paradoxal que possa parecer o som depre-revoltado-bipolar do Nirvana proporcionou shows lotados com tanta, ou mais energia do que existia nos eventos de Heavy Metal em geral.

Não é nem preciso dizer que o estilo virou moda, abriu as portas da mídia para bandas como Sound Garden, Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Alice in Chains, Uggly Kid Joe, entre outras;  e em aproximadamente 6 anos destruiu o tal do Heavy Metal... o espaço sob o sol era habitado pelas bandas Grunge e pós Grunge. Olhando agora de uma posição bem mais distante em 2022, esse movimento inaugurado pelo Nevermind foi muito parecido com o que o punk fez com o rock técnico da contra cultura setentista... a música complexa e abstrata sendo trocada pelos moldes simples e concretos.

À despeito dos impactos desse trabalho sobre o Rock e o mainstream, vejo Nevermind como um disco espantosamente inspirado para sair desse núcleo de três jovens com técnica limitada e (em tese) sem pretensão de grandes composições. As melodias de cara colam na cabeça, os riffs – simplórios – são extremamente expressivos e diretos, os gritos desafinados harmonizam com as distorções exageradas e com a bateria frenética, enfim, não dá pra negar que a banda entrou em uma espécie de fluxo de transe para entregar o resultado revolucionário obtido nessa coleção. Há de se reforçar que as composições – basicamente todas – saíram da cabeça de Cobain, que justifica o culto a personalidade que se criou em torno desse figura. E por cravar essas canções na história do rock moderno, ainda que estivesse cagando pra isso, eu também tiro meu chapéu para esse brother.

Mas por outro lado tenho que dizer: não é o meu estilo de som, ao ouvir para analisar o trabalho com uma postura mais neutra, tem muita coisa aqui que reconheço ter valor (a ponto de ficar difícil destacar menos de – no mínimo – 6 músicas); daí pra colocar o som do Nirvana pra ouvir regularmente no meu Mplayer.... beeeem difícil viu.

Minha conclusão é que: 1-) (obviamente) não é Metal, tem muito mais a ver com uma espécie de ‘reencarnação’ do punk rock do começo dos 80; 2-) o álbum tem o peso de um axioma para a música pesada, a ponto de debutar um gênero (o Grunge) praticamente “sozinho”, e reformar o status quo do Rock daquela geração;  3-) o trabalho é extremamente consistente transmitindo uma identidade muito clara, seis dos maiores hits da banda se encontram nesse álbum; 4-) talvez, somente talvez, tenha sido um mal necessário, desmontou o monte de merda vazia e sem significado que o Heavy Metal estava produzindo à rodo na época (com grande foco na farofagem do Glitter-Hard-Glam-Metal), e acabou – olhando somente para o gênero Metal – abrindo espaço para as bandas power seguidoras do Helloween, que possuíam muito mais conteúdo e menos testosterona gratuita.... pelo menos por um tempinho.

Nota: 7 ou \m/\m/\m/\m/, por causa da importância histórica. 







terça-feira, 30 de novembro de 2021

Blind Guardian - Tales from the Twilight World

 O álbum Tales from the Twilight World, lançado pelo Blind Guardian em 1990, foi escolhido por Trooper para análise.

Faixas: 01-Traveler in Time; 02-Welcome to Dying; 03-Weird Dreams; 04-Lord of the Rings; 05-Goodbye My Friend; 06-Lost in the Twilight Hall; 07-Tommyknockers; 08-Altair 4; 09-The Last Candle




The Trooper
3
Aqui estou eu, na árdua missão de não deixar o blog morrer. Embora árdua, é sempre uma missão recompensadora. É só olhar aí o que eu escutei para cumprir a missão.

Tales from the Twilight World é mais um álbum do Blind Guardian, mas é mais um álbum que não podia ficar de fora.

Foi aqui que o Blind Guardian virou a chave e resolveu fazer um som maluco ... ainda bem! Dá pra notar ainda que é um álbum bem rústico, mas a maluquice já tava comendo solta!

Uma das coisas que mais chama a atenção é a dupla de guitarras, entre a porradaria da violenta bateria ela aparece o tempo todo transformando o álbum em algo único e excepcional.

O álbum já começa com a porrada de Traveler in Time e só vai diminuir o ritmo lá no meio, em Lord of the Rings. Hoje em dia não posso avaliar esta faixa com clareza porque eu tive uma overdose dela, mas é inegável que é uma balada viajante ,que te arrasta para o clima da letra. Aliás, o álbum inteiro faz isso com maestria. Talvez Goodbye My Friend seja a mais estranha no quesito clima, se o trecho da Wikipedia que eu copiei foi verdadeiro (tava com a bandeirinha de falta de citação):


Mas ainda sim, é uma música duca. O álbum inteiro é duca, claro. Pode ficar ligeiramente atrás dos mais pomposos e densos, mas o ponto forte dele é não ter pontos fracos, absolutamente todas as músicas são bacanas, e algumas delas são épicas.

Meu destaque vai para ... putz, vai para o álbum todo, não tem uma mais ou menos, até Altair 4 que é estranha, é muito boa. The Last Candle merece um destaque à parte porque é pra lá de épica (eu prometi um dia montar uma aventura baseada nela no meu cenário de campanha principal - mesmo q o cara da wiki esteja certo e a música seja sobre Dragonlance).

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician

Mais um álbum marcante do Blind Guardian no blog, o primeiro realmente digno de nota na discografia deles, na verdade, embora eu respeite os dois primeiros trabalhos.

Tales From the Twillight World” (TFTTW), é marcante por estabelecer o primeiro milestone da banda em direção de um estilo muito próprio e característico de Power Metal Progressivo. À partir daqui a banda alemã estabelecia características marcantes – e sem volta – que a diferenciava da maioria das outras bandas de Heavy Metal, a tornando única no estilo de sua musicalidade. Em TFTTW algumas rupturas são claras com relação aos álbuns anteriores, principalmente no que diz respeito:

- à adesão de linhas de teclados mais presentes que contribuem em fraseados importantes no decorrer das faixas (exemplo em “Atair 4”);

- as pautas polirítmicas por todos os lados colocando os dois pés da banda de vez, no sub gênero metal progressivo (graças ao trabalho primoroso de Thomas Stauch, isso foi possível, o cara é monstruoso);

- as melodias vocais muito mais técnicas e trabalhadas, com grande contribuição dos backing vocals dos demais membros da banda. As camadas de linhas simultâneas de vocais com diferentes fraseados, são pela primeira vez trabalhadas aqui, exemplo no final de “Last Candle” (uma marca definitiva da assinatura do Blind Guardian, mas reparem que aqui Hansi não interpretava ainda todas as linhas, como faria depois nos trabalhos mais rebuscados do BG com a inclusão de canais apartados);

- As músicas (como bem lembrou o Trooper), ainda são rústicas em sua produção geral, mas o modo como as guitarras e vocais se harmonizam em melodias mais complexas, já eleva o patamar das composições na ‘régua’ da teoria musical;

Todas essas propriedades musicais inseridas no terceiro disco da banda, foram incorporados e apurados em trabalhos posteriores, de modo mais e mais extremo, até tudo culminar naquela bagunça que é o Night At The Opera (o sétimo álbum)...

Mas isso não importa, naquele momento específico da carreira dos alemães, em 1990, isso aqui foi praticamente uma obra de arte, que foi decisiva para a promoção da banda para uma elite do power metal europeu, que serviria de referência para grupos mais novos desse segmento. Ao escutarmos a discografia ‘vencedora’ do Blind, fica muito claro onde foi que a banda deu o salto para sair do status de “mais uma banda de metal”, para garantir seu crachá de banda importante do circuito do Heavy Metal (digamos que fechar um Wacken Open Air, garante esse status, se você está em dúvida).

Existem inúmeros destaques, pois o álbum é muito forte na primeira metade, mas no geral não deixa a peteca cair em nenhum momento. O som “Lord of The Rings” por muitos motivos é o ponto mais alto, mas por favor prestem atenção (com o volume bem alto de preferência) em “Traveler in Time”, “Welcome to Dying”, a instrumental “Weird Dreams” e “Lost in the Twillight Hall” (com a participação adivinha de quem?? De quemmmm???? O tio farofeiro Kai Hansen!!).

Nota 8,1 ou \m/\m/\m/\m/.

Para não deixar passar batido, deixo um parágrafo de reconhecimento para uma das maiores duplas de guitarristas da póstuma história do Heavy Metal, em minha opinião. A obra subestimada pela grande maioria, dos músicos Andre Olbrich e Marcus Siepen estará para sempre na memória e no coração daqueles postulantes guitarristas que por alguma vez tiveram a sorte de escutar obras primas como “Time What Is Time”, “Lost in Twillight Hall”, “Into The Storm” e é claro icônica “Bright Eyes”... Riffs eloquentes, a contundência magistral das ‘infinitas’ palhetadas groovadas, e a sincronia alienígena das bases e dos solos super melódicos e cintilantes dobrados, são apenas algumas das marcas dessa dupla, com raro talento para não somente aplicar a técnica, mas principalmente fazer isso de modo contributivo às composições como um todo. 


Phantom Lord

Aqui vai uma resenha "atrasada". 
Ouvi este álbum 7.3 zilhões de vezes através de uma fita que eu tocava no estéreo do meu bro, Trooper: Acho que ouvi este álbum quase tanto como eu comi batata frita em minha vida. 

Sonoramente falando, este álbum me causou estranheza nas primeiras audições (lá pelo final dos anos 90), mas isso não é novidade: Todos álbuns do Blind Guardian me soavam assim - Diferentões da maioria das outras bandas de metal. Não descreverei as faixas, nem seus ritmos (entre outras características), pois Trooper e Magician já fizeram isso.
Inicialmente gostei da faixa instrumental Weird Dreams, mas conforme fui ouvindo o álbum Tales From Twilight World por anos, fui gostando mais dele como um todo e cheguei a ter uma camiseta deste álbum que eu surrei (usei) por uma década - praticamente dos meus 20 aos 30 anos de idade. Neste período e até mais uns 8 ou 9 anos depois, eu não ligava muito para as letras das músicas: Para mim era tranquilo ouvir qualquer heavy metal, bem como rock, desde que o ritmo me agradasse e as letras não fossem MUITO podres.  

Porém, por mais que eu tivesse a fama de "ranzinza parado no tempo", eu mudei devido a razões certamente bem particulares. E por isso, passei a preferir músicas que tivessem um significado para mim, particularmente, coisas que entendo como boas. 
Mas como assim? Simples: Por exemplo, porque eu deveria continuar ouvindo uma música que mostra uma visão de mundo contrária à minha, ou que enaltecesse algo que acho insignificante ou mesmo desprezível? Não existe motivo algum para continuar, inclusive, ao menos até alguns anos atrás, alguns (ex) membros deste blog pareciam agir assim também - não há nada de surpreendente nisso. Claro, alguém poderia me fazer uma acusação do tipo: Ah, mas você ainda ouve aquela música "X" que enaltece coisas que você diz ter horror (aversão)!" Bom, se isso ocorrer, certamente é devido a forma ambígua de como algumas letras de música são escritas e, de toda maneira, eu posso interpretar uma música (bem como qualquer arte) do jeito que eu quiser - A interpretação humana está sujeita à diversidade. Enfim, as pessoas mudam, umas devagar, outras depressa, umas mudam pouco, outras mudam muito etc. Nos meados da minha infância, eu mudei quando passei a ouvir músicas que outros membros da família escutavam. Eu mudei quando adolescente, ao passar a ouvir quase que exclusivamente heavy metal. Eu mudei um pouco nos meus vinte e pouco anos, quando passei a gostar mais de clássicos de rock... E agora, o resultado desta minha mais recente mudança desviou maior parte de minha atenção para longe de meros gêneros musicais e suas bandas, compositores, composições etc.

Em relação ao conteúdo das letras deste álbum, durante muitos anos eu mal sabia do que a maioria falava. Imaginava que fossem temas de ficção e fantasia medieval escolhidos por gosto particular dos membros da banda (e de acordo com a resenha do Trooper, aí em cima, eu estava certo). Por causa de seu conteúdo, o TftTW não se tornou um dos álbuns que eu não escutaria novamente, mas também ficou menos significante para mim. Na verdade vários dos álbuns que resenhei neste blog eu deixei de ouvir e diminuiria a nota deles (se eu fosse reavaliar eles), porém o TftTW pouco mudou: Receberia nota 8,1 ou 8,3 até meus 39 ou 40 anos de idade... Diminuí a nota dele? Sim. 
Diminuiria mais com o passar dos anos? 
Não sei - só sei que hoje ele recebe "Nota: 7,6"