quarta-feira, 22 de maio de 2013

Kiss - Creatures of the Night

O álbum Creatures Of The Night lançado pelo Kiss em 1982 foi escolhido para análise por Phantom Lord.


Phantom Lord


Ok, não se trata de uma banda de “heavy metal”, mesmo porque, o Kiss surgiu antes desse termo virar “moda” (ou antes de ser considerado um gênero musical). 
Estou postando o Creatures of the Night porque creio que seja o disco mais “pesado” e possivelmente o menos entediante do Kiss, não que eu conheça muito da discografia desta banda: Além de músicas que tocaram no rádio, ouvi apenas este disco, o Destroyer e uma coletânea.
 O álbum abre com a faixa título, que em termos de Kiss, até é um “rock pauleira”, com uma dose moderada de agressividade em seu ritmo. 
Saint and Sinner é mais parada e ocasionalmente apresenta breves gritos bregas em seu decorrer. 
Keeping Coming traz mais um pouco do ritmo e vocais cafonas, típico da época. O refrão até que chega a ser grudento, mas esta música não deve agradar quem está esperando por um rock pesado ou veloz... 
Rock and Roll Hell tem uma boa introdução... mas poderia se desenvolver de uma maneira mais interessante. Na verdade uma das partes mais paradas onde pode-se ouvir o som do baixo, acabou me lembrando Manowar... 
E falando em Manowar, para mim o Kiss é seu equivalente no mundo do Rock and Roll / Hard Rock. Pois as duas bandas parecem ter grande preocupação com suas imagens, em outras palavras, ambas são bandas cheio de pose. E para mim, bandas cheio de pose são... Posers. 
A diferença (além do estilo musical) é que os integrantes do Manowar acreditam que o heavy metal não é música e sim o tal estilo de vida. Já o Kiss é formado por negociantes natos e negociantes se interessam por dinheiro / grana / bofunfa! Apesar dos pesares, esses fatores não impedem que uma banda consiga criar músicas boas... Podem até atrapalhar com certa frequência, mas não podem impedir. 
Ah... eu estava falando das músicas desta grande “business band”... Danger... legal, mas talvez por causa de seu nome, esta música deveria ser mais pesada ou veloz. 
Love It Loud: Esta música sozinha carrega o álbum nas costas! Talvez até carregue toda a discografia do Kiss. Sem dúvida a melhor do álbum e talvez a melhor entre todas músicas feitas por esta banda. Genial! 
I Still Love You é a romântica do álbum. Pelo menos o som a lá tecladinho da parte “morta” da música me pareceu trilha sonora de um dos jogos da série Ninja Gaiden. Enfim, não sou fã deste tipo de música depressiva. 
Killer é uma boa música e War Machine encerra o álbum “segurando a bronca”. 

Creatures of the Night 8,0 
Saint and Sinner 6,0 
Keep Me Comin' 6,8 
Rock and Roll Hell 6,3 
Danger 6,5 
I Love It Loud 9,8 
I Still Love You 5,8
Killer 7,8 
War Machine 7,4 

 Modificadores: 





 Nota final: 7,3


The Magician
K.I.S.S - "Knights in Satan's Service" no blog Metalcólatra!
Depois de uma verdadeira "era" de existência do blog, os americanos emplacaram uma resenha em nosso fórum. Essa demora se deve principalmente à ideia que o KISS é uma grande influencia do Metal, mas não seria integrante desse gênero propriamente dito, flutuando naquela antiga zona de intersecção entre o HM, Hard Rock e Rock Clássico (acho que o Scorpions sofre de um problema parecido).
A banda tem muita história, talvez seja a banda com mais história em toda a cena e por isso se torna muito mais interessante escrever sobre o grupo, ao invés do álbum exposto, obviamente. 
Mas focando apenas o "Creatures of the Knight" percebemos que se trata daqueles lançamentos com apenas um superhit + 2 ou 3 bons sons e com miolo de pão preenchendo o resto. Não é nem preciso dizer que o grande  hit é "I Love it Loud", realmente um ponto fora da curva se destacando não apenas como um sucesso da banda, mas como um grande som dessa época (louros ao Gene Simmons). Como boas músicas do CD seguem a faixa título e a música "Keep me Coming'" as outras não fedem nem cheiram, talvez possa ser detectada alguma criatividade em "War Machine", sendo que "I Still Love You" é uma bosta completa.
Percebe-se  também no seu decorrer que "Creatures of Night" possui uma variação razoável nos estilos das canções, com certeza essa característica da produção reflete o simples fato da interferência de vários músicos/produtores envolvidos, são nada menos do que oito assinaturas de compositores nos créditos da obra.
No fim o resultado sai com os temperos básicos da banda, ou seja, como descrito acima: um mix do HM+Hard Rock+Rock Clássico.
Como performance o disco é bem equilibrado, sem nenhum desfile virtuoso ou (fora I Love it Loud) momento brilhante, na verdade se trata do esperado e recorrente nos trabalhos do KISS já que se trata de músicos polivalentes, mas sem nenhum especialista presente.
Fato é, que fora aqueles sucessos acima do bem e do mau que a banda criou, tenho uma impressão bastante reticente quanto à qualidade das músicas do KISS, que foi por muitos e muitos anos a menina dos olhos da indústria fonográfica norte americana. A imagem da banda com seus figurinos caricatos e mascarados (roubados sim senhor, do grupo brasileiro "Secos e Molhados") é a personificação do Show Business, uma imagem vitrificada do Rock Star egocêntrico e espalhafatoso, herói, anti-herói ou vilão; produzida em série, enlatada, colocada em prateleiras e vendida para as massas. 
Um produto estritamente comercial como esse dificilmente vai carregar conteúdo realmente significativo, seja qual for o nicho em questão.
Mas admito que é ponto para o KISS quando o assunto é (ou foi)  atrair o público mais jovem e adolescentes para o Rock n Roll... nisso o grupo realmente compete.
Fora isso é isso mesmo.
Nota 6.7 ou \m/\m/\m/  

The Trooper
3Kiss parece ser uma daquelas bandas de coletânea, mas não tenho propriedade para afirmar pois só conhecia uma coletânea e o álbum em questão. Uma coisa eu posso afirmar: os caras podem não acertar o tempo todo, mas quando acertam, se segura que vem bomba na orelha. 

Neste trabalho eu acho que acertaram em pelo menos quatro faixas: Creatures of the Night, I Love it Loud, Killer e War Machine. Os créditos vão para as pancadas que Eric Carr distribui pelo álbum, algumas linhas de baixo e distorções de guitarra somadas a vocais manjados que se encaixam bem na maioria das músicas.

As letras como de se esperar, não possuem muita representatividade, dividem-se nas manjadas "endemonhadas", putanheiras ou melosas.

Outra característica da banda (que pode ser considerada qualidade por alguns), é sua capacidade de misturar o pop com o pesado e conseguir chegar até os ouvidos de pessoas sem afinidade com heavy metal ou mesmo rock.

Por fim, recomendo que você procure todas as músicas legais dos caras em sua discografia e monte uma mega coletânea, espero conseguir fazer isso eu mesmo, um dia desses.

Nota: \m/\m/\m/\m/

P.S.: Já que o Magician citou os créditos, segue trecho da wikipedia abaixo:

Track listing

No. Title Writer(s) Lead vocals Length
1. "Creatures of the Night"   Paul Stanley, Adam Mitchell Stanley 4:02
2. "Saint and Sinner"   Gene Simmons, Mikel Japp Simmons 4:50
3. "Keep Me Comin'"   Stanley, Mitchell Stanley 3:55
4. "Rock and Roll Hell"   Simmons, Bryan Adams, Jim Vallance Simmons 4:11
5. "Danger"   Stanley, Mitchell Stanley 3:54
6. "I Love It Loud"   Simmons, Vinnie Vincent Simmons 4:15
7. "I Still Love You"   Stanley, Vincent Stanley 6:06
8. "Killer"   Simmons, Vincent Simmons 3:19
9. "War Machine"   Simmons, Adams, Vallance Simmons 4:14
Uncredited musicians Vinnie Vincent – lead guitar, backing vocals on "Saint and Sinner", "Keep Me Comin'", "I Love It Loud", "Killer", and "War Machine" Bob Kulick – lead guitar on "Danger" Robben Ford – lead guitar on "Rock and Roll Hell" and "I Still Love You" Steve Farris – lead guitar on "Creatures of the Night" Mike Porcaro – bass guitar on "Creatures of the Night" Jimmy Haslip – bass guitar on "Danger"

 Hellraiser
3Minha banda do coração ! Pelo menos nos anos 80 ! 
Essa é a banda que me introduziu no mundo do Rock e Metal, assim que vieram ao Brasil, em 1983. 
Esse foi o primeiro LP que tive em minha vida. 
Isso é totalmente nostálgico para mim, e confesso que sendo assim, eu AMO de paixão isso. 
É farofa, sim, é !!! 
Mas aqui a banda passeia FACILMENTE pelo Heavy Metal, talvez um dos discos mais pesados do Kiss, juntamente com seu secessor, o ``Lick it Up``. 
Porem foi o álbum que jogou o Kiss em definitivo na mídia, sendo que a banda estava em baixa, por causa de alguns lançamentos bem inferiores, vinham caindo muito nas vendas, no publico, então resolveram lançar um disco com volta as raízes, sem experimentalismos, puro Rock`n`Roll pesado e fazer uma longa turnê de divulgação do disco. 
Tiro e queda !!! 
O show aqui do Brasil reuniu o maior publico do Kiss até aquela data. Recorde absoluto ! 
E os caras não fizeram por menos, sendo que seus shows são verdadeiros espetáculos pirotécnicos. 
Quanto ao disco em questão, .....a faixa titulo, ``Rock´n´Roll Hell``, a excelente e mega conhecida ``I Love it Loud``, a rápida ``Killer`` e a excelente e pesada ``War Machine`` fazem desse trabalho, um digno álbum de Hard/Heavy do mais alto gabarito das bandas dos anos 80. 
A banda na sua MELHOR fase !!! 
PS: Ace Frehley aparece creditado na capa, porem já perdido em drogas e descontente com seus companheiros de banda, não gravou nenhuma musica, sobrando para o guitarrista Vinnie Vicent, o qual veio junto com a banda ao Brasil, e também gravou o álbum seguinte ``Lick it Up´´. 
Nota 8,5

terça-feira, 7 de maio de 2013

Crimson Glory - Transcendence

O álbum Transcendence lançado pela banda Crimson Glory em 1988, foi escolhido para análise pelo MetalMercante




Phantom Lord

Mais um álbum de uma banda classificada como "progressive metal" dos anos 80... 
 O álbum inicia-se com a música Lady of Winter, um bom heavy metal com "pitadas melódicas"... e segue com músicas diversificadas mas nenhuma longa viagem... Em outras palavras, nada muito progressivo, o que para mim está bom... 
 Acredito que os destaques sejam as faixas Burning Bridges (talvez a faixa mais "prog" deste disco) e Eternal World, que além de interessantes, mostram que a banda não se perde enchendo suas músicas com quebras de ritmos desconexas (gracias!). 
A sonoridade deste disco do Crimsom Glory, parece variar de Led Zeppelin ao Queensryche contendo pitadas de heavy metal a lá Judas Priest com uma inclinação melódica... Ou seja, pode-se notar a influência de várias bandas nas músicas do Transcendence, mas como eu já devo ter afirmado em outra resenha, não há problemas quando os músicos conseguem criar algo inovador a partir de sonoridades ou canções já existentes. 
 Afinal o importante é que não fique parecendo cópias descaradas... Neste caso, os caras do Crimsom Glory, acertam bastante, exceto pelas faixas In Dark Places (parece Perfect Strangers em vários momentos) e Masque of Red Death (esta última é nitidamente "Powerslaved"!!). 

Lady of Winter 7,7 
Red Sharks 7,5 
Painted Skies 7,5 
Masque of Red Death 7 
In Dark Places 6,2 
Where Dragons Rule 7 
Lonely 6,9 
Burning Bridges 7,8 
Eternal World 8 
Transcendence 7,2 

 Concluindo: Este não é um álbum do tipo porrada nem muito pesado, mas para quem curte "progressivo acessível" ou "rock/metal dos anos 80", vale a pena conferir! 

 P.S.: Acho que um segredo para achar músicas boas no fim do disco é ouvir ele em ordem aleatória uma das vezes ao menos, como eu fiz um vez com o Trascendence. 

 Nota: 7,4  

The Trooper
3Mais um álbum de progmetal no blog, o que acontece com o Mercante ultimamente? Wake of Magellan, Awaken the Guardian, Chameleon (!!?!?!?) e agora Transcendence, será que é isso, ele transcendeu sua existência como "true" metaleiro epopéico? Ou será que depois de seu casamento, seu coração de pedra amoleceu? Que meigo!
Patifarias à parte, ao contrário de Awaken the Guardian, do Fates Warning, Transcendence é bom, pelo menos no começo do álbum, a banda faz um progmetal dinâmico, com certa velocidade, talvez até flertando com power metal. O vocalista é muito bom, me lembra Savatage ou Queensryche, e a banda no geral também. Não sei por que, mas gostei mais do álbum quando ouvi com meu fone de ouvido que intensifica os graves, a linha de baixo fixou bem legal, em Masque of The Red Death, alguns trechos me lembram até Iron Maiden. Os solos de guitarra também são um destaque, o começo de Where Dragons Rule me trouxe boas lembranças de Blind Guardian.
O álbum dá uma desacelerada da quinta faixa (In Dark Places) em diante, e quando volta a acelerar em Eternal World, a penúltima, o faz de maneira caótica, com várias quebras de ritmo (comuns no progmetal e metal melódico), mas com exceção de alguns refrãos que parecem que a agulha do toca-discos pulou, essa é a única quebra de ritmo que aparece. Portanto as melhores faixas do álbum são as quatro primeiras, que seguraram a nota do álbum, com um destaque especial para Red Sharks, a melhor do álbum (aliás, acho que o Mercante escolheu este álbum só por causa da letra dessa faixa, para me cornetar). E por falar em letras, a maioria é bem viajante, e os temas variam bastante, mas no fim se trata de uma obra lírica razoavelmente melancólica.
Nota: \m/\m/\m/\m/

The Magician
A Wikipédia coloca a banda americana "Crimson Glory" ao lado do Queensrÿshe e do Fates Warning como uma das progenitoras do gênero de Metal Progressivo norte-americano, eu incluiria nesse ilustre grupo de bandas o Savatage, que inclusive, teve membros que tocaram projetos ao lado de músicos do Crimson Glory. 
Logo percebemos que Merchant (nosso querido critico super-criterioso) tem particular afinidade com as bandas desse micro-núcleo do Heavy Metal, e que com sua generosidade e sabedoria, procura sempre que pode compartilhar deste conhecimento conosco.  
Obrigado professor Merchant... eu não conhecia o trabalho da banda, e confesso que embora o estilo de música não traia este movimento de metal prog no qual não sou exatamente fã, o resultado final do trabalho me surpreendeu.
O vocalista "Midnight" (falecido em 2009, era chegado numa cana...) era um ponto fora da curva, com uma capacidade de alternância na voz que era simplesmente fora de série, com certeza registrou as linhas de maior destaque no CD em questão. 
O trabalho instrumental é muito bom, desde o baixo e bateria até as linhas de guitarras, que em seus momentos de maior criatividade criaram uma trinca de alta qualidade: "Lady of Winter", "Lonely" e "Masque of Red Dead". O disco com certeza não se resume a isto, mas com certeza esta é a crista do álbum, que está exatamente no meio do trabalho e serve afinal para "trazer o ouvinte" para dentro do CD e criar o interesse para que continue escutando até o final. 
O que infelizmente me incomodou bastante e acho que foi determinante para colocá-lo na "vala comum", foram os fatores da produção; desde a equalização muito linear, com todos canais competindo nas mesmas frequências e alturas, quanto a pasteurização das passagens em geral que deixou a sonoridade meio chocha e sem personalidade. Acabou inibindo o potencial da obra, ou por falta de um produtor bom, ou por que algum bacana achou que esse tipo de mixagem ia melhorar a impressão sobre a sonoridade (meu palpite é que faltou um cara bom mesmo).
Com o fechamento desta disciplina "Metal-Prog-Americano" lecionada pelo Prof. Mercante, minha conclusão é que o Metal norte americano dos anos 80 chegou a sinalizar uma vertente promissora de heavy metal que fizesse frente ao estilo Speed/Power europeu, mas tropeçou nas próprias pernas devido o virtuosismo almejado e desmedido, e esbarrou também na concorrência interna do seu mercado de música pesada.
Pena..., pois se essas bandas de fato tivessem virado nessa época nos EUA, hoje com certeza teríamos uma cena muito mais forte e duradoura no Metal Melódico mundial.

Nota \m/\m/\m/ ou 6,9.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Shaman - Ritual

O álbum Ritual lançado pela banda Shaman em 2002, foi escolhido para análise por Magician.



Phantom Lord

Há aproximadamente 10 anos atrás ouvi este cd pela primeira vez. Naquela época eu estava expandindo meu conhecimento sobre o heavy metal e suas raízes... Mais precisamente estava descobrindo as"raízes": muitas bandas de rock e suas músicas dos ano 70-80 através de programações de estações de rádio. Ainda estava difícil explorar ou adquirir o heavy metal pós anos 90... Este gênero musical só chegava aos meus ouvidos via empréstimos de discos de colegas ou de raríssimos programas de rádio (como o Backstage por exemplo). Foi aí que o cd Ritual do Shaman ganhou alguns pontos comigo. Escutei este trabalho um porrilhão de vezes, pois fora o stéreo do covil, eu ainda dependia da conexão de internet discada para buscar músicas, ou seja, eu não procurava / buscava merda alguma na internet... 

Em uma análise breve e mais superficial do álbum Ritual, eu poderia afirmar que é um trabalho com "cara de conceitual" e que não me impressionou tanto como alguns outros cds de heavy metal que descobri na mesma época. O vocalista André Matos já não esbanja seus agudos (que algumas vezes soavam bem forçados e demasiadamente estridentes), os instrumentistas fazem um bom trabalho, a duração das músicas e do disco como um todo não é longa, enfim, Ritual quase não possuí defeitos, logo é um bom álbum. 

É claro que existem N razões para pessoas não gostarem do álbum, mas a maioria das opiniões negativas de supostos headbangers que ouvi sobre este álbum foram infundadas ou meramente birrentas. 

 Ancient Winds / Here I Am 8 
Distant Thunder 8,2 
For Tomorrow 8 
Time Will Come 7,5 
Over Your Head 6,5 
Fairy Tale 6 
Blind Spell 7,5 
Ritual 7,9 
Pride 8,2 

 P.S.: A intro de Over Your Head é na melhor das hipóteses estranha (...para não dizer ruim!), mas ainda bem que esta música se desenvolve muito bem. As vozes nesta introdução parecem falar de patinhos indo além das montanhas...

Nota: 7,6

The Magician

Caros seguidores e seguidoras do blog, esta postagem celebra o ultimo verdadeiro suspiro da cena do Heavy Metal nacional. Em 2002 o gênero em âmbito internacional estava infectado pelo boom das bandas "Nu" e não havia nada acontecendo no sentido de lançamentos de qualidade na cena mais ortodoxa, e para piorar as bandas que até então pareciam percorrer uma curva ascendente de suas carreiras apresentaram nesta época trabalhos bem aquém das expectativas (como o Blind Guardian - "A Night at Opera", Hammerfall "Crinsom Thunder", Raphsody - "Power of the Dragonflame", Sonata "Songs of Silence", etc...).


O agourento ano de 2002 ainda acabaria com mais um piti de Mustaine, sinalizando o desmanche do Megadeth.Mas para aliviar a barra do ano negro, aqui no Brasil um fato pontual mudou essa história, e graças a explosão de egos dos membros do dream-team paulista Angra que acabou causando a separação do grupo. 

Entre 2001 e 2002 essa rescisão de contrato gerou para o público 3 ótimos trabalhos: "Rebirth", "Hunter and Pray" e o disco em questão - "Ritual", justificando aqui a minha tese (exposta no post do Megadeth e reforçada pelo Merchant no post do Bruce Dickinson) de que as fissuras ou reformulações de grandes bandas é o mais produtivo dos métodos de fortalecimento do gênero, permitindo alem da gemulação do grupo, uma especie de motivação criativa baseada no confronto de ideologia musical da parte da "resistência" e da parte dos "amotinados".


Ritual é o exemplo clássico desse tipo de cenário, que inclusive causou reação não proporcional da mídia na época. Me lembro que a expectativa sobre este trabalho era imensa por todas as partes, com algumas provocações mútuas entre os divorciados e entre seus fãs tieteiros, como se podia perceber em workshops e grandes eventos do estilo, como os EXPO Music's da época. O ótimo Rebirth lançado em 2001 serviu como mais lenha na fogueira; afinal, a responsabilidade de um trabalho de repercussão se tornara obrigação na medida que a antiga banda - com apenas dois membros remanescentes, os guitarristas - apresentara um material exímio nos quesitos instrumentais em que foram desfalcados..


Somado a este panorama, estava o fato do Shaman já sair com um grande contrato de gravadora, pois a banda conseguiu suporte de nada menos do que a Universal para gravar seu debut. E há de se admitir que os "cabeças" do selo musical trabalharam muitíssimo bem nos bastidores, já que além das aparições menores como na rede de TV Cultura (sendo esta a primeira aparição, no programa do Gastão Moreira apresentando já em 2011 o single "For Tomorrow"), a banda se apresentou no programa global Altas Horas do Serginho Groisman e ainda por cima promoveu seu trabalho cedendo a faixa "Fairy Tale" como trilha sonora oficial da novela "O beijo do Vampiro", fato obviamente inédito para uma banda de metal nacional.


Pois bem, o disco foi lançado, e atendeu às expectativas criadas. O respaldo do público e crítica foi imediato, confirmado pelas vendas dos ingressos da turnê Ritual live.


Quanto às minhas impressões, foram as melhores possíveis, começando pelo conteúdo gráfico e a contextualização do trabalho. O encarte se vincula obviamente à temática principal do CD que é evocada na maior parte das composições. Os contos e lendas dos povos pré-colombianos foi a escolha da banda, e fornece o conteúdo musical e visual com acabamento impressionante e realizador àqueles que não apenas se atém ao produto sonoro, mas sim às suas coleções materiais.


O ponto mais evidente no entanto é a veia compositora na obra em questão, os músicos estavam tinindo neste quesito. Com preenchimentos mega diversificados nos canais (guitarra e teclados) eles criaram estruturas impecáveis distribuindo muito bem as modalidades de faixas, e conquista o ouvinte música a música, com um repertório riquíssimo para todos os gostos metaleiros: os mais agressivos ("Here I am" e "Pride"), arraigados ("Distant Thunder" e "Over Your Head"), melódicos ("Time Will Come" e "Blind Spell"), atmosféricos ("Ritual" e "For Tomorrow") e por fim os mais melosos ("Fairy Tale").


Não existe nenhum ponto fraco, e os altos na minha opinião estão em "Here i am", "Distant Thunder" e "Ritual", mas sem desprezar simplesmente nenhuma passagem do álbum, forjado meticulosamente nos detalhes pelo guitarrista e ótimo produtor alemão Sascha Paeth (Rhapsody, Kamelot, After Forever).


Individualmente é desnecessário comentar as performances técnicas de Luís Mariutti e Ricardo Confessori, mestres em suas atribuições. O ACHADO aqui é o guitarrista Hugo Mariutti, que se não pode ser admirado pelas suas habilidades de The Flash, deve ser respeitado pela criatividade, entrosamento e dinamismo espantoso para um primeiro trabalho com o resto da equipe. Isso que teve de dar a cara a tapa nos shows interpretando as antigas musicas do Angra, e com todo o respeito ao senhor Kiko Loureiro e ao Rafael Bittencourt, mas mandou super bem!!


A única decepção nas partes técnicas ficou para o maestro Andre Matos, pois justamente no momento após danificar de forma irreversível suas cordas vocais teve que registrar o disco debut do Shaman (provável macumba dos caras do Angra), o que prejudica um pouco o release. Mas mesmo cantando com voz nasal e fanhosa fez o que fez em "Over your Head" e além disso assina por todas as letras do álbum e cria ótimas sequencias no teclado.


O Disco "Ritual" da banda Shaman lançado em 2002 é particularmente nostálgico pra mim, sintetiza toda uma época e me remete aos tempos em que bem ou mal, o cenário metaleiro nos apresentava certo movimento, shows inesquecíveis e lançamentos promissores de grandes bandas. Bom enquanto durou.


Nota 9 ou \m/\m/\m/\m/\m/.

The Trooper
3Mais um trabalho próximo da perfeição. Ritual lembra Fireworks por causa de seu equilíbrio, principalmente na oscilação entre trechos lentos e rápidos, suaves e pesados, embora quando a distorção das guitarras aparece por aqui, é até mais pesada do que o álbum referido do Angra.
O nome da banda, inspirado na música do álbum Holy Land, influi em boa parte das composições do álbum, a faixa título aliás, lembra a faixa original do Angra, mas é dona de um timing e ambientação perfeito, que a torna única.
Ambientação, aliás, é o forte deste trabalho. Todos os instrumentos utilizados e introduções, foram colocados de maneira perfeita (até os patinhos, Phantom resmungão, a importância era colocar crianças, você não queria que elas entoassem algum hino satânico, queria?). Em For Tomorrow as flautas entram até mesmo no meio da música, quase tão bom quanto as gaitas de fole do Grave Digger.
Sobre os integrantes da banda, não tenho muito a dizer, o Magician cobriu boa parte do que eu ia escrever, só mais algumas colocações: essa banda tem apenas um guitarrista, mesmo assim vocês notaram a monstruosidade da base, mesmo quando o guitarrista está solando? (não consigo reconhecer se houve algum trecho em que o guitarrista gravou a base e depois o solo, parece mais é que o Luis é que toca rápido e com alguma distorção). E sobre André Matos, bem, pouco importa se ele estava com caganeira, traqueostomia, se ele é gay, chorão ou o raio-que-o-parta, o cara é um monstro! Ele destruiu nesse cd inteiro, o estilo me lembrou um pouco o Dark Ride do Helloween, pra mim, é indiscutível que esse cara é um dos melhores vocalistas do planeta, e não acho nenhum absurdo discutir quem é melhor: Bruce, Halford ou André Matos. E eu ainda tenho que ouvir do Venâncio que ele não coloca emoção nas músicas...ah, vá tomar no freulis!

Nota: \m/\m/\m/\m/\m/

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Anvil - Juggernaut of Justice

O álbum Juggernaut of Justice lançado em 2011 pelo Anvil foi escolhido para análise por The Trooper.

Faixas: 01-Juggernaut of Justice; 02-When Hell Breaks Loose; 03-New Orleans Voodoo; 04-On Fire; 05-Fuckin Eh!; 06-Turn It Up; 07-This Ride; 08-Not Afraid; 09-Conspiracy; 10-Running; 11-Paranormal; 12-Swing Thing.


The Trooper
3Vagando por aí, principalmente entre o thrash, até que achei alguma coisa legal, nada de queimar o cérebro, mas que pelo menos dá pra perder um tempinho ouvindo. Essa postagem ficou entre algo do Exciter ou Anvil, e acabei decidindo pelos também canadenses da segunda banda.
Os caras estão na estrada desde 78 e eu juro que nunca ouvi nada deles, pelo menos que eu me lembre, então escolhi o último álbum lançado, em 2011 (tá pra sair um agora em 2013).
Juggernaut of Justice até que é bem sólido (com uma leve viajada no final), e como não escondi isso de ninguém até agora, eu curto sons simples, desde que eles me agradem. É o que rola por aqui, nada muito complexo na base, mas com uma pegada legal.
Como ponto negativo, alguns riffs parecem bem genéricos, como em Conspiracy. On Fire só pode ser uma homenagem a Burn do Purple, até o nome lembra, se não for isso, o troféu Óleo de Peroba vai para esses caras. As letras também são simples e curtas, mas em alguns pontos acertam em cheio, como em Not Afraid.
Destaque para When Hell Breaks Loose, Fuckin Eh! (parece uma mistura da música Breadfan com Megadeth das antigas) e Not Afraid.

Nota: \m/\m/\m/\m/


Phantom Lord

Anvil... Acho que nunca ouvira falar desta banda e consequentemente, nem deste disco... Vamos lá... 
As músicas do álbum variam entre o heavy metal tradicional e umas "pauladas" que possivelmente são chamadas de thrash metal por aí a fora... As faixas mais "thrash" podem parecer com a sonoridade do Motorhead pós-anos 90, porém o vocal não é muito parecido com a rouquidão de Lemmy. O vocal é simples (razoável), sendo mais grave nas pauladas e mais... genérico nas demais músicas. E apesar de citar semelhanças ao Motorhead e ao thrash em geral, ao analisar algumas faixas, consegui perceber que este disco não é tão repetitivo. 
A faixa de abertura é boa, eu diria que até é empolgante... 
 When Hell Break Loose é uma das faixas com sonoridade próxima as músicas típicas do Motorhead... Acho que posso "nivelar" esta música com as mais básicas do álbum Inferno, heheh. 
Not Afraid tem seus momentos próximos de estilos como o hard core, apesar que se for pra rotular, podem ser que digam que esta música é thrash metal... 
Paranormal segue uma pegada mais "clássico da pesada", mostrando um ritmo mais próximo ao velho Black Sabbath. 
A última faixa... é uma trilha sonora de Cowboy Beebop, uma mescla de música velhaca com rock... ou mera fanfarronice? 
De modo geral, o estilo das músicas alterna entre o Rock pesado ao Thrash Metal, passando pelos possíveis gêneros intermediários (com leve predominância das pauleiras, ou speedfreaks), resultando em um álbum no mínimo razoável, já que os músicos não pisaram na bola. 
Para fazer uma avaliação precisa, até tentei bancar o Metal-Mercante, ouvindo várias vezes este álbum (ok, nem tanto)... 
Concluindo, em minha opinião, o álbum não é medíocre mas não chega a ter músicas que realmente se destaquem... talvez só a faixa-título poderia ser chamada de destaque. 

 Juggernaut of Justice 7,9 
When Hell Break Loose 7 
New Orleans Voo Do 6,7 
On Fire 6,2 
Fuken He 7,1 
Turn It Up 6 
This Ride 6,5 
Not Afraid 6,5 
Conspiracy 6,8 
Running 7 
Paranormal 7,3 
Swing Thing 6,9 

 Nota: 6,8 (...é eu sei, esta parece uma nota bem comum em minhas avaliações.)

The Magician
O décimo e quarto CD do Anvil, escolhido pelo Trooper, vem com certeza para tomar o título de maior trabalho arroz-com-feijão postado aqui no blog. 
Juggernaut of Justice é enraizado na escola básica do Metal "oldschool", por isso particularmente não tenho problemas com o disco, mas aviso que pode frustrar àqueles que já saíram dessa onda em busca de linhas de sons mais alternativos ou rebuscados.
Sobre o trabalho sonoro posso dizer que nesse panelão de feijão e arroz a banda também adicionou farinha, o que deixou o material mais sólido e consistente, se é que me entendem... 
A toada é frenética na maioria do tempo - ao melhor estilo Motorhead e das estruturas proto-trashmetal - mas sem esquecer em alguns trechos as músicas e passagens cadenciadas que evocam as idéias soturnas da guitarra de Iommi e Blackmore , não à toa que a banda canadense é apontada como uma importante referência para o Big Four Trash norte-americano.
O líder da banda Steve "Lips" é o destaque do grupo já que monopoliza metade dos canais disponíveis do conjunto, e acaba fazendo duas funções com resultado mediano, ao invés de focar uma opção com mais qualidade; ou seja, canta escondido se enroscando em suas linhas de guitarra, e exatamente na mesma frequência os dois sons acabam se confundindo. O baixo costuma ser inaudível e se apresenta para o ouvinte apenas nos desfiles desajeitados dos solos de guitarra. 
O ponto alto no entanto é o entrosamento dos riffs de guitarra com as levadas aceleradas do baterista Robb Rener, mas como um bom consultor de Heavy Metal que sou, aconselho aos canadenses recontratarem um novo lead-guitar mais dinâmico e desprendido que colocasse outras colorações para as bases, licks interessantes e solos mais criativos e chamativos. Enfim, acho que vou mandar meu currículo para Steve...
Concluindo: o álbum de produção e material sonoro suficientes apresenta ideias e melodias bastante surradas, sendo pragmático e fiel ao estilo de heavy metal encrustado que moldou o trash no início dos anos 80. Suas composições são simples e cheias de energia mas possivelmente não possuem mais aquela aderência de outrora devido ao fato de deslizar sobre uma pista exaustivamente desgastada pelas demais bandas oitentistas. No fim a obra bastante mediana sem a intenção de ousar deixar o velho protetorado metaleiro, fatalmente carece de grandes hits para se auto-sustentar.

Nota 6 ou \m/\m/\m/, devido uma tendência levemente conservadora deste crítico.     

quarta-feira, 20 de março de 2013

Blind Guardian - Somewhere Far Beyond

O álbum Somewhere Far Beyond lançado em 1992 pelo Blind Guardian foi escolhido para análise por Phantom lord.


Phantom Lord

Até uns dias atrás, se alguém dependeu deste blog para conhecer Blind Guardian, acabou achando que esta banda sempre foi cheio de firulas e com tendências ao metal progressivo. Vamos corrigir isto: estou postando um clássico álbum sóbrio da banda, o mais próximo do heavy metal “básico”, feito pelo Blind Guardian. Somewhere Far Beyond segue uma fórmula semelhante ao seu antecessor, Tales From Twilight World, com praticamente a mesma criatividade, porém com um pouco mais de variedade em suas melodias. Em outras palavras, creio que este disco contém músicas um pouco menos rústicas do que seu antecessor e estas músicas ajudaram o Blind Guardian a consolidar sua identidade. Eu digo “ajudaram” porque a banda já nasceu com um elemento que marca muito bem a identidade da banda: os vocais peculiares de Hansi. 
As guitarras e a bateria são típicas do Speed Metal, mas também são marcantes e passaram por suaves mudanças ao longo da discografia da banda. Na verdade não gosto de usar os termos Speed Metal nem Power Metal, pois creio que são duas espécies do “metal” com características semelhantes. Tanto é, que ao longo de décadas, cansei de ouvir as pessoas dizendo que músicas destas duas “espécies de metal” são Metal Melódico ou simplesmente Heavy Metal. 

 As primeiras faixas do Somewhere Far Beyond são duas ótimas porradas e em minha opinião estão entre as melhores músicas do Blind Guardian. Outro destaque é The Bards Song (in the forest) que se tornou um hino da banda. A única faixa desnecessária deste álbum é Black Chamber, que não se encaixa em lugar algum... Mas esta música é tão breve que não interfere na qualidade do disco e nem chega a incomodar. 

 Time What is Time 9,2 
Journey Through the Dark 10,0 
Black Chamber - 
Theatre of Pain 7,3 
The Quest of Tanelorn 8,0 
Ashes to Ashes 8,4 
The Bards Song (In The Forest) 9,0 
The Bards Song (The Hobbit) 7,8 
Somewhere Far Beyond 7,9 

 Concluindo: Este disco pode não ser “épico” como o Nightfall, nem pesado como o Imaginations, nem veloz como os seus antecessores, mas é o melhor de toda discografia do Blind Guardian.

Modificadores:

Nota final: 8,6

The Magician
Dias de trevas se passaram nos domínios dos Metalcolatras. Foram semanas de tormentas entoadas por urros e gritos demoníacos, abafados às vezes por raros e rápidos resquícios de Heavy Metal criativo e bem tocado.
Eis que convocado novamente de outra dimensão pelos sons bardísticos emerge novamente o Guardião Cego.
Foi um alívio me deparar com este álbum, que é eleito dentre os meus favoritos nos pedestais sagrados da história do Heavy Metal mundial. Um desse nível (ou próximo a este nível) não aparecia aqui no site desde outubro de 2012...
O Blind Guardian é aliás um curioso caso de banda que se consagrou para aqueles que a conhece, lembrado pela sua qualidade e por possuir características ultra peculiares sem equivalência dentro do gênero mas que infelizmente está fadado à marginalidade provavelmente devido ao caminho lírico que a banda escolheu.
Tomando o Conselho dos Metalcólatras como uma amostra ou um micro-universo projetado dos metaleiros, podemos perceber a força e influencia dos alemães para o cenário. Aqui no blog está entre as bandas favoritas de grande parte dos membros (Eu, Phantom, Trooper, Merchant, Metal-Kilo, Barbarian e Treebeard se incluem nesse grupo) e com esta postagem, se iguala ao seleto grupo de gigantes da casa com 3 ou + obras disponibilizadas para análise: Megadeth, Metallica, Iron Maiden e Manowar. Posso pensar rapidamente em mais 4 metaleiros que conheci que se separaram do nosso grupo por motivo ou outro que idolatram o grupo de "bard-metal".
Na linha de criação de mais de 20 anos do Blind, particularmente acredito que "Somewhere Far Beyond" seja seu ponto de maior destaque. Embora o reconhecimento da mídia especializada esteja concentrado quase que totalmente no grandioso álbum "Nightfall on the Middle-Earth" de 1998 com compreensível viés extra-musical, é neste presente álbum que o produto mais essencialmente qualificado como metal bruto, medular, isento de externalidades ou anexos e ainda por cima maduro e surpreendentemente coeso, se apresenta. 
Ou seja, acho que aqui o trabalho do Blind Guardian se sustenta sozinho sem a necessidade de conhecimento de background do grupo ou quaisquer outro tipo de artifício introdutório.   
Por fim, re-escutar esta obra depois de anos (sim, anos) foi de arrepiar, e rodando o álbum sob o ponto de vista de análise do conteúdo acabou por valorizar ainda mais algumas passagens que já considerava irretocáveis.
Hansi desfrutava do auge de sua técnica e saúde vocal (ainda não estava no auge criativo do uso dos vocais, esse sim, somente atingido em NFotM), e sem a necessidade da multiplicação de inúmeras respostas de canais na voz, como nos outros trabalhos posteriores, já conseguiu um ótimo resultado no que diz respeito à interpretação. Seus colegas Marcus Siepen e Andre Olbrich conseguiram registrar com certeza seus melhores riffs e linhas solistas, só que sem tantos adereços sonoros, optando muito mais pela interação tradicional de guitarras base (esmagadora) x guitarras solos (ágeis e melódicas), e às vezes protagonizando belos duetos cantados sobre os subsídios do Contra-baixo.
Nunca o Achievement do Phantom Lord - "Fist Attack is Deadly" - foi tão bem aplicado aqui no blog como neste caso, e a cacetada na zuréba "Time What is Time" que considero a melhor e mais completa música do disco, é a grande responsável por este fato; não obstante em seguida é apresentada "Journey Through the Dark" que acaba de nocautear o ouvinte.
Conforme também comentado pelo Phantom, este álbum é incrivelmente sólido sem pontos fracos; pois após a introdução avassaladora das duas primeiras faixas e interlúdio reflexivo ("Black Chamber"), surge a atmosférica e épica "Theatre of Pain", um oásis temporário para o ouvinte que será novamente arremessado para o olho do furacão nas tempestuosas "The Quest for Tanelorn" e "Ashes to Ashes". 
Somente então, depois de desfilar todo esse repertório esplendido, na sétima faixa, o material atinge sua apoteose com "The Bard's Song: The Forest e The Hobbit". Musicas pendulares não somente no disco, mas em toda discografia e carreira dos germânicos, determinantes na expressão e personificação do que a banda de fato é e foi no cenário metaleiro.
A faixa título fecha magistralmente o álbum antes dos ótimos covers "Trial by Fire" e "Spread your Wings", com quase oito minutos de requintes de sofisticação entre peso descomunal e contundência melódica.
O quarto álbum de 1992, que revelou definitivamente a banda alemã para o mundo, é na minha opinião a sua mais emérita e insigne obra prima. Após o salto que foi "Tales from the Twillight World" na qualidade do som do Blind Guardian, foi exatamente aqui neste trabalho que afiaram de forma agregadora, todo o  direcionamento musical traçado nas obras precursoras, e antes que trilhassem um caminho mais progressivo (Imaginations from the Other side) ou opulento (Nightfall in the Middle-Earth), criaram um disco "autossuficiente", sem a necessidade de que para sua apreciação, tenha-se o conhecimento prévio de que o grupo faça parte ou não de um nicho ou movimento criativo, seja ele aclamado, tachado, rejeitado, respeitado, proscrito, etc...

Nota 9,6 ou \m/\m/\m/\m/\m/.            

The Trooper
3Blind Guardian é uma banda única, acho que já escrevi isso anteriormente, e este trabalho demonstra isso na sua estrutura musical. Há algumas quebras de ritmo em algumas músicas, lembrando metal progressivo, mas o peso das distorções, somados a complexidade dos riffs e solos de guitarra e os vocais contundentes de Hansi dão a característica única da banda, que acaba me forçando a não encaixá-los em nenhum subtipo de heavy metal.
O álbum foi o primeiro lançado pela Virgin Records, mas o segundo a seguir esse estilo especial após se distanciarem do speed/trash, e responsável por nos fornecer verdadeiras obras-primas como Journey Through the Dark, Ashes to Ashes e Somewhere Far Beyond. Os dois próximos álbuns, entretanto, produzidos pelo lendário Fleming Rasmussen, elevariam o nível do muito bom para o extremamente épico, na minha opinião.
Não há pontos fracos neste trabalho, o teclado em Theatre of Pain irrita um pouco meus ouvidos e The Bards Song - The Hobbit fica um pouco abaixo do nível máximo de excelência do restante do álbum, mas isso não impede que este álbum receba a nota \m/\m/\m/\m/\m/.
Para quem deseja saber mais sobre as sempre interessantes letras desse álbum, segue trecho copiado da wikipedia abaixo:

terça-feira, 5 de março de 2013

Sabaton - Carolus Rex

O álbum Carolus Rex, lançado em 2012 pela banda Sabaton, foi escolhido por Mercante para análise.


1. Dominium Maris Baltici - 0:29
2. The Lion From the North - 4:43
3. Gott mit uns ("God With Us") - 3:16
4. A Lifetime of War - 5:45
5. 1 6 4 8 - 3:55
6. The Carolean's Prayer - 6:14
7. Carolus Rex ("King Charles") - 4:54
8. Killing Ground - 4:25
9. Poltava - 4:04
10. Long Live the King - 4:10
11. Ruina Imperii - 3:24

Phantom Lord

Aqui estou a ouvir o Carolus Rex do Sabaton, graças ao retorno do Metal Mercante ao blog. A verdade é que ouvi este disco antes do que eu esperava, para não morrer de tédio em meu "novo ambiente de trabalho" monótono e sem ar-condicionado. Copiei o álbum do "dropbox metalcólatra" em meu horário de almoço e lá fui eu. 
Horas depois, chegando em meu covil, com sombra e água fresca, ouvi novamente este histórico trabalho musical sueco.
Rapidamente percebi que o trabalho (o álbum, não a m%$#@ do meu emprego) se trata de um speed e/ou power metal com pitadas do ar épico ou pseudo-épico. Ou eu posso chamar de metal "melódico"? Não sei e não importa o nome do rótulo mesmo... 

 The Lion of north não me impressionou, mas não é ruim. A faixa 3, de nome incógnito (sueco?) é mais interessante do que a anterior. A Life Time of War é mais lenta e melancólica, porém isso não a torna pior que as demais músicas, pelo contrário, em minha opinião esta música é melhor do que as primeiras... 1648... pelos meus cálculos os dois números intermediários desta data constituem a nota desta música quando separados por uma vírgula. Então temos uma mescla do power metal com uma oração nórdica medieval... legal... seguida pela faixa título... legal... Killing Ground começa bem, porém passa por um momento "sou igual as outras faixas" retornando com um solo de guitarra atraente. Poltava... interessante, talvez uma das melhores deste disco. Long Live the King merece uma nota um pouco superior ao álbum de mesmo nome que passou por aqui há meses... Runa Imperii segue o padrão da maioria das músicas do álbum. 

 Ok, após avaliar as faixas individualmente, vamos analisar o todo: o bateria está consideravelmente redundante (as vezes isso não interfere tanto, como aconteceu em Louder Than Hell do Manowar), porém temos mais um probleminha aqui: o vocalista não é ruim... nem bom. Não atinge agudos, não puxa pro "melódico" nem grita ou força a voz para se aproximar de um "power" mais Virgin steele ou Manowar... 
As músicas também contam com corais que tentam gerar ambientes supostamente épicos e ocasionais sons similares a teclados discretos (similar, ou o próprio teclado, tanto faz). Essas características estão fiéis a um gênero (ou subgênero, que seja...) musical, mas estão todas enlatadas (ou engessadas como diria o Magician), fazendo com que no final das contas, tudo soe bem Genérico. Seria comum na escandinávia o "Power Metal Genérico"? 
Obviamente os fãs da espécie de metal abordado pelo Sabaton devem gostar bastante deste álbum. Mas eu devo ser aquele stubborn-old-school-metal, ranzinza e saudosista né... 

 Dominium.../The Lion of the North 6,9 
Gott Mit Uns 7,0 
A Life Time of War 7,5 
1648 6,4 
The Carolean`s Prayer 6,2 
Carolus Rex 6,3 
Killing Ground 7,2 
Poltava 7,4 
Long Live the King 6,4 
Ruina Imperii 6,5 

 A faixa-bônus In the Army Now, ficou interessante, apesar de que eu nem me lembro de quem é a versão original. 
Enfim, nenhuma faixa chega a ser medíocre ("notas 5"), porém muitas são apenas razoáveis, os destaques do álbum ficam por conta de A Life Time of War, Killing Ground e Poltava. 
 Modificadores: - 
 Nota: 6,7 

The Trooper
3 Cá estou eu mais uma vez me preparando para escrever uma resenha para o Metalcólatras e lamentando a perda de tempo que isto é quando tenho que “resenhar” um cd tão...tão....tão porra nenhuma... Do mesmo jeito que esse cd é uma mistureba de tudo que é razoavelmente bom no metal hoje em dia, eu pensei em pegar pedaços de resenhas minhas antigas, amarrar daqui, costurar dalí e voilá, uma resenha digna desse cd. Convenhamos, Carolus Rex da banda Sabaton é um bom álbum no geral, mas é igual a tudo o que eu já ouvi por aí, não adiciona nada, absolutamente nada de novo, nada de espetacular ou chocante...nada. No limite, a música “Poltava” é a única que me chamou a atenção. De resto, a mesma fórmula de sempre, refrãos até que “relembráveis”, riffzinhos de guitarra bacanas e só. Esse álbum foi uma grande perda de espaço aqui no blog, pois não é bom o suficiente para justificar sua presença e também não ruim ou polêmico suficiente para valer a pena escrever algo sobre ele.

p.s.: OK, foi picuinha, mas é bem por aí, além dos vocais graves nas partes lentas das músicas, não há nada de inovador nesse trabalho. A banda abusa dos tecladinhos e corinhos em uma tentativa fracassada de transmitir algum epicismo.

p.p.s.: Aí Magician, fica a dica do que escolher para usar como cover na faixa bônus de um álbum: é só escolher uma música bem bundona, que não tem como não melhorar (como "In The Army Now").

nota: \m/\m/\m/


  Metal Mercante

As vezes eu cismo com um álbum.

Conheci Sabaton através do ótimo “The Art of War” e só depois fui tomar conhecimento que a banda já havia sido premiada várias vezes, apareceu na Billboard americana, top 20 na Alemanha e recebeu duas nomeações ao Grammy Sueco, o que é equivalente a vencer uma partida classificatória no campeonato da Mooca de Futebol de botão, mas já é alguma coisa, convenhamos…
 
O mais importante do álbum é o conceito, realmente fazia um bom tempo que eu não via um lançamento de álbum desse tipo e com essa qualidade. Até aqui dentro do Metalcólatras o pessoal parece apreciar os álbuns que contam uma boa história, como  Nightfall in Middle Earth, Tunes of War e Avantasia, mas desde 2011 não aparece nada desse tipo por aqui, não que Carolus Rex seja comparável a essas obras primas, mas certamente é um bom álbum para se ouvir e provavelmente um dos melhores lançamentos de 2012.

A história do cd fala sobre a “Stormaktstiden” que se não me engano tem a ver com a independência da Suécia e começa com “Gustavus Adolphus” que era o “Lion from the North” que é uma ótima música, passa pela Guerra dos trinta anos “1648” e “A Lifetime of War”, depois muda o foco para a ascensão da próxima linhagem real os “Caroleans” que eram a unidade de elite de Karl XI e Karl XII onde a ótima “The Carolean’s Prayer” dá o tom para uma das melhores músicas do álbum “Carolus Rex” a qual sempre que no meu player obrigatoriamente é repetida pelo menos 3x, pena que ele morre algumas músicas depois…

Olha só que belo trabalho os fãs da banda fizeram com a música “Carolus Rex”…
http://www.youtube.com/watch?v=WnAvNdVyJB0

Além dessas, a música “Gott Mit Uns” e “Poltava” merecem destaque, provavelmente é uma boa ouvir esse álbum juntamente com as letras ou o Google/Wikipedia para tentar compreende-lo mais a fundo…



…Ou você pode escutar os conselhos dos sapientes Phantom e Trooper e simplesmente ignorar qualquer álbum lançado depois de 1990, afinal, demorou 23 anos para eles decorarem todas as letras do “Master of Puppets”, seria um desperdício não cantar o mais alto possível enquanto toma banho…aos sábados…

The Magician
Carolus Rex tem tudo para ser um ótimo trabalho, mas não é. Tem músicos competentes, vocalista com uma assinatura bem peculiar e interessante, temas produtivos para o Power Metal, produção muito boa e boas variações entre as faixas. O trabalho é indiscutivelmente bem sólido, a banda percorre as trilhas mais seguras do metal, como os coros graves e contundentes, cavalgadas distorcidas e bumbos bem trabalhados, e com certeza não oferece nenhuma cagada para o ouvinte. 
Mas se você cavucar e cavucar mais, não encontrará nenhuma grande melodia, daquelas realmente marcantes que crava o CD no seu playlist, ou que pelo menos faça você se lembrar depois de alguns meses da banda. O que é uma pena, pois pelas qualidades supracitadas da banda, havia uma grande chance de um ou outro super hit surgir no repertório. 
Depois de uma semana e meia escutando, consegui no máximo solfejar a música "In the Army Now", com mais aderência que as demais composições, só que infelizmente é na verdade um cover (da banda Status Quo), esmaecendo de vez a obra em questão.
Trabalho razoável, mas que deixa um sabor muito forte de "quero mais". Nota 6 ou \m/\m/\m/.

Bem, devido à síntese sucinta do álbum, gostaria de aproveitar para discutir alguns pontos polêmicos do metal aqui no blog, e levantar novamente a bola sobre a nacionalidade e regionalismo do nosso amado cenário musical "Heavy".

Não pude ignorar o fato de que novamente temos uma banda nórdica sob análise dos Metalcólatras, mais especificamente uma banda sueca, o que me fez executar um levantamento sobre a nacionalidade das bandas que "emprestaram" seus materiais para nossas resenhas. A lista completa está disponível na página "Futilidades", mas resumido na sequencia informativa abaixo:


O panorama acima demonstra o histórico completo de bandas que tiveram títulos postados em nosso site metaleiro, racionalizando essa amostra por país-origem de cada grupo, e quando em carreira solo, a nacionalidade do artista principal. Mas mais do que isso, esse informativo toma novamente nossos críticos e nossas sugestões de postagem como um microuniverso projetado do grande cenário Heavy Metal, e não falha em mostrar onde se encontram os grandes centros de geração e sustentação desse nicho.
Minha interpretação sobre os dados acima, é de que obviamente os países mais ricos e desenvolvidos culturalmente subsidiam mais diretamente a formação de bandas metaleiras, e particularmente eu colocaria de forma igualitária os 3 países da foto desse pódio acima (EUA, Inglaterra e Alemanha), já que nossas opções e gostos particulares podem ter desviado um pouco a diferença de postagens internas entre essas bandeiras.
Sobre o Brasil na quinta colocação, eu atribuiria ao fato do blog ser brasileiro, e que apenas por causa disso, existe um maior acesso às bandas nacionais por parte dos críticos.
Mas o curioso é verificar que os países nórdicos fornecem uma quantidade espantosa de artistas do gênero, sendo que se somarmos a Finlândia e a Noruega (Mercyful Fate), a região empataria em postagens oferecidas com a Meca do Metal moderno - a Alemanha.
Poxa, mas porquê isso???? por que essa quantidade absurda, incentivo apenas do público, como diria o visionário vocalista Edu Falaschi, afinal como ele disse, a Suécia é um * (c...), porque afinal?? qual o motivo?
A imagem que coloquei acima quer dizer apenas que o brasileiro é um povo boq....?



Edu não falou uma completa besteira... mas acho que não foi no ponto exato do problema. Para ajudar o querido colega leitor metaleiro, e ao próprio Edu a expandir sua percepção vou contar uma rápida história.

Ao terminar o ensino equivalente ao médio local, um jovem desinteressado pelo mercado de trabalho e aos fluxos sociais ocasionais, não sabia bem o que fazer, mas já saiu do colégio profissionalizante com um emprego garantido, por isso aceitou. O emprego era como auxiliar químico em um laboratório local que pagava o suficiente ao jovem para que ele sustentasse a si próprio em uma moradia própria. Mas o jovem após anos nesse cargo continuava desinteressado, e com influência das amizades, dos locais que frequentava e dos ídolos artistas que escutava, o jovem "se arriscou a mudar de vida" abandonando seu emprego para assumir um posto de artísta freelancer. Quando assumiu essa posição o jovem foi considerado um artista desempregado pelo governo de onde vivia, e passou a receber uma "ajuda de custo" equivalente a =~ 
U$ 1.500 mensalmente, até que conseguisse ingressar em uma banda e se emancipar dessa fatia social.....
Sim, o cara recebia mil e quinhentos dólares por mês devido ser um artista desempregado. 

O ídolo era Alice Cooper, o país a Noruega e o jovem era Kim Bendix ou King Diamond.

Moral da história: Não acho que a cultura do país é descartável na hora de reconhecer ou não o talento de seus artistas; mas acho que como sempre e em qualquer segmento social, o dinheiro sempre fala mais alto. E o motivo de nossas dificuldades aqui no Brasil (e sim, em qualquer outro segmento, não apenas no artístico) é a ganância daqueles que detém o poder e renda contributiva, retroalimentando uma impermeável classe de sanguessugas vis e opressoras.