domingo, 31 de maio de 2020

Rage Against the Machine - Rage Against the Machine

O álbum Rage Against the Machine, lançado pela banda homônima em 1992, foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Bombtrack; 02-Killing in the Name; 03-Take the Power Back; 04-Settle for Nothing; 05-Bullet in the Head; 06-Know Your Enemy; 07-Wake Up; 08-Fistful of Steel; 09-Township Rebellion; 10-Freedom.


The Trooper
3
Estamos aqui de novo, dessa vez com talvez o post mais polêmico do blog, nada parecido com a baboseira do Sacred Steel, talvez mais parecido com o post dos Titãs, já que o som desvia bastante do padrão do blog, mas não só por isso é polêmico.

Você pode fingir que está fora de tudo o que está acontecendo por aí, mas não está, ninguém está. Toda essa merda voando pelo ventilador global está caindo em nossas faces, ela te cega quando você tenta enxergar, você sente o metano quando inspira e sente o gosto podre quando tenta falar. O cérebro queima, a fúria não tem por onde sair, foda-se! O post hoje é Rage Against.

Dei uma vasculhada na discografia dos caras bem por cima e acabei escolhendo o debut porque é o álbum com a musicalidade que desce menos quadrado pela minha garganta. Mas o que desce quadrado mesmo são as letras, e essas tem que descer rasgando na garganta de todo mundo. O álbum é sobre isso, a banda é sobre isso. As porções de rap do álbum tem muito a dizer. Nos trabalhos posteriores o rap e o funk ficam ainda mais fortes.

Não importa as notas que o álbum receba aqui pela musicalidade, ele está aqui pela mensagem. Uma última dica: entender a letra aqui é essencial e a mensagem do Phantom "vá ler um livro", só é válida se você for ler o livro depois de ouvir. Parte dois da última dica: ouça a porra do álbum no maior volume que conseguir.

O resto da minha minha resenha é isso aqui:

Nota: \m/\m/\m/\m/ (Infinita na atitude)

P.S.: em minha ignorância eu nem mesmo sabia que Killing in the Name era sobre a Ku Klux Klan.
P.P.S.: se quiser vir aqui falar merda, injete desinfetante, enfie a cloroquina no cu e vaze!




Phantom Lord

Peculiar... Não o álbum em si, mas sua aparição neste blog: Talvez fosse inaceitável anos atrás entre tantos conservadores seja no quesito musical ou no quesito político. Conservadores não quer dizer que busquem integridade de alguma coisa (tipo conservar algo útil), os conservadores aos quais me refiro aqui são caras que apenas querem deixar as coisas como estão, seja o mesmo punhado de artistas / mesmo estilo em determinado(s) cenário(s) musical ou os mesmos multimilionários no poder socioeconômico. 


 No quesito musical (rítmico, melódico etc), as coisas mais próximas que passaram por este blog foram Faith no More e Suicidal Tendencies. E mesmo assim não estão tão próximo assim: O debut do Rage Against é tomado pelo vocal rapper e ritmo instrumental cadenciado ou cheio de pausas não à moda do rock ou heavy metal e sim mais voltado ao funk e ao rap (ou hip-hop, sei lá...). Ainda assim é claro que as guitarras somadas a bateria caracterizam as músicas como algum tipo de rock. 

Sempre pensei que o baixo foi um instrumento mal utilizado nas vertentes "pesadas" ou "pauleiras" do rock / metal e o Rage Against é uma das raras bandas que consegue combinar tais elementos (as outras são Faith no More e Suicidal): Bullet in the Head é o maior exemplo, ainda que o baixo seja notório em outras músicas como Know Your Enemy, ali ele parece mais "funkeado". Embora eu nunca fui fã dos estilos do eixo funk - rap, é inegável a genialidade como o Rage Against mistura estes elementos em várias faixas. 

 1. "Bombtrack" 7,0
 2. "Killing in the Name" 7,7 
3. "Take the Power Back" 7,2
 4. "Settle for Nothing" 6,6 
5. "Bullet in the Head" 7,4 
6. "Know Your Enemy" 7,0 
7. "Wake Up" 7,2 
8. "Fistful of Steel" 6,8 
9. "Township Rebellion" 6,0 
10. "Freedom" 7,0 

 Em relação ao(s) tema(s) do álbum: O ano era 1992. Fazia 1 ano que o capitalismo vencera a guerra fria para a alegria dos seguidores da doutrina truman, criada um ano após o fim da 2ª mundial nos EUA, como propaganda "anti comunista". A URSS, agora a Rússia separada dos demais países do extinto bloco socialista, abre seus portões ao sistema sócio-político tão reforçado pelos EUA mundo a fora como o ideal de liberdade e prosperidade. 
Então tudo era flores nos EUA? O 'sistema do bem" venceu o "sistema do mau"? 

O Rage Against the Machine, dá a resposta mostrando problemas e necessidades dos EUA: 

Crítica à venda de propriedades aos mais ricos e às desapropriações de terra dos mais pobres; 
Crítica aos movimentos racistas pró supremacia branca (a escória KKK); 
Crítica à mídia corporativa, à influência das igrejas "cristãs" e ao imperalismo estadunidense. 
Atenção às vítimas de violência (doméstica etc) e menores infratores; 
Auto reconhecimento como ativistas; 
Crítica às propagandas corporativas e a inércia do povo diante anúncios e programas de entretenimento; 
Crítica à ação policial brutal, à impunidade, à ignorância e ao sistema capitalista / neo liberal; 
Auto reconhecimento como revolucionário; 
Crítica à intervenção estadunidense no Vietnã (Guerra do Vietnã); 
Crítica aos Fascistas e seu nacionalismo sensacionalista, racista e brutal-repressor; 
Crítica à culpabilização do Islamismo; 
Crítica aos ataques covardes às comunidades / reservas indígenas.

Todo o sistema tem seus podres, assim como todo ser humano tem, mas: 
Quem se irrita com o(s) tema(s) do álbum Rage Against the Machine? 
 Phantom Lord dá a resposta: 
Quem gosta de oprimir ou quem é idiota. 










Nota Final: 7,8 

The Magician
O núcleo da banda RATM é formado literalmente por descendentes de revolucionários latinos e africanos, e acho que isso já diz bastante sobre qual é o componente principal em questão nessa resenha proposta pelo Trooper.

Mas a verdade é que o Heavy Metal sempre teve um pézinho no discurso crítico à política, e ocorre principalmente (mas não exclusivamente) devido a origem dos membros das bandas, que em grande parte nasceram nos subúrbios pobres de países ricos; portanto o Heavy Metal é um produto da divisão de classes e do déficit distributivo, e sua própria razão de ser tem um ponto de partida na teoria política. Posso rapidamente lembrar de um punhado de álbuns com forte apelo político já em seus próprios nomes  (sem precisar mencionar cada uma das canções, individualmente):  "... And Justice For All" (Metallica), "Peace Sells" (Megadeth), "Blood of the Nations" (Accept), "Chaos A.D." (Sepultura), "God Hate Us All" (Slayer), "Mob Rules" (Black Sabbath) e assim por diante. 

E a conclusão é óbvia para quem quiser enxergar: I - quer ser conformista,  vá escutar outro gênero musical; II - O Heavy Metal, por derivar de uma classe desfavorecida, tem seu discurso natural vinculado ao pensamento de ESQUERDA (left-wing).

Se você não percebeu isso ainda, é um puta de um zé ruela, e se você nega este fato, é retardado mesmo. Mas normal... fique tranquilo, estamos em uma época onde os retardados chegaram ao poder, então você está no time que está vencendo (weeeeeeeeeeeeee!).

O problema, no entanto, com o idealismo oposicionista do Heavy Metal (e aqui falo diretamente do posicionamento declarado dos compositores e músicos) é o negacionismo com relação à solução política; ou seja, após desconstruir o capitalismo neoliberal que foi no mínimo ineficiente em proteger a sociedade da profusão de periferias econômicas carentes, violentas e ignorantes, os headbangers querem que se fodam todos os sistemas. Neste ponto, o gênero que acaba não se relacionando com as propostas de reforma, transforma o Heavy Metal em uma espécie de movimento pseudo anarquista. 

A grande diferença da retórica do Rage Against é sobre este ponto, a banda de Morello, De La Rosa & Cia. está declaradamente posicionada na esquerda vermelha e revolucionária. Talvez isso seja resultado de um dos membros da banda ser um cientista político formado em Harvard.

Sobre o aspecto musical do trabalho, é sem dúvidas diferente do que o Heavy Metal conservador costuma apresentar; tem bastante conteúdo hip-hop inserido entre as guitarras e a bateria HC/Heavy Metal do RATM, que faz o trabalho se assemelhar um pouco aos crossovers feitos pelo Anthrax e Suicidal, mas ainda assim bem diferente. O som é mais arraigado nas bases do rap mas sem negar o protagonismo do "Locking in", que somado ao estilo totalmente único das guitarras de T.Morello ofereceu um tipo de peso que não se pode escutar nem mesmo nas mais parrudas bandas de Metal raiz. 

A gritaria rasgada e enfurecida de De La Rosa e o wah/whammy de Morello fazem do Rage Against uma daquelas raríssimas bandas que você saca com apenas uma nota (tipo ACDC, Sepultura ou Megadeth).

Fora isso, tem umas pedradas aí nesse álbum que são dignas de entrar em qualquer top list de Heavy Metal, independente de qual for a retórica, política ou não: "Killing in the Name", "Take the Power Back" e "Wake Up" são minhas favoritas.

Nota: 7,5 ou \m/\m/\m/\m/.

p.s: chegamos ao fundo do poço (na verdade ainda vai piorar) por sua culpa, imbecil, que escuta Roger Waters mas vai no show do cara reclamar que ele é ativista. Que nunca prestou atenção nas letras de Eye of the Beholder ou Peace Sells e que votou em caras que vão tirar o seu direito em troca do ganho de alguém que relativamente, já possuía  uma qualidade de vida melhor que a sua. Que olha uma capa como esta do Rage Against e que não vai buscar a história por trás dessa foto (que expõe o tipo de governo assassino que o modelo pró-capital americano apoiou ao longo da história e ainda apoia nos dias de hoje). Você, filha da puta, que canta RATM em showzinho de motoclube e botequim na noite de SP mas vota em marionete facistóide porque acha que está na hora de colocar "ordem" nas coisas. E por sua causa, seu ser humano detestável, que não reconhece a verdadeira situação do país, que sem política pública não tem condições de promover uma meritocracia orgânica financiada primordialmente por capital privado.


Poderia ficar aqui descrevendo sobre você pelo resto da eternidade, seu bosta. Mas faça um favor a você mesmo, e principalmente ao seus filhos quem você talvez ainda queira salvar: Vá estudar sociologia, teoria social de verdade, nos livros e faculdades, não na internet. A ciência exata e a engenharia que você tanto respeita, não são ensinadas pela internet, mas sim em faculdades. Não ter respeito à academia e aos teóricos de ciências sociais que acumularam séculos de estudos, é tão idiota quanto desmerecer a engenharia, a computação e a ciência exata acadêmica. Papo de fakenews, miniom, terraplanista, facistóide ou de uma pessoa qualquer que não merece escutar Heavy Metal.






terça-feira, 28 de abril de 2020

Iron Savior - Unification

O álbum Unification, lançado pela banda Iron Savior em 1999, foi escolhido por Phantom Lord para análise.



Phantom Lord

Quando eu estava buscando um álbum minimamente chamativo e não "mainstreamer" entre meus arquivos me deparei com este crássico do metal semi nerd! Este álbum apreciado pelo nosso colega desistente, o Metal Mercante, chegou a participar dos duelos de bandas há séculos aqui no blog dos Metalcólatras, mas perdeu e ficou de fora das resenhas... Até hoje. 


 Nos primeiros momentos Unification da banda Iron Saivor parece de certo modo um "power metal" instrumentalmente influenciado pela sonoridade do Judas Priest. Conforme passam as faixas é possível notar vagas influências de outras bandas, mas isso não importa, pois o trabalho todo é razoavelmente original e criativo. Unification é um álbum conceitual (ou temático, seja lá como se chama isso) que continua uma história de ficção científica baseada na lendária (ou não, para quem acredita ou para quem encontrou evidências de tal lugar) Atlântida, abordada no álbum antecessor que eu ainda não ouvi. 

Em relação ao tema não sei muito o que dizer. Até há pouco (uns meses) eu estava mais interessado nestas histórias de civilizações perdidas e possíveis formas de vida inteligente desconhecidas, mas hoje, massacrado demais pelos fatos da bizarra realidade humana, eu não ando muito curioso. Na verdade hoje acho mais útil histórias que tragam ao menos um pouquinho de esperança e muitas reflexões para melhoria da racionalidade e da sensibilidade (empatia), tão escassas em época de pós verdades, manipulações nocivas de tabus e gigantescas desigualdades de condições de vida. Como a história do Unification parece não acabar com destruição, escravização e tragédias afins, então pode ser que fala ao menos um pouco de esperança (ainda bem, pois como diria minha mãe, de tragédia basta a vida real... ou algo assim). 

Voltando ao álbum e sua sonoridade, ele é bem paulerinha, técnico, e como eu já disse antes, razoavelmente criativo. Algumas músicas podem mudar o ritmo repentinamente, mas o conjunto da obra até que ficou bem amarrado (ou combinado). Já as melhores faixas parecem estar na primeira metade do Unification, mas a segunda metade não é ruim e completa bem o álbum... 

1. "Coming Home" 7,8 
2. "Starborn" 7,2 
3. "Deadly Sleep" (Kai Hansen) 8 
4. "Forces of Rage" 7 
5. "Captain's Log" - 
6. "Brothers (Of the Past)" 7,6 
7. "Eye to Eye" 7,8 
8. "Mind Over Matter" 7,4 
9. "Prisoner of the Void" 7 
10. "The Battle" 7 
11. "Unchained" 7 
12. "Forevermore" (Kai Hansen) 7 

 Uma pitada em relação ao tema: Não sei se a Atlântida existiu ou não, mas há balelas de deslumbrados e de "céticos" em torno do assunto: O texto de Platão por exemplo não parece mero embelezamento com lição moral como alguns céticos dizem. E o mesmo texto não cita nada tão super avançado (talvez exceto umas estátuas móveis) apreciável pelos deslumbrados... Claro que existem trechos de outros autores sobre o assunto, aí sim, alguns deles nos dão a impressão de uma hiper tecnologia, como as embarcações de Ogygia (uma ilha relacionada à Atlântida)... 
 E por fim referente aos possíveis vestígeos de tal civilização: Se estava próxima à Dorsal (cordiheira) Atlântica, pode ter sido facilmente pulverizada por atividades sísmicas/ vulcânicas devastadoras. Se era uma nação mais continental, os curiosos ou questionadores, podem aguardar mais descobertas sobre o Olho da África (Estrutura de Richat) e inundações da "idade da pedra"/ términos de eras do gelo.


Nota: 7,5


Pirika

Eu confesso que sempre fui meio perdido com o legado de bandas formadas por ex-integrantes do Helloween (Iron Savior, Gamma Ray, Masterplan, Unisonic). Das duas primeiras principalmente que são as mais antigas eu conhecia apenas as músicas que eram trocadas em formato de mp3 pelos metalcólatras e as músicas geralmente eram boas. Nesse período conheci a Deadly Sleep que está nesse cd, Never Say Die e a música do Gamma Ray que, para mim, é a personificação do epic/power metal: Rebellion in Dreamland.

Nesse momento você pergunta, mas o que foi esse tornado de informações aleatórias? Ora, não são aleatórias pois no meio de tudo isso existe um gênio chamado Kai Michael Hansen, a mente por trás dessa banda juntamente com Piet Sielck, e como (quase) tudo que Kai Hanson toca esse cd também uma bela obra de metal.

Elementos de sci-fi, com exceção de Star Wars e Alien, nunca me chamaram a atenção e provavelmente esse seja um dos motivos que nunca fui atrás dos cds do Iron Savior e é no momento dessa resenha que eu percebo que ao menos para com esse cd eu errei, é um bom cd de metal melódico.

Os destaques desse cd pra mim são obviamente Deadly Sleep, Coming Home, Forces of Rage, Mind Over Matter, Prisioner of the Void, Unchained e Forevermore, praticamente meio cd. O ponto negativo fica por conta da fraquinha Brothers (Of the Past).

Como Kai saiu da banda após o Dark Assault irei me preservar do resto, porém firmo um compromisso pessoal de ouvir ao menos a trilogia inicial dessa banda.



Top 3: Deadly Sleep, Unchained e Coming Home. Shame Pit: Brothers (Of the Past).

Nota: 7,4

"So many tears
Ohh, we will always remember the years
Earth has been burned
but then they returned
to save us and now we are...
Free!"

PS: Na versão com bonus track é possível ouvir a música Gorgar, cover do Helloween. O refrão dessa música ficou popularmente conhecida entre alguns metalcólatras nos anos áureos como "Boga, we need you".




The Trooper
3
Este álbum estava completamente perdido em meio à bagunça do meu cérebro empoeirado. Para você ter uma ideia da confusão onde ele se encontrava: eu jurava que o Kai Hansen tinha feito apenas uma participação especial cantando (em Deadly Sleep).




Retirado da Wikipedia - Unification é a segunda linha preta


Eu lembrava do Mercante balbuciando abobrinhas sobre uma banda ter sido vencedora de um festival de metal e ter ganhado a chance de gravar algo e acabei  misturando tudo lentamente com o decorrer dos anos ao ponto de achar que este era o álbum da tal banda (quando a banda deve ser a Excelsis, da faixa bônus Dragonslayer).

Bem, além de servir para demonstrar que a mente humana é algo realmente misterioso, este post do Phantom serve para religar o radar direcionado ao Iron Savior. Com certeza quero encontrar algo mais novo dos caras.

Vamos ao álbum: Unification começa com um soco na sua fuça. O primeiro trio de músicas é arrasa-quarteirão, com Hansen aparecendo nos vocais finalmente na terceira faixa, Deadly Sleep. O baixista é fodão (como o Hansen consegue achar toneladas desses caras que sempre ameaçam deixar a guitarra no chinelo?). E todo o tecladista que toca heavy metal e ninguém sente vontade de espancar, pode se considerar bem-sucedido.

O restante do trabalho é muito bom, os caras não deixam a peteca cair por um segundo sequer (tá, talvez a balada tenho sido desnecessária, pelo menos foi a última faixa), mantendo um alto nível no decorrer do álbum todo. Até as faixas bônus foram muito bem boladas e fecham o trabalho com chave de ouro.

Um álbum bem acima da média ... De vez em quando o Phantom acerta.

P.S.: Não citei os vocalistas porque todos destruíram.

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
Já que perdi bastante tempo escutando esse disco, não vou gastar muito tempo com a resenha não (não perdi nem tempo procurando meu portrait correto para esta resenha).

O Iron Savior entrou naquele terreno onde o Heavy Metal melódico se torna extremamente chato e firulento, muito parecido com o que o Gamma Ray fez em Power Plant, uma das primeiras resenhas propostas nesse blog. As musicas são todas preenchidas com um pano de fundo de teclados com tons amplos e abertos, que sobrecarregam a sonoridade que já é saturada quase sempre com duas ou mais linhas vocais bastante melódicas. 

No caso, algumas guitarras - como em 'Starborn', a versão de Aces High deste álbum - acabam chamando a atenção em alguns momentos, mas não conseguem ser verdadeiramente protagonistas em nenhuma faixa, de modo a resgatar Unification para o "mundo real"; por causa disso, o álbum inteiro é uma viagem descabelante em um verdadeiro 'vai e volta' de ritmos que tentam desesperadamente soar épicos mas acabam falhando miseravelmente.

Como disse inúmeras vezes aqui nesse blog, citei Avantasia como uma obra muito específica que atingiu a excelência usando esses artifícios de variações tonais e múltiplas camadas de canais, coisa bem difícil de se executar. Fazer por fazer, se achando o fodelão, sai nisso aí que o Kai Hansen e sua gangue exibida fez.... parabéns pra ele.

As melhores (assim como em PowerPlant) são os covers e versões especiais adicionadas à coleção: Gorgar (demais), Neon Knights (versão extremamente orgásmica) e Dragon Slayer do Excelsis (um raro acerto).

Lembrei porque este gênero quase foi pro saco......

Nota 6 ou \m/\m/\m/.












segunda-feira, 30 de março de 2020

Riot - Thundersteel

O álbum Thundersteel, lançado pelo Riot em 1988, foi escolhido por Pirika para análise.

Faixas: 01-Thundersteel; 02-Fight or Fall; 03-Sign of the Crimson Storm; 04-Flight of the Warrior; 05-On Wings of Eagles; 06-Johnny's Back; 07-Bloodstreets; 08-Run for Your Life; 09-Buried Alive (Tell Tale Heart)

Phantom Lord
Quando cogitaram postar Riot aqui no blog, a 1ª coisa que me veio em mente foi aquela "Come feel the Noise" que a banda Quiet Riot regravou. 
 Sim, regravou. É cover. Não é do Quiet Riot. 

 Agora falando deste Riot que não é "Quieto", logo que coloquei o álbum para tocar percebi alguma criatividade no som pauleira dos caras. Mas como nem tudo é perfeito temos vocais no estilo Massacration, Katana ou Hellhound e outros papagaios desafinados, sejam acidentalmente desafinados ou propositalmente desafinados. O vocalista até tenta se aproximar do estilo arcaico do Rob Halford no início da carreira do Judas Priest, mas falha notoriamente. Sou implicante? Talvez. Porém não sou tão implicante o quanto este vocal é sem alcance "grave-agudo". 
MAS (além de estar cansado de usar "mas" nesta resenha) não é justo por toda responsa nos vocais de banda alguma. Se a banda é fodona, ela vai (ou deveria) compensar a limitação das linhas vocais com construções musicais adequadas, técnica etc etc. E o Thundersteel até compensa, porém mais com a guitarra nos momentos dos solos, deixando a desejar quando repete alguns riffs não tão interessantes. 

 Outro detalhe digno de se destacar é que Thundersteel não é o debut dos caras do Riot e é um álbum toscão no quesito produção. Até aí ok... Isso é contornável também... Ou deveria ser. Será que ser criativo (o que requer algum nível de inovação) no heavy metal já não era tão fácil em 1988? Não sei dizer porque não sou músico. O que eu sei é que o gênero existia há pelo menos 6 anos. Eu estimaria 8 anos, mas alguns troozões dizem que o Révimetau surgiu lá nos anos 70 com a Banda Ledi Zé Pelin. 

Mas porque essa volta toda para falar do álbum?? Talvez porque o álbum não tenha me chamado tanto a atenção ao seu decorrer. Além do vocal se mostrar limitado desde a faixa 1, a criatividade parece minguar entre as faixas 4 e 5. O trabalho acabou me lembrando uma mescla das bandas lado C: Katana com Phantom... Uns trechos bacanas surgem aqui e ali, mas só. Pode até ser que o álbum seja batuta e eu que estou ficando cansado dessa barulheira de ex-jovens. Mesmo assim tô aqui dando nota mermo, seja por tédio ou por desorientação mental. 

 01-Thundersteel; 7,2 
02-Fight or Fall; 7,0 
03-Sign of the Crimson Storm; 7,2 
04-Flight of the Warrior; 6,6 
05-On Wings of Eagles; 6,8 
06-Johnny's Back; 7,3 
07-Bloodstreets; 7,0 
08-Run for Your Life; 7,3 
09-Buried Alive (Tell Tale Heart) 6,0 

 É impressão minha ou uma das melhores músicas é a "Joãzinho está de Volta"?? O destaque comédia fica para o refrão pseudo moderno e cafona "Run for your Life" (uma boa música apesar dos efeitos hilários nesta frase) e o ponto fraco fica por conta da já auto enterrada Buried Alive. 

 Nota: 6, 9 

 P.s.: Há quem diga que algumas bandas dos 80s usavam desenhos no estilo comics com as limitações comuns das artes gráficas da época (ausência de arte digital, baixo orçamento, papel de qualidade medíocre, serviço gráfico tosco etc). Pode até ser, mas notei uma limitação artística e não de produção gráfica nesta capa do Riot, portanto sinto-me à vontade para citar que desenhei uma capa melhor para a banda de rock brazoca Armadilha. 

The Magician


      Metalzinho novo na quarentena é sempre bem vindo. Esse não é bem novo, é lá de 1988 mas acaba sendo novidade pra mim que não conhecia o álbum e conhecia pouquíssima coisa da banda americana em questão.

      O grupo tem certa fama de ser uma banda de 'graduação', em que uma porrada de cara passa mas ninguém de expressão fica definitivamente (eu sei, é um rótulo injusto, mas só pra ter uma ideia, tem ex membros que passaram por aqui e que também estiveram no Iced Earth, Master Plan, Deep Purple, Halford,...), ou seja, daquelas com muitos anos de carreira e poucos trabalhos de sucesso. 


      Por isso me surpreendeu bastante a qualidade pra lá de aceitável de composição da banda em "Thundersteel", e também por manterem uma sonoridade geral bem mais aderente à esfera do power metal do que ao hard rock (para onde estavam voltadas a maioria das guitarras virtuosas durante os anos 80 nos Estados Unidos). Talvez isso seja explicado pela própria posição geográfica da banda dentro dos states, estavam em N.Y. ao invés de residirem na Califórnia...

Ainda que seja uma banda com certa senioridade, isso me parece uma quantidade absurda de 'aspirantes'... (fonte: wikipédia en)


      Mesmo assim isso não impediu de que a banda conseguisse grandes contratos, pois trabalharam com selos como a EMI, CBS (nesse álbum), e até com a californiana Capitol Records; o que me espanta e que reforça mais ainda a minha tese sobre o Power Metal americano ser amaldiçoado pelos deuses do Heavy Metal.... (toquei nesse assunto inúmeras vezes aqui no blog, nas resenhas de Phantom, Jag Panzer, Savatage...). Inclusive, o álbum "Thundersteel" é o retorno da banda depois de um coma de cinco anos, mesmo sendo reverenciada por bandas mais novas do gênero, como o Hammerfall, que gravou um cover de "Flight of The Warrior" em seu 'Masterpieces'; foram na verdade os americanos que acabaram abrindo shows para os alemães em sua turnê europeia de 2011. Isso é um sinal mais do que claro em minha opinião,  da "força" do Power Metal americano. 

       Mas como eu não posso alterar as linhas temporais e seus respectivos eventos passados para que o cenário norte americano de Power Metal fosse mais aceitado pelo mercado da música (até posso, mas resultaria em caos irreversível na estrutura cósmica... uma ruptura bastante não recomendada como visto em "Rick and Morty"), me resta falar do trabalho sugerido pelo Pirika.

      Existe uma sinceridade valiosa no trabalho, em que o conteúdo lírico é abordado com bastante simplicidade mas percorre certos clichês sofisticados do Metal como: distopia (Sign of the Crimson Storm) paranoia (Run for Your Life), nostalgia (Bloodstreets), masculinidade (Johnny's Back), terror (Buried Alive), e personagens e batalhas épicas mas somente em versos superficiais e pouco descritivos (Flight Of the Warrior). A obra afinal demonstra a aplicação dessa semântica de uma forma bem genérica e desfocada, mas que se justifica simplesmente por estar definitivamente no imaginário do metaleiro e construída em inúmeros trabalhos prévios desse gênero.

      Essa sinceridade e fidelidade da banda ao que o Power Metal tem que fazer para ser um bom Power Metal, também está presente principalmente nas linhas de guitarras, e é justamente aqui, que o trabalho se firma em um patamar diferenciado daquele extremamente "genérico" do Heavy Metal, ou ainda de uma banda que seria classificada como "meh" (afastando-os da qualidade que eu atribuí ao Phantom, por exemplo, e aproximando-os de trabalhos como dos russos do "Apust"). 

        Pois bem, fica supostamente claro que o Riot não é A banda mais técnica do mundo, mas dá pra perceber bem o empenho do seu líder Mark Reale (também o produtor) em preencher os requisitos mínimos da escola virtuosa do speed metal, e seu trabalho é digno de nota. Nesse conjunto de repertório de Mark se destacam partes bem interessantes como digitações rápidas em overdub, pautas lentas de dedilhados para criar atmosferas mais imersivas, riffs pesados baseados em acordes em 5ª que possuem intersecções com ligados e floreios, para adicionar algo "a mais" às melodias, e com certeza os solos; que são exuberantes, muitos deles montados sobre técnicas de tappings, harmônicos artificiais e sustentações de distorções venenosas. 

      Se tem alguma afirmação que definiria Thundersteel como um todo é que não dá pra acusar o guitarrista de falta de comprometimento; o cara entregou a alma para incrementar algo a mais do que um simples 'heavy metal de gravadora', e se separarmos alguns recortes das músicas desse álbum, teremos uma coleção bastante singular de riffs e versos de guitarra, raros em comparação com muitas outras obras mais festejadas do gênero. Por isso, tomem nota dos pontos altos do álbum: 

  •  a introdução da faixa título com seus ligados subsequentes de pulloffs e a conclusão da mesma música;
  •  o verso que conduz a maior parte da estrutura de "Run for Your Life" entrelaçado com solos de guitarra que invadem as linhas vocais, 
  •  o refrão em cavalgadas de "Fight or Fall",
  •   o riff principal que é intercalado por um ligado progressivo de "Flight of The Warrior" (a base do solo é igual à Bark The Moon", e o solo não é de se jogar fora), e 
  •  a introdução toda de "Buried Alive" - que é uma música dentro de outra....
       Para completar, o trabalho da cozinha é indubitavelmente competente, toma-se como exemplo a faixa do fodelão Johnny (Johnny's Back).

      O ponto fraco do disco é sim os vocais (conforme citado acima pelo ranzinza, Phantom Lord). Tem muita responsabilidade no vocalista, que não é uma vergonha completa e que tem razoável dote técnico, mas que tem uma dicção, para dizer no mínimo, peculiar, e que reveza os seus falsetes em momentos completamente errados (opinião mesmo). A produção do álbum, que não é ruim (aumenta o volume aí Phantom Lord!!), poderia ter sido mais cuidada no momento de prensar as linhas vocais, tinha muita coisa pra fazer no sentido de disfarçar o trabalho de Tony Moore.

      Minha conclusão é que o Riot fez um trabalho que não foi somente digno no ramo do Power Metal americano, mas ouso dizer que com o empenho de Mark Reale e com ajuda da sua cozinha, esse trabalho colocou uma pequena estaca de 'milestone' na história do speed metal, ousando abordagens mais extremas em 1988, em um lugar e para um público que estava mais preocupado ou com as maquiagens e boobs do 'Hard farofa', ou com o som mais bruto e pesado do Death/Thrash Metal.

Nota 7,6 ou \m/\m/\m/\m/. 



Pirika
Cá estamos nós postando novamente depois de muito tempo, se não me engano meu último post foi o cd do Avatar em 2013 então, como manda o protocolo, o cd do Riot foi escolhido por ser um bom cd que nem todos conhecem.

Como eu tenho o péssimo hábito de demorar anos pra consolidar todas as minhas anotações em uma resenha minimamente decente eu sempre acabo na situação onde minhas observações já foram expostas pelos colegas metalicanos, no caso desse cd isso ocorre com a voz de Tony Moore. Eu discordo do Phantom na questão de papagaio desafinado, creio que o Moore tenha seus méritos na função desse álbum.

Falando do álbum, Thundersteel é uma grata surpresa de uma situação de improvável sucesso. O álbum chega após um hiato onde apenas um membro permanece, geralmente a receita do fracasso está dada mas a banda conseguiu um trabalho sólido. Um ponto positivo são os trabalhos da guitarra, não os solos em si que também são bons, mas o trabalho que pode ser notado em Bloodstreets, na maravilhosa introdução de Buried Alive e na segunda bridge (?) de Flight Of The Warrior (Ouça de novo entre 3:03 e 3:17), coisas que pra mim aumentam consideravelmente a qualidade do som.

Para falar um pouco das músicas, os destaques ficam para Thundersteel que chega chutando a porta como a melhor música do álbum disparada, a mais sólida Johnny's Back, a mais lenta Bloodstreets e Buried Alive com uma introdução que poderia ser facilmente uma música. Como nem tudo são flores tem alguns fiascos que ficam bem evidentes como Sign of the Crimson Storm e Run for Your Life.



Top 3: Thundersteel, Johnny's Back e Bloodstreets. Shame Pit: Run for Your Life.

Nota: 6,8.

"Tell the boys to step aside
Tell the girls to form a line
The king is back to claim the land again"

PS1: A voz do vocal atual do Riot é muito semelhante a do Tony Moore:


PS2: Riot, na pessoa de seu vocalista, marcando presença no the voice:



The Trooper
3
Vamos lá avaliar um post do Pirika, faz um bom tempo que não podemos desfrutar do prazer de atingí-lo indiretamente com comentários maliciosos lançados em seu álbum indicado (reparou que o abusado nos chamou de 'metalicanos' em uma clara tentativa de tomar o lugar do Mercante - não é de metaleiro, é de fã do Metallica ... ***paranóia***?)

Bem, fica claro que Riot é uma banda de um dono só (pelo menos quando saiu este álbum). O tal Mark Reale deve ter ficado com os direitos do nome depois de uma 'major treta' ou do restante desistir completamente de ficarem ricos tocando em uma banda chamada Riot. O Reale foi bastante persistente e depois a história parece ter se repetido para ele abandonar o nome para a última formação e desistir de ficar rico também (toda essa história é hipotética já que eu estou pouco me lixando para saber o que realmente ocorreu).

Então vamos falar de Thundersteel. Mesmo sendo o trabalho de uma banda de um dono só, é um dono bem competente. Responsável por guitarra solo (e provavelmente por ser o maestro da banda), Reale mandou bem em todas as faixas. Riot neste trabalho me lembrou outras bandas de metal, dentre elas Rage, e nenhuma lembrança foi ruim. O baixista também fez um trabalho bem agradável e o vocalista tá naquele nível 'legalzinho'.

Faltou uma música do tipo obra-prima, mas é normal, né? Isso seria a exceção, não a regra. Confesso que as letras não me chamaram muito a atenção (é impressão minha ou Pirika usou sua marca registrada de citação de letras justamente em 'Johnny's Back'? É muita fanfarronice, decididamente tentando tomar o lugar do Mercante).

Já a capa, ao contrário do que o Ranzinza Lord afirma, é bem bacana ... Tosca, mas bacana. Hellraiser estaria se babando todo pela pegada 'Old School' (pera, se a joça é old, então não é school). Dentro da minha cabeça plenamente sã, a capa representa X-Men 53 (A Crucificação de Wolverine), onde Esmaga-ossos e Lady Letal, dos Carniceiros, estão caçando o pobre mutante que só escapou com a ajuda de Jubileu.

Já nosso querido Phantom Lord 'got cocky', não? Tá certo que a capa que ele desenhou para o Armadilha era melhor que esta aqui:

 Mas até aí, qualquer outro desenhista com Parkinson faria melhor. Entretanto, não encontrei seu trabalho na internet. Sinal que o Armadilha gostava mais do desenhista que foi reprovado em todos os exames psicotécnicos que já fez (e agora Phantom?)

Destaque para Thundersteel, Fight or Fall e Johnny's Back (não por causa da letra).

Nota: \m/\m/\m/\m/




sábado, 29 de fevereiro de 2020

Diamond Head - Lightning to the Nations

O álbum Lightning to the Nations, lançado pelo Diamond Head em 1980, foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Lightning To The Nations; 02-The Prince; 03-Sucking My Love; 04-Am I Evil; 05-Sweet And Innocent; 06-It's Electric; 07-Helpless; (08-Shoot Out The Lights; 09-Streets Of Gold; 10-Waited Too Long; 11-Play It Loud; 12-Diamond Lights; 13-We Won't Be Back; 14-I Don't Got)*
* Versão 'nefasta' que o Pirika odiou


The Trooper
3
Ainda bem que temos um dia a mais em fevereiro nos anos bissextos, ou este post não sairia.

Para um dia fora do comum, nada como um post fora do comum. Diamond Head é uma banda que conheci através do Metallica, e não havia escutado mais do que uma música original até hoje.

Ainda pensei em postar um álbum do Holocaust, pois a música que mais gosto do álbum de covers do Metallica é Small Hours, mas o álbum a que ela pertence, Hypnosis of Birds parece legal mas é paradão demais para o meu gosto.

Bem, Lightning to the Nations (LttN) é um álbum bem difícil de avaliar. Primeiro porque é difícil de desvincular as versões do Metallica da análise, segundo porque a banda gravou o álbum em sete dias com um selo próprio. O baterista e o vocalista parece que estão dentro de uma caixa de sapato (lembra a gravação das músicas da minha 'banda' feita com um aparelho de som portátil duplo deck). E por fim, a banda varia bastante o estilo dentro do seu primeiro trabalho.

LttN começa com a faixa que acabou dando o nome ao álbum e em seguida vem com The Prince. É um começo bem pesado, e quem ouviu o Garage Inc. pode reconhecer em The Prince mesmo que os safados do Metallica escolheram as melhores faixas para fazer cover.

O lado B da bolacha vem mais leve do que o A. Se você levar em conta que as influências dos caras eram Sabbath, Deep Purple, Led ... etc. Fica claro que a pegada começa Sabbath e termina em Led.

Waited Too Long e Diamond Lights são muito Led, em alguns trechos dá pra lembrar de Purple, e a parte mais pesada que lembraria Sabbath ficou bem distinta, esse parece ser o núcleo verdadeiro do que é Diamond Head.

Enfim, vale a pena conhecer, e por que não, guardar no hd.

O destaque, é claro, vai para Am I Evil, que é uma música bem legal.

Nota: \m/\m/\m/\m/


Phantom Lord
Desnecessário dizer que metade dos "roquistas/ metalbangos" do mundo ouviram só o cover de "Eu sou Mau?" e o "Príncipe" pelo Metallica. Mas nem por isso precisamos desmerecer a banda proprietária destas músicas: a Cabeça de Diamante... 
Eu acho... 

O álbum começa com a faixa título que é uma música claramente comercial - clichê do gênero (chame de rock ou heavy metal, tanto faz). A faixa seguinte, The prince, é sonoramente mais elaborada e embora longa, com alguns trechos cafonas e letra de um idiota obsessivo por se tornar rico (Streets of Gold deve seguir linha parecida?), a faixa até é legalzinha. 
Aqui um parênteses: Já é possível notar a produção tosca do disco. Não condeno, afinal não sou o Magician e entendo das limitações da maioria das bandas iniciantes da época. Aí caras como o Magicha diriam: mimimi, o Van Ralo tava começando e tinha uma produção boa. Até concordo, mas os caras deviam ser ricos ou bruxos, sei lá! 

Continuando com o álbum Raio pras Nações... Aí vem a música Chupando meu Amô com mais de 9 minutos de duração. Tá eu sei, os jovenzinhos (na época) queriam dizer que bimbaram pra caramba, colocaram gemidinhos metidos à Led Zeppelin na música e tal, mas... Que merda! Na melhor das hipóteses, esta faixa parece um amontoado de experimentos musicais sem criatividade e a música anterior, que é melhor, tem mais de 6 minutos... Então vem a posterior com uns 7 minutos! Chamo isso de querer dar o passo maior que a própria perna. Desnecessário para um álbum tão cru. E devia ser mais desnecessário para quem acha que todas bandas da época deviam ter uma produção melhor... Apesar dos pesares, Ama aí Evo é um crássico imortalizado pela banda de metal mais pop(ular) do mundo, o tal Metal lica... A produção simplória sem distorções de guitarra perceptíveis e o vocal sem tons agudos ou graves, sem grande alcance ou variação, deixa a música quase sem peso. Uma pena, tinha potencial para ser mais sonoramente pesada. A faixa 5 é passável, mas a seguinte (It's Electric) é melhor, na verdade acho que o Metallica também fez um cover (mais sem graça) desta música. E falando em cover, na sequência tem Helpless, uma música bacana que também foi regravada pelo Metallica... 

O álbum segue mediano, sendo os melhores pontos da "2ª metade", Shoot Out the Lights e We Won't be Back (esta última deve ter inspirado o Motorhead a gravar Another Perfect Day). 

01-Lightning To The Nations; 6,8 
02-The Prince; 7,0
03-Sucking My Love; 5,0
04-Am I Evil; 7,5 
05-Sweet And Innocent; 5,8 
06-It's Electric; 7,3
07-Helpless; 7,3 

(Faixas bônus do Relançamento):
08-Shoot Out The Lights; 7,0
09-Streets Of Gold; 6,5 
10-Waited Too Long; 6,0
11-Play It Loud; 6,8 
12-Diamond Lights; 5,0
13-We Won't Be Back; 7,0
14-I Don't Got 6,5 

Concluindo: A banda parecia ter algumas boas ideias, o álbum certamente não é ruim como um todo, mas talvez tenha faltado um pouco de técnica (principalmente nos vocais), sorte e... Produção, certo? 

Nota corrigida, contando só até a 7ª faixa: 6,8 (versão original do álbum)

P.S.: Este álbum tem potencial, tanto que a mega pop banda Metallica fez "x" covers dele, MAS um trabalho deste tipo deve atrair muitos tiozões, sejam metidos a troo ou scavengers (carniceiros) de discos velhos, principalmente no Brasil, um país cheio de baba ovo de gringo. Se um de vocês metau ruts, tiozão-saudosista-chato-pra-caralho, quiser criticar minha resenha, fique à vontade... A importância de tal crítica nula.



The Magician
A música, assim como a maior parte dos campos de estudo registrados ao longo das eras pela curiosa raça humana, faz parte de um corpo de conhecimento contínuo que se constrói com o passar do tempo com base na informação escrita previamente, consolidada e organizada.  Em outras palavras, algo que você escuta hoje no cenário popular da música, é uma camada de experimentação e conjunção sobre inúmeras miscelâneas harmônicas, melódicas e rítmicas que foram compostas e testadas por outro artista qualquer em algum momento no passado desse trabalho.

Citar tal obviedade parece ser ridículo caro amigo metaleirinho que nos lê, mas não é.

Isso porque em um cenário musical ‘vitrinesco’ (inventei mesmo), e de muita exposição, como acontece com a música pop em geral (inclui-se o Heavy Metal, para quem não sabe, tá?), escolhemos os ídolos como se realmente fossem semi-deuses iluminados e tocados pelo “dom” e o talento musical. E embora ser arrogante faça parte de ser um Metalcólatra, dessa vez eu não vou vestir meu manto de senhor da verdade para cravar que esse negócio de dom é uma verdadeira balela, mas que esse álbum do Diamond Head é um ótimo material para essa análise, ah.. é sim senhor...

Lightning to the Nations, o debut do Diamond Head é o resultado de uma soma de escolhas desastradas dos seus autores, quanto à decisão sobre a gravadora, tempo de gravação, duração do álbum e qualidade de produção, mas ainda assim com algumas composições de rara criatividade conseguiram chamar a atenção de personagens do meio que jogaram um merecido holofote para a banda inglesa naquela ocasião. Nascida em meados dos anos 70 e debutando em 1980 (assim como o Iron Maiden fez) o Diamond Head era mais um player do NWOBHM, e como tal, influenciou as bandas da Bay Area de São Francisco. 

E aqui entramos no cerne dessa história; quando o Metallica, banda apontada como uma das primeiras do movimento “thrash metal” norte americano, e uma máquina de $$$ dos dias atuais, gravou quatro covers da banda inglesa para distribuir entre suas demos e EP’s de divulgação. Não é exagero dizer que a influência do Diamond Head moldou boa parte do embrião do Metallica em sua fase pré ‘Kill’em All’, com contribuições que iam além dos covers de “Am I Evil”, “The Prince” e “Helpless”; “Shoot Out the Lights” e “Sucking My Love” (regravada também em bootlegs dos californianos) podem ser identificadas facilmente nas composições selfmade “Seek and Destroy” e “Hit the Lights”, verdadeiras estampas da “marca” Metallica. 

Quando desmembramos o histórico desses movimentos com o distanciamento dos anos e com a leitura correta dos dados, vemos que o julgamento comum de uma “verdadeira jóia” do Heavy Metal, como o Kill’em All, pode ser nada mais do que uma supervalorização de um trabalho criado sob influências bem específicas da banda naquela época.  Portanto, aqui enfatizo o meu discurso que cada parte desse todo que analisamos, e que chamamos de Heavy Metal, deve ser valorizado de acordo com sua respectiva contribuição, e Lightning to the Nations foi definitivamente uma grande contribuição para o segmento da música pesada. 

Sobre o álbum, vale destacar as criações e a interação das guitarras nos riffs e solos (ainda que sob uma impressão de timbres bastante toscos) e a condução rítmica da maioria das faixas que flerta em alguns momentos com um estilo punk (acontecia com certa frequência no NWOBHM) e dá liberdade ao uso do vocal “sem pautas” que o Diamond Head escolheu na maioria das canções. A criatividade fica muito clara nas faixas já citadas acima e reutilizadas pelo Metallica, tal como na faixa “It’s Eletric” (gravada posteriormente no Garage Inc., dos norte americanos), o que mostra que havia qualidade de composição no grupo britânico. Os pontos baixos vão para os vocais enjoativos e super limitados que nessa disposição de longa duração apresentada no álbum, ficaram extremamente irritantes.

Nota 6,5 ou \m/\m/\m/.


P.S: Eu vou entender e até quem sabe, concordar com você, caso use um argumento contrário do tom do meu texto do tipo: “quando o cara pega algo que ninguém dá valor e coloca seu talento sobre isso transformando em um material referencial e bombástico, isso também demonstra que possui um dom artístico..”, nesse caso, só não vem me falar merda sobre a “verdadeira música sai do coração”.



Pirika
Todo mundo sabe que o Diamond Head ficou famoso por causa do Metallica, não tirando os vários méritos que eles tiveram no cd de 1980 (o que tem o cover postado abaixo, não essa versão nefasta que o Trooper nos presenteou), porém it is what it is então não me irei me atentar a como o Metallica por tabela influenciou Diamond Head para todos seus seguidores e coisas do tipo e vamos nos atentar ao álbum.



O álbum pode ser facilmente dividido em duas partes, a primeira que vai até Helpless e a segunda que poderia ser facilmente esquecida, não que ela seja de todo ruim mas simplesmente não está no mesmo patamar da primeira.

Apesar de termos nos vocais desafinados de Sean Harris a parte mais fraca musicalmente falando, o lado A é de ótima qualidade com quase todas as músicas tendo seus covers feitos pelo Metallica e com razão. Aqui temos de longe os pontos altos do cd como The Prince, Am I Evil? e Helpless.

O lado B do álbum possui em excesso o maior defeito do lado A: O arrastado e desafinado vocal (LTTN, It's Eletric). Aqui temos isso acontecendo em praticamente todas as músicas com exceção de Waited Too Long, que é a música mais intrigante deste álbum, praticamente deslocada do resto porém uma boa música. De resto nesse lado B podemos citar uma influência muito mais voltada para o rock, os destaques positivos para Shoot Out the Lights, Steets of Gold e Play it Loud. Por último porém não menos importante precisamos citar a desafinação ímpar em Diamond Lights, coisa horrorosa.


Top 3: Am I Evil?, The Prince e Helpless. Shame Pit: We Won't be Back.

Nota: 6,9

PS: Ainda bem que quem saiu do banda foi o Harris e não o Tatler, dessa forma o Diamond Head ainda respira.





segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Rush - Counterparts

O álbum Counterparts, lançado em 1993 pelo Rush, foi escolhido por The Trooper para análise.

Faixas: 01-Animate; 02-Stick It Out; 03-Cut To The Chase; 04-Nobody's Hero; 05-Between Sun And Moon; 06-Alien Shore; 07-The Speed of Love; 08-Double Agent; 09-Leave That Thing Alone; 10-Cold Fire; 11-Every Glory




The Trooper
3
Saudações, mais um ano terrível se passa. Ficamos devendo uma postagem em dezembro, culpa do Magician, ele tentou convocar yuguloths mas acabou escravizado por eles, hoje está cerca de 14 horas por dia em algum plano inferior.

Coube a mim não deixar mais um mês passar batido neste decadente blog. O incentivo foi prestar uma homenagem póstuma ao grande baterista Neil Peart. E dentro do meu gosto limitado, resolvi postar o álbum que mais gosto dos caras: Counterparts.

Eu já havia dito isso no outro post de Rush feito pelo Phantom Lord e volto a reforçar, este é o melhor álbum dos caras, o mais pesado (na faixa Double Agent, minha mãe entrou no quarto e falou 'que baruiada filho') , o mais bem produzido, enfim, ouça aí para concordar (uma opinião de quem não ouviu nem 1/5 da discografia).

O baixo é o instrumento que traz mais peso ao álbum, mas ele (o álbum) é um espetáculo nos instrumentos como um todo. Preste atenção nas sacadas do Neil Peart (ouve a batera de Between Sun And Moon), nos riffs base do Lifeson. O baixo eu já citei que é minha paixão neste trabalho, mas os vocais suaves do baixista, Geddy Lee combinaram perfeitamente para fazer este um dos melhores álbuns de rock and roll que já ouvi (ou rock progressivo ... ou seja lá que classificação irrelevante você use).

A faixa instrumental (Leave That Thing Alone) é fodida, principalmente por causa do baixo, e Cold Fire dá aquele gás final antes do cd acabar, digo isto porque Everyday Glory é light demais para o álbum, não que seja ruim, mas lembra mais R.E.M. do que as outras faixas que estão mais próximas do heavy metal. Se não fosse pela última faixa e pela levemente sonolenta The Speed of Love, minha nota estaria próxima do máximo.

Destaque para Animate, Stick It Out e Nobody's Hero.

Nota : \m/\m/\m/\m/



Phantom Lord
Counterparts do Rush foi um dos meus álbuns favoritos por volta de 2010 a 2014... 
O pesado álbum (ao menos para os padrões de Rush) mostra bem a competência da banda canadense. A banda esbanjou qualidade musical ao longo de sua carreira e não é diferente com o álbum Counterparts lançado na 1ª metade dos anos 90. 
No momento só não posso opinar sobre o conteúdo de todas as músicas (letras) porque só lembro das poucas que eu li. Também me lembro que eu sempre cornetava Pirikitus e alguns outros colegas que defendiam Pink Floyd como o maior ícone da história do progressive rock. Eu posso tirar meu chapéu para consciência social de integrantes do Floyd, como Roger Waters, mas a sonoridade dos trabalhos do Rush deve continuar incomparável. Acredito que meu gosto permanece o mesmo porque o Rush faz músicas mais "digeríveis" do que o Floyd, portanto "menos progressivas". 
Falando do "peso" das músicas, ele aparece mais na faixa Stick it Out e em alguns trechos aqui e acolá do Counterparts, mas o Rush não precisa de peso para fazer boas músicas... 

Enfim, foi bacana ouvir este álbum novamente depois de vários meses e interpretar novos significados para algumas canções/ letras, mas vou encerrar a resenha aqui por falta de linearidade do meu pensamento. 

1. Animate 8,0 
2. Stick It Out 8,5 
3. Cut to the Chase" 7,2 
4. Nobody's Hero 7,1
5. Between Sun & Moon 7,1
6. Alien Shore 7,4 
7. The Speed of Love 6,8 
8. Double Agent 7,6 
9. Leave That Thing Alone 7,5 
10. Cold Fire 7,7 
11. Everyday Glory 7,2

P.S.: Sobre a relação letra e sonoridade, a música que impediu que eu desse o selo "Solid" para este álbum, The Speed of Love, tem um conteúdo interessante, mas não me chamou atenção melodicamente... Ao menos ainda não, mas talvez um dia. 

Nota: 7,5 


Pirika
"When we are young 
Wandering the face of the earth 
Wondering what our dreams might be worth 
Learning that we're only immortal For a limited time..."

Dessa vez não tivemos uma homenagem do clubista Magician, mas temos aqui mais um álbum do progressive power trio canadense em justa forma de homenagem e respeito a Neil Ellwood Peart, inegavelmente um dos maiores bateristas que o mundo já viu (para mim, o melhor) e principal letrista da banda, que nos deixou no último dia 07.

Counterparts com certeza está inserido naquele grupo de bons/ótimos cds do Rush. Ele veio naquela reviravolta dada pelo Rush no começo dos anos 90 após uma metade de década nada bem sucedida da banda com e conta com 3 hits que a banda levou até o seu fim com Animate, Nobody's Hero e Cold Fire, entre outras ótimas músicas e algumas longe disso.

O álbum começa com Animate que tem um riff de baixo bem forte, instrumento este que se encontra com presença marcante por todo o álbum. O fato do Rush ser um power trio com músicos de alta qualidade contribui bastante pra isso, é uma banda sempre bem equilibrada que dificilmente deixa o peso nas costas de alguém. Além do riff o refrão também merece destaque, com certeza umas das melhores do álbum e da banda.

O álbum continua com a boa Stick it Out que deve ser a música mais pesada do álbum com bom solo do Lifeson apesar de curto. Cut to the Chase é de igual qualidade sendo uma música mais cadenciada e abre pro clássico instantâneo do Rush Nobody's Hero principalmente devido ao seu tema abordado.

A partir daí o álbum dá uma derrapada, normal já que o nível estava bem elevado até então. Between the Sun & Moon traz um bom instrumental padrão Rush, mas aqueles "Ah yes to yes" são osso. Peart e o solo "meio riffado" do Liefson se sobressaem aqui. Alien Shore para mim é o ponto baixo do álbum, que depois carrega as duas músicas que passam batidas até Leave That Thing Alone. É incomum você ver um álbum retomar a pegada a partir de uma música instrumental e por algum motivo o riff do Lifeson me lembra uma música do Sonic, mas enfim...é uma boa música. 

Cold Fire pra mim é o ponto alto do cd, uma das minhas favoritas do Rush, tudo nessa música me agrada. Ela é aquela turbinada final que o álbum precisa que até carrega Everyday Glory junto com ela, que é uma musica ok sem muitos destaques. Um bom cd de uma ótima banda de rock que possui o melhor baterista do mundo.


PS: Eu aproveitei para ler minha resenha do Moving Pictures feita em 2011 e na primeira frase da resenha eu falo que Rush não me agrada, só tenho a agradecer o Father Time por nos deixar menos tapado. Ao menos meu endeusamento ao Peart já existia naquela época, bom sinal de que existe uma espécia de sanidade estável na minha cabeça. 



Top 3: Animate, Nobody's HeroCold Fire. Shame Pit: Alien Shore.

Nota: 7

Curiosidade: Nos dois últimos álbuns tivemos um "Lee" com composições fodas. O baixo do Geddy é bom demais de se ouvir.

Pra finalizar, deixo um vídeo tributo ao Neil Peart com a última música do último álbum do melhor baterista da história. 

Rest in Peace, Neil.



"Suddenly, you were gone 
From all the lives you left your mark upon..."




The Magician

Concordo em grande parte com a maioria das coisas que os três metalcólatras acima escreveram (com exceção da escolha descabida do shamepit do Pirika), inclusive sobre a introdução do post do Trooper que cita meu embate corrente com demônios das profundezas do Abismo. Portanto, podia me isentar dessa postagem que sob muitas perspectivas se faz desnecessária, mas acredito que o saudoso Peart ficaria chateado comigo caso optasse pela omissão...

 Na longa carreira dos canadenses muita coisa boa foi produzida, mas acho que destacar esse trabalho diante de grande parte dos demais da discografia do Rush não seja um exagero, e por isso endosso a escolha do Trooper como uma grande homenagem não somente ao N.P (rip), mas sim como uma grande homenagem à própria banda, que encerra suas atividades oficialmente com a morte do seu baterista.

O resultado do álbum Counterparts se avaliado como 'peça única' é genuinamente fiel ao estilo mais Rock'n Roll do Rush, que passou por algumas outras sonoridades meio "diferentes" na sua trajetória prévia, que o torna um trabalho bastante acessível para diferentes grupos de ouvintes, desde que apreciadores de boa música. E é importante frisar este ponto, pois mesmo com a utilização do modelo circular popular na composição da maior parte das músicas (V-B-R,- solo -V-B-R,.....), o Rush coloca realmente MUITA matéria prima sonora em cada estrofe.  Ou seja, não é um álbum preguiçoso, e as músicas apresentadas com estruturas de versos, bridges e refrãos mais comerciais - como "Cold Fire" - são construídas com detalhismo e certa complexidade nas pautas instrumentais, rebuscando e qualificando o produto como um todo.

Outro ponto digno de nota (e citado pelos demais metalcolatras acima) é o peso geral do álbum. O Rush fabrica esse peso sonoro bem mais pela escolha das melodias - quase sempre utilizando intervalos menores e progressões melancólicas - do que pelas escolhas dos timbres ou interpretações. Em outras palavras, não escutamos o Lifeson britando grooves rachados em uma guitarra super distorcida ou Lee usando cavalgadas no baixo, muito menos Neil impondo excesso de bumbos duplos, mas mesmo assim, a noção de peso nas músicas fica clara para a maioria das pessoas. Dá quase pra falar que é heavy metal sem "apelar".

Mergulhando nas composições, tem muita coisa digna de nota pra imprimir tudo nesse post, por isso vamos direto ao ponto: o baixo de Lee é o verdadeiro frontman protagonista na maior parte das canções, com destaque para seus rápidos ligados e nos agressivos slides em "Animate" e "Stick it Out", com certeza as músicas mais 'fortes' do disco, e em especial na maravilhosa música instrumental "Leave That Thing Alone". Alex é o mesmo guitarrista inteligente que citei lá em "Moving Pictures" e adapta as suas linhas para a guitarra não oprimir os demais instrumentos (o que facilmente acontece em power trios mais descuidados) se usando de versatilidade surpreendente com interpretações tanto de baladas em 'Nobody's Hero', como de rock clássico em 'Animate' e 'Between Sun and Moon' e até postura hardcore como nos riffs de 'Cut to the Chase". Aliás, sobre este ultimo som, vale a pena destacar o solo de guitarra nervoso que o guitarrista canadense criou, em um estilo de fraseado que lembra muito o mestre alienígena Joe Satriani, que inclusive deve ter sido homenageado também na faixa 'Alien Shore' - a MELHOR composição de guitarra de Alex Lifeson nesse trabalho!!!!!! - com um riff introdutório e interlúdio de guitarra encharcado de veneno, e finalizados com um harmônico maravilhoso!

Sobre Neil Peart nesse trabalho..... 'who am I' pra escrever qualquer coisa aqui??? O cara era um mestre, cada música de Counterparts tem uma característica atmosférica que na verdade é ditada pelos tempos e pela intensidade da bateria de Peart; sua bateria falava, e se você dúvida, escute aí novamente a faixa "Leave That Thing Alone". Lembro do documentário do Rush que Peart conversava com um batera clássico de Jazz, e nessa conversa os dois refletiam que a fluência da composição de bateria não deveria girar em torno da pontuação temporal (unidades de tempo marcadas pela batida da bateria, mínimas, semimínimas, fusas, etc..), mas sim era focada nos intervalos de pausas e contra tempos, mais ou menos como enxergar uma foto no negativo, ou como o laser do código de barras que na verdade lê somente os intervalos em branco..... sei lá... tô viajando aqui... quem sou eu pra entender a aplicação desse conceito?...

É isso aí coleguinhas, Couterparts é trabalho de gênio (3 gênios, específicos) quase que sem pontos fracos (não gostei de Speed of Love, pra falar a verdade) e com muitos pontos fortes. Obra cravada na história do Rock, assim como o nome de seus criadores.... um deles inclusive já partiu dessa realidade para se tornar mitologia.
Nota 8,4 ou \m/\m/\m/\m/.