sábado, 25 de janeiro de 2014

Gamma Ray - No World Order

O álbum No World Order, lançado em 2001 pelo Gamma Ray, foi escolhido por The Trooper para análise.


Phantom Lord
Embora nem a banda Gamma Ray, nem seu "sub-gênero" musical sejam novidades no blog, este álbum teve uma pequena história de impacto significante para alguns metalcólatras... 

 Ouvi o No World Order pela primeira vez por volta de 2002 e gostei bastante, depois disto, demorei alguns meses (ou anos) para escutá-lo novamente... E não apreciei muito das vezes seguintes que ouvi, acabei ficando apenas com as faixas Heaven or Hell e Eagle (cedidas por Treebeard) em meu computador. 

Porém, Joe, the Barbarian, indicou outro disco do Gamma para o blog há uns 3 ou 4 anos atrás: Powerplant. Um disco tecnicamente bom, como diria Magician... e praticamente só isso. Então, após ouvir o Powerplant e postar a resenha, decidi buscar o No World Order para ouví-lo novamente e desta vez não me arrependi: achei tal álbum nitidamente superior ao Powerplant... 

 De modo similar ao álbum Painkiller do Judas Priest, precisei ouvir o No World Order algumas vezes para passar a gostar mais de suas músicas... E falando em Painkiller, no decorrer do NWO, além da óbvia influência do Helloween, também é possível perceber toda uma inspiração nas músicas do Painkiller. As músicas do NWO apresentam menos quebras de ritmo e parecem mais inspiradas (com características próprias marcantes) e menos bregas do que a maioria das músicas do Powerplant. 

 De resto, não há novidade alguma... No World Order provavelmente é o melhor trabalho do Gamma Ray e é um bom álbum das vertentes mais melódicas (speed/power metal) que tanto bombardeiam o blog.

Introduction/Dethrone Tyranny 7,8 
The Heart of the Unicorn 8 
Heaven or Hell 8,4 
New World Order 7,7 
Damn the Machine 7,3 
Solid 7,5 
Fire Below 8,2 
Follow Me 7,1 
Eagle 8,3 
Lake of Tears 7 

 Modificadores: 



 Nota Final: 7,9

The Trooper
3Escolhi este álbum por dois motivos: 1-ele é excepcional e portanto apaga a má impressão que Power Plant deixou; 2-o tema é sobre os Illuminatti.
O que diabos é Illuminatti? Bem, supostamente é um grupo secreto, a faixa New World Order descreve melhor:

"We live inside society, our presence is unknown
We plot and we manipulate you to which way to go
Illumination comes across the world to bring an end
Intimidating silent force that puts us in command"


O Gamma Ray não foi o único a abordar o tema, o Megadeth, por exemplo, embora o Mercante tenha dito em uma de nossas conversas de boteco que os caras viraram direitistas (e uma revista de reputação impecável  ... O.o ... tenha até incluído a banda em uma lista de rockeiros que debandaram para a direita), na realidade se referia aos Illuminatti no álbum Endgame (que aliás é o nome de um dos livros que explora essa teoria da conspiração), daí o apoio às soberanias nacionais (no caso, americana) em detrimento às políticas da ONU (ponto chave da teoria da conspiração). Na verdade toda a divisão de direita e esquerda se torna borrada quando se assume que um grupo secreto de manipuladores busca a dominação mundial, paranóicos de ambos os lados se acusam bestamente citando coisas como o Foro de São Paulo para dar razão aos seus devaneios. Ou não, afinal, não dá pra saber o que é realidade e o que é fantasia em toda essa história.

Há várias abordagens (como esperado sobre um grupo secreto) sobre os Illuminatti: religiosos cristãos acusam os maçons de cultuarem deuses egípcios e com os Illuminatti arrastarem o mundo para os braços de Satã; ufólogos acreditam que alienígenas estão por trás do controle exercido pelo grupo (já assistiram Arquivo X?); e por fim, uma galera "pé no chão" acredita que o comando do grupo  é de um grupo seleto de políticos/multimilionários/etc que visa o controle total da população (seus objetivos seriam algo como o descrito no livro Brave New World), essa terceira vertente me convenceu um pouco mais porque coisas como o grupo Bilderberg estão aí, debaixo do nariz de qualquer um que queira ver.

Mas afinal, pra quê você escreveu tanta besteira, cara? É uma resenha de metal ou o quê? Bem, eu peguei aqui o âmago do Gamma Ray, os caras viajam em todas as suas músicas (a temática de UFOs está sempre presente na sua carreira), não só nas letras, mas toda a parte instrumental serve de suporte pra te levar pra outro lugar. E neste álbum, em específico, os caras acertaram a mão. Vai por mim, ouça o cd inteiro com o encarte em mãos.

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
"No World Order" de 2001 é mais uma pedra no canteiro de obras de Herr Kai Hansen. 
Um disco bem definido no estilo-de-sempre da banda alemã, ou seja, classificado sem sombras de dúvidas como mais um trabalho no famosíssimo nicho do Metal Melódico.
Porém em minha opinião o resultado final da obra é muito mais criativo (musicalmente) e menos cansativo do que o enlatado "Power plant" de 1999, postado anteriormente aqui no nosso blog.
Ao escutar o álbum de ponta a ponta surpreendentemente não saí estafado, como se tivesse praticado horas de exercícios físicos, coisa que para mim é bem comum de acontecer quando escuto algum álbum padrão de metal melódico super clichê. Logo, o disco em questão se mostra bastante bem feito, à priori, apresentando estruturas de composição que não se perdem ou se desencaixam facilmente.
Uma grande responsável pelas partes cativantes são as entradas de guitarras com riffs fortes e expressivos no decorrer do disco (destaque para as introduções das faixas "New World Order" e "Fire Below"), o que às vezes é escasso nos trabalhos desse tipo. Hansen se entrega nesse sentido, e embora protagonize obviamente com seus ótimos agudos e falsetes vocais, no aspecto instrumentista é que realmente chama atenção.  
Por fim, o trabalho se nega à cair na mesmisse, e cada música varia muito quanto aos seus modelos e estruturas, principalmente no que diz respeito às cadencias e tempos (um problema crítico em Power Plant). Contudo, por um motivo muito pessoal acabei apenas enjoando um pouco dos vocais de Kai, mas isso infelizmente se deve ao excesso da exposição que tive à esses tipos de cantos ao longo da minha vida metaleira, e não propriamente à alguma opção de abordagem que o líder da banda dá especificamente nesta obra.
Ao tempo que "No World Order" é muito equilibrado e consistente (sem nenhuma faixa fraca, com certeza), ele falha em entregar algum super petardo inesquecível, meu destaque vai para a intensa "Heaven or Hell" - o que o álbum gerou de mais aderente.
Ah sim, o Trooper tinha razão quanto ao material ganhar qualidade quando escutado com o encarte em mãos. Hansen contextualizou muito bem as composições e é notório que as partes estruturais (versos, pontes, solos e refrões) são colocadas de forma competente ao se correlacionarem de forma factível aos textos narrados nas canções.

Gute arbeit Herr Kai!!!

Nota 7.3 ou \m/\m/\m/\m/.

Nota sobre a temática da obra: o contexto geral é apocalíptico, com ênfase nas conspirações da sociedade secreta conhecida como "Illuminatis" (já detalhado pelo Trooper, acima). Independente de levar a sério as aspirações de Kai Hansen nesse disco, tendo em vista que ele é muitas vezes um fanfarrão - como na conclusão de "Fire Bellow" - acredito que a "ascenção" anunciada de um poder latente é balela. O motivo é um só, e bem simples: se existe alguém no poder com influência dominante nas principais instituições privadas ou públicas, com o poder majoritário sobre o fluxo econômico e político, por que esta supra-entidade se preocuparia em mudar as regras do jogo, seja essa mudança através de uma remodelação global das classes sociais, ou por uma investida sobre os possíveis grupos de ameaça....?
Se essa força manipuladora de fato existe, devem estar bem satisfeitos com a situação atual, pois nunca esteve tão fácil se manter no poder sem nenhuma ameaça eminente, e nunca com níveis de controles de massas tão efetivos, ou vocês acreditam mesmo que o facebook ira alimentar uma insurreição popular em nível mundial? 
A única coisa que o Facebook garante é que suas informações sejam compartilhadas com as entidades públicas / privadas que possuem grande parcela do mercado de informação mundial, e que fatalmente, obedecem aos planos maquiavélicos dos Illuminattis!    
 
Metal Mercante

Se eu fosse resumir o que eu acho do álbum “no world order” em apenas uma palavra essa seria…


Consistente…

Consistente porque exatamente a 30 anos atrás surgiu uma banda que veio para revolucionar o mundo do metal, o Helloween e 30 anos depois, ao ouvir “No World Order”, fiquei com vontade de ouvir “Walls of Jericho”. Além disso, a música “Follow Me” me lembrou demais a música “Eagle Fly Free”, apesar de começar de forma muito semelhante a música “One with the World” do próprio Gamma Ray. Apesar disso, o álbum não me parece “preguiçoso” ou que acabou a criatividade do nosso bom e velho Kai Hansen da mesma forma que apontado pelo nosso querido Magician no seu post sobre o “Knights of the Cross”, o que acontece é exatamente o oposto.

Consistente porque esse álbum é uma paulada do começo ao fim, sem tempo para descanso, sem nenhuma música fraca…também sem nenhuma música espetacular, mas todas elas em uma boa pegada.

No final das contas, isso pode variar de ouvinte para ouvinte, o que é que vale mais, um álbum com duas ou três músicas fantásticas ou um álbum consistente de cabo a rabo, mas sem nenhuma música capaz de cativar o suficiente para ser cantarolada no banheiro???

Nota: 7,5

sábado, 11 de janeiro de 2014

Suicidal Tendencies - Lights Camera Revolution

O álbum Lights Camera Revolution do Suicidal Tendencies lançado em 1990, foi escolhido para análise por Phantom Lord.





Phantom Lord
Lá pelo ano de 2007 ouvi algumas músicas do Suicidal Tendencies com um colega de serviço. Naquele momento percebi que já tinha escutado alguma coisa deles no rádio nos meados dos anos 90... Então alguns meses depois resolvi buscar algumas músicas desta banda, e encontrei uma que eu gostara muito: a regravação de Possessed to Skate (Go Skate! de 1997). Mas ficou por isso, pois ouvi algumas outras e não me interessei em procurar mais músicas ou álbuns do Suicidal Tendencies. 

Muito tempo depois, no fim de 2013, resolvi buscar mais trabalhos desta banda para ouvir após uma discussão com colegas sobre a utilidade do baixista Trujillo no Metallica, aí encontrei o Join the Army e o Lights Camera Revolution. 
O Join the Army (que não contava com a participação de Trujillo) tem seus bons momentos mas é bastante rústico e o vocal segue um estilo muito suave em comparação com a parte instrumental, daí decidi postar o álbum que eu achei mais consistente: Lights Camera Revolution. 

O álbum começa com a pedrada You Can`t Bring Me Down e segue com a boa Lost Again que apresenta mais mudanças de ritmo e vocais mais suaves em alguns trechos (se aproximando do estilo usado em Join the Army)... 
O vocalista, alterna entre o "gritado", falado e um estilo suave. Embora os vocais suaves de um modo geral não me agradem, às vezes parece se encaixar com o estilo e contexto da música como acontece em Lovely que parece uma crítica com uma dose de bom-humor. 
E falando em "críticas", acredito que praticamente todas músicas do Lights Camera Revolution de certa forma são críticas a diversos tipos de corrupção da sociedade. 

A parte instrumental é o ponto forte em minha opinião, mostra bastante criatividade, técnica e peso durante maior parte do álbum, ainda que pareça misturar Heavy Metal, Funk Rock e uma pitada de algum gênero mais "punk" ou "core". Para que o trabalho instrumental ficasse melhor, alguns solos de guitarra poderiam ganhar destaque, pois em certos momentos parecem meros sons de fundo. 
Enfim apesar da influência do Funk Rock (ou Funk Metal), não faltam pedradas de qualidade em Lights Camera Revolution. Bom álbum... Destaque para Get Whacked. 

You Can`t Bring Me Down 7,6 
Lost Again 7,4 
Alone 7,4 
Lovely 6,8 
Give It Revolution 7,5 
Get Whacked 8,7 
Send me Your Money 7 
Emotion Nº13 6,9 
Disco Out, Murder In 7 
Go Breakdown 7,7 

 Nota Final: 7,3

Metal Mercante


Acho que para falar de Suicidal Tendencies primeiro preciso criar uma certa introdução…Meus primeiros contatos com o Metal vieram através do primo do meu pai quando eu era bem jovem, vamos chama-lo de “MetalCousin”.


O MetalCousin foi quem me gravou fitas com coisas como “Live after death” do Maiden, “Master of puppets” do Metallica e os “Keepers” do Helloween em K7 e até certo ponto ajudou a moldar meu gosto por Metal, porém uma banda sempre ficou no mistério para mim e essa banda era o “Suicidal Tendencies”, eu sempre ouvia o MetalCousin falar dessa banda, ele tinha uma ou duas camisetas da banda e aparentemente gostava muito da mesma, porém eu (até hoje não seu porque) acabei ficando sem ouvi-la até 2014!!!

Digamos, então, que quando esse álbum apareceu no Metalcólatras ele não só veio com o peso do blog, mas com o peso de anos sem ter ouvido algo que segundo o MetalCousin era coisa boa…

…Fast forward para 2014, estou eu com essa !@#$% no meu player e eu não consigo pensar em uma decepção maior do que talvez “Indiana Jones 4” ou o “Episódio 1 do Star Wars”, tantos anos com a expectativa de que uma banda era boa jogados pelo ralo.

No final das contas Suicidal Tendencies é pesado, tem umas passagens interessantes, mas no geral é uma bandinha mais sem graça que cerveja choca, talvez lá no final da década de 80, começo da de 90 esse som fosse interessante, porém 24 anos depois ele simplesmente não tem graça nenhuma…

Nota: 4 (de dó…)

The Trooper
3Eu poderia dizer que o Mercante resumiu meu post, mas não posso concordar que Star Wars - Episode I seja uma decepção, pelo contrário, eu gostei bastante do filme, aliás, pelo menos o ator que interpreta o futuro Darth Vader nesse filme, é bom.
Mas devo resenhar sobre coisas menos agradáveis do que Star Wars, já que este blog se chama Metalcólatras e não Forçacólatras ou Sabrecólatras ... ha-ha-ha ... como eu sou engraçado ¬¬'
Enfim, meu maior problema com o Suicidal Tendencies é o vocalista, eu sei, a linha que diz se um vocalista estraga um trabalho ou não é tênue. Por exemplo, em City of Evil, o M. Shadows cruzava essa linha com frequência, mas para mim, aqui em Lights, Camera, Revolution, Mike Muir plantou seus dois pés do lado "errado" da linha e não saiu de lá, ele estraga TODAS as faixas, sem exceção.
OK, é a proposta da banda, skate, hardcore, chicano way of life ... mas eu não consigo analisar esse tipo de som de uma maneira mais técnica, e assim, acabo concordando com o Mercante, este álbum é uma m#$%@. De que adianta uma linha de baixo muito louca, uns riffs de guitarra pesadões, se o vocalista irrita tanto que não dá pra prestar atenção nas faixas.

Destaque negativo para Lost Again, ela só é boa quando acelera, seria um prelúdio do numetal?

Nota: \m/\m/\m/

The Magician
Antes de resenhar o disco gostaria de fazer uma colocação quanto à importância do Suicidal Tendencies no cenário, se não como uma das grandes divulgadoras dos crossovers do HC com Heavy Metal que contribuíram razoavelmente com a criação do Heavy Metal moderno norte americano por volta do ano 2000 (você pode estar aí do outro lado se perguntando: "então foi uma contribuição de bosta, certo???", e eu respondo: "sim, de certo foi uma contribuição de bosta"), o ST (Suicidal Tendencies) deu uma grande contribuição para a péssima imagem do metaleiro na virada da década 80 até meados de 90, quando na mídia dos US a maioria dos cabeludos, com bandana e roupa de couro eram tachados como marginais (os violadores do filme "O Corvo" e a maioria dos meliantes da famosa sequência cinematográfica "Robocop" vestiam este esteriótipo, lembram?). E para constatar basta olhar o visual de Mike Muir, uma espécie de Axl Rose da periferia com SK8.

Mas também... os caras gostavam de chamar a atenção. Uma banda basicamente de negros e latinos, fazendo um hc/metal (com pitada de hiphop e funk) e cantando sobre temas de gangues, não poderia deixar de ser um dos maiores alvos do PMRC naquela época, e acabaram censurados. De qualquer forma o tiro saiu pela culatra, e o Suicidal foi beneficiado pela curiosidade dos bangers atiçados por essa decisão judicial 

Quanto ao álbum, "Lights Camera Revolution" (LCR) é surpreendentemente pesado e técnico, simultaneamente, sendo que suas passagens deixam o campo do CO Trash Metal (gênero ao qual sua identidade é associada nos trabalhos anteriores) para o CO Heavy Metal propriamente dito. Sem essa modificação, provavelmente o resultado do disco não teria sido tão qualificado nas bases maciças de guitarras + baixo. Aliás, essa química, muito bem executada pelos produtores do disco é o trunfo do álbum, de modo que eu facilmente colocaria esse composto de distorções + grooves como um dos melhores que já ouvi sem sombra de dúvidas; muito melhor do que o caminho posterior da banda ao se aproximar do Metalcore alternativo com grande ênfase no contrabaixo e no uso intensivo de Wah e Whammy nas distorções das guitarras (exemplo prático no famoso hit "Possessed to Skate", e nos sons usuais da guitarra de T. Morello).

Um reflexo direto desse acerto em LCR é a PUTA cacetada que é a faixa inicial "You Can't Bring me Down" (video-clipe bonachão, notem Trujillo usando uma "bombetinha" de malaco), simplesmente espetacular, em seus primeiros acordes fui transportado automaticamente para um violento Moshpit imaginário. Música incorporada aos favoritos-ever desse Metaleiro que escreve.

Contudo, embora seja a principal característica da banda e de seu estilo de composição, sendo essenciais para a própria criação de todo o resto, os vocais de Mike Muir (chefe da gangue) são em minha opinião o ponto mais baixo do disco. Contrastam com o resto do material quase que por tempo integral (aos 3:07 min da faixa "Give it Revolution" ele tenta mandar um agudo e o resultado é irrisório), e se salvam apenas nos momentos que utilizam timbres mais ásperos. Mas no fim das contas não pesa tanto na balança, e não acho que estraga definitivamente o material... nada muito diferente de algumas abordagens estranhas de Mustaine no Megadeth.   

Em suma o resultado final é bom e consistente, alem de oferecer pancadarias fora do comum como  "You Can't Bring me Down", "Get Whacked" e "Give it Revolution", que mantêm esse trabalho muito próximo ao terreno produtivo do HM norte americano regado pela escola das infalíveis guitarras arrebatadoras e super distorcidas.   

Nota 7, ou \m/\m/\m/\m/.



domingo, 29 de dezembro de 2013

Iron Maiden - Brave New World

O álbum "Brave New World", lançado no ano 2000 pelo Iron Maiden, foi escolhido para análise por The Magician.


Faixas: 1. The Wicker Man; 2. Ghost of Navigators; 3. Brave New World; 4. Blood Brothers; 5. The Mercenary; 6. Dreams of Mirrors; 7. The Fallen Angel; 8. The Nomad; 9. Out of the Silent Planet; 10. The Thin Line Between Love and Hate.


Phantom Lord

Semanas atrás tive que ouvir a cornetação de Magician, acusando eu e Trooper de estarmos usando o espaço do blog para colocar álbuns de bandas "muito batidas" como Motorhead e Megadeth... Então, dias atrás o mesmo fanfarrão (Magician) nos revelou que postaria Brave New World do Iron Maiden... O que dizer desta banda que já apareceu 3 vezes neste blog? Escutamos as desculp... quero dizer, os argumentos dele... Que este álbum é "responsável por ressucitar o heavy metal após a década de 90" e bla bla bla... Primeiramente, até concordo que o heavy metal andava muito mal das pernas nesta época... Várias das "grandes bandas" estavam lançando álbuns decepcionantes entre o fim dos anos 90 e o inicio de 2000. É possível atribuir um monte de causas para o enfraquecimento do heavy metal: novos subgêneros ganhando força nesta mesma época (neo metal, metal industrial etc), as tentativas das velhas bandas atingirem novos públicos, esgotamento de criatividade etc... 

 A verdade sobre o Maiden em particular é que a banda já tinha lançado 2 discos que decepcionaram muitos fãs e o motivo era óbvio: vocalista. Blaze poderia ser um "cantor razoável" mas tentou seguir o caminho de Bruce Dickinson, seja por opressão do "dono da banda", Steve Harris, ou por vontade própria... O alcance de sua voz é publicamente mais limitado do que o de Bruce... Entendo que no Iron Maiden talvez não fosse possível tentar um estilo diferente de cantar mesmo, mas com certeza, após deixar a banda, Blaze poderia tentar um estilo mais próximo do thrash... 
 Então com o retorno de Bruce ao Maiden tudo voltaria ser "maravilhoso" como os velhos tempos não? Não exatamente... O que temos em Brave New World são diversas músicas com características estruturais e de produção similares aos álbuns gravados com Blaze (The X Factor e Virtual IX). O vocal de Bruce, obviamente ajudou o álbum a ter uma sonoridade mais próxima dos trabalhos gravados antes de 1993, mas ainda assim, um bom ouvinte pode perceber a maior parte instrumental distante de discos como Fear of the Dark, Caught Somewhere in Time, The Number of the Beast etc... Mesmo as cavalgadas de Harris no baixo já não parecem tão presentes quanto nos álbuns antigos (isto eu não acho ruim...) 
 Bom, então se de um modo geral o Maiden não voltou à sua "era dourada", a quem o álbum Brave New World agradou? Não sou o mais sociável dos metalheads (nem de longe...) e portanto não ouvi uma infinidade de opiniões a respeito do Iron Maiden, mas coletei informações o suficiente... Além de conversar com alguns colegas, participei das velhas comunidades de bandas de rock/metal do falecido Orkut por alguns anos. As reações foram previsíveis: a maioria dos fãs tiozões/truezões consideram Brave New World medíocre na melhor das hipóteses... como se fosse uma falha ao tentar voltar a era de Bruce no Iron Maiden... Já grande parte dos fãs que conheceram a banda entre 1992 e 2000 apreciaram o álbum, alguns deles até mesmo ousam dizer que Brave New World é um dos melhores discos do Iron Maiden... 

 Para mim, este é um bom álbum, possivelmente o mais estável (com menos altos e baixos) da discografia do Iron. Porém os álbuns muito estáveis dificilmente conseguem ter uma música de destaque... Não considero o Brave New World um álbum revolucionário, mas sim um bom álbum nascido em uma era quase que dominada pelas trevas da falta de criatividade e da cobiça de certos indivíduos do "meio musical". Um bom álbum nascido em uma era como esta pode até ter servido de inspiração (ou referência de bom senso) para algumas outras bandas de heavy metal. 

 Voltando a falar das músicas do álbum: as estruturas de algumas faixas aparentemente voltadas ao vocal de Blaze até que combinaram muito bem com a voz de Bruce, afinal este cara é um dos melhores vocalistas de heavy metal... (ou, ao menos, foi um dos melhores) As faixas extensas sobram pelo álbum e mesmo assim, o Brave New World não se torna um porre de se ouvir... Desconsiderando a super-estabilidade deste disco, destaco The Mercenary, Dream of Mirrors e The Ghost of Navigator... 

 The Wicker Man 8,0 
The Ghost of Navigator 8,4 
Brave New World 7,8 
Blood Brothers 8,2 
The Mercenary 9,0 
Dream of Mirrors 8,8  
The Fallen Angel 7,8 
The Nomad 7,8 
Out of the Silent Planet 7,9 
The Thin Line Between Love and Hate 8,2 

Modificadores: 


 Nota Final: 8,2

The Trooper
3Uma das coisas que eu pensei ao terminar de ouvir este álbum novamente foi: "puxa, passei alguns anos sem ouvir o Bruce arregaçando no refrão de The Thin Line Between Love and Hate", pois eu tinha esse álbum gravado em uma fita k7 de 60 minutos, o que excluía quase toda a última faixa. Uma pena, pois o refrão dessa faixa é muito bom, mas o álbum no geral, é tão bom que não fez tanta falta assim.
Na volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden, vemos que a banda resolveu abrir o Brave New World com uma faixa que usa uma fórmula manjada e bem sucedida, The Wicker Man abusa de refrãos grudentos e de "o-o-o-o"s, e para mim, embora seja uma boa faixa, acaba ficando para trás de outras composições fabulosas desse trabalho.
A principal marca do Brave New World é seu equilíbrio, ele tem uma identidade única que não apaga a identidade das faixas ou da banda. A faixa título tem uma introdução que parece pertencer a faixa anterior, Ghost of The Navigator, mas evolui de um jeito muito interessante para a sonoridade própria da faixa. Aliás, a letra de Brave New World passa superficialmente sobre esta obra genial, escrita em 1931 por Aldous Huxley, mas transmite bastante de sua essência e do personagem principal.
Enfim, não há uma única faixa fraca neste trabalho, e embora ele esteja repleto de trechos lentos e introduções, não é cansativo em momento algum, em Dream of Mirrors, por exemplo, a música te cativa até a chegada dos belos solos de guitarra lá pelos 7 minutos. Para completar este equilíbrio, duas composições fantásticas fazem parte do meu destaque: Ghost of The Navigator e Blood Brothers, são músicas dotadas de grande criatividade e que não devem nada para clássicos lançados anteriormente pelo Maiden, e para completar os destaques, lanço mão de Out of The Silent Planet, que mesmo repetindo o refrão 10 mil vezes, é uma ótima música.
Brave New World é um álbum do nível dos melhores clássicos da banda, e talvez, devido a seu equilíbrio, até mesmo um pouco melhor do que seu antecessor (com o Bruce), Fear of The Dark.

Nota: \m/\m/\m/\m/\m/



Metal Mercante


Tem algo especial nesse álbum…
Não sei direito dizer o que é, se foi o retorno do Bruce como vocalista depois da era Blaze, se no geral esse álbum é um álbum mais consistente que os anteriores ou se eu que simplesmente o ouvi demais…

Da mesma forma que o Phantom, acho esse álbum diferente do resto, certamente não é “aquele” Iron Maiden de antigamente, mas também não é aquilo que estávamos ouvindo ultimamente (ufa!), pra mim ele tem um grau de complexidade maior na linha dos últimos álbuns, mas as músicas me parecem mais acessíveis e, obviamente, a voz do Bruce ajuda bastante a torna-las mais memoráveis ainda…

Por fim, tem algo do momento em que o álbum foi lançado em maio de 2000 que foi uma época horrível para os fans de metal (o final da década de 90 inteira, para falar a verdade), onde a maioria das bandas que ouvíamos já havia se desmantelado e decepção atrás de decepção contribuíram para baixar muito minhas expectativas com o novo “cd” do Maiden, mesmo com a anunciada volta do Bruce…

…foi uma feliz surpresa…

Obviamente, como esta é uma resenha dos Metalcólatras ela não poderia terminar sem um comentário que cause desconforto, portanto deixo o meu aqui…

Brave New World é o melhor CD do Maiden

Nota: 9

The Magician
Vamos imaginar um cenário:

O que seria do Heavy Metal e do Rock em um cenário sem o mainstream? O gênero sobreviveria como um conteúdo exclusivo e independente, propagado apenas pelo marketing boca a boca ou por auto divulgação dos artistas?

Nesse mundo hipotético onde as gravadoras definitivamente eliminam a “vitrine” do Rock/Metal, um movimento silencioso e organizado se sucede – “o grande boicote” – onde devido aos manipuladores da indústria da música, os grandes álbuns clássicos saem de catálogo e caem no esquecimento, os festivais como W.O.A são um passado distante, o Devil’s horn salute estritamente proibido, os poucos roqueiros da “resistência” se encontram secretamente nas casas dos militantes e não mais em bares de rock, as guitarras se tornam meros instrumentos arcaicos de coleção e, enfim, os últimos ídolos do rock acabariam trancafiados em hospícios e censurados pelos canais midiáticos.

Esse seria um cenário pós-apocalíptico , o “Admirável Mundo Novo” do Heavy Metal.

Por mais que as gravadoras injetem seus malefícios sobre os conteúdos das músicas, e sejam opressoras e exploratórias com os artistas, não me parece que haveria perspectiva para o gênero caso não houvesse alguma rentabilidade nesse segmento. Portanto respeito o ponto de vista, mas não concordo, com os românticos de bandas independentes que aspiram por um mundo colaborativo da música, pois acho que cedo ou tarde os músicos precisam de segurança e acabam por assinar aquela famosa linha pontilhada que os direcionam diretamente para os portões dos infernos (como diria o próprio Bruce Dickinson: “The Road to Hell is full of good intentions”). 

Em suma: Não haveria joias como Avantasia, Nightfall in Middle Earth, Tunes of War, e tantos outros sem o Mainstream do Metal.

Quem, como nós Metalcólatras, pôde acompanhar o gênero na virada do século sentiu o gélido calafrio da morte do Heavy Metal; onde seus principais heróis seguiam em queda livre lançados em um poço de lanças (ainda que as bandas “menos populares” citadas acima, naquela época, faziam muito bem sua parte). Por isso, vale a pena lembrar o que acontecia naquela ocasião preocupante:

O Black Sabbath após o lançamento promissor da turnê/CD duplo “Reunion” em 1998 entrou em uma recessão devido à gravadora do sr. Ozzy Osbourne, que o proibiu de gravar qualquer coisa com terceiros até cumprir suas metas contratuais próprias. Essa situação colocaria o velho Sabbath na geladeira e posteriormente seria o estopim para uma crise jurídica entre os pais do metal; Ozzy estava inerte quanto à sua carreira solo, porém como suas expectativas com o velho Sabbath também haviam sido eliminadas devido o problema com sua gravadora, os empresários + sra. Osbourne estavam agindo em seu nome nos E.U.A organizando os gigantescos festivais “Ozzfest”, que promoveram o New Metal (estrelando bandas como o P.O.D e SOAD) - um subgênero “parasita” que importava elementos do rap e do pop, e formava uma geração musicalmente esquizofrênica; 

Quanto ao Judas Priest, estavam com Ripper Owens tentando modificar sua sonoridade, mas enfrentavam obviamente resistência dos fãs mais antigos, e ficaram 3 anos sem lançar CDs apenas digerindo o Jugulator. Já o Iron Maiden diferentemente do Judas que possuía um ótimo substituto, escolheu em sua “audição” histórica, o fanfarrão do Blaze Bayley. A cada show o cara e o público sofria com esta escolha feita pelo líder do grupo, Steve Harris;

O Metallica após reescrever a história do Metal de 83 a 91, foi quem mais cagou no pau. Além de maquiagenzinhas bibas e unhas pintadas, eles descaradamente deram de ombros para o Heavy Metal e para seus próprios fãs, tanto com suas declarações como em suas gravações propriamente ditas. Lançaram músicas pseudo Country e (pela primeira vez em sua história) músicas sem expressão nenhuma, que até o Zé da esquina poderia ter composto. E consequentemente, o Megadeth de Mustaine queria loucamente imitar o Metallica, lançando porcarias psicodélicas como o álbum Risk, de 1999.

Lars, tudo o que vocês tocam vira ouro
- Dave Mustaine, líder do Megadeth -

E ainda por cima para desilusão do público em geral, Bruce Dickinson cortou o cabelo.

Era com certeza um panorama desolador!

Foi então que na mais crítica depressão do Metal, os deuses mandaram o desfibrilador por intermédio da mais importante banda de Heavy Metal de todos os tempos.

O disco “Brave New World”, com a reintegração dos vocais de Bruce e das guitarras de Adriam, estancava os graves ferimentos do Heavy Metal; e com o seu lançamento foi ressuscitado também o mega festival “Rock in Rio”, que permitiu que a performance histórica da banda fechando o evento, fosse vista por milhares de pessoas ao redor do mundo. Com este acontecimento específico o Maiden voltava, o Rock in Rio voltava, e embora os tempos áureos do Rock não tenham voltado, os ingleses conseguiram pelo menos retardar o desabamento final do cenário.

Ao interpretar uma declaração recente do Bruce Dickinson sobre o conceito por trás do nome do álbum “Final Frontier” de 2010, dizendo que ele refletia exatamente o limite da sonoridade mais progressiva e diferente da banda, mas que também brincava com o fato de esse ser seu possível epílogo se tratando de álbuns de estúdio; dá bem pra imaginar que Harris também provocou o público neste trabalho do ano 2000. Aproveitando-se do acontecimento “astrológico” do desfecho do milênio, e utilizando o título do livro de Aldous Huxley: um mundo futurista pós apocalíptico totalmente padronizado e pré definido dentro de uma ideologia eugenista (“you are planned, you are damned, in this brave new world”), o Iron Maiden parecia preconizar um terrível futuro vindouro.

À exemplo de Bruce Dickinson e de Metal Merchant (comparsa de blog), no conjunto da obra entendo este trabalho como o melhor e o mais robusto já feito pelo Iron Maiden. Um dos pontos importantes em sua concepção foi que o grupo inglês parece ter levado em consideração a responsabilidade de escrever este álbum, o que significa dizer que tinham clara percepção do que estava acontecendo com o cenário como um todo e aonde exatamente se situavam em tudo isso, e por isso não bastava apenas nos entregar os “repetecos” conservadores das guitarras + baixo preenchidos pelo belo vocal de Bruce, apenas.

Dessa vez era pra valer! O álbum deveria ser sólido, marcante, contundente, e sóbrio em toda sua extensão, e o resultado disso foi que não se pode escutar no conteúdo final coisas como “Holy Smoke”, “Bring Your Daughter to the Slaughter”, ou mesmo experimentações sonoras como “Angel and the Gambler”, coisas que só eram possíveis ser criadas com a leniência, agora já esgotada dos fãs.

Para encontrar a fórmula única de belas nuanças, harmonias sublimes amarradas às melodias memoráveis dispostas nessa obra, a banda executou takes ao vivo com o uso 3 guitarras. Em minha opinião isso foi determinante para a resposta super amplificada das linhas de guitarras base, como as frases na maior parte do tempo são sincronizadas e oitavadas, o som de Brave New World assume uma característica encorpada não encontrada em nenhum outro trabalho anterior do grupo. Sobre os membros da banda, Janick Gers é quem merece o grande destaque no trabalho em seis cordas, seus solos e licks emocionam até os metaleiros dos corações mais duros, principalmente nas faixas “Brave New World” e “Blood Brothers”.

Adicionalmente, Nicko entrega um trabalho recompensador, o melhor de sua carreira. Sobre um set que valoriza o timbre de cada elemento ele é o grande responsável pelas atmosferas criadas, tanto na dramática faixa título quanto na intensa “The Mercenary” o cara dá um show.

Quanto a Bruce... 

O trabalho dele no disco é excelente, mas assistam se tiverem oportunidade, o lendário show do Rock in Rio de 2001 (não “fui”, mas vi o show em transmissão ao vivo da TV fechada, na época). Sua interpretação em “Blood Brothers” arrepia até o pelo do dedão do pé! (com especial menção ao grito no final do segundo verso: “where the babies are burned”).

Harris? Harris é o maestro.

Por fim, Brave New World nasceu como um clássico épico. Algumas de suas faixas - como “The Mercenary”, “Ghost of Navigator” e “Blood Brothers” – foram integradas nos set lists posteriores da banda, e adotadas como hinos pelos fãs em seus shows;  o pacote comercial do trabalho (vídeo clipe “The Wicker Man”, mais o disco e o DVD do Rock in Rio) fez o gênero da música pesada ser lembrado novamente pela mídia principal, reerguendo a antiga bandeira rasgada de batalha e alimentando os famintos e abandonados seguidores do outrora glorioso Heavy Metal , com sonzeira da melhor qualidade.

E foi um puta de um desabafo do Metal. Ta aí o Bruce pra não deixar eu mentir:



(naquela edição houveram alguns convidados especiais muito bem recepcionados, como Carlinhos Brown e Britney Spears).

Destaques: Todas, menos “The Wicker Man” que é apenas “boa”. 

Nota: 9,7 ou \m/\m/\m/\m/\m/.

Parte conclusiva do review da Allmusic:  “ (…) but as comeback albums go, its excellence was undeniable, and announced not only Iron Maiden's triumphant return, but an important turning point in heavy metal's long, arduous climb back to respectability after years of critical abuse.”

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Megadeth - Super Collider

O álbum Super Collider, lançado em 2013 pelo Megadeth, foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01-Kingmaker; 02-Super Collider; 03-Burn!; 04-Built For War; 05-Off The Edge; 06-Dance In The Rain; 07-Beginning Of Sorrow; 08-The Blackest Crow; 09-Forget to Remember; 10-Don't Turn Your Back; 11-Cold Sweat.

Phantom Lord
  Desde que este blog foi criado entre julho e agosto de 2010, o Megadeth lançou dois álbuns, mas só abordamos os clássicos desta banda. A idéia de trazer um álbum atual da banda é interessante para discutir não apenas as músicas como o trajeto do Megadeth. 

O último trabalho do Megadeth a passar por este blog foi o Cryptic Writings lançado em 1997, que de um modo geral recebeu boas avaliações e uma boa classificação no "ranking de discos" dos Metalcólatras. Porém se formos ler matérias e resenhas sobre aquele álbum em várias outras mídias, podemos detectar muitas críticas e comentários negativos. Como se o Cryptic Writing fosse um disquinho de música pop ou uma afronta aos "verdadeiros clássicos thrash metal" da banda. Interessante que o trabalho seguinte, lançado em 1999 (Risk), foi muito além... Apresentou uma sonoridade mais distante do que o Megadeth vinha fazendo até então (thrash / heavy metal) como se tentasse imitar o Load ou o Reload do Metallica. Daí pergunto aos críticos rabugentos: o Cryptic Writings foi mesmo um álbum comercial? Foi pop? Sem peso? Sem agressividade em momento algum? Então o que foi o Risk?? 
 Após estes trabalhos o Megadeth lançou o The World Needs A Hero ("mediocramente" recebido pela crítica em 2001) e o System has Failed (bem recebido pelos críticos em 2004) que em ambos os casos não me agradaram muito... Os 3 álbuns seguintes até que foram bem recebidos com destaque para o Endgame, o único disco desta "era" em que minha opinião talvez tenha ficado bem próxima a maioria dos críticos de música. 
 Agora em 2013, chega o Super Colider... Consideravelmente apedrejado pelos "sábios" críticos de música, como se fosse o novo Risk do Megadeth... De fato, em várias músicas do álbum é possível perceber um afastamento do estilo "thrash", o que talvez classifique algumas faixas como "comerciais"... Mas comparar com Risk? Dar notas abaixo de 5 na "escala 0 a 10"?? 
É engraçado... As vezes acho que os tais críticos não entendem p%$#@ nenhuma de música! O álbum Super Colider se arrisca de maneira INSIGNIFICANTE no que se diz respeito a se afastar do heavy metal! E não me venha com o papinho que Megadeth é banda thrash! Não é, se foi durante alguma época, já deixou de ser, e deixou de ser naturalmente, pois nenhuma banda com tantos anos de estrada que queira apresentar trabalhos novos (não repetitivos) tem que se prender a um SUB-gênero musical. 
 Afinal gênero musical serve para classificar músicas e não bandas. 
 O ponto mais distante da discografia do Megadeth ainda é o Risk... o Super Colider é apenas um pouco mais "comercial" do que o Cryptic Writing (este, que em minha opinião, ainda é um grande clássico do heavy metal)! 
 A conclusão é que o Super Colider tem seus momentos menos pesados, mais simples ou até mesmo desinteressantes, mas é (ao todo) um bom álbum. 

Kingmaker 7,8 
Super Collider 6,8 
Burn 7,5 
Built for War 7,0 
Off the Edge 7,0 
Dance in the Rain 5,9 
Beginning of Sorrow 6,5 
The Blackest Crow 7,2 
Forget to Remember 7,6 
Don't Turn Your Back 6,5 
Cold Sweat 7,4 

 Nota Final: 7

The Trooper
3Megadeth começa o Super Collider sendo Megadeth ...até demais, pois King Maker é um clone acelerado de Sweating Bullets, mas de qualquer maneira nega inicialmente os comentários de que este seria um álbum pop. Então vem a faixa título, e realmente esta música tem uma pegada mais rockzão básico, eu que me importo mais se a música é boa ou não, até que gostei. Daí vem Burn!, metalzão com a cara do Megadeth, embora eu não gostei tanto do refrão, não tem nada de pop aí. Built For War lembra os trabalhos mais antigos da banda, ou seja, novamente a crítica não se justifica. Off The Edge parece um heavy metal manjado, até comercial, mas eu gostei bastante, uma das melhores faixas do cd. Dance In The Rain também lembra trabalhos antigos do Megadeth no que diz respeito à mudanças de ritmo, é uma faixa que muda bastante no final (totalmente Rust In Peace), e carrega um dos pontos fortes do Megadeth, boa letra. Beginning of Sorrow é uma música que tem um começo meio estranho, e lembra bandas mais modernas, você pode até acusá-la de parecer numetal ou outra vertente mais comercial, mas os solos de guitarra e a letra me fazem discordar, parece Megadeth mesmo. The Blackest Crow é a melhor faixa do álbum, novamente, um show de ambientação do Megadeth, conseguem encaixar a violinha feliz em uma letra extremamente soturna (eu acabei imaginando uma casa semi-abandonada no interior dos E.U.A.).
O álbum ainda tem Forget to Remember (lembra um pouco Alice Cooper), Don't Turn Your Back... e Cold Sweat (música simples, para gente simples ... gostei) que ficam entre o heavy metal e (no máximo) o hard rock.
Enfim, bom trabalho da banda, variou bastante entre as faixas,e talvez por isso, não agrade a todos. Não chega a ser um dos álbuns épicos do Megadeth, mas cumpriu seu papel. Meu destaque vai para Off The Edge, The Blackest Crow e Cold Sweat.

Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
O 14º álbum do Megadeth lançado no final do ano passado e postado aqui no blog pelo Metalcólatra Trooper me induz a escrever a resenha ordenada em dois tópicos principais.

1 - A nova fase do grupo:

O Megadeth nasceu, cresceu, fortaleceu, adoeceu, e agora convalesce.

Após a saga que foi da ascensão à queda da banda de Mustaine, essa verdadeira "instituição" do Heavy Metal americano parece ter alçado vôo em uma fase mais sóbria e estável, que se perfaz no lançamento de "Super Collider" e de seus dois álbuns antecessores (TH1RT3EN e End Game).

Desde que iniciou essa nova jornada, Mustaine vem de certa forma encaixando algumas partes mais experimentais, sem dúvidas, mas sem abrir mão dos ingredientes básicos para preparação de suas famosas iguarias metaleiras, e por causa disso os resultados de forma alguma soam como fora de contexto ou como releases forçados. Dentre esses ingredientes clássicos, dois condimentos chamam atenção - a voz mais grave, concentrada e menos "ardida" do vocalista (mas não se engane... muitas vezes ele ainda soa como um arranhar de unhas sobre a superfície de um quadro negro); e o trabalho das guitarras, pois por incrível que pareça entra ano e sai ano, o Megadeth continua sendo representado principalmente pelos seus infinitos riffs/licks/solos de distorções ultra eletrizantes.

O produto musical portanto, não economiza no peso sonoro, e entrega belas doses de virtualismo entrosado das linhas de guitarra (destaque para o guitarrista Chris Broderick ex-Nevermore) que sedimentam o disco no estilo bruto e clássico do Heavy Metal noventista. Em alguns momentos no decorrer do álbum (como nas faixas "Forget to Remember" e "Super Collider") a bateria ensaia passagens swingadas obrigando a mudança das interpretações em 6 cordas, que por osmose deixam o campo do groove de Heavy Metal característico para entrar em uma vibe de hard/rock n roll mais sofisticado e encharcado de distorção saturada.

Muito me agrada a postura e o caminho musical que o Megadeth percorre nos dias de hoje, com o lançamento de "Super Collider" e de suas duas obras que o antecedem. Sr. Mustaine mais do que nunca é um verdadeiro porta-voz do Heavy-Metal e mostra que, a despeito de outras figuras da cena, é o cara que mais parece manter o foco há um bom tempo, firme em suas escolhas sobre suas produções musicais.


2 - O Rock, e a ciência:

Ao visualizar apenas a foto na capa do CD já logo o vinculei ao tão falado Colisor de Partículas (Colisor de Hádrons), uma geringonça faraônica resultante do projeto "tera-mirabolante" do CERN (qualquer semelhança com NERV - do projeto da instrumentabilidade humana - é mera coincidência), localizado na Suiça.

Gostaria apenas de colocar esta questão ainda não explorada pelo nosso time de estudiosos do blog; o fato de o Rock e Heavy Metal flertar também com a tecnologia e com o provocante mundo da ciência aplicada. Como um produto da própria inserção da tecnologia no campo da música (mais especificamente através da guitarra, com a utilização de bobinas elétricas para captação de som sobre um corpo sólido, com a sobrecarga das válvulas amplificadoras e também com a oscilação de frequências nas distorções) o Rock' n Roll sempre foi muito competente em criar essa sintonia com a ciência, e desde seus primórdios desmistifica esses temas de difícil acesso, ou provoca a curiosidade de seus seguidores para a descoberta desses conceitos.

Após ter acesso a uma reportagem da globo.com, descobri que o professor Emerson Ferreira Gomes (USP) esmiúça essa relação curiosa do Rock, ao propor (em consonância com o discurso de outros profissionais da área) sua utilização em sala de aula como uma ferramenta de incentivo aos alunos iniciados nessas disciplinas. Seu trabalho escrito para a Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, tem viés acadêmico e pode ser encontrado na internet.

Em seu conteúdo o professor revela a importância do Pink Floyd como precursor do discurso científico na música, mas arrisco dizer que essa história começou um pouco antes, por volta de 1960 em uma conversa entre Paul McCartney e Bob Dylan, onde o americano perguntou para os ingleses sobre o que cantavam.

"- Sobre sentimentos, amor e coisas boas em geral..."

E retrucou:

"- Então vocês cantam sobre nada."

Fato é que o Rock e o Heavy Metal, a partir de certo momento ganha conteúdo, e dissemina a ciência (aqui uso a palavra em um sentido mais completo, como um "conhecimento genérico" em todos os campos) direta ou indiretamente para seus seguidores e traz dessa forma conhecimento e cultura para as pessoas, principalmente para aquelas com os ouvidos mais ávidos por conhecimento, como os mais jovens...

Ponto para o Metal, ou é isso, ou é música "sobre nada".

Destaques do CD do Guitar Hero Mustaine: "Burn!", "Forget to Remember" e "Cold Sweat".

Nota 7,7 ou \m/\m/\m/\m/.



   

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Motorhead - Inferno

O álbum Inferno lançado em 2004 pelo Motorhead, foi escolhido para análise por Phantom Lord.



Phantom Lord

Anos atrás indiquei o álbum Overkill do Motorhead aqui no blog. A idéia era mostrar e comentar um álbum clássico de uma banda bastante influente no cenário rock/metal. Metal? Não exatamente. 
O Motorhead iniciou sua carreira como uma banda de rock, possivelmente sem se apegar a qualquer subgênero, pois suas músicas eram bem variadas (embora parece que muita gente não acredita neste fato, provavelmente por causa do vocal). A sonoridade da banda passava pelo rock n roll e blues-rock foi se aproximando do punk rock e do heavy metal, até que no álbum Ace of Spades de 1980 eles lançaram seu enorme hit (a faixa título) e a partir desta época eles entram cada vez mais nos estilos próximos do thrash metal e punk rock. 
 De um modo geral, percebi que o álbum Overkill não fui muito bem recebido aqui no blog, talvez isso se deva ao fato de que os membros do blog sejam bem "true metal". Então decidi trazer um álbum cuja sonoridade se afasta do rock n roll... Um álbum mais thrash e/ou heavy metal do Motorhead, mas não para agradar a patota do blog e sim para mostrar a diferença na sonoridade da banda, afinal são 25 anos de diferença!! 
 Obviamente, também posso afirmar que a escolha foi feita baseada em meu gosto musical (bem como todas minhas resenhas nesta pocilga): Inferno é o álbum agressivo-pesado com maior variação melódica / rítmica do Motorhead em minha opinião. O vocal de Lemmy sempre grave e rouco pode se parecer um fator limitante (principalmente para quem não gosta da banda, é claro) porém casa perfeitamente com o trabalho instrumental do Inferno. 
 A porrada Terminal Show abre o álbum, seguida pelas geniais cacetadas Killers, In The Name of Tragedy e Suicide (sendo esta última, a menos acelerada das 3). Life is a Bitch tem uma pitada de blues mas pode ser considerada mais uma porrada do álbum ao lado de várias outras faixas. 
Encerrando o Inferno há uma quebra total com o ritmo veloz e pesado: Whorehouse Blues. 

Terminal Show 7,5 
Killers 8,8 
In The Name of Tragedy 9,0 
Suicide 8,5 
Life is a Bitch 8,5 
Down on Me 8,1 
In The Black 7,6 
Fight 7,2 
In The Year of The Wolf 8,4 
Keys to the Kingdom 7,6 
Smiling Like a Killer 7 
Whorehouse Blues 6,9 

Modificadores:



 Nota Final: 8,0


The Magician
Kilmister e sua trupe são "Ph.D" em Rock/Metal, isso somado ao fato de que as conhecidas características da biometria sonora da banda já tenham sido pra lá de digeridas pelo grande público consumidor do Rock e afins, faz com que a chance de algum lançamento do Motorhead fracassar seja praticamente nula.

Inferno é o décimo e sétimo álbum da banda, e como esperado não apresenta grandes modificações naquela linha ríspida já conhecida de rock/metal dos ingleses. Particularmente acho isso muito bom, pois quando esses dinossauros entregam aquilo que sabem fazer de melhor podemos crer que teremos mas uma linha escrita permanentemente no grande tomo do Metal. 

Nessa obra encontramos um belo trabalho de um rock n roll "classiqueira" acelerado vestido em distorção mega pesada, essa abordagem abraça pelo menos 7 faixas do disco, e qualifica a obra em minha opinião como um conjunto divertido de rock pesado recheado com a inigualável aspereza vocal de Lemmi. Contudo os caras não perderam a oportunidade de registrar mais dois petardos que em minha opinião entram na lista oficial de grandes sons imortalizados do grupo: "Killers" e "In the Name of Tragedy".

Fora isso é curioso analisar os moldes da canção "In the Black", em que, fugindo do pragmatismo Motorhediano na sua introdução e no refrão, a guitarra impõe uma passagem evocada do estilo grunge/hc pós 2000 com o vaivém da mão direita sobre as seis cordas saturando os humildes acordes em quinta. Esse impulso pode ter acabado na parceria com o FooFighters em "White Limo" - http://www.youtube.com/watch?v=ebJ2brErERQ - além de outros projetos posteriores com o polivalente Dave Grohl.

Nota 7,1 ou \m/\m/\m/\m/.

Desabafo: Lemmi pertence à um grupo de caras bipolares que assim como Page, Angus, Ozzy e Iommi  vez ou outra aparece na mídia repudiando a ideia de que é compositor de Heavy Metal .... o principal e o mais óbvio motivo é a idade desses caras.
OK, acho que o artista deve mesmo fugir de rótulos e evitar ao máximo limitações para sua criação, afinal sob uma análise mais fria, o fato de um figura assumir o "estilo de vida" de metaleiro pode não ter nada a ver com a música propriamente dita. 
Só que o Heavy Metal - mesmo que sempre misturando diversos elementos e tendo se baseado no arquétipo do Blues, R&B, country e Rock n roll - tem algumas características próprias adquiridas através dos anos que o diferenciam do básico, e isto É FATO. Quando o baterista decepa o swing da bateria, quando o guitarrista opta por algumas distorções e padrões de grooves agressivos, é óbvio que a sonoridade muda! e os músicos não são tão ingênuos ou desentendidos para dizer que é tudo a mesma coisa! O que estou querendo dizer é que quando Lemmi compõe coisas como "In the Name of Tragedy", o quengo sabe que está gravando HEAVY METAL e que vai vender para este público sim senhor. 
Isso é hipocrisia desses caras, que por possuírem uma espécie de isenção devido ao fato de interferirem diretamente na criação desse estilo, não pensam ou medem suas declarações direcionadas ao mainstream ,visando como sempre a merda do dinheiro.
Por isso acho muito mais louvável a atitude simples de um cara como Zeca Baleiro, que gravou o som "Heavy Metal do Senhor" ou Luis Caldas, que afim de dar uma variada gravou um CD de Heavy Metal (h-e-a-v-y m-e-t-a-l) - Metal Pesado - isso existe, é um estilo de som e em sua forma e estrutura (embora não na essência) se difere do Rock n Roll!

Em uma conceituada série-documentário da BBC sobre o Rock, que procura em alguns momentos denegrir o Metal, houve um pequeno deslize que passou desapercebido pelos produtores; B.B King - um verdadeiro representante do mais arcaico, produtivo e purista núcleo da música popular vindoura, o Blues - quando questionado sobre a aplicação dos novos estilos e abordagens extremas sobre a guitarra elétrica, humildemente agradeceu à este cenário e seus movimentos: " ... é o modo de nossa verdadeira música sobreviver e instigar o interesse dos mais jovens..."     

Tá aí... alguns chamados de "sábios" falam pelos cotovelos pra dar uma dentro, outros como no exemplo acima falam pouco, mas essa economia exprime um conteúdo que esses faladores jamais nos contariam... 

The Trooper
3Ótimo álbum do Motörhead, as 3 primeiras músicas são um atropelamento contínuo. Suicide diminui o ritmo, mas não o peso e Life's a Bitch é um rock clássico muito bom. A sexta faixa, Down On Me é para mim a que mais se diferencia, uma grande mistura de heavy metal e rock clássico. In The Black é uma grande música (dá uma olhada nesta letra), se o Bon Jovi e o Coverdale encaixassem suas letras neste ritmo como o Lemmy, o mundo seria diferente. O álbum então encerra seu fôlego com Fight e In The Year of The Wolf, grandes porradas. Keys to the Kingdom é mediana e Smiling Like a Killer quase atinge o nível das primeiras canções mas ainda está um pouco abaixo. Finalmente, Whorehouse Blues fecha o álbum muito bem, um acústico com a cara do Motörhead.
Lembrando que Steve Vai toca nas faixas Terminal Show e Down On Me, e coincidentemente minhas três faixas de destaque abarcam as duas em que ele participou: Terminal Show, Down On Me e In The Year of The Wolf.
Não tenho um conhecimento profundo da discografia do Motörhead, mas me arriscaria a dizer que este é um dos melhores trabalhos da banda.

Nota: \m/\m/\m/\m/

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Venom - Black Metal

O álbum "Black Metal" lançado em 1982 pela banda inglesa Venom, foi escolhido por The Magician para análise.




Phantom Lord

Após cerca de 10 anos ouço o tão-influente Venom mais uma vez... 
Não me lembro exatamente das músicas desta banda que ouvi no passado mas notei uma diferença nítida: as músicas deste álbum (Black Metal) parecem mais rústicas, menos guturais e (parte delas) menos aceleradas do que as músicas que ouvi por volta de 2003.
 A rusticidade em si não chega a ser um grande problema, mas a sonoridade aparenta ser bem amadora com um trabalho instrumental no máximo de "nível simplório". 

Não conheço muito da discografia da banda, mas se o caminho escolhido após o álbum "Black Metal" foi o do vocal urrado, tenho certeza de que nada melhorou... 

Acredito que o Venom teve sua importância no cenário Heavy Metal (e seus respectivos subgêneros), porém este disco apresenta-se como um embolado de faixas toscas que apesar de ruim não chega a ser completamente insuportável de se ouvir. E falando em embolado de faixas toscas, por dificuldades "técnicas" prefiro não divulgar uma avaliação "destrinchada faixa a faixa"... 

Modificadores:



Nota Final: 4,0

The Trooper
3Pode parecer que não, mas estamos falando de uma banda importante para o cenário do heavy metal. Esses caras foram pioneiros em parte, seu estilo era um proto-thrash, para mim, eles pegaram as músicas mais rápidas do Motorhead, misturaram com Black Sabbath e encheram seus álbuns com elas.
Como o guitarrista, Konrad Lant, o Cronos, afirmou, embora os membros não fossem satanistas, as letras eram uma celebração ao mal devido à necessidade de superar músicos como Ozzy Osbourne, do Black Sabbath, que: "sing about evil things and dark figures, and then spoil it all by going: 'Oh, no, no, please, God, help me!'"*. Pois é, o resultado são letras parecidas com o que foi comentado aqui na resenha de Iron Blessings, do Sacred Steel. Para mim, uma merda, mas o vocalista pelo menos não defeca com sua voz, faz um estilo mauzão meio Lemmy Kilmister, e o instrumental, embora limitado, e com uma produção digna do Burning Witches, do Warlock, manda razoavelmente bem.
Enfim, não é um álbum ruim, se não fosse um álbum do nicho satanista, e a banda em geral procurasse se encaixar em outro setor do mercado, talvez a história do thrash metal tivesse sido diferente.
Meu destaque vai para a segunda faixa, To Hell and Back, que é um pouco mais lenta que as demais, e talvez justamente por isso se destaque, com um clima melancólico e mais uma letra monga.

Nota: \m/\m/\m/

*"cantam sobre coisas más e figuras negras, e então estragam tudo cantando: 'Oh, não, não, por favor, Deus, me ajude!'" - tradução livre da wikipedia

The Magician
A seleção do disco "Black Metal" da banda inglesa Venom como post de nro. 112 do nosso blog resgata a história de toda uma variação do Heavy Metal, homônima, que a maioria dos críticos deste site ignora mas que é razoavelmente importante para a indústria atual do Metal. Trata-se afinal de uma lição de casa ainda não feita pelos Metalcólatras.

Embora com raízes nas pautas setentistas de Geezer e Iommi, essa história na verdade começa em 1981 com "Welcome to Hell" onde o ângulo e a proposta lírica da banda já estavam bem definidos; foi com essa tiragem na verdade que a banda definitivamente semearia um terreno extremamente fértil para o discurso satanista.

Mas o segundo álbum é o que foi adotado por todos seus seguidores como material referencial e arquétipo para uma sequência de gerações contínuas de acordes profanos que orientaram os subgêneros extremos até os dias de hoje. Por isso vale uma rápida análise do conteúdo musical do álbum "Black Metal".

O trio inglês propôs uma sonoridade realmente suja pra concentrar o material, primeiramente ao apresentar fatores de produção precários e em segundo ao equalizar os instrumentos em frequências muito parecidas e não destacadas; esta proposta aliada à abordagem musical incomum para a época de grooves arrastados cheios de distorção com beats corridos, daria uma assinatura inovadora de desordenação às composições , que se tornaria uma pré-característica do metal extremo de nichos como Trash/Death e Black Metal. Além disso o vocalista "Cronos" coloca suas partes em interpretações coléricas que seriam também uma forte influência para estes mesmos sub-gêneros posteriormente.

Ainda assim, com a óbvia falta de aptidão dos músicos da banda, percebe-se que existe uma mínima preocupação com a estruturação e distribuição dos tempos e da leitura melódica da obra como um todo. Mas não dá pra negar que em alguns momentos, utilizando-se da "licença poética" de um trabalho criado no viés de produto extra-popular ou marginalizado, indiscutivelmente a harmonia é prejudicada pela mesma falta de talento.

O Venom, sob esse aspecto - o apenas musical - ainda compete com muitas outras bandas e colaboradores de maior peso, que redefiniram os padrões sonoros refinados ao longo do tempo, dando um corpo ao HM esboçado pelos roqueiros dos anos 70; entre esses responsáveis por essa "arte-final" estão inúmeras bandas que nos induziram à aceitação dos vocais guturais, distorções ultra saturadas, grooves machine-guns, bumbos duplos e solos esmerilhados de guitarra.

O que sobra então como inquestionável "contribuição" dos ingleses para o Metal é a indução do discurso oficial do roqueiro anti-cristo, ou seja, a apresentação formalizada através de uma mídia para as massas (no caso, o rock) da figura injuriosa da personificação do mal como objeto de respeito e adoração - muito embora também este tema já tivesse sido cercado anteriormente por bandas como Misfits, Rolling Stones e obviamente o Sabbath.

Sendo assim, sem qualquer intenção de classificar a temática da "literatura" do Heavy Metal em um plano lógico dividido pelo eixo do "certo x errado", me parece claro que um dos principais aspectos do gênero é que se trata de um nicho de músicas de não-aceitação ou de rebelião à um cenário pré-estabelecido de situação totalitária. 

Portanto, quando o Heavy Metal deixa de orbitar a esfera de reflexão filosófica não crítica, aquela que se nivela apenas como uma expressão artística, interlocução histórica, ou ainda alguma referência metafórica externa; ele acaba adentrando sua outra face complementar, que expõe sua característica desafiadora e questionadora, atingindo uma das três colunas controladoras da sociedade contemporânea: 1-) a política, diversas bandas atacam os governos, as instituições militares e a injustiça social; 2-) a religião e a igreja, acusada de ser o principal meio de controle das massas através de discursos conformistas que sustentam a verdadeira hierarquia de poder oculta; 3-) e os valores de moralidade disseminados, que inibe a experimentação dos indivíduos por meios de auto conhecimento supostamente subvertidos, como as drogas, o álcool, o sexo, etc...

Não à toa, os temas satanistas do Venom, rapidamente colocados em posição de escarnio pela nossa sociedade ocidental secularista, encontraram sua morada em uma cultura aderente ao seu contexto. Os nórdicos (principalmente a Noruega), impelidos pela expansão catolicista da época medieval aderiram à causa do Venom como um bastião pagão traduzido por guitarras elétricas e bumbo duplo, misturado à violência exacerbada e comportamento moralmente inaceitável (como queimar igrejas).

O Venom em 1981 abriu os portões do inferno e liberou os diabinhos, que no decorrer dos anos não se sustentaram na mídia e prestes a ficarem órfãos foram adotados pelos descendentes metaleiros dos Vikings , que mal sabem que o chifrudo não morava em Asgard, nem nunca esteve nos salões de Valhalla...

Nota 5,0 ou \m/\m/\m/.