terça-feira, 30 de julho de 2019

Iron Maiden - Virtual XI

O álbum Virtual XI lançado pelo Iron Maiden em 1998 foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Futureal; 02-The Angel And The Gambler; 03-Lightning Strikes Twice; 04-The Clansman; 05-When Two Worlds Collide; 06-The Educated Fool; 07-Don't Look To The Eyes Of A Stranger; 08-Como Estais Amigo



The Trooper
3
Neste mês de julho completei 4 décadas neste plano, entre acontecimentos irrelevantes, desmotivantes, humilhantes, etc... Houve algo que o destino me reservou. Minha amiga havia consertado o toca cds de seu carro antes de me vender e num belo dia de julho em que liguei o carro para a bateria não arriar e fui com ele para a desagradável zona oeste trabalhar, coloquei um cd que havia sumido do meu hd para tocar: Virtual XI.

Que acontecimento agradável, um mergulho nostálgico sem memórias específicas, levado apenas pela qualidade do som. 'Qualidade do som?' Alguns palhaços devem estar se perguntando.
Sim! Qualidade do som! Melhor do que você, palhaço, nunca irá fazer!

O Iron Maiden usou a fórmula batida de sempre para fazer este álbum, com algumas pitadas de foda-se ('Foda-se, vou colocar um teclado nessa música sim'). Para mim, um álbum profundo, com a alma dos instrumentistas colocada nua no trabalho. Principalmente a de Bayley. E que interpretação! Quem falar mal do Bayley cantando The Clansman na minha frente vai levar um tapa na cara!

The Clansman e Lightning Strikes Twice são duas músicas que encaixam muito bem com sua voz. Aliás, acho que este álbum é o que foi melhor composto em sintonia com o vocalista. Bayley arrasta um pouco o Iron Maiden para uma pegada mais Black Sabbath e eu achei que o trabalho em geral lembra um pouco Classic Rock.

Murray e Gers estão afiadíssimos, Nicko com a pegada de sempre e Harris, Harris estava inspirado. Enfim, falem o que quiser, Virtual XI é um dos meus álbuns favoritos e quando Venâncio afirma que este é o melhor álbum do Iron Maiden eu quase não sinto vontade de discordar ... quase.

Destaque para o álbum inteiro, dos trechos acelerados de Don't Look To The Eyes Of A Stranger, da perfeição de The Clansman, até a melancolia de Como Estais Amigo (é engraçado pensar sobre essa música, o quanto nós não apitamos nada nessas guerras ridículas e nas decisões de nossos governantes nojentos).

P.S.: Obrigado, destino, pelo presente. (Você não, diretor).

Imitando Pirikitus:

"Time will flow
And I will follow
Time will go
But I will follow"

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
Qualidade do som, Trooper?.......... Não sei.... vamos lá.. 

O Iron Maiden é provavelmente a maior (em staff, material, marca, grana, etc..) e melhor banda de Heavy Metal que já existiu, então sob esta perspectiva o Trooper tem razão quanto a desafiar o questionamento da qualidade de qualquer obra feita pelos caras da banda (talvez seria melhor usar o termo "da empresa"). Nesse sentido, Virtual XI é mais um bom trabalho da super banda britânica, e de fato supera muitos dos álbuns do gênero nas últimas décadas se analisarmos somente a qualidade de produção; ou seja, qualquer trabalho do Maiden sempre vai chamar muita atenção, e a interpretação de que um álbum inédito da banda seja algo totalmente supérfluo ou sem nenhuma qualidade só pode ser o parecer final de um pusta de um mongolóide mesmo.

Dito isso, podemos aumentar o zoom da lente para analisar o segundo e ultimo trabalho de Blaze como vocalista do Maiden (acho que isso diz algo, não?), e levando em consideração o que o grupo, como uma banda de mainstream do gênero, poderia ou não produzir em 1998. 

O disco anterior - "X Factor" -, como o próprio Blaze afirmou, resistiu (ele usou "sobreviveu") à ferocidade da crítica e dos fãs, que já haviam até acendido a fogueira para lançar o pobre vocalista em seu interior, clamando pelo retorno do lendário Bruce Dickinson; logo, acredito que "Virtual XI" na verdade denota alguns erros de estratégia do líder da banda, Mr. Harris, uma vez que foi esse trabalho (e nada mais que isso) que desmantelou essa formação do Iron e comprometeu a carreira posterior de Blaze Bayley. Duas decisões em específico, podem ter contribuído bastante para o "fracasso" do álbum perante o público: 1 - O aumento da extensão das músicas conforme admitido por Harris numa entrevista de 2010, e; 2 - A inserção dos teclados gerando uma relativa mudança na sonoridade dos ingleses.

Steve Harris chamou essa nova abordagem da duração dos álbuns à partir de V.XI como "mais progressiva", mas não é de fato o que acontecia nessa época. Talvez com exceção de "Clansman", as músicas mais longas - como "The Angel and Gambler" e "Don't Look to the Eye of A Stranger", que somam juntas quase 20 miutos! - traziam os mesmos riffs e refrãos por repetidas vezes, de modo descabido e desnecessário. Isso foi uma bomba nos ouvidos dos fãs e críticos mais conservadores, que não tinham muita tolerância aos vocais fanhosos de Blaze; uma coisa é você escutar uma hora de Bruce Dickinson, outra bem diferente, é escutar Blaze por uma hora inteira repetindo os refrãos 700 vezes..... pqp, haja!!! Blaze, pelas suas características, se dava melhor com hits de curta duração (como "Man on The Edge" ou "Lord of the Flies"), ou pelo menos com as músicas longas em que ele não tenha que repetir a mesma frase por mais de 4x seguidas (cabe citar a boa parcimônia de "Clansman" que ao invés da infinita repetição -não passa de 4x a mesma frase- apela para o "Ôôo", já no refrão de "Angel and Gambler" Harris só pode estar de sacanagem com todo mundo).

Quanto aos teclados, acho até que são toleráveis e em alguns casos até muito bem fixados no contexto (novamente o bom exemplo cabe à "Clansman"). Porém o uso na desgastante "The Angel and Gambler" (novamente, representando o lado ruim do álbum), deixa a sonoridade mais alinhada com um estilo hard rock pesado quase-dançante, desfocando o estilo clássico do Iron Maiden. Esse erro de estratégia foi potencializado pelo descontrolado orgulho de Steve Harris, que brigou com o produtor para fazer de sua composição ("Angel and Gambler") a principal música de divulgação de Virtual XI (em substituição da composição de Blaze - "Futureal" - que em minha opinião, se sairia bem melhor nessa atribuição).

Tudo isso que escrevi, foi julgado ao longo dos anos pelos metaleiros, pelo mercado musical, pelos críticos.... enfim, pelo próprio tempo. O resultado já conhecemos, com a rotulação de Virtual XI como um dos mais esquecíveis e fracassados CD da banda na sua longa história, porém, esse não é o meu julgamento...

Para mim, o disco em questão é um trabalho bem razoável (no bom sentido) do Maiden, e embora suas músicas mais conceituadas se encontrem no começo do trabalho, eu acho que as melhores composições começam à partir de "Clansman". Embora passem de 6 minutos cada - sem necessidade - "When Two Worlds Colide", "The Educated Fool" e "Don't Look to the Eye of A Stranger" seguram muito bem a bronca como composições consistentes no melhor estilo Iron Maiden, com graduações convincentes de linhas mais leves para mais pesadas e de pautas mais cadenciadas para mais aceleradas. Janick mais uma vez imprime nuanças providenciais sobre as partituras, colocando sua guitarra para "cantarolar" as melodias em cada faixa do CD. Janick Gers rocks, once again!

E por fim a faixa de encerramento "Como Estais Amigos" é a jóia de Virtual Eleven; uma canção competente e emocionante com começo meio e fim, onde - embora longe de ser brilhantes - enfim os vocais sinceros de Blaze fazem um trabalho bastante seguro, e os (polêmicos) teclados corroboram com a sensível atmosfera criada pela composição.

Os destaques do álbum são "Clansman" (virou clássico, e Bruce posteriormente imortalizou o som em suas apresentações) e a maravilhosa e irretocável "Como Estais Amigos", que até hoje só pode ser escutada nos vocais de Blaze (é... talvez não seja tão irretocável assim...).

Nota 6,9 ou \m/\m/\m/. 




Phantom Lord


Este é um daqueles álbuns que fez parte da vida de alguns dos metalcólatras: Um daqueles cds comprados com grande esforço, porque parte significante dos metalcolatras eram "moleques sem grana". 


Virtual XI é o 2º disco do Maiden com o peculiar Blaze no vocal. Ouvi dizer que o cara é super gente boa, humilde e pelo que vi, algumas músicas onde ele teve participação na criação, parece mostrar consciência social. 
O problema é que o Maiden foi (e é) uma banda de heavy metal marcada por vocais um tanto "melódicos" e o Blaze... É o Blaze, aquele cara meio fanho, sem agudo nenhum. 
Isto faz do Virtual XI um álbum sem qualidade alguma? Não exatamente, mas é um álbum excêntrico na carreira da donzela de ferro. Algumas músicas são boas se você não é uma brucete nem um "troozão", mas tem umas que dão umas rameladas monstruosas como (é claro) a longa, repetitiva e cafonizada The Angel and the Gambler. Na verdade, se ignorarmos o tecladinho cafona, ela engana até seus 7 minutos. Daí o Harris vira e fala para os demais integrantes da banda: "Puta, tive uma puta ideia caras, vou repetir o refrão 14 vezes seguidas dã-hã-hã." 
Fazer o que né... Como Haris é o dono da banda, prevaleceu o dãhãhã dele. 
De resto, o Maiden continuou mudando sua sonoridade em relação aos álbuns anteriores (principalmente da fase "Bruce") o que casou bem com os vocais de Blaze em uns momentos e em outros momentos como em The Educated Fool ficou um tanto tosco. 
Interessante também é notar as tendências sonoras já rumando para um estilo que domina no próximo álbum (Brave New World), como os trechos de Don`t Look to the Eyes of a Stranger. 

01-Futureal 7,3 
02-The Angel and the Gambler 6,4 
03-Lightining Strikes Twice 7,2 
04-The Clansman 7,2 
05-When Two Worlds Colide 7,1 
06-The Educated Fool 6,7 
07-Don`t Look to the Eyes of a Stranger 7,0 
08-Como estais Amigo 7,0 

Nota: 7,0 (arredondado de 6,98) 

P.S.: Este álbum deve figurar a 8ª posição dos melhores discos do Maiden, disputando com o debut Iron Maiden e pouco à frente de Killers. Álbuns pós Brave New World, No Prayer for the Dead e o X-Factor são os mais esquecíveis da banda.



Pirika

Mais um cd da donzela. É engraçado que fazendo uma resenha em pleno 2020, nota-se que esse cd teve seu destino selado por vários fatores externos e internos. Primeiro que à época já era difícil a banda sobreviver o período pós Bruce, não que o The X Factor tenha sido ruim, mas não chega nem perto do auge oitentista da banda. Segundo que ele precede o mítico Brave New World. Até aí fatores externos totalmente compreensíveis, mas quando você pega pra ouvir você vê que a banda mereceu toda a crítica em cima do Virtual XI com repetições exageradamente sem sentidos que tornam um certo tormento ouvir o cd inteiro. E ainda decidem fazer disso a propaganda do cd, então não tem defesa.

Repetições exageradas sem sentido, isso é o que ficou gravado na minha cabeça pensando no cd como um todo. Acho que nem o diabo sabe onde Harris tava com a cabeça quando decidiu que The Angel and the Gambler precisava ter FUCKING 23 VEZES o seu refrão repetido, sendo que poderia ter ficado apenas na versão de rádio ignorando o no sense da versão do cd. O pior é que isso se repete, de forma menos absurda é verdade, em Don't Look to the Eyes of a Stranger mas até aí o estrago já tava feito.



Além das repetições exageradas sem sentido, sobram as outras repetições. O álbum me soou repetitivo. Obviamente é perceptível a pegada do Maiden e o instrumental segura muito bem bronca, mas mesmo assim deixa uma sensação carregada de repetição nas músicas já citadas e Educated Fool.

Futureal dá uma empolgada mas não tem a qualidade necessária pra abrir o álbum, música ok. Lighting Strikes Twice e When Two Worlds Collide fogem das mesmice do álbum e merecem elogio. O que realmente merece destaque aqui é a já consagrada The Clansman e Como Estais Amigos, essa última para mim sendo a verdadeira jóia escondida do álbum.

Nada contra o Blaze, mas ainda bem que o Bruce voltou pra fazer o Brave New World e todos os cds ruins que vieram depois.

Top 3: Lighting Strikes Twice, The Clansman e Como estais Amigo. Shame Pit: The Angel and the Gambler.



Nota 6

"Don't you think I'm a saviour 
Don't you think I could save you  
Don't you think I could save your life (23X!!!!!!)"

segunda-feira, 10 de junho de 2019

R.I.P. Andre Matos

The Magician

Sou de uma geração de Metaleiros que teve sua formação e seus gostos musicais moldados entre os anos de 1997 a 2002, quando estava entre meus 15 e 20 anos de idade (digamos que os 5 anos iniciais de imersão no rock são mais "profundos" do que os conseguintes, devido ao volume e à frequência em que acessamos novos conteúdos do gênero nesse período). Nesse intervalo de tempo lá estavam os heróis desbravadores do panteão Rock/Metal para me guiar nessa jornada, assim como fizeram com tantos outros garotos dessa geração (e também, de outras gerações): Metallica, Iron Maiden, Bruce Dickinson (na época, fora do Maiden), Ozzy, DIO, Sepultura, Megadeth e Helloween.

O som desses caras me fez procurar por mais coisas do tipo, coisas que obviamente, me lembrassem a sonoridade desses heróis do panteão do Metal. Naquela época, eu - como muitos - não tinha acesso irrestrito à Internet, que devido às tarifas telefônicas (conexão discada) era realizado somente quando possível em PC's de amigos durante as madrugadas, já que o PC da minha casa nesse horário, era monopolizado pelo irmão mais velho do ninho (o Trooper). Aliás, pode-se dizer que nem mesmo a Internet tinha 'acesso à Internet', já que os buscadores ainda não possuíam a capacidade espantosa que possuem hoje.

Por causa disso, de longe, a melhor fonte de conhecimento e pesquisa para o acervo do Metal até então, eram os amigos "mais experientes" propagando os trabalhos por meio do processo de divulgação "boca a boca", e também usando as raras visitas à galeria do Rock na Rua 24 de Maio em São Paulo (que também dependiam de dinheiro para condução até o centro da cidade). 

Essas vias estreitas de acesso ao material de Heavy Metal me conduziram na ocasião à uma rádio pirata da região da Zona Leste paulista, que 'funcionava' entre 1997 e 1998 - a Rádio Expresso FM - com seu conteúdo exclusivamente direcionado para o gênero Rock/Heavy Metal. Em um de seus programas - "Os Brutos Também Amam" - onde algumas baladas do gênero eram diariamente selecionadas entre uma lista não tão extensa de sons, escutava-se bandas como Scorpions, Whitesnake e Led Zeppelin, e de repente entre essas, surgiu a banda Angra, com seu "mais novo hit" 'Make Believe'. Tenho que dizer que aquilo elevava as baladas para outro nível: As marteladas no piano na introdução, os violões sincronizados no solo, as guitarras pesadas nos refrãos, e é claro.... sobre tudo o que podia se escutar na música, se derramava aquela voz quase feminina de Andre Matos com seus tons altos "descabelantes", e com sua interpretação que emociona à cada palavra cantada.

A partir desse momento pode-se dizer que minha estante de repertório musical foi alterada para sempre. Eu poderia simplesmente escutar aquela balada, gostar do som, e colocar os caras em um radar que eu revisitaria durante os anos seguintes de forma gradual, assim como fiz com o Stratovarius, Manowar, Savatage e Grave Digger, por exemplo, que são grupos de Power Metal aos quais tive contato antes do Angra; mas definitivamente não foi o que aconteceu. Como descrevi na postagem do Pentelho em Holy Land, saí correndo pelos sebos do bairro para encontrar um disco dos caras onde estaria a tal balada...  e depois de me deparar com o CD "Angels Cry" e com "Freedom Call" (que ainda não estavam na minha mira), lá estava ele - por 12 reais - Holy Land, com o hit do momento "Make Believe".

Tudo desde esta simples aquisição se desenrolou como uma avalanche para mim, que ao longo do tempo ofereceu cada pedra que utilizei para construção de minha formação musical baseada no Angra. É claro que em paralelo conheci muitas outras coisas boas do gênero Heavy Metal, mas nenhuma foi tão próxima quanto à essa experiência com a minha banda favorita, brasileira.

Aliás toda essa admiração de fã parte dessas duas células:  do fato de ser uma banda nacional e devido a presença do Matos no grupo. Um turbilhão me vem à mente ao tentar analisar minha relação com o Angra à partir desse ponto...

Quando comprei Holy Land, a primeira coisa que me recordo é que não sabia nem que a banda era brasileira, descobri lendo o espalhafatoso encarte do CD, que inclusive ao ser desdobrado traz o mapa mundi renascentista (o que foi bastante empolgante para um garoto RPGista, como eu era). A segunda coisa que me recordo é que o visual do Andre Matos na única foto do encarte me lembrava bastante o visual do Bruce Dickinson, ídolo máximo da minha geração metaleira (tínhamos um "Bruce brasileiro" que cantava demais! \o/). Ao saber em seguida, conversando com amigos que esse mesmo Andre Matos "quase tinha substituído" o próprio Bruce anos antes, "pirei"... o Brasil poderia mesmo gerar um dos áses do Metal mundial??? e ainda por intermédio do Angra?? (Putz! que pusta CD comprei! de uma pusta banda de Metal, que ainda tinha repercussão internacional!!!).

Em seguida assistindo regularmente a MTV naqueles meses descobri que naquele ano de 1997 o Angra disputava o prêmio da "escolha da audiência" no VMB Brasil, justamente com o videoclipe de "Make Believe"; perdeu, mas levava o Metal para um nível de popularidade e exposição (ao lado do Sepultura, na época) que fazia com que no mínimo, eu conseguisse conversar com os colegas do colégio sobre uma de minhas bandas favoritas. Descobri também pela MTV, que o Angra já tinha dividido o palco com gigantes como o OZZY em grandes festivais como o Monster of Rock de 1994. 

Foi nessa mesma época tive um sonho que até hoje me lembro claramente: eu fazia um dueto super agudo com Andre Matos cantando o refrão de "Nothing To Say" no palco de meu colégio, e finalizava com um super mosh insano sobre a galera.

Nessa minha jornada de imersão no som do Angra, parte de minha escassa economia começou então a ser direcionada para aquisição de seu material, comprei os CD's "Angel's Cry" e "Fireworks", na mesma época em que comecei a tocar e estudar violão, e quando também começava a consumir material musical relacionado à este instrumento. Na medida em que tocava violão com novas pessoas o interesse pelo Angra só aumentava, dado que foi estudando guitarra e violão que percebi que o Angra era muito mais do que a potência vocal de Andre Matos - os 3 primeiros álbuns da banda são verdadeiras enciclopédias sobre riffs e solos de guitarra; não consigo desvincular a imagem de minha primeira guitarra - uma Washburn de série - com meus dedos sofrendo para executar o riff introdutório de Carry On (aliás adquirir uma 'Washburn' de meu amigo Maurock, foi influência direta de Kiko Loureiro).

Depois disso, por volta de 2000 passei a frequentar anualmente os ExpoMusics de São Paulo, local onde tive meu primeiro contato visual próximo com os caras do Angra - Mariutti, Kiko, Confessori, Rafael e Matos - devido aos Workshops que faziam nessas feiras. Foi surreal, mas como os caras eram super assediados, era realmente difícil se aproximar deles na época. Foi nessa época também que subi a pirâmide do fluxograma do Angra para chegar no VIPER, particularmente nos dois primeiros CD's que Matos gravou - Soldiers of Sunrise e Theater of Fate -, e por força maior, também fui obrigado a descer essa mesma pirâmide das ramificações do Viper/Angra; pois o Angra se desmantelava em 2001, criando o subproduto "Shaman", com Andre nos vocais. 

Fiquei feliz. Duas super bandas nacionais!!!

Mas o Shaman e o Andre continuaram sendo parte essencial na minha relação especial com o Heavy Metal, já que o primeiro show de Metal em que estive em minha vida foi uma apresentação dos caras, em 2002. A emoção de um primeiro show é inesquecível, Via Funchal, casa cheia, qualidade de som exímia, meu amigo Mercante ao meu lado...., até abri uma roda em "Nothing To Say"!

Há de se dizer que nesse meio tempo, Andre Matos havia sido também convidado para o Metal Ópera do Avantasia, um baita motivo de orgulho na época (sim, EU sentia orgulho), é como se tudo se convergisse em uma carreira ascendente, na medida em que o próprio Heavy Metal crescia como um movimento musical na Europa e no Brasil, com a proliferação de inúmeras bandas de Power Metal nos dois lados do Atlântico. Escutar o primeiro verso de "Inside" cantado pelo Andre, até hoje me tira de sintonia... . Eu achava que muito disso estava na minha cabeça por causa da relação próxima que eu tinha como fã do Angra, mas quem como eu esteve no primeiro show do Avantasia no Brasil, e viu o Andre discursar por 10 minutos com uma bandeira gigante do Brasil sobre como foi importante para ele chegar ali naquele ponto da carreira, sabe que o cara brigava incansavelmente para colocar o rock nacional em uma posição de música digna e emancipada, livre de qualquer preconceito conservador, coisa que até hoje, convenhamos, não aconteceu efetivamente em um nível de mainstream aqui no país.

E os anos se passaram rapidamente como tinha que ser..... continuei um fã "próximo" do Andre e do Angra, na medida que essa minha vida "super produtiva" de trabalho me permitiu, é lógico; ao longo desses quase 23 anos como fã, vi ao vivo o Angra comemorando seus 20 anos em um show conturbado cheio de convidados, vi o Andre Matos começar e terminar com o Shaman, o vi em seu primeiro show de retorno tão esperado com o Viper (maravilhoso!), também junto ao Tobias Sammet em Avantasia, encontrei pessoalmente o Rafael Bittencourt em uma conversa rápida sobre criatividade com minha turma do IG&T, acompanhei uma espécie de "decadência" desse núcleo musical com o Andre no Symfonia e com o Edu naquele fatídico show do Rock n Rio, depois um "renascimento" com o Kiko Loureiro chegando a um patamar nunca alcançado por nenhum outro guitarrista nacional, e com o ressurgimento do Angra e do Shaman, com Lione e Matos respectivamente nos vocais (e os bons trabalhos do Almah também com o Edu), até chegar no fatídico ultimo final de semana do dia 8/6/2019.

Foi quando Andre Matos morreu.

Eu já tinha comprado os ingressos para o show do Angra, que à noite se apresentaria no 'Templo', aqui na Mooca em São Paulo, mas também já esperava que a banda cancelasse o show devido ao falecimento do co-fundador. E então os caras anunciaram uma homenagem ao invés do show... .  

Em clima de velório, o Paulo Baron, o Rafael Bittencourt e o Fabio Lione disseram algumas palavras, para em seguida rodar um vídeo de homenagem ao Andre, e ao final desse vídeo, surpreendentemente o Rafael e a banda desceram no meio da galera para fazermos uma "roda de violão", sem microfones, cantando alguns versos de músicas do Andre Matos. Eu, o Rafael e talvez mais umas 50 pessoas (por favor, me permitam colocar com esse meu protagonismo) embalamos praticamente à capela as músicas Angels Cry, Carry On e Reaching Horizons, e quando Rafael já finalizaria com mais algumas palavras, o pessoal pediu para ele tocar..... é claro, Make Believe.

Eu não tive a oportunidade nessa vida ordinária de dar um mosh depois de cantar o refrão de Nothing to Say ao lado do Andre Matos, como vislumbrei em meu sonho.... . Mas posso falar que fui presenteado pelo destino como nunca poderia imaginar em nenhum de meus sonhos, pois depois de todos esses longos anos acompanhando e torcendo pelo Angra, tive a glória de junto com o Rafael e com outros colegas, poder cantar em uma roda de violão minha balada favorita em memória da obra de 'meu amigo' Andre Matos. 

.....Foi algo muito estranho, transcendente e sublime que me colocou uma perspectiva de realidade que eu não conhecia; além da recompensa pela fidelidade de fã de longa data, foi como ver um filme próprio em minha cabeça, que começa com um moleque de 16 anos empolgado lendo o encarte de Holy Land com cheiro de novo, enquanto escutava as músicas de sua banda favorita no longínquo ano de 1997. Esse mesmo filme termina 23 anos depois com o mesmo "garoto" chorando a morte de um deles, junto dessa mesma banda como se fossem irmãos...

Depois disso, sou testemunha de que o melhor de minha vida, da sua vida, e da vida do Andre Matos pode ser contado no final das contas, como bonitas obras com começo, meio e fim..., embaladas aos lindos acordes de sons como "Make Believe", "Reaching Horizons", "Carry On", "Stand Away", "Deep Blue", "Lisbon", "Fairy Tale"... pode acreditar.

Obrigado Andre Matos. Por tudo. Descansa em paz meu brother.....

Nota pra sua carreira 10, ou \m/\m/\m/\m/\m/.

Vídeos da homenagem: 




 

terça-feira, 14 de maio de 2019

Angra - Ømni

O álbum Ømni lançado pela banda Angra em 2018, foi escolhido pelo Magician para análise dos Metalcólatras.


Faixas: 1-Light of Transcendence; 2-Travelers of Time; 3-Black Widow's Web; 4-Insania; 5-The Bottom of My Soul; 6-War Horns; 7-Caveman; 8-Magic Mirror; 9-Always More; 10-Ømni Silence Inside; 11-Ømni Infinite Nothing.


The Magician
Olá amiguchos metaleirinhos do meu coração. Trago para vocês mais uma vez a principal famigerada banda de Power/Speed Metal brazuca, mas dessa vez com um trabalho mais recente, e em minha opinião, bem surpreendente.

Quem diria que o Angra um dia voltaria a nos apresentar um álbum sólido novamente hein? Pois eis que surge um trabalho intitulado "ømni" (em latim, "tudo" ou "todos") no início de 2018, após uma reformulação forçada da banda (com a saída de K. Loureiro para o Megadeth), que desbanca a crítica e principalmente o metaleiro que vos escreve, com um conjunto de sons pra lá de qualificados.

Ao iniciar a audição da coleção apresentada nesse trabalho a característica progressiva das músicas obviamente foi o cartão de visitas, o que confesso, me causou preocupação, já que em "Aurora Consurgens" (2006) e em "Aqua" (2010) a banda não conseguiu apresentar nada além desse único atributo. Mas aqui em 'Omni' no decorrer das músicas, uma espécie de veia sonora comum é desenvolvida de modo a amarrar indiretamente todas as faixas e criar uma personalidade própria ao álbum - um DNA necessário para a obra -, coisa que não existia desde o lançamento de "Temple of Shadows" (2004). E isso ficou claro para mim logo após a primeira execução do "CD", gerando uma doce e nostálgica perplexidade que já não sentia há algum tempo quando escutava a primeira vez discos de bandas prog/power como o Angra, algo do tipo: ".... pera aí..., será que esse álbum é assim, bom mesmo? Deixa eu ouvir novamente...". 

Nesse tipo de trabalho, não tenha a ilusão que a primeira audição irá satisfazê-lo, existe sempre a necessidade crescente de dar loop no Mplayer para degustar cada nuança sonora que você não percebeu anteriormente; e acreditem, existe MUITA coisa nova em cada repetição executada das músicas de 'Omni'. Ainda assim, existe espaço para aquelas faixas mais marcantes, que fizeram dos primeiros álbuns da banda as obras clássicas e inesquecíveis que são (composições como Carry On, Nothing to Say, Make Believe, Lisbon ou Speed, por exemplo).

Ao analisarmos o conteúdo musical como um todo (omni) em 'Omni' (¬¬'), percebe-se sua proximidade com o estilo mais recente da banda Dream Theater (fator explicitado inclusive, pelo próprio R. Bittencourt, atual líder do grupo), com suas multi camadas desinibidas de super-distorções sofisticadas e densas de guitarra, além de muito teclado no suporte às orquestrações; adicionalmente, os grooves modernos e rachados (os quais costumo ser bem avesso, é verdade) também aparecem com frequência como base para os vocais mega melódicos de Lione, e oferecem um contraste inovador com resultados verdadeiramente gratificantes. Toda essa "musculatura" sonora ainda é potencializada pelas ótimas linhas de baixo e bateria, que em trabalhos mais modestos, seriam por certo os principais protagonistas.

Mais uma coisa fica clara no direcionamento musical da obra: o Angra volta a navegar nas águas profundas de super-speedy-melodic-metal, um oceano que a banda começou a abandonar desde o lançamento longínquo de "Rebirth" (2001); mas dessa vez estão protegidos por patches mais "gordos" nas bases de 6 cordas, que ofuscam um pouco o excesso de protagonismo que esse estilo naturalmente oferece ao vocal melódico, e ainda promove uma abordagem mais agradável e acessível nesse tipo de composição. O chefe do Angra - Mr. Rafael B. - afirma que toda a concepção de Omni nasceu da faixa Z.I.T.O de "Holy Land", portanto nada mais natural que esse disco voltasse à esbarrar no Speed Metal de forma mais íntima, uma vez que esse é o gênero da faixa original supracitada.

Ao fazer uma leitura sobre a atuação dos membros da banda nas composições do álbum, muito me surpreende como foi saudável para o Angra a saída do "prodígio" Kiko Loureiro - ainda que esse participe de forma direta numa composição desse disco, na excelente faixa "War Horns". Seja direta ou indiretamente, sua substituição parece ter oferecido uma injeção de ânimo ao conteúdo musical do Angra; talvez pela alteração do processo criativo, que devido à "forças maiores" (a força maior é David Mustaine, nesse caso), deixou de ser focado apenas nos dois guitarristas para trazer todo o time para a linha de frente como membros iguais (também, cfe. explicitado por Sr. Rafael De Paula B.). Com essa autonomia o novo guitarrista Marcelo Barbosa desenvolveu ótimos arranjos e solos, e não é demais afirmar que suas referências de trabalhos junto ao Almah (p.e. Fragile Equality) já ecoam em aqui em 'Omni'. Sobre os (as) músicos convidados - Sandy (co-vocalista de Sandy & Júnior) e Alissa White-Gluz (vocalista do Arch Enemy), estão de parabéns: fazem um trabalho providencial em "Black Widows Web", mas acho que foi o suficiente; mais do que isso arriscaria descaracterizar o foco do álbum.

Para fechar, há de se fazer uma menção especial para o trabalho do vocalista italiano tão criticado ao chegar no Angra, e tão criticado pelos "especialistas" ao gravar o seu álbum debut Secret Garden (2014); Sua performance em Omni é perfeita, não ao ponto de apresentar perspectivas verdadeiramente novas para o Angra, mas principalmente ao devolver a dignidade às linhas vocais da banda, que fora judiada por muitos anos em trabalhos anteriores. Sua ótima fluência e sua inequívoca interpretação fica evidente pela primeira vez no Angra, e lhe devolve o título de grande vocalista do gênero que estava trancafiado em algum lugar na Itália. Aproveito para somar à esta menção, a emocionante participação de Rafael Bittencourt em "The Bottom of My Soul", como lead vocal.... se o cara estivesse disposto poderia até pensar em "cortes" na folha de pagamento....

Destaques: "Black Widows Web", "The Bottom of My Soul", "War Horn", "Magic Mirror" e "Always More".

Ótimo trabalho! Grande retomada! Nada como recuperar alguns fãs das antigas, não é mesmo Mr. Bittencourt?

Nota 8,0 ou \m/\m/\m/\m/.


Phantom Lord

Aqui está uma nova categoria de metal: O ufo metal do novo Angra, trazido pelo entusiasta de extra terrestres, Magician. 

Brincadeira. Isto jamais deveria ser considerado um novo gênero de música. 

Omni do Angra é um álbum que resgata um pouco do velho Angra (do Temple of Shadows e talvez um pouquinho dos álbuns anteriores), mas também se aproxima do prog metal. Interessante notar como o vocalista (Lione) alcança um timbre próximo do Falaschi em diversos momentos das músicas. Não sei se precisava ser assim, mas é. Talvez seja um lance de "identidade" da banda, sei lá. 

Apesar de muitas músicas se aproximarem do estilo inicial do Angra, em minha opinião Omni não atingiu o mesmo nível dos primeiros trabalhos da banda, mas nem por isso é um álbum ruim. 

 01-Light of Transcendence 7,3 
02-Traveller in Time 7,5 
03-Black Widow`s Web 5,5 
04-Insania 7,8 
05-The Bottom of my Soul 7,0 
06-War Horns 6,9 
07-Caveman 6,7 
08-Magic Mirror 7,0 
09-Always More 7,2 
10-Omni - Silence Inside 7,5 
11- Omni - Infinite Nothing 7,3 

Nota: 7,1 

 É isso aí, meu. A resenha acabou mesmo. Não enche o saco.


The Trooper
3
Eita resenha difícil de sair! Isso é culpa do Magician, seu amigucho predileto!

O palhaço ficou elogiando um álbum mais ou menos e reprimindo minha avaliação com seu olhar através da bola de cristal ... mas vamos lá.

Omni é um álbum bem produzido e com muita técnica, isso é indiscutível, e não é nenhuma novidade quando isso vem do Angra. O problema ocorre quando você quer ouvir um heavy metal pesado e rápido ... nem vem me dizer que isso é impossível quando o assunto é Angra, no mínimo um dos dois fatores estão presentes, não necessariamente no álbum todo, que o diga Temple of Shadows, aliás, eu deveria usar bastante esse álbum para comparação.

O pior é que existe rapidez e peso em Omni, bem espalhados, é verdade, e quase nunca juntos, mas estão lá, qual o problema então? Depois de todo esse tempo da nova formação eu estou chegando à conclusão de que o problema está nos vocais ... Quê?! Lione é ruim?!

Obviamente, a resposta é não. O problema para mim é encaixar os vocais com o estilo da banda, coisa que o Falaschi fez com facilidade ao substituir o André. Quase nada do que eu ouvi com Lione nos vocais à frente da banda parece Angra. Além das audições que fiz deste álbum, faixas aleatórias ficaram pipocando durante meu dia-a-dia desde que o Magician fez a postagem, e eu comentei com o mesmo que certa vez tocou uma faixa e eu jurava que era Masterplan até reconhecer que era Angra lá pelo meio da música (para você ver que esse Magician é uma farsa, ele não reconheceu o próprio post e me respondeu "O que é Masterplan?").

Eu não sei o que ocorre. Não sei se o timbre da voz dele obriga os caras a comporem com notas alegres, não sei se seu próprio timbre é alegre (algo bem contrastante com os vocais melancólicos do André ou os raivosos do Falaschi) ... não sei. Só sei que não parece Angra e é alegre demais para cair bem nos meus ouvidos.

Sobre o álbum em si, algumas escolhas foram feitas que com certeza não bateram com meu gosto musical. Chamar a Sandy para cantar tinha tudo para dar certo, como o dueto do Tyr que eu comentei no post dos caras aqui. Mas não, chamaram também a substituta da menina chave dos planos de Azmodeus, nossa querida Angela e sua voz infernal, a também infernal, Alissa White-Gluz. Pior, podiam tentar encaixar tudo de maneira orquestral e dar um bom uso para o contraste das vozes, mas não, preferiram cair no chavão do uso de death metal, com as alternâncias irritantes, o que estragou a música de vez, uma coisa chata, parada, um desperdício da voz da Sandy (o Magician teve a pachorra de dar destaque para esta faixa e mais duas baladas sonolentas ... pára véi...pega seus gatos e some daqui...vai se aposentar em outro plano ouvindo um bardo sonolento qualquer).

Outra escolha ruim: pegaram a Companhia Teatral Brasileira do Macaco Louco e botaram os caras pra cantar merda em Caveman. Que porra é essa meu? Vai pastar!

Pra não dizer que o álbum é ruim, Magic Mirror é boa e a faixa que o Kiko compôs (isso não é um bom sinal, a única música que o cara que saiu da banda fez, é a melhor), War Horns, é muito boa.

Enfim, o Angra mudou, senhores, o que é muito comum. Alguns podem achar que foi para melhor, evolução e tal. Not me, bitches.

P.S.: Nem comentei nada da música que é cantada pelo Rafael porque é balada. Canta um metalzão ae pra nóis conversá, truta.

Nota: \m/\m/\m/

Pirika

Eu tinha largado o Angra logo depois que saiu o Aqua, ali pra mim a banda não conseguia mais fazer um som agradável que soasse tão natural, o Aqua me pareceu tão forçado que nem ouvi o Secret Garden além de Newborn Me que é uma ótima música, mas até aí o Aqua também tinha Arising Thunder, então me mantive conservador. Até escutar a bolacha em questão...

Eu confesso que acho a voz do Lione bem versátil para o Angra, melhor até do que a do Edu (Inclusive fui covardemente ofendido por Treebeard e Pentelho por externar uma opinião inofensiva em algum churrasco no passado). Acho que ele faz muito bem as vozes mais graves do Edu ao mesmo tempo que tem muito mais qualidade para notas mais altas, mas aí é questão de opinião (que eu acho que a minha é polêmica, mas ok).

O cd começa bem com Light of Transcendence e Travelers of Time, duas das melhores músicas mais pesadas do álbum. O destaque para esse estilo de música fica para War Horns, com a participação do Kiko, um boa porrada direto na fuça. Magic Mirror também merece seu destaque. Caveman tem um começo onde eu reconheço o esforço na tentativa de fazer algo enraizado, aquela conexão BR e tudo mais porém ficou bem fraco, do meio pro final o a música melhora consideravelmente. 

Silence Inside e Insania meio que passam batido. A Insania até tem uma boa base feita pelo Andreoli que ali e acolá consegue achar um espaço para o seu baixo, coisa difícil em banda do nicho speed/power/melódico onde o baixo é fortemente nerfado. O mesmo ocorre em Always More.

O ponto que mais me chamou atenção nesse cd foi a qualidade das baladas. Tanto The Bottom of my Soul como Always More se destacam no álbum, essa última sendo uma das melhores do cd com um refrão grudento que deixou ela no repeat do spotify por vezes e mais vezes. Infinite Nothing termina o álbum com um instrumental das músicas do cd, não me recordo no momento da resenha de já ter ouvido algo semelhante, achei dahora demais. Ficaria muito melhor se fizessem com músicas antigas, quem sabe uma ideia para o próximo cd como forme de homenagem ao André? :)

Vamos ao destaque Black Widow’s Web, música com Sandy e Alissa White-Gluz. Quando a música saiu muita gente caiu em cima do Angra matando a pau pelo simples fato de a Sandy estar na música, esquecendo que na Late Redemption do ToS eles convidaram o Milton Nascimento e é uma ótima música . O mesmo vale pra essa aqui, eu achei a música muito boa desde  a primeira ouvida. De fato a Alissa tem muito mais impacto na música do que a própria Sandy, o que de nada inviabilizaria a qualidade da música visto que as 2 cantam muito bem dentro de seus respectivos estilos. (A Alissa canta muito bem sem gutural também, não saberei opinar quanto ao oposto).

Em suma: o disco me saiu melhor do que o esperado. Posso facilmente dizer que do que eu ouvi do Angra de mais recente este é o melhor desde o Temple of Shadows. Quem sabe o próximo passo é perder a preguiça e ouvir o Secret Garden? Quem viver, verá.


PS: Abaixo está a prova de que o Angra usou a Sandy de forma completamente fraca, dava pra fazer muito mais.


Top 3: Black Widow’s Web, Always More e War Horns. Shame Pit: Insania.

"And I stood upon the sand of the sea
And saw a best rise up out of the sea
Having seven heads and ten horns
And upon his horns ten crowns
And upon his head the name of Blasphemy."

Nota: 7

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Madame Saatan - Peixe Homem

O álbum Peixe Homem lançado pelo Madame Saatan em 2011, foi escolhido para análise por Phantom Lord.




Phantom Lord


Nada como um momento de improdutividade para cuidar de pseudoprojetos alternativos... Fiquei de trazer esta obra brazuca há anos atrás, mas por uma morbidez generalizada do blog acabei trazendo só agora. 


Peixe Homem do Madamae Saatan é um álbum bastante diferente de tudo que passou por este blog: Um heavy metal de alta qualidade com pitadas de um estilo ou outro e vocal feminino cantando em português mesmo (com um sutil teor nortista), sem dever nada para muitas das bandas gringas. Vocalista afinada, embora me transmitiu um pouco do timbre típico das estrelas do axé (nada contra), principalmente em alguns vídeos da internet. 

A sequência inicial de músicas apresenta muito bem o trabalho, mostrando peso e criatividade em Respira, Fúria e Até o Fim. Sete Dias retoma a pauleira das duas primeiras faixas e A Cicatriz traz uma ambientação mais miserável sem perder o peso. Lá pelo meio, o álbum não me chamou muito atenção, mas recupera a força em Moira e nas últimas duas faixas. 

Enfim... Ouve aí, pois quem não é lambe bota de gringo vai gostar ao menos um pouco. 

01-Respira 7,2 
02-Fúria 7,7 
03-Até o Fim 7,5 
04-Sete Dias 7,7 
05-A Cicatriz 7,2 
06-Invisível 6,6 
07-A Foice 6,7 
08-Moira 7,0 
09-Rio Vermelho 6,9 
10-Insônia 6,7 
11-Sonâmbula 7,3 
12-Sombra em Você 7,0 

Nota: 7,1

The Magician



O álbum nacional da banda Madame Saatan proposto pelo Phantom Lord, é um bom trabalho de Heavy Metal, interessante não só pela sua origem, mas principalmente devido sua  musicalidade.

O som é pesado e direto, as faixas não possuem regressões e na maior parte dos casos são estruturadas em somente versos e refrões, sem muitos interlúdios ou pausas (com excessão dos solos de guitarra). Para algumas faixas - principalmente as 3 primeiras - isso funciona muito bem, já que cria impacto e prende o ouvinte para o que vêm depois; mas com a mesma abordagem ao longo do disco para as 12 faixas, não tem como não cansar um pouco. 

Os riffs no geral são bem feitos com fraseados interessantes, mas quando os vocais entram eles quase sempre recuam para estruturas mais simples, isso porque as estrofes cantadas são longas e elaboradas, e revelam aquele velho problema da nossa 'sofisticada' língua portuguesa com sua abundância de trissilabas e polissílabas, que acabam por roubar forçadamente o protagonismo enquanto ofusca as demais linhas instrumentais. As linhas de guitarra base algumas vezes usam uma abordagem mais moderna, com grooves rachados (em "Invisível", por exemplo, isso é bem claro) no estilo metalcore ou numetal, e quando os guitarristas se limitam nessa técnica, obviamente o som se torna mais simples e repetitivo. 

Nos vocais a moça faz a lição de casa e dá aula no quesito de potência, mas não faz tão bonito nas variações de altura. Aliás fica claro que a intenção da banda não é essa, até pelo timbre da voz mais grave da vocalista e também por causa do peso do som no geral. Confesso que esse estilo meio 'Pitty' dela não me agrada muito, mas provavelmente não ia dar certo aqui em 'Peixe Homem' uma vozinha delicada de menininha tentando brincar com as oitavas.

Quanto as composições, fui surpreendido, pois esperava menos; embora, conforme já escrito, a banda não tenha inserido muitos interlúdios ou bridges nas músicas, os versos e refrões criados são cativantes, e os riffs introdutórios das músicas são quase sempre marcantes. As letras são legaizinhas, e acompanha a tensão das linhas instrumentais (ou vice-versa).

Um bom lançamento brazuca de Heavy Metal, sem muita pretensão é verdade, mas bastante consistente e objetivo. Pena que houve um hiato no poder criativo da banda e o inevitável desmembramento, aparentemente precoce...


Nota 7, ou \m/\m/\m/\m/.


The Trooper
3
Saudações, lixos humanos. De volta a este ambiente pútrido, venho desfilar minhas palavras provindas do caos e entropia.

O alvo da vez é o álbum 'Peixe Homem' da banda brasileira 'Madame Saatan'. Tá, não é bem um alvo. Como disse para o Phantom 'em off', este trabalho me lembrou bastante o álbum que ele mesmo postou do 'Guadaña'. Como semelhanças temos um som pesado com algumas 'modernices', a língua latina e até a foice (ok, forcei, só por causa da faixa 'A Foice').

O trabalho também lembra outras bandas ('Até o Fim', por exemplo, lembrou um pouco Annihilator, principalmente no começo). Se você gosta de um peso mais cadenciado e com algumas experimentações, é bem capaz de gostar bastante deste álbum.

A influência de sons brasileiros se faz presente também (a bateria de 'Sete Dias', por exemplo, lembra algumas 'misturebas' que o Igor fazia). Os instrumentistas são competentes e trazem um trabalho bem sério. A vocalista não tem como não te lembrar a Pity, traz boa interpretação e dá a impressão de ser o carro chefe do álbum, talvez por causa da mixagem/produção bem equilibrada que dá algum destaque aos vocais. As letras são intrincadas, se você gosta de escarafunchar poesias, pode se divertir aqui.

Tudo isso que descrevi até aqui não bateu muito com meu gosto. Achei o trabalho todo muito lento, com um peso que não consegue substituir a falta de velocidade.

Resumindo, é um trabalho bom sim, mas tenho que usar uma abordagem sem sentido 'venanciesca': não despertou nada em mim. E como ele, que não gosta de Megadeth sem sentido algum, eu 'não gosto' do álbum 'Peixe Homem' com pouco sentido, 'não gosto' entre aspas porque não chega a me desagradar, só não agrada mesmo.

Obrigado por me acompanhar em mais uma resenha rasa ... ou não.

Nota: \m/\m/\m/


domingo, 3 de março de 2019

C4 - Call to Arms

O álbum Call to Arms lançado pelo C4 em 2001 foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Gotta run; 02-Love in on time; 03-Call to arms; 04-All I want; 05-That's when it hurts; 06-Heartbeat; 07-Basics of a bullet; 08-High life; 09-I want it; 10-Crazy love




The Trooper
3
Olá novamente. Bem-vindos ao blog do Trooper. Esta era uma postagem que estava na manga há um bom tempo, não veio antes porque não era tão bom assim para elogiar e nem era ruim o suficiente para merecer uma postagem só de xingamentos.

Em primeiro lugar, já devo avisar que este é um álbum de hard rock, bem próximo da farofa. Ele também entra em conflito com as regras do nosso Mago Ordeiro Opressivo, porque pode ser considerado de certa forma um álbum de covers.

O C4 foi uma banda formada por Michael Angelo Batio para gravar o álbum Call to Arms, a única música original é a homônima ao álbum, o restante são regravações de músicas que Batio tem direito de autoria da época em que era guitarrista das bandas Nitro e Holland. Aliás, apenas uma música da época do Nitro, Crazy Love, o que foi uma decisão acertada, é só comparar fotos das duas bandas.

Nitro:

Holland:


E isso é confirmado ao chegar na última faixa, uma balada melosa que é de longe a pior faixa do álbum.

De qualquer maneira, o álbum é bem interessante por dar uma roupagem nova ao hard rock. Com certeza a produção ajudou e muito. A faixa-título é heavy metal puro e é uma bela amostra do que Batio poderia fazer se quisesse tocar heavy metal ao invés de querer ser o melhor guitarrista do mundo.

Recomendo ao menos conhecer.

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Dan Lenegar manda muito bem nos vocais.








Phantom Lord


Após um longo período de inatividade, cá estamos nós novamente (o que sobrou dos metalcólatras). O Trooper deve ter passado por uma crise existencial ou apenas de tédio para postar novamente neste blog... 

Independente das crises dos metalcólatras, Call to Arms do C4 é um álbum da família do rock, o que inclui alguns de seus gêneros e espécies (subgêneros de acordo com os pseudo-experts em rock, metal e afins). 
Podemos notar um rock a lá David Growl na faixa 2 (Love in on time), uma pirulitagem guitarrística à moda de Impellitteri na faixa 5 (That`s when it hurts) enquanto Heartbeat começa de um modo pop rock muito familiar... 
A faixa título parece que será um pusta heavy metal genial, mas acaba tornando-se uma música lenta e repetitiva apesar dos ocasionais solos de guitarra fritadores. 
Enfim existem variações do hard rock ao um (não tão) heavy metal pelo álbum todo. Isso não é algo horrível, mesmo porque o guitarrista parece bom e os demais integrantes parecem competentes, mas... As duas últimas faixas acabam piorando o álbum, tornando-o um grande tédio meloso e medíocre... 

01-Gotta run; 7 
02-Love in on time; 7 
03-Call to arms; 6,9
04-All I want; 6,7
05-That's when it hurts; 7 
06-Heartbeat; 6,6
07-Basics of a bullet; 7,2 
08-High life; 7,4 
09-I want it; 5,5 
10-Crazy love 4,8 

Nota: 6,5 

P.s.: Engraçado ver esse Trooper borocochô criticando a música Bed of Nails do tio Alice "offline"... E me fazendo ouvir músicas como Crazy Love do C4. 
Pula que barril! 



The Magician


Convocado das trevas infernais e distorcidas de nossa realidade direto para o blog Metálcolatras! Para resenhar sobre.... C4??!

Bom, vale a advertência do segundo parágrafo do review do Trooper sim senhor, este álbum não devia estar aqui para análise dos maiores especialistas em Metal do multiverso (nós) já que nem se trata de um álbum de músicas inéditas, e nem, ao mínimo, é obra de uma banda de verdade.. é um trabalho que primordialmente serve para nutrir o ego de um dos "melhores" guitarristas da época moderna e seus respectivos fãs-boys. 

Dado o momento trevoso de nosso blog, de nosso país e de nosso mundinho orgulhoso de si mesmo, no entanto, essa iniciativa ridícula da postagem do Trooper se torna afinal válida (nem que seja para embutir suas mensagens subliminares nas entrelinhas de suas postagens, pois desconfio que o motivo principal seja a capa do álbum, imagens religiosas reais que sobreviveram à ruína completa de uma igreja texana e deixaram uma mensagem simplória para os beatos "a fé resiste à tudo"). Sendo assim cabe à este mago decadente falar sobre o material sonoro da coleção do Mr. MAB.

A maior parte do conteúdo é hard rock feijão com arroz (e farofa), com criatividade medíocre mas com boa qualidade na prensagem; as distorções das guitarras e as abordagens das linhas de baixo foram bem escolhidas e soam naturalmente, acrescentando um vocal que não destoa do que costumamos escutar em um padrão de Hard Rock segunda-linha, com algum backing de apoio útil, e mais alguns coros de valor em refrões esparsos no trabalho. Até aqui sem novidades, pois MAB é um bom produtor musical, mas sobre seus solos de guitarra..... não preciso falar muito né? (¬_¬') salvo raríssimos momentos iluminados quando o líder da 'banda' pára um pouco seus dedos para sustentar uma única nota, é aquela pusta pirulitagem infinita e desproporcional de sempre, que transita do nada ao lugar nenhum...

Mas admito que o hard me ganha facilmente, meus ouvidos são adaptados à esse estilo de rock (provavelmente por causa do GnR e Skid, bandas que eu escutava nos meus longínquos 6/7 anos de idade) e dependendo da situação acabo não reclamando nem mesmo de alguns trabalhos bem miseráveis do gênero, sendo assim até consigo tirar coisas boas desses discos para minha playlist; o exemplo em Call to Arms é a faixa "High Life", aqui sim um hard de primeira linha que em alguns instantes até me lembrou os grandes clássicos dos mestres Sykes/Coverdale.

Essa é a minha resenha do álbum que está dentro de um conjunto inter-relacionável de sons do gênero hard-rock, mas como na verdade é uma coletânea (né?), existe um Heavy Metal perdido aí no meio... a faixa título. E o Trooper tem razão neste caso, o som é muito bom por sinal, digno de qualquer outro grande álbum de Metal (menos esse, em qual foi inserido). Subiu o sarrafo.

Nota da coletânea: 6,8 ou \m/\m/\m/.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

Lou Reed & Metallica - Lulu

O álbum Lulu lançado por Lou Reed e Metallica em 2011 foi escolhido por The Trooper para análise.



The Trooper
3
Saudações! Péssimo ano novo para todos nós! Após um aband... digo, uma pausa de quase um ano, retorno para atormentar os seres vivos presentes. E volto com uma postagem de m....... para combinar com o ano de 2019. Um ano que começou para os brasileiros com tragédias que são apenas o prenúncio do que está por vir.

Para você, que começou no ano passado a dar sua contribuição para 'merdear' nossas vidas (como se precisássemos ... peões sujando suas mãos no tabuleiro sem necessidade), trago um trabalho para lá de especial. Um trabalho que reflete exatamente o que vivemos hoje, algo desconexo, desprovido de sentido, fruto de uma alienação e fantasia sombria. Um pesadelo se tornando realidade.

Lulu é com certeza, uma das piores coisas que já ouvi. Talvez o propósito dos artistas tenha sido exatamente causar esse desconforto nos ouvintes, se esse é realmente o propósito, então Lulu é uma obra-prima.

Para quem ainda consegue ficar triste com tudo isso, ouça o álbum e corra o risco de suicídio. Para aqueles que ainda conseguem rir de nossa burrice e arrogância, dou-lhes esta imagem roubada da Desciclopédia:



Boa tortura para todos nós.

P.S.: Não há lista com o nome das faixas.
P.P.S.: Não há qualquer mãozinha de nota, eu poderia atribuir mãozinhas negativas mas prefiro me recusar a atribuir qualquer valor a isso.

sábado, 31 de março de 2018

Helloween - Better Than Raw

O álbum Better Than Raw, lançado em 1998 pela banda Helloween, foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01-Deliberated Limited Preliminary Prelude Period in Z; 02-Push; 03-Falling Higher; 04-Hey Lord!; 05-Don't Spit On My Mind; 06-Revelation; 07-Time; 08-I Can; 09-A Handful of Pain; 10-Lavdate Dominum; 11-Midnight Sun; 12-A Game We Shouldn't Play



The Trooper
3
Tive que consertar uma injustiça minha ao não incluir Better Than Raw como um dos melhores álbuns do Helloween ... e aqui estamos, senhoras e senhores, eu vos apresento: Better Than Raw.

O álbum abre com a pedrada Push (atualmente, devido ao meu trabalho, eu me lembro com frequência dessa música porque tenho que dar push nos meus commits de git), então entra Falling Higher, e podemos perceber que não são apenas as guitarras e vocais destruindo, o baixo também está muito bom, o que é confirmado na faixa seguinte, Hey Lord! ... Aliás, pausa para citar as letras desse álbum, algumas delas são realmente excepcionais.

E eu ia falar das faixas na sequência, mas puta que pariu! Só vem pedrada! A distorção animalesca nas guitarras que eu cito em The Dark Ride já aparecem por aqui com abundância (em doses um pouco menos cavalares), em Revelations ela é acompanhada pelas cacetadas da bateria.

O que ocorre aqui é um verdadeiro show de habilidade com todos os instrumentos e vocais (um especial destaque para o baixo), uma verdadeira obra-prima. Para o álbum ser perfeito, talvez Lavdate Dominum tivesse que sair em outro álbum (não que ela não seja boa, mas dos pontos extremamente altos do trabalho, ela é o ponto mais baixo).

Enfim, é um dos três melhores álbuns do Helloween, mas sinceramente, minha opinião sobre qual dos três é o melhor muda cada vez que eu ouço um deles.

Nota: \m/\m/\m/\m/\m/

P.S.: As versões que contém A Game We Shouldn't Play não estão muito claras para mim, mas ela é muito boa para eu deixar de fora desta aqui.




Phantom Lord
Este é mais um dos álbuns "super escutados" por mim, então não é difícil "resenhar" sobre. 
Better Than Raw segue uma linha quase padrão do Helloween: Com uma dominância de ritmos acelerados, vocais melódicos e distorção das guitarras dando certo peso às músicas. E como aconteceu com álbuns mais antigos do Helloween, algumas músicas do Better Than Raw parecem ter servido de inspiração para variadas bandas que gravaram álbuns após este lançamento. 
Ritmos mais lentos podem ser percebidos em músicas como Don`t Spit in my Mind, música que por sinal traz um assunto importante que não posso deixar passar batido: 
"We are the people, we are the masses you are for 
We give the power and our desire must be your law" 
Se metade dos brasileiros soubesse que eles tinham direitos, não estaríamos dominados por mídias porcas sensacionalistas, sonegadoras, à serviço da corporação que paga melhor. Não estaríamos perdendo a infra estrutura nem estaríamos correndo o risco de ser "governados" por aqueles que deviam nos proteger de ameaças EXTERNAS. Para quem não manja de inglês, traduzo o trecho da música: "Nós somos o povo, somos as massas que vocês representam Nosso desejo deve ser tua lei" 
Pois bem, isto significa: O desejo do povo deve ser a lei de uma nação democrática. Povo é a maioria e a maioria da pseudo república brasileira são os pobres. Os pobres que quanto mais alienados pela educação sucateada e pelas mídias traíras, menos conhecerá seus direitos... E terá menos e menos direitos. Talvez eu devesse agradecer os caras do Helloween, por seus trechos "esquerdistas" demais para o atual gado brasileiro. A Alemanha tem muitos podres em sua história, mas ao menos quando os caras do Helloween gravaram este álbum, eles pareciam se sensibilizar com a sociedade (hoje não sei, porque mal acompanho novos lançamentos). 
Enfim, voltando ao álbum: I Can, Handful of Pain e Hey Lord também são músicas geniais... Acho que o único ponto fraco do BTR é Laudate Dominum que parece completamente perdida. Deve ser porque se trata de um cover "metalizado" de música clássica, sacra ou algo assim. 

01- Prelude; (vide Push) 
02-Push; 7,8 
03-Falling Higher; 7,6 
04-Hey Lord!; 8 
05-Don't Spit On My Mind; 8,5 
06-Revelation; 7,5 
07-Time; 8 
08-I Can; 8,9 
09-A Handful of Pain; 8,9 
10-Lavdate Dominum; 5,5 
11-Midnight Sun; 7,6 
12-A Game We Shouldn't Play 7,8 

Modificadores: 



Nota final: 8,1

 P.s.: Nem todo "power" metal tem que falar de fadinhas e dragões. Ainda bem.


The Magician
O álbum Better Than Raw (BTR) representa pra mim um marco na carreira da principal banda de Power Metal alemã. É a oficialização da despedida do estilo mais melódico que foi forjado durante a primeira década do Heloween e que já vinha sendo depreciado desde a saída de Kiske, ao tempo que assume de vez o peso das distorções e o uso dos tons mais baixos na maior parte das pautas do disco. Mas é também um evidente e importante ponto médio - e um mix - dessas duas super características musicais do grupo, o que deixa o álbum de certa forma com 'um quê' de experimental épico (mesmo se levando em consideração os muitos anos de estrada do Helloween, e todas suas muitas outras obras "experimentais e épicas").

Um ouvinte distraído escutando o trabalho "por cima" provavelmente irá cravar o disco como uma poluição sonora confusa e sem objetivo, o que em se tratando de Helloween não é nenhuma novidade (e no caso da música "Revelation", bem no meio de BTR, acho que essa seria a melhor descrição mesmo...), mas o segredo da banda está em cada pedaço dessa obra, cada som guarda sua qualidade própria e única com notória dedicação e cuidado dos compositores. As músicas do BTR são como produtos de alquimia, que unificam elementos discrepantes para entregar uma espécie de artefato mágico (pernas de aranha..., remelas de uma velha..., lágrimas de bebê..., chifres de bode..., essência de baunilha, e temos.... TÃ-RÂM: Uma poção do amor!). 

Dentro dessas fórmulas malucas do grupo de tiozões, algumas seguem a mesma lógica: "Falling Higher", "I Can" e "Midnight Sun" são músicas memoráveis que ficam nessa intra-zona do extremamente pesado e também do extremamente melódico, e por isso são o verdadeiro cartão de visitas desse álbum, uma espécie de síntese de qualidade que pode resumir o que é o BTR; "Dont Spit on My Mind" e "Push" atuam com mais peso e menos melodia, enquanto "Laudate Dominvm" entrega mais melodia e menos peso, mas ambas músicas ainda se encontram dentro desse "core" que é a linha principal de composição do BTR; Os sons que saem mais dessa linha peso britadeira+melodia exagerada são justamente os que mais se destacam: "Time", "A Handful of Pain", e "Hey Lord".

Um parágrafo para a música "Time" (os Hellraiser piram): com linhas que não são tão melancólicas como suas as letras - fato - essa é a balada da coleção de BTR, e executa com grandeza essa função; destaca-se a colocação dos arranjos sinceros de cordas nos versos, na verdade um arpejo principal trabalhado em dois tons que não é um dos mais belos ou criativos já escutados nos trabalhos do Helloween mas que de forma bem interessante passa a ideia de tensão sob um padrão repetitivo, e serve afinal como uma bela parede sonora para o canto hipnótico e imersivo de Derris, até a chegada dos explosivos refrões que são a essência da melodia. Os refrões, diferente do que se ensina nos paradigmas do Metal, não são conduzidos pelos acordes de guitarra e sim pelas linhas geniais do contra baixo de Grosskopf, cara que para mim, ultrapassou o nível dos 'maiores baixistas do Metal'. A música não possui um solo de guitarra bem delineado e somente o choro intermitente da guitarra distorcida aparece de forma descompromissada no interlúdio da música, perto do desfecho final, e não é necessário nenhum solo, pois o foco da música está na criação do padrão contínuo e sem pausa que retorna após cada refrão de onde estava antes, da mesma forma que age o próprio tempo. Aliás, o Helloween não dá ponto sem nó sobre o sentido musical figurado ou metafórico, e nas partituras de "Time" o que se destaca mesmo é a cadência e a interpretação da bateria que conduz as linhas à (obviamente) 60 bpm, funcionando literalmente como um relógio, sendo que no 5º compasso Herr Uli imprime em sua bateria uma simulação do tic-tac dos ponteiros até o 26º compasso quando o cara tira não sei de onde um pêndulo de um cuco alemão (sem eliminar o "tic-tac")....

São mesmo músicos de mão cheia....., que só o Heavy Metal pode proporcionar a você.

Ah, a melhor música de BTR na minha opinião é com certeza "Hey Lord!", uma das melhores 'ever' do acervo total da banda, mas que não vou gastar (rasgar) muitas palavras para definir, basta dizer que ela transmite de maneira obliqua um momento particular meu, que questiona as "verdade" / "mentiras" e os "certos" / "errados" criados por alguém e endossados pela sociedade.

Nota 8,5 ou \m/\m/\m/\m/.

...what is it all about?