segunda-feira, 24 de março de 2014

Kayser - Read Your Enemy

O album Read Your Enemy lançado pelo Kayser em 2014, foi escolhido por The Trooper para análise.


Faixas: 01-Bark and Bow; 02-Bring Out the Clown; 03-I'll deny You; 04-Dreams Bent Clockwise; 05-Read Your Enemy; 06-Almost Home; 07-Where I Belong; 08-He Knows Your Secrets, 09-Forever In Doubts; 10-Carve the Stone; 11-Roll the Dice; 12-The Fake Rose.


The Trooper
3Estava dando uma olhada nos lançamentos de 2014 e acabei encontrando o último álbum do Kayser, daí como de costume fui clicando nos links sugeridos do Youtube e fui caindo de banda thrash em banda thrash ... pra variar meus ouvidos limitados não conseguiam diferenciar uma banda da outra, uma música da outra, todas iguais, uma pancadaria mono-tom. Acabei voltando ao Read Your Enemy, que por se diferenciar dos outros álbuns das super-bandas-clone-thrash causou uma boa impressão em mim. O Kayser distribuiu porrada por todo álbum de maneira inteligente, pelo menos em comparação com 90% das bandas que eu ouvi. O  instrumental é muito bom, embora alguns refrãos acabem se tornando parecidos, principalmente por causa do vocalista que parece cantar do mesmo jeito na maior parte do tempo, eu até curti esse estilo Mustaine-gritado, mas ele podia tentar dar uma variada de leve.
Enfim, cumpre seu papel de manter o thrash vivo e revigorado, obrigado camaradas suecos.
Destaque para Almost Home, He Knows Yours Secrets e Carve The Stone.

Nota: \m/\m/\m/\m/

  Phantom Lord
A banda Kaiser é mais uma novidade em meu repertório... 
Logo nas primeiras músicas é possível notar a criatividade da banda dentro do já surrado thrash metal... Como o Trooper citou, a linha do vocal se parece um pouco com o Mustaine do Megadeth, mas é um pouco mais rasgado, ou talvez, escrachado. 
A banda não se arrisca muito no que se diz respeito a uma variação de ritmo ao longo do álbum, apesar disto ser uma característica comum em trabalhos do thrash metal... Como um todo, Read Your Enemy é um bom álbum repleto de pedradas, porém a longo prazo, o vocal ser um pouco cansativo e a distorção/ritmo das guitarras pode embolar um pouco as faixas. 

 Bark and Bow 7,5 
Bring Out the Clown 7,7 
I'll deny You 7,9 
Dreams Bent Clockwise 6,8
Read Your Enemy 7,5 
Almost Home 7,4 
Where I Belong 7,3 
 He Knows Your Secrets 7,7 
Forever In Doubts 7,1 
Carve the Stone 7,8 
Roll the Dice 7,2 
The Fake Rose 6,9 

 PS: Pensei em juntar os demais metalcólatras para sovar o Trooper por não ter baixado e compartilhado o álbum, mas tudo bem... Desta vez passa... Ouvir Read Your Enemy pela internet serviu para que eu prestasse mais atenção nas letras para não me perder na hora de reconhecer as faixas. 

 Nota Final: 7,3


The Magician
A sonoridade da banda Kayser, natural da Suécia (possível nova Meca do Heavy Metal), ao lado de outros trabalhos interessantes da última década reforça a ideia de que a depressão do gênero ocasionada na virada do século esteja talvez, sendo superada.
Acredito que esse processo é de certa forma um reflexo da relação do gênero metaleiro com a mídia e a indústria musical como um todo, e explico: ao tentar incansavelmente e falhar repetitivamente nas suas investidas de direcionamento dos produtos da música pesada ao rumo do pop comercial, as corporações musicais através de seus representantes e agentes, em sua maioria encostaram esse gênero musical. Logo, coube às gravadoras e etiquetas menores (ou às produções independentes de gente que realmente entende ou gosta de Heavy Metal) abocanhar esse mercado tido como falido ou sem rentabilidade. Ótimo, porquê aos poucos podemos perceber que o Heavy Metal consegue nivelar as características do consagrado Old School com os artifícios mais modernos que são interessantes para a definição de uma personalidade genuína de uma nova geração de Metalheads, sem que os "gurus" da oligarquia musical/midiática prescrevam a direção da música pesada.

Ainda que o trabalho de "Read Your Enemy" não seja de saltar os olhos (ou os ouvidos), é exatamente disso que estamos falando aqui; a sonoridade é consistente a ponto de fazer um bom Metal "hallshaking" durante toda sua extensão inspirado em grandes petardos de bandas como Pantera, ou dos hits mais pesados do Motorhead. Aliado ao estilo quebra-tudo das guitarras e bateria, se apresenta um vocal de trash moderno que flerta com o Groove/Sludge Metal, muito mais inclinado ao estilo de Zack Wild, em minha opinião, do que ao estilo arranhado de Mustaine ou Chuck Billy, por exemplo.

Um destaque criativo que é necessário ressaltar neste caso é a faixa 3 "Ill Deny You". Com especial menção ao refrão super grudento, um daqueles acertos raros em que a música parece se compor sozinha, uma nota puxa a outra, e você já sabe quais são as notas da melodia antes mesmo de serem tocadas, um espécie de "de ja vú" sonoro. Um exemplo memorável desse estilo de composição é o trecho clássico do solo "cantado" nas guitarrs de Janick Gers em "afraid to shoot strangers" do Maiden...

A conclusão é que o trabalho do Kayser, consistente e com apenas um grande hit, ao lado de outras obras dessa nova geração do Metal, servem para aplainar o terreno novamente, construindo estilo de som que é sobretudo inspirado nos grandes trabalhos das bandas de rock pesado nos anos 90. 

Mesmo com todos os impeditivos e obstáculos que o gênero teve que superar nas três últimas décadas, parece que as grandes influências de minha geração afinal, se fazem valer.

Nota 6,9 ou \m/\m/\m/.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Scorpions - Blackout

O álbum Blackout lançado pelo Scorpions em 1982, foi escolhido para análise por Phantom Lord.


Phantom Lord
Depois de passar a infância e adolescência (na verdade, dos 9 aos 25 anos de idade) ouvindo músicas do Scorpions espalhadas pelas programações das estações de rádio, finalmente decidi ouvir alguns álbuns desta banda por volta de 2006. Comecei pelos álbuns In Trance e Blackout, para pouco tempo depois explorar o Lovedrive e o Love at First Sting... 
... Apesar de ouvir que o Scorpions foi uma grande influência para as vertentes pesadas do Rock, como o Heavy Metal e até ver alguns indivíduos classificá-lo como pertencente ao gênero Power Metal, a conclusão que eu tive é que esta banda trabalha principalmente dentro do estilo Hard Rock... Um Hard Rock virtuoso, com algumas vagas aproximações ao heavy metal, e várias músicas carregadas de "glamour" e "farofa". Para confirmar isto basta conferir o nome de alguns trabalhos e escutá-los... 

 Mas vamos ao álbum escolhido: Blackout lançado em 1982, após a banda já ter se aproximado do Hard Rock "romântico" lá pelo ano de 1979 ou 1980, já tinha quase tudo para ser um disco "Love Metal" (ou farofão), mas até que se desviou deste caminho meloso e entediante... Com ao menos 3 faixas do tipo rock-pedrada-na-orelha este álbum consegue ser o provável maior vínculo do Scorpions com as vertentes mais pesadas do Rock. (Provável porque ainda não ouvi a discografia inteira dos caras...) 
A produção do Blackout se aproxima do rock "comercial" dos anos 80 (o tal glam/farofa) mas ainda é rústico se comparado com o pop-enfarofado Love at First Sting, o disco contenedor dos hits Rock You Like a Hurricane, Big City Night e Still Loving You. 

Blackout 8,9 
Can`t Live Without You 7,2 
No One Like You 7,0 
You Give Me All I Need 6,4 
Now! 7,9 
Dynamite 7,5 
Arizona 7,0 
China White 6,9 
When The Smoke is Going Down 6,6 

 Nota Final: 7,3 

PS.: O Scorpions gravou algumas músicas genialmente aceleradas ou pesadas em álbuns anteriores a este, porém tais álbuns apresentam muitas faixas distantes do heavy metal. Recomendo as músicas Dark Lady (a original e "Blacksabbathica"), Robot Man e Another Piece of Meat (que conheci via o ótimo cover feito pela banda Metalium).

The Trooper
3Eu poderia dizer que por trás desta carcaça morta-viva com lencinho vermelho, armadura negra, espada longa enferrujada sob a iluminação dos relâmpagos da capa do Metallica, está uma alma com lencinho vermelho na cabeça, óculos coloridos e calça colada comendo farofa, mas tudo bem Phantom, eu entendo a necessidade do Scorpions aparecer por aqui, afinal alguma coisa precisa ser dita sobre esta banda que existe há milênios enganando leigos com o nome Escorpiões (quem ouve acha que é alguma banda de heavy metal). O Phantom acerta ao dizer que três faixas são "pedradas": Blackout (muito boa), Now (boa) e Dynamite (medíocre). O resto (assim como grande parte das letras) é de uma melação nível épico, quando o álbum chega em Arizona eu já estou gastando toda a minha força de vontade pra terminar de ouvir o trabalho dos caras e não trocar pra algum outro cd mais legal. Sobre as letras, o que não é melação é putaria, com exceção de duas músicas: China White (tudo a ver com o contexto de uma Alemanha dividida por um muro de Berlim) e When The Smoke is Going Down (que deve ter sido escrita para os fãs).
Por fim, dá pra perceber que a do Scorpions é sexo, drogas e rock'n'roll, mas a melodia é voltada para conseguir o primeiro item do lema mesmo, então não dá pra esperar algo muito pesado da banda.
Destaque para Blackout (embora a letra tosca deva ter sido influenciada por algum membro da banda que chapou e pegou alguma mina -ou travesti- cuja beleza -atributos- o fez se arrepender) com instrumental que quase engana aqueles que acham que Scorpions é banda de heavy metal.
O destaque negativo vai para You Give Me All I Need, além da melodia xarope, a letra de corno (nada contra relacionamentos abertos, mas corno manso chorão é algo muito triste) é "difudê".

Nota: \m/\m/\m/

The Magician
Sou suspeito para falar do Scorpions, banda alemã pré histórica e uma das grandes contribuições para minha "formação musical". Por isso, não me cobrem coerência, afinal o Metal, o Rock, enfim... a música não é coerente, nem tem uma relação tão próxima com a lógica.
Digo isso talvez, como uma defesa instintiva de eu criticar o Glam Rock oitentista tão veementemente em postagens passadas (link) aqui no blog, pois, Blackout é descaradamente moldado na fôrma de farofa que sustentava metade das bandas criadas em L.A naquela época (embora Blackout tenha sido gravado em estúdios na França e na Alemanha). 
O ponto é que, além dos alemães serem na verdade co-criadores do gênero (assim como Alice Cooper), sou fã incondicional dos vocais de Meine e das assinaturas da guitarra de Schenker, esses elementos foram cravados em minha mente desde os primórdios, quando tive o primeiro contato com a banda através do programa referencial de VJ da TV Gazeta que constava na programação dos anos 80: o falecido "Clip Trip". 
E afirmo que embora Dokken tenha gravado as demos desse álbum, Meine tem uma voz sem equivalente no mundo do Heavy Metal, demonstrando um timbre compatível tanto para Hard Rock rasgado, quanto para as mais épicas baladas do gênero.
O disco é ágil, não exige muito do ouvinte na medida que a maioria das faixas possuem de 3 a 4 minutos. Seu conteúdo desfila a gritaria rasgada de Meine que puxa os arranjos de Schenker/Jabs, com licks furiosos, como sempre. Duas músicas são o grande destaque, inclusive, faixas de promoção do álbum: "Blackout" e "Cant Live Without You", mas acrescento em favor do disco mais duas faixas em que de fato houve uma doação do talento dos envolvidos: "Dynamite" e "China White".
No geral um disco suficiente, não para escrever a história do rock, mas para contribuir com mais hits explosivos da banda e injetar mais nitroglicerina naquele motor do Rock oitentista.

Nota 7 ou \m/\m/\m/\m/.

P.S: Falando mais particularmente sobre Scorpions x Heavy Metal, e menos sobre o álbum que é apenas mais um na carreira dos caras, o Heavy Metal produtivo da Alemanha deve boa parte de seu sucesso a esses caras; que durante os anos 60, ousavam um estilo como nenhuma outra banda naquele país naquela época. Abriu as portas para bandas como Helloween, Warlock e até mesmo para o Accept, sendo os verdadeiros responsáveis pela região, anos depois, se transformar na verdadeira Meca do Metal.  

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Týr - Valkyrja

O álbum Týr, lançado em 2013 pela banda Týr, foi escolhido por "The Magician" para análise dos Metalcólatras.
 

Phantom Lord
Pode parecer que esta banda não traz algo novo ao blog, mas a verdade é que o tal Folk Metal ainda não foi devidamente explorado no espaço dos Metalcólatras. 
Folk Metal? 
Pois é, como não sou estudioso de música nem adoro estes rótulos, tentarei ser breve na "classificação" do estilo musical. Folk Metal pode ser considerada a vertente do Heavy Metal que explora musicas tradicionais de uma determinada região. A palavra Folk está relacionada aos termos povo, tribo, folclore etc. Bom, então, existe um estilo folk para cada canto do planeta... e já passou alguns estilos "folk" aqui pelo blog... 
Vide Arya, que em algumas de suas músicas mostrava melodias/ritmos típicos da Rússia... 
O Folk aqui no disco do Tyr, é do "canto do mundo" conhecido como Ilhas Faroe... Embora 99% da população mundial nem deve saber que as Ilhas Faroe existem, não é necessário estudar geografia para saber que o trabalho do Tyr aborda a cultura nórdica, basta ver o nome de algumas músicas. 
Enfim, podemos concluir que o Folk Nórdico é o "Viking"... Eu não tenho certeza de como eram as músicas vikings (acho que nunca ouvi alguma), mas este é o rótulo dado pelos críticos de música... O que me faz pensar qual seria o (sub) rótulo do álbum Holy Land do Angra... Tupi-Metal, Pataxó-Metal? ...Sei lá... 

Falando do álbum em si, excluindo os elementos "folk" (ou vikings) do trabalho, temos o que eu, genericamente chamo de metal melô, ou seja, músicas que flutuam entre o power e o speed... como sempre. Afinal de contas estas vertentes do metal sempre veneraram a cultura nórdica, desde o Manowar até centenas de outras bandinhas que eu não me lembro dos nomes agora. Então é natural que o Folk nórdico tenha elementos power/speed e é melhor que seja assim, porque quando as bandas do norte da Europa optam por fazer outro tipo de "Folk Metal" elas tendem a utilizar elementos do Death/Black Metal com os não-tão-clássicos vocais urrados e/ou destribuchados. 
Voltando ao Valkyria do Tyr, podemos notar um trabalho bem executado porém com um vocal que alterna entre um estilo desanimado-tristonho e um estilo vagamente Blind Guardian... As letras parecem quase todas relacionadas a cultura nórdica (como era de se esperar), mesmo a bizarra faixa 2, ainda que esta possa ser interpretada como uma visita a um bordel-sado-masoquista. 
Hel Hath No Fury apresenta trechos mais cafonas do que as mais cafonas músicas do Helloween e Another Fallen Brother possuí quebras de ritmo um tanto desconexas, mas nenhum destes defeitos chega a estragar as músicas por completo, pois os instrumentistas parecem bem competentes. 
Enfim, acho que como eu não tinha nenhum álbum "viking metal" em meu computador, deve valer a pena manter o Valkyria do Tyr aqui em meu pc para que eu escute de vez enquando... 

 Blood of Heroes 7,2 
Mare of My Night 6,1 
Hel Hath No Fury 6,7 
The Lay of Our Love 6,9 
Nation 7,0 
Another Fallen Brother 7,0 
Grindavísan 7,0 
Into the Sky 6,8 
Fánar Burtur Brandalijoo 7 
Lady of the Slain 7,6 

 Nota Final: 7,0 

 PS.: Para quem odiou os discos com músicas cantadas em russo, italiano, alemão, japonês que passaram por este blog... Neste álbum temos algumas cantadas em... feroês, que deve ser algo como uma mescla de dinamarquês com islandês.


The Magician
Para que uma data tão importante como o Ragnarok - fim do mundo na versão da mitologia nórdica - não passe batida por esse blog repleto de cultura e conhecimento, trouxe aos queridos colegas Metalcólatras a banda Týr, direto das Ilhas Faroé.

Os escandinavos e sua cosmologia singular não poderiam ser melhor representados do que por uma banda como "Týr", sendo que suas letras focam quase que completamente os contos e lendas do "Edda em Prosa" e as antiquíssimas histórias de Asgard. Não que as epopeias nórdicas sejam uma verdadeira novidade para Heavy Metal, aliás bem sabemos, que o Manowar já explorava suficientemente essas referências folclóricas no início dos anos 80.  Mas convenhamos, na contextualização desses vikings existe uma nuança própria e genuína que não engana, e modifica a ambientação normalmente apresentada pelas bandas comuns de Power Metal.

Esses asgardianos levam a sério seu estilo de música, já que a maioria das canções, se filtrarmos as distorções pesadas, poderiam muito bem ser entoadas por batidas de copos sobre uma mesa de carvalho secular de alguma taverna na Escânia medieval (termo original germânico utilizado pela descrição de Plínio, o Velho em 1D.C); ou adaptadas como um hino de batalha / elegia fúnebre (baritusou ainda como um canto ritualístico da época. Ou seja, notoriamente é inserido um conteúdo cultural/regional nas canções, seja pelo padrão do intervalo dórico comum na música celta, pelo padrão de voz do vocalista ou pelos andamentos totalmente descontinuados da música folclórica dos vikings.

Mas os homens das neves embutiram todos esses fatores sem eliminar os dogmas mais fundamentais do Heavy Metal, i.e. sem ceifar as distorções e ainda por cima com grandiosas sequências de bumbos galopantes, e principalmente por isso chamou a atenção deste metalcólatra que lhes escreve. No fim das contas é um álbum bastante criativo e diferente, muito peculiar e que talvez possa lembrar em algumas passagens alguns registros do Blind Guardian (acredito eu que principalmente pelo timbre de Heri Joensen se assemelhar ao de Hansi Kursh). 

Mas para aquele que nunca ouviu falar da banda e que pensa que sou um profundo olheiro do Metal,  afirmo que é muito pelo contrário; o grupo já é bem badalado em algumas mídias especializadas do gênero, e para os conhecedores das sub-ramificações (atribuo esse estilo ao "Viking Metal" mesmo, já que a temática foi arreganhada, e folk, em minha opinião seria no caso de haver presença de instrumentos acústicos com o acréscimo de alguns aerofones) é até certo ponto, uma banda já consagrada, de modo que o álbum anterior "The Lay of Thrym" foi muito bem recebido pela crítica.  

É bom saber que ainda florescem ideias produtivas nos vastos desertos gelados do Metal.

Destaque para a faixa de abertura "Blood of Heroes". Nota 7,4 ou \m/\m/\m/\m/.

P.S: Os covers de Maiden e Pantera são destruidores, com menção especial para uma das melhores e mais ignoradas músicas da donzela "Where Eagles Dare", o cara simplesmente se esgoela nessa interpretação (ao seu modo é claro).

Ah, ... já ia me esquecendo. Sobre as Ilhas Faroé:

Føroyar (Feroês)
Færøerne (Dinamarquês)

Ilhas Feroé/Faroé/Feroe
Bandeira das Ilhas Feroé
Brasão de armas das Ilhas Feroé
BandeiraBrasão de armas
Hino nacionalTú alfagra land mítt
("Minha terra, a mais bela")
Gentílico: Feroês, feróico

Localização das Ilhas Faroe/Faroé/Feroe

Localização das Ilhas Feroé (em verde).
No continente europeu (Norte da Europa) (em cinza).
CapitalTórshavn
61° 57' 15" N 6° 51' 25" W
Cidade mais populosaTórshavn
Língua oficialFeroês e Dinamarquês
GovernoRegião autónoma daDinamarca;Democracia parlamentar no contexto de umamonarquia constitucional
 - RainhaMargarida II da Dinamarca
 - Alto ComissárioDan M. Knudsen
 - Primeiro-MinistroKaj Leo Johannesen
 - Unificada com aNoruega1035 
 - Cedida à Dinamarca14 de Janeiro de 1814 
 - Transformação em região autónoma1 de Abril de 1948 
Área
 - Total1399 km² 
População
 - Estimativa de 201048917 hab. 
 - Censo 200748760 hab. 
 - Densidade35 hab./km² 
PIB (base PPC)Estimativa de 1,56 mil milhões (biliões) (estimativa 2008)
 - TotalUS$ 2,45 mil milhões (biliões) (estimativa2008) ((não está presente no ranking).º)
 - Per capitaUS$ 50300 ((não está presente no ranking).º)
IDH (2006)0,943 (15.º) – muito elevado
MoedaCoroa feroesa (DKK)
Fuso horárioGMT (UTC0)
 - Verão (DST)EST (UTC+1)
Cód. ISOFO
Cód. Internet.fo
Cód. telef.++298

Fonte: Wikipédia.



The Trooper
3Excepcional, este trabalho sai do comum e atinge um alto grau de criatividade. Não há uma faixa fraca no álbum todo, e a banda não toca um power metal padronizado, traz seu próprio estilo e músicas com características independentes, se uma única banda representasse todo um estilo musical eu diria que a partir de hoje sou fã de folk metal.
Não achei que o vocalista lembrasse o Hansi não (as guitarras sim, lembraram Blind Guardian em alguns trechos), o cara aliás manda muito bem, canta em tons médios, quando grita, arrebenta e até quando se arrisca nos agudos, destroça, que o diga o cover Cemetery Gates, aliás, que escolha de covers do c@$@%¨*, esta música do Pantera é uma das que eu mais gosto, e Where Eagles Dare idem, sou fã da versão inglesa do Best of The Beast (álbum duplo por lá), justamente por causa dela. E além da escolha, a execução foi excepcional, a banda (e o vocalista) segurou a bronca muito bem em ambas as músicas (embora Cemetery Gates tenha ficado um pouco mais lenta).
Valkyria abre muito bem com uma bela porrada, segue com peso e criatividade, tocam uma baladinha bem bacana (com outra vocalista de voz belíssima), e arrebentam bem no meio do álbum com as melhores faixas, para fechar com os dois covers destruidores. Aliás as músicas cantadas em feroês encaixaram de maneira bem legal, o Julião havia dito no post do Arya que escolheria russo como a segunda língua para se cantar metal, e eu havia concordado com ele ... até agora.
Por fim, pode ser que da primeira vez que você escutar este álbum, ache apenas um trabalho legalzinho, mas aqui, quanto mais se ouve, mais legal fica.
Concluindo, não pode ficar fora da coleção.
Destaque para Blood of Heroes, Nation e Another Fallen Brother (a melhor do cd).
Nota: \m/\m/\m/\m/

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Pyramaze - Legend of the Bone Carver

O álbum Legend of the Bone Carver, lançado em 2006 pela banda Pyramaze, foi escolhido pelo MetalMercante para análise.


Phantom Lord
Em um estilo progressivo/melódico, o Pyramize traz mais um disco contador de histórias ao blog. 
Em minha opinião, a sonoridade do Legend of the Bone Carver poderia ser chamada de "metal meódico" por ficar entre os 2 subgêneros manjados: power e speed metal. E apesar da alta qualidade dos trabalhos instrumental e vocal, independente qual rótulo seja mais adequado ao álbum, em diversos momentos tive a impressão que já escutei os riiffs e solos em algum disco de outra banda... Isso acontece frequentemente dentro dos gêneros musicais envelhecidos... pois speed, power e progressive estão aí desde os anos 80, tão velhos quanto a maioria dos metalcólatras. E por falar em idade dos participantes do blog, isto é um fator determinante na avaliação de muitos discos... Afinal esta corja de tios já está com seu gosto musical bem definido e mesmo quando procuram novos álbuns para postar no blog, buscam apenas dentro de seu estilo (ou gênero) favorito. Isto explica atos como a redundância de estilos dos discos postados neste blog e o "empapuçamento" (muitas vezes seguidas de abandono) dos avaliadores. 

Voltando ao álbum, acredito que LotBC não contém o tipo de música impactante, mas tem seus momentos apreciáveis e suas faixas mais fracas não chegam a ser ruins (talvez sejam apenas do tipo "passa-batido"). Enfim, faltou mais agressividade, mas ainda pode ser considerado um trabalho acima da média dos discos "prog / melô". 

Era of Chaos/The Birth 7 
What Lies Beyond 7 
Ancient Words Whithin 6,8 
Souls in Pain 7,1 
She Who Summoned Me 6,3 
The Bone Carver 6,8 
Bring Back Live 7,3 
Blood Red Skies 6 
Tears of Hate 7 

 Nota Final: 6,8 

PS.: O teclado às vezes causa uma leve sonolência.

The Trooper
3Paciência, haja paciência para ouvir este álbum. Fiquei esperando o trabalho engrenar, daí entrava um riff legalzinho e eu pensava "Agora vai!", mas não foi, voltava para a mesmice lenta perfumada por tecladinhos. Ah...os tecladinhos, cagaram o álbum inteiro, com exceção da faixa Bring Back Life, onde deram um papel bacana para o teclado, até os riffs de guitarra são bons, pena que seja a faixa com quebras de ritmo mais bruscas do cd. O vocalista é bom, mas meio mortão, e a voz dele não pode ser usada em conjunto com teclados ou a sinergia resultará em sonolência, como advertiu o Phantom. Em grande parte do álbum os guitarristas intercalam trechos lentos e suaves com alguns riffs pesadões, mas naquela pegada "palhetada, palhetada, dois segundos parados, palhetada, palhetada, dois segundos parados", haja saco. Lá pela faixa título parece que vai dar uma acelerada, mas é um engodo, eles voltam a intercalar infinitos trechos lentos. Bem, e a história? Pelo menos ela tem que ser boa, já que parece que os caras estavam mais a fim de contá-la do que fazer heavy metal. Pois é, mas não é grande coisa, o moleque, meio plágio de Anakin, meio plágio de Mogli, luta contra os servos do mal (que não tem nome, nem um vilão principal pra fazer pressão), ressuscitando metade do planeta para a batalha final (a única do cd) ao gravar palavras mágicas com sua adaga nos ossos dos mortos. Se a intenção era fazer algo épico, bem, não me convenceu.
Por fim, é um trabalho mediano de metal "adaguinha", não é ruim, mas também não é bom. Confesso que o efeito repetição foi negativo nesta avaliação, ao ouvir o álbum pela primeira vez, sem ler todas as letras, a impressão tinha sido melhorzinha, mais ou menos do nível do Black Halo.
Meu destaque vai para Christina Øberg, que participa da faixa She Who Summoned Me, e tem a voz bonita.

Nota: \m/\m/\m/



The Magician
O disco atual vem engordar as estatísticas do Heavy Metal nórdico e também do Metal melódico no blog Metalcólatras. De meados de 2006, o trabalho executado pelos dinamarqueses do Pyramaze (com um americano infiltrado) reforça a ideia da migração do Metal para os domínios escandinavos na última década.
E, se estes registros estatísticos não são novidade no blog, o mesmo pode se dizer da musicalidade da banda. 
Em suma, ela trilha a fórmula de Heavy Metal com sofisticação, já comentada aqui no blog em trabalhos como "Burden of God" e principalmente "The Black Halo" (semelhança realmente muito forte), pois possui sonoridade ampla de múltiplas camadas com vocais bastante técnicos e super melódicos, que costuma executar duetos com linhas de guitarras agudas e reverberadas. E é claro sem esquecer de sua marca mais clara.... os teclados.
A interpretação desse instrumento (conforme Black Halo e Burden of God) imprime camadas super abertas que tratam de preencher tudo o tempo todo; a guitarra, os vocais, a bateria, os solos de guitarra, as bases de guitarra, o baixo, e tudo mais que se pode escutar, parecem apenas fagulhar e cintilar em torno da grande labareda sonora que são os teclados onipresentes... 
Cria um ambiente melancólico e hipnótico, trazendo a sensação de torpor e transe para o ouvinte (pelo menos foi o meu caso), que de supetão é dissipado na introdução da faixa "The Bone Carver", mas que como um vento uivante distante, volta a nos assombrar no primeiro verso da música. 
Muitos atribuem naturalmente essa característica marcante exclusivamente à influência do Metal Sinfônico no Metal Melódico mais moderno, mas ao meu ver existe um direcionamento dessas composições em direção ao Metal com inspiração gótica que no final dos anos 90 teve grande aceitação do público (Nightwish,  Within Temptation e After Forever). Não à toa é comum você escutar vocais femininos convidados para participarem desses álbuns.
No geral é um trabalho que considero de razoável para bom, facilmente digerido pelo meu gosto musical; mas, devido aos aspectos já descritos com o agravante de que algumas passagens que tratam da ambientação da história cantada se tornam, em minha opinião, totalmente desnecessárias (falatório e mais falatório NO MEIO DA MÚSICA) ,faz com que deprecie um pouco a nota final da obra.

Destaque para: "Souls in Pain" e "Tears of Hate" (até começar o falatório).

Nota: 6,9 ou \m/\m/\m/.  

p.s1: Achava que o álbum "Immortal" seria mais divertido com os vocais do Barlow, mas é mais esquecível ainda.
p.s2: o discurso de alguns Metalcólatras de que quanto mais você escuta uma música, mais você é atraído para esse tipo de música, começa a me convencer. Tem nego aqui que SÓ posta cabeludo chorão, desde o começo do blog...
Metal Mercante

Uma das coisas que eu particularmente gosto de fazer é encontrar bandas desconhecidas que mantém a chama do metal acesa. Bandas pequenas tem o poder de se expressar da maneira mais pura possível com foco total na arte, sem ter que se preocupar com gravadoras, fãs, rádios revistas, reviews etc. (acho que já falei sobre isso em algum outro post, só não lembro qual)


Desafio o leitor a pensar nas suas bandas preferidas… elas não eram melhores “antigamente”?

Pyramaze, é uma banda dessas, que acabou chegando ao meu conhecimento por conta do álbum “Immortal”, pois foi uma participação especial do vocalista “Matt Barlow” do “Iced Earth” que despertou minha curiosidade, porém ao escutar mais coisas sobre a banda descobri que o melhor álbum da banda, sem sombra de dúvidas foi o “The bone carver”.

A primeira coisa que é bacana no álbum é que ele é um álbum conceito que conta a história de uma criança que nasce através de desejos de uma tia que o invocou para lutar contra o mau, bla bla bla, vira o “bone carver”, bla bla bla, revive todo mundo, bla bla bla e adivinhem…

…apesar da estória ser meio batida o Pyramaze consegue conta-la através da sua música como poucas bandas conseguiram, alguns bons exemplos são o “nightfall in middle Earth” do “Blind Guardian” e o “The Puppet Master” do “King Diamond”. Isso somado a músicas bem pesadas, com os ótimos vocais do Lance King contribuem para criar uma atmosfera raramente vista no cenário do Metal.

O Phanton está certo, realmente existem alguns momentos de sonolência, porém isso é algo comum em álbuns conceituais, o próprio “nightfall in middle Earth” (que é o melhor álbum já gravado no universo) sofre com faixas estranhas que estão posicionadas somente para conectar uma música na outra.

De qualquer forma esse álbum é uma boa opção para quem curte metal melódico com um leve toque de progressivo.

Nota: 8

sábado, 25 de janeiro de 2014

Gamma Ray - No World Order

O álbum No World Order, lançado em 2001 pelo Gamma Ray, foi escolhido por The Trooper para análise.


Phantom Lord
Embora nem a banda Gamma Ray, nem seu "sub-gênero" musical sejam novidades no blog, este álbum teve uma pequena história de impacto significante para alguns metalcólatras... 

 Ouvi o No World Order pela primeira vez por volta de 2002 e gostei bastante, depois disto, demorei alguns meses (ou anos) para escutá-lo novamente... E não apreciei muito das vezes seguintes que ouvi, acabei ficando apenas com as faixas Heaven or Hell e Eagle (cedidas por Treebeard) em meu computador. 

Porém, Joe, the Barbarian, indicou outro disco do Gamma para o blog há uns 3 ou 4 anos atrás: Powerplant. Um disco tecnicamente bom, como diria Magician... e praticamente só isso. Então, após ouvir o Powerplant e postar a resenha, decidi buscar o No World Order para ouví-lo novamente e desta vez não me arrependi: achei tal álbum nitidamente superior ao Powerplant... 

 De modo similar ao álbum Painkiller do Judas Priest, precisei ouvir o No World Order algumas vezes para passar a gostar mais de suas músicas... E falando em Painkiller, no decorrer do NWO, além da óbvia influência do Helloween, também é possível perceber toda uma inspiração nas músicas do Painkiller. As músicas do NWO apresentam menos quebras de ritmo e parecem mais inspiradas (com características próprias marcantes) e menos bregas do que a maioria das músicas do Powerplant. 

 De resto, não há novidade alguma... No World Order provavelmente é o melhor trabalho do Gamma Ray e é um bom álbum das vertentes mais melódicas (speed/power metal) que tanto bombardeiam o blog.

Introduction/Dethrone Tyranny 7,8 
The Heart of the Unicorn 8 
Heaven or Hell 8,4 
New World Order 7,7 
Damn the Machine 7,3 
Solid 7,5 
Fire Below 8,2 
Follow Me 7,1 
Eagle 8,3 
Lake of Tears 7 

 Modificadores: 



 Nota Final: 7,9

The Trooper
3Escolhi este álbum por dois motivos: 1-ele é excepcional e portanto apaga a má impressão que Power Plant deixou; 2-o tema é sobre os Illuminatti.
O que diabos é Illuminatti? Bem, supostamente é um grupo secreto, a faixa New World Order descreve melhor:

"We live inside society, our presence is unknown
We plot and we manipulate you to which way to go
Illumination comes across the world to bring an end
Intimidating silent force that puts us in command"


O Gamma Ray não foi o único a abordar o tema, o Megadeth, por exemplo, embora o Mercante tenha dito em uma de nossas conversas de boteco que os caras viraram direitistas (e uma revista de reputação impecável  ... O.o ... tenha até incluído a banda em uma lista de rockeiros que debandaram para a direita), na realidade se referia aos Illuminatti no álbum Endgame (que aliás é o nome de um dos livros que explora essa teoria da conspiração), daí o apoio às soberanias nacionais (no caso, americana) em detrimento às políticas da ONU (ponto chave da teoria da conspiração). Na verdade toda a divisão de direita e esquerda se torna borrada quando se assume que um grupo secreto de manipuladores busca a dominação mundial, paranóicos de ambos os lados se acusam bestamente citando coisas como o Foro de São Paulo para dar razão aos seus devaneios. Ou não, afinal, não dá pra saber o que é realidade e o que é fantasia em toda essa história.

Há várias abordagens (como esperado sobre um grupo secreto) sobre os Illuminatti: religiosos cristãos acusam os maçons de cultuarem deuses egípcios e com os Illuminatti arrastarem o mundo para os braços de Satã; ufólogos acreditam que alienígenas estão por trás do controle exercido pelo grupo (já assistiram Arquivo X?); e por fim, uma galera "pé no chão" acredita que o comando do grupo  é de um grupo seleto de políticos/multimilionários/etc que visa o controle total da população (seus objetivos seriam algo como o descrito no livro Brave New World), essa terceira vertente me convenceu um pouco mais porque coisas como o grupo Bilderberg estão aí, debaixo do nariz de qualquer um que queira ver.

Mas afinal, pra quê você escreveu tanta besteira, cara? É uma resenha de metal ou o quê? Bem, eu peguei aqui o âmago do Gamma Ray, os caras viajam em todas as suas músicas (a temática de UFOs está sempre presente na sua carreira), não só nas letras, mas toda a parte instrumental serve de suporte pra te levar pra outro lugar. E neste álbum, em específico, os caras acertaram a mão. Vai por mim, ouça o cd inteiro com o encarte em mãos.

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
"No World Order" de 2001 é mais uma pedra no canteiro de obras de Herr Kai Hansen. 
Um disco bem definido no estilo-de-sempre da banda alemã, ou seja, classificado sem sombras de dúvidas como mais um trabalho no famosíssimo nicho do Metal Melódico.
Porém em minha opinião o resultado final da obra é muito mais criativo (musicalmente) e menos cansativo do que o enlatado "Power plant" de 1999, postado anteriormente aqui no nosso blog.
Ao escutar o álbum de ponta a ponta surpreendentemente não saí estafado, como se tivesse praticado horas de exercícios físicos, coisa que para mim é bem comum de acontecer quando escuto algum álbum padrão de metal melódico super clichê. Logo, o disco em questão se mostra bastante bem feito, à priori, apresentando estruturas de composição que não se perdem ou se desencaixam facilmente.
Uma grande responsável pelas partes cativantes são as entradas de guitarras com riffs fortes e expressivos no decorrer do disco (destaque para as introduções das faixas "New World Order" e "Fire Below"), o que às vezes é escasso nos trabalhos desse tipo. Hansen se entrega nesse sentido, e embora protagonize obviamente com seus ótimos agudos e falsetes vocais, no aspecto instrumentista é que realmente chama atenção.  
Por fim, o trabalho se nega à cair na mesmisse, e cada música varia muito quanto aos seus modelos e estruturas, principalmente no que diz respeito às cadencias e tempos (um problema crítico em Power Plant). Contudo, por um motivo muito pessoal acabei apenas enjoando um pouco dos vocais de Kai, mas isso infelizmente se deve ao excesso da exposição que tive à esses tipos de cantos ao longo da minha vida metaleira, e não propriamente à alguma opção de abordagem que o líder da banda dá especificamente nesta obra.
Ao tempo que "No World Order" é muito equilibrado e consistente (sem nenhuma faixa fraca, com certeza), ele falha em entregar algum super petardo inesquecível, meu destaque vai para a intensa "Heaven or Hell" - o que o álbum gerou de mais aderente.
Ah sim, o Trooper tinha razão quanto ao material ganhar qualidade quando escutado com o encarte em mãos. Hansen contextualizou muito bem as composições e é notório que as partes estruturais (versos, pontes, solos e refrões) são colocadas de forma competente ao se correlacionarem de forma factível aos textos narrados nas canções.

Gute arbeit Herr Kai!!!

Nota 7.3 ou \m/\m/\m/\m/.

Nota sobre a temática da obra: o contexto geral é apocalíptico, com ênfase nas conspirações da sociedade secreta conhecida como "Illuminatis" (já detalhado pelo Trooper, acima). Independente de levar a sério as aspirações de Kai Hansen nesse disco, tendo em vista que ele é muitas vezes um fanfarrão - como na conclusão de "Fire Bellow" - acredito que a "ascenção" anunciada de um poder latente é balela. O motivo é um só, e bem simples: se existe alguém no poder com influência dominante nas principais instituições privadas ou públicas, com o poder majoritário sobre o fluxo econômico e político, por que esta supra-entidade se preocuparia em mudar as regras do jogo, seja essa mudança através de uma remodelação global das classes sociais, ou por uma investida sobre os possíveis grupos de ameaça....?
Se essa força manipuladora de fato existe, devem estar bem satisfeitos com a situação atual, pois nunca esteve tão fácil se manter no poder sem nenhuma ameaça eminente, e nunca com níveis de controles de massas tão efetivos, ou vocês acreditam mesmo que o facebook ira alimentar uma insurreição popular em nível mundial? 
A única coisa que o Facebook garante é que suas informações sejam compartilhadas com as entidades públicas / privadas que possuem grande parcela do mercado de informação mundial, e que fatalmente, obedecem aos planos maquiavélicos dos Illuminattis!    
 
Metal Mercante

Se eu fosse resumir o que eu acho do álbum “no world order” em apenas uma palavra essa seria…


Consistente…

Consistente porque exatamente a 30 anos atrás surgiu uma banda que veio para revolucionar o mundo do metal, o Helloween e 30 anos depois, ao ouvir “No World Order”, fiquei com vontade de ouvir “Walls of Jericho”. Além disso, a música “Follow Me” me lembrou demais a música “Eagle Fly Free”, apesar de começar de forma muito semelhante a música “One with the World” do próprio Gamma Ray. Apesar disso, o álbum não me parece “preguiçoso” ou que acabou a criatividade do nosso bom e velho Kai Hansen da mesma forma que apontado pelo nosso querido Magician no seu post sobre o “Knights of the Cross”, o que acontece é exatamente o oposto.

Consistente porque esse álbum é uma paulada do começo ao fim, sem tempo para descanso, sem nenhuma música fraca…também sem nenhuma música espetacular, mas todas elas em uma boa pegada.

No final das contas, isso pode variar de ouvinte para ouvinte, o que é que vale mais, um álbum com duas ou três músicas fantásticas ou um álbum consistente de cabo a rabo, mas sem nenhuma música capaz de cativar o suficiente para ser cantarolada no banheiro???

Nota: 7,5

sábado, 11 de janeiro de 2014

Suicidal Tendencies - Lights Camera Revolution

O álbum Lights Camera Revolution do Suicidal Tendencies lançado em 1990, foi escolhido para análise por Phantom Lord.





Phantom Lord
Lá pelo ano de 2007 ouvi algumas músicas do Suicidal Tendencies com um colega de serviço. Naquele momento percebi que já tinha escutado alguma coisa deles no rádio nos meados dos anos 90... Então alguns meses depois resolvi buscar algumas músicas desta banda, e encontrei uma que eu gostara muito: a regravação de Possessed to Skate (Go Skate! de 1997). Mas ficou por isso, pois ouvi algumas outras e não me interessei em procurar mais músicas ou álbuns do Suicidal Tendencies. 

Muito tempo depois, no fim de 2013, resolvi buscar mais trabalhos desta banda para ouvir após uma discussão com colegas sobre a utilidade do baixista Trujillo no Metallica, aí encontrei o Join the Army e o Lights Camera Revolution. 
O Join the Army (que não contava com a participação de Trujillo) tem seus bons momentos mas é bastante rústico e o vocal segue um estilo muito suave em comparação com a parte instrumental, daí decidi postar o álbum que eu achei mais consistente: Lights Camera Revolution. 

O álbum começa com a pedrada You Can`t Bring Me Down e segue com a boa Lost Again que apresenta mais mudanças de ritmo e vocais mais suaves em alguns trechos (se aproximando do estilo usado em Join the Army)... 
O vocalista, alterna entre o "gritado", falado e um estilo suave. Embora os vocais suaves de um modo geral não me agradem, às vezes parece se encaixar com o estilo e contexto da música como acontece em Lovely que parece uma crítica com uma dose de bom-humor. 
E falando em "críticas", acredito que praticamente todas músicas do Lights Camera Revolution de certa forma são críticas a diversos tipos de corrupção da sociedade. 

A parte instrumental é o ponto forte em minha opinião, mostra bastante criatividade, técnica e peso durante maior parte do álbum, ainda que pareça misturar Heavy Metal, Funk Rock e uma pitada de algum gênero mais "punk" ou "core". Para que o trabalho instrumental ficasse melhor, alguns solos de guitarra poderiam ganhar destaque, pois em certos momentos parecem meros sons de fundo. 
Enfim apesar da influência do Funk Rock (ou Funk Metal), não faltam pedradas de qualidade em Lights Camera Revolution. Bom álbum... Destaque para Get Whacked. 

You Can`t Bring Me Down 7,6 
Lost Again 7,4 
Alone 7,4 
Lovely 6,8 
Give It Revolution 7,5 
Get Whacked 8,7 
Send me Your Money 7 
Emotion Nº13 6,9 
Disco Out, Murder In 7 
Go Breakdown 7,7 

 Nota Final: 7,3

Metal Mercante


Acho que para falar de Suicidal Tendencies primeiro preciso criar uma certa introdução…Meus primeiros contatos com o Metal vieram através do primo do meu pai quando eu era bem jovem, vamos chama-lo de “MetalCousin”.


O MetalCousin foi quem me gravou fitas com coisas como “Live after death” do Maiden, “Master of puppets” do Metallica e os “Keepers” do Helloween em K7 e até certo ponto ajudou a moldar meu gosto por Metal, porém uma banda sempre ficou no mistério para mim e essa banda era o “Suicidal Tendencies”, eu sempre ouvia o MetalCousin falar dessa banda, ele tinha uma ou duas camisetas da banda e aparentemente gostava muito da mesma, porém eu (até hoje não seu porque) acabei ficando sem ouvi-la até 2014!!!

Digamos, então, que quando esse álbum apareceu no Metalcólatras ele não só veio com o peso do blog, mas com o peso de anos sem ter ouvido algo que segundo o MetalCousin era coisa boa…

…Fast forward para 2014, estou eu com essa !@#$% no meu player e eu não consigo pensar em uma decepção maior do que talvez “Indiana Jones 4” ou o “Episódio 1 do Star Wars”, tantos anos com a expectativa de que uma banda era boa jogados pelo ralo.

No final das contas Suicidal Tendencies é pesado, tem umas passagens interessantes, mas no geral é uma bandinha mais sem graça que cerveja choca, talvez lá no final da década de 80, começo da de 90 esse som fosse interessante, porém 24 anos depois ele simplesmente não tem graça nenhuma…

Nota: 4 (de dó…)

The Trooper
3Eu poderia dizer que o Mercante resumiu meu post, mas não posso concordar que Star Wars - Episode I seja uma decepção, pelo contrário, eu gostei bastante do filme, aliás, pelo menos o ator que interpreta o futuro Darth Vader nesse filme, é bom.
Mas devo resenhar sobre coisas menos agradáveis do que Star Wars, já que este blog se chama Metalcólatras e não Forçacólatras ou Sabrecólatras ... ha-ha-ha ... como eu sou engraçado ¬¬'
Enfim, meu maior problema com o Suicidal Tendencies é o vocalista, eu sei, a linha que diz se um vocalista estraga um trabalho ou não é tênue. Por exemplo, em City of Evil, o M. Shadows cruzava essa linha com frequência, mas para mim, aqui em Lights, Camera, Revolution, Mike Muir plantou seus dois pés do lado "errado" da linha e não saiu de lá, ele estraga TODAS as faixas, sem exceção.
OK, é a proposta da banda, skate, hardcore, chicano way of life ... mas eu não consigo analisar esse tipo de som de uma maneira mais técnica, e assim, acabo concordando com o Mercante, este álbum é uma m#$%@. De que adianta uma linha de baixo muito louca, uns riffs de guitarra pesadões, se o vocalista irrita tanto que não dá pra prestar atenção nas faixas.

Destaque negativo para Lost Again, ela só é boa quando acelera, seria um prelúdio do numetal?

Nota: \m/\m/\m/

The Magician
Antes de resenhar o disco gostaria de fazer uma colocação quanto à importância do Suicidal Tendencies no cenário, se não como uma das grandes divulgadoras dos crossovers do HC com Heavy Metal que contribuíram razoavelmente com a criação do Heavy Metal moderno norte americano por volta do ano 2000 (você pode estar aí do outro lado se perguntando: "então foi uma contribuição de bosta, certo???", e eu respondo: "sim, de certo foi uma contribuição de bosta"), o ST (Suicidal Tendencies) deu uma grande contribuição para a péssima imagem do metaleiro na virada da década 80 até meados de 90, quando na mídia dos US a maioria dos cabeludos, com bandana e roupa de couro eram tachados como marginais (os violadores do filme "O Corvo" e a maioria dos meliantes da famosa sequência cinematográfica "Robocop" vestiam este esteriótipo, lembram?). E para constatar basta olhar o visual de Mike Muir, uma espécie de Axl Rose da periferia com SK8.

Mas também... os caras gostavam de chamar a atenção. Uma banda basicamente de negros e latinos, fazendo um hc/metal (com pitada de hiphop e funk) e cantando sobre temas de gangues, não poderia deixar de ser um dos maiores alvos do PMRC naquela época, e acabaram censurados. De qualquer forma o tiro saiu pela culatra, e o Suicidal foi beneficiado pela curiosidade dos bangers atiçados por essa decisão judicial 

Quanto ao álbum, "Lights Camera Revolution" (LCR) é surpreendentemente pesado e técnico, simultaneamente, sendo que suas passagens deixam o campo do CO Trash Metal (gênero ao qual sua identidade é associada nos trabalhos anteriores) para o CO Heavy Metal propriamente dito. Sem essa modificação, provavelmente o resultado do disco não teria sido tão qualificado nas bases maciças de guitarras + baixo. Aliás, essa química, muito bem executada pelos produtores do disco é o trunfo do álbum, de modo que eu facilmente colocaria esse composto de distorções + grooves como um dos melhores que já ouvi sem sombra de dúvidas; muito melhor do que o caminho posterior da banda ao se aproximar do Metalcore alternativo com grande ênfase no contrabaixo e no uso intensivo de Wah e Whammy nas distorções das guitarras (exemplo prático no famoso hit "Possessed to Skate", e nos sons usuais da guitarra de T. Morello).

Um reflexo direto desse acerto em LCR é a PUTA cacetada que é a faixa inicial "You Can't Bring me Down" (video-clipe bonachão, notem Trujillo usando uma "bombetinha" de malaco), simplesmente espetacular, em seus primeiros acordes fui transportado automaticamente para um violento Moshpit imaginário. Música incorporada aos favoritos-ever desse Metaleiro que escreve.

Contudo, embora seja a principal característica da banda e de seu estilo de composição, sendo essenciais para a própria criação de todo o resto, os vocais de Mike Muir (chefe da gangue) são em minha opinião o ponto mais baixo do disco. Contrastam com o resto do material quase que por tempo integral (aos 3:07 min da faixa "Give it Revolution" ele tenta mandar um agudo e o resultado é irrisório), e se salvam apenas nos momentos que utilizam timbres mais ásperos. Mas no fim das contas não pesa tanto na balança, e não acho que estraga definitivamente o material... nada muito diferente de algumas abordagens estranhas de Mustaine no Megadeth.   

Em suma o resultado final é bom e consistente, alem de oferecer pancadarias fora do comum como  "You Can't Bring me Down", "Get Whacked" e "Give it Revolution", que mantêm esse trabalho muito próximo ao terreno produtivo do HM norte americano regado pela escola das infalíveis guitarras arrebatadoras e super distorcidas.   

Nota 7, ou \m/\m/\m/\m/.